sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Guia das Sequências de Passos na Patinagem Artística: movimento, ritmo e precisão

Guia das Sequências de Passos na Patinagem Artística: movimento, ritmo e precisão

As sequências de passos são um dos elementos mais importantes da patinagem artística. Representam a capacidade do patinador de combinar técnica, precisão e interpretação musical enquanto percorre o rinque com uma variedade de viragens e movimentos complexos. São avaliadas tanto pela execução técnica como pela qualidade artística.

O que é uma sequência de passos?

É um elemento coreografado composto por: mudanças de direção, diferentes tipos de viragens, variações de ritmo, uso amplo do rinque, movimentos de braços e tronco que complementam a música

O objetivo é demonstrar controlo, fluidez, precisão e ligação à coreografia.

Tipos principais de sequências de passos

1) Sequência de passos em linha reta (Straight Line Step Sequence)

O patinador atravessa o rinque numa trajetória predominantemente linear, geralmente de um lado ao outro.

Características técnicas: uso de viragens variadas (three turns, brackets, rockers, counters, choctaws); velocidade constante; movimentos definidos e contínuos; utilização clara de toda a extensão da linha reta.

2) Sequência circular (Circular Step Sequence)

O patinador executa passos e viragens seguindo um percurso circular.

Características técnicas: movimento contínuo em curva; controlo da profundidade das lâminas; fluidez e consistência na trajetória; variações de direção dentro do círculo.

3) Sequência serpentina (Serpentine Step Sequence)

O patinador percorre o rinque em forma de “S”, alternando curvas amplas.

Características técnicas: alternância clara entre curvas para a esquerda e para a direita; uso equilibrado do rinque; variedade de viragens integradas na trajetória ondulante; ligação musical evidente.

4) Choreographic Step Sequence

Elemento mais livre, focado na expressão artística e na interpretação musical.

Características técnicas: passos menos restritos em termos de dificuldade obrigatória; liberdade coreográfica; integração com o estilo do programa; fluidez e intenção artística.

O que os juízes avaliam?

Os critérios incluem:

1. Variedade de viragens e passos

O patinador deve demonstrar domínio de diferentes tipos de viragens, incluindo: three turns, brackets, rockers, counters, mohawks e choctaws.

2. Profundidade e controlo das lâminas

Curvas profundas e bem controladas mostram técnica avançada.

3. Velocidade e fluidez

A sequência deve manter ritmo e continuidade, sem quebras ou hesitações.

4. Utilização do rinque

O patinador deve ocupar o espaço de forma eficiente e equilibrada.

5. Precisão e estabilidade

Viragens limpas, sem derrapagens ou perda de controlo.

6. Ligação à música

A sequência deve refletir o estilo, ritmo e caráter do programa.

 Como identificar rapidamente durante uma transmissão

  • Movimento linear: straight line

  • Trajetória circular: circular

  • Percurso em S: serpentine

  • Movimentos mais livres e expressivos: choreographic sequence

  • Muitas viragens seguidas: sequência de passos (independentemente do tipo)

As sequências de passos são um dos elementos mais técnicos e expressivos da patinagem artística. Quando compreendidas, revelam a verdadeira qualidade do patinador: controlo, precisão, musicalidade e domínio das lâminas. Ao reconhecer os diferentes tipos e critérios de avaliação, o espectador passa a ver estes momentos não como simples transições, mas como demonstrações de técnica avançada e interpretação artística.

Até amanhã :)





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Guia das Piruetas na Patinagem Artística: como reconhecer cada uma (sem ficar tonto)

Guia das Piruetas na Patinagem Artística: 

como reconhecer cada uma (sem ficar tonto)


Se os saltos são os “uau!”, as piruetas são os “como é que não caem para o lado?”. Hipnóticas, rápidas e cheias de variações, são também um dos elementos que mais confunde quem está a ver patinagem pela primeira vez. Mas não te preocupes: depois deste guia, vais conseguir distinguir uma pirueta sentada de uma upright sem ter de fingir que percebes tudo.

Os 3 tipos básicos de piruetas

Pirueta de pé (Upright Spin)

O patinador gira… de pé. Simples, elegante e perfeita para mostrar flexibilidade.

Como reconhecer: corpo vertical; perna livre pode estar à frente, atrás ou a tentar tocar na orelha (às vezes literalmente)

Pequena nota: A pirueta Biellmann, aquela em que puxam a perna acima da cabeça, é o momento em que todos nós pensamos: “Eu mal consigo tocar nos joelhos…”.

2) Pirueta de camelo (Camel Spin)

O corpo fica paralelo ao gelo, com a perna livre esticada atrás.

Como reconhecer: tronco inclinado para a frente; perna livre horizontal; forma longa e estável.

Pequena nota: Em inglês chama‑se camel spin, mas em português “pirueta em posição de camelo” soa tão estranho que parece uma postura de yoga inventada por alguém que desistiu a meio da aula.

3) Pirueta sentada (Sit Spin)

O patinador baixa o centro de gravidade e gira numa posição quase sentada.

Como reconhecer: joelho da perna de apoio muito dobrado; perna livre esticada ou dobrada; parece que o patinador está sentado numa cadeira invisível

Pequena nota: É a única cadeira invisível do mundo onde ninguém se queixa de dores nas costas (pelo menos até sair do gelo).


Piruetas combinadas

O patinador muda de posição durante a rotação. Por exemplo: camelo → sentada → de pé.

Pequena nota: É o equivalente na patinagem de “trocar de roupa em 3 segundos”, mas sem parar de girar.


Piruetas com mudança de pé

O patinador troca o pé de apoio a meio da pirueta.

Pequena nota: Se já é difícil girar com um pé, imagina trocar para o outro sem parecer um flamingo confuso (ou bêbado).


Piruetas de par e dança no gelo

Aqui a magia é dupla: sincronização, ligação e muito controlo.

Pequena nota: É como tentar dançar uma valsa enquanto giras muito rápido sem pisar o parceiro mas mil vezes mais perigoso. Um feito digno de medalha só por existir.

Como distinguir piruetas rapidamente


  • corpo vertical = upright

  • corpo paralelo ao gelo = camelo

  • posição sentada = sit

  • mudança de posição = combinada

  • mudança de pé = com mudança de pé (duh)

  • perna acima da cabeça = Biellmann (e um lembrete de alongar mais vezes)

Exemplo do posição sentada


A patinagem artística deixa de ser um borrão de rotações quando percebes o que estás a ver. E com estas notas humorísticas, talvez até te apanhes a rir enquanto identificas uma pirueta sentada ou um camelo com variação.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Saltos na Patinagem Artística: Um guia simples para fãs recém‑chegados

 Saltos na Patinagem Artística:

 Um guia simples para fãs recém-chegados

Durante os Jogos Olímpicos, há sempre um momento em que alguém pergunta: “Mas afinal qual é a diferença entre um toe loop e um lutz?”. Criei este guia a pensar nestas pessoas. 

A patinagem artística tem seis saltos principais, cada um com a sua personalidade e, depois de os conheceres, nunca mais vais vê‑los da mesma forma.

Antes de mais é importante saber que existem 2 grupos de saltos. Todos os saltos pertencem a uma destas categorias:

Saltos com apoio na lâmina (edge jumps) - O patinador salta diretamente da lâmina, sem usar o “pico” (aquela pontinha dentada da bota).

Saltos com apoio no pico (toe jumps) - O patinador usa o pico da outra bota para impulsionar o salto.

Saber isto já ajuda imenso mas metade da batalha é perceber como o salto começa.


Os 6 saltos principais

Toe Loop (toe jump)

Entrada: de costas, com apoio no pico. Sensação geral: o mais simples dos toe jumps. Como reconhecer: parece “natural”, fluido, sem grande preparação. Fun fact: é muitas vezes o primeiro salto triplo que os patinadores aprendem.

Salchow (edge jump)

Entrada: de costas, na lâmina interior. Sensação geral: suave, redondo, quase como um balanço. Como reconhecer: o patinador faz um movimento de balanço com a perna livre antes de saltar.

Loop (edge jump)

Entrada: de costas, lâmina exterior. Sensação geral: compacto e elegante. Como reconhecer: o patinador salta com os pés muito juntos, sem usar o pico.

Flip (toe jump)

Entrada: de costas, lâmina interior + apoio no pico. Sensação geral: técnico e preciso. Como reconhecer: parece um “lutz pequeno”, mas com entrada na lâmina interior.

Lutz (toe jump)

Entrada: de costas, lâmina exterior + apoio no pico. Sensação geral: poderoso e muito difícil. Como reconhecer: o patinador desliza para trás numa curva exterior longa antes de espetar o pico. Curiosidade: é o salto mais fácil de confundir com o flip. A diferença está na lâmina no momento exato da entrada.

Axel (edge jump)

Entrada: de frente, lâmina exterior. Sensação geral: o salto mais icónico. Como reconhecer: é o único salto que começa de frente, por isso tem sempre meia volta extra.

Exemplo:

  • Axel simples → 1,5 voltas

  • Duplo Axel → 2,5 voltas

  • Triplo Axel → 3,5 voltas


Como distinguir os saltos rapidamente

Para quem está a ver em direto e não tem tempo para pensar muito:

Começa de frente? Axel.

Usa o pico? Toe loop, flip ou lutz.

Não usa o pico? Salchow, loop ou axel.

Entrada longa na lâmina exterior antes do pico? Lutz.

Entrada interior antes do pico? Flip.

Movimento de balanço antes do salto? Salchow.

Pés muito juntos na entrada? Loop.

A patinagem artística é um desporto cheio de detalhes técnicos, mas também cheio de magia. Quando percebes a diferença entre os saltos, cada programa ganha uma nova camada. É como se estivesses a ver a modalidade com “óculos especiais”.