O segunde evento do circuito
Challenger Series 2017/2018 decorreu nos Estados Unidos com o US International
Figure Skating Classic.
Na categoria de dança, o par Madison
Hubbell & Zachary Donohue (Estados Unidos) dominou completamente a
competição e conseguiu a medalha de ouro com mais de 25pts de vantagem sobre os
seus compatriotas Kaitlin Hawayek & Jean-Luc Baker.
Hubbell & Donohue obtiveram uma
nota de 71.15pts na dança curta. Os twizzles (6.25pts) e a sequência parcial de
passos (7.80pts) não foram além do nível 2. A sequência de passos em que os
patinadores não se tocam (9.30pts) e a figura de elevação em curva (5.50pts)
foram classificadas com o nível 3. Os passos obrigatórios de rumba (6.20pts)
atingiram o nível 4. Nos segmentos dos componentes, este par ficou com médias
de 8.88 na perícia, 9.00 nas transições, 9.00 na performance, 9.13 na
composição e 9.13 na interpretação da música/interpretação. Se eles conseguirem
trabalhar os twizzles e essencialmente a sequência parcial de passos para um
nível superior, então é bom que comecem a considerá-los como uma séria ameaça
para os campeonatos nacionais dos Estados Unidos. O lugar de n.º 1 na selecção
americana está ao alcance deles para esta temporada.
Na dança livre, Hubbell & Donohue
conquistaram uma nota de 107.65pts. Em termos técnicos, este par conseguiu uma
prestação promissora e houve apenas um senão: a primeira sequência de passos
(7.80pts) foi de nível 2. A sequência de passos na diagonal foi de nível 3 e
recebeu 9.03pts. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4 e totalizaram
17.25pts. A terceira figura de elevação levou a que lhes fosse aplicada uma
dedução automática de um ponto devido ao facto de ter sido ultrapassado o
limite de tempo permitido pelas regras. O peão (6.80pts) e os twizzles
(8.40pts) também foram de nível 4. Uma coisa que gostei na construção do
desenho do esquema é que os dois elementos coreográficos foram distribuídos
pelo programa. Eles optaram por um peão coreográfico (2.58pts) como terceiro
elemento e por um twizzles coreográfico (2.40pts) no final do programa. As suas
médias nos componentes foram excelentes: 9.00 na perícia, 8.81 nas transições,
9.13 na performance, 9.19 na composição e 9.19 na interpretação da
música/timing. O juiz n.º 1 é que parece não ter ficado muito convencido pois a
nota mais alta que lhes marcou foi um 8.25 na interpretação da música/timing.
No início desta competição
esperava-se que o par dinamarquês Fournier-Beaudry & Sorensen estivesse na
luta por uma medalha, depois dos bons resultados que têm obtido nas últimas
temporadas. O resultado obtido aqui foi desapontante pois ficaram em quarto
lugar, a uma distância pontual de 9.49 da medalha de bronze. Na categoria de
dança, esse fosso pontual é muito grande.
A medalha de bronze ficou nas mãos do
par japonês Kana Muramoto & Chris Reed.
Na categoria de senhoras não faltou
animação. A jovem japonesa Marin Honda chegou, viu e venceu na sua estreia no
escalão sénior a nível internacional. Honda ficou em primeiro lugar tanto no
programa curto como no programa livre e não parecia minimamente incomodada por
estar a competir contra atletas muito mais experientes do que ela.
Marin Honda iniciou o seu programa
curto com um peão layback (3.00pts) de nível 4, a que se seguiu a combinação de
triplo flip+triplo toeloop (10.44pts). Depois ela avançou para o peão flying
camel de nível 4 que recebeu 3.90pts. A sequência de passos foi de nível 3 e
obteve 4.10pts. Já na segunda metade do programa, ela apresentou o triplo loop
(7.01pts) e o duplo axel (4.23pts), tendo assim beneficiado de bónus no valor
base. O esquema foi terminado com um peão de combinação com mudança de pé que
atingiu o nível 4 e recebeu 4.10pts. As médias obtidas por Honda nos componentes
que fazem parte da segunda nota foram fixadas em 7.50 na perícia, 7.25 nas
transições, 7.65 na performance, 7.60 na composição e 7.65 na interpretação da
música. A sua pontuação total no programa curto foi de 66.90pts.
No programa livre, Marin Honda obteve
uma pontuação de 131.52pts. Na primeira metade do esquema, ela efectuou um
triplo lutz (6.28pts) e uma combinação de triplo flip+triplo toeloop
(10.86pts). Na segunda metade do programa, Honda realizou uma combinação de
duplo axel+triplo toeloop (9.34pts), um triplo flip (7.09pts), duplo salchow
(1.55pts), um triplo loop (6.59pts) e uma combinação de duplo axel+duplo
toeloop+duplo toeloop (6.79pts). O que Honda executou na competição não foi o
plano de saltos que ela tinha previsto fazer. O início do programa foi igual ao
estipulado mas na segunda metade ocorreram alterações significativas. Em vez do
triplo flip isolado, era suposto que Honda tivesse realizado uma combinação de
triplo lutz+duplo toeloop+duplo loop. O duplo salchow era suposto ter sido um triplo.
A combinação final de duplo axel+toeloop+toeloop era suposto ter sido um axel
isolado. No entanto, como ela não arriscou a combinação do lutz teve de
improvisar uma solução para não ficar com uma combinação a menos no programa, o
que lhe teria custado muitos pontos. A sequência de passos foi de nível 3 e
ficou com 3.90pts enquanto a sequência coreográfica lhe garantiu 3.26pts. Os
peões foram todos classificados com o nível 4 e permitiram-lhe amealhar um
total de 10.90pts. Nos componentes as suas médias fixaram-se em 8.20 na
perícia, 7.85 nas transições, 8.25 na performance, 8.10 na composição e 8.20 na
interpretação da música.
Mirai Nagasu, quarta classificada nos
Jogos Olímpicos de Vancouver em 2010, ficou com a medalha de prata. A sua
participação nesta competição tem muito a ver com a luta interna que decorre no
seio da equipa dos Estados Unidos para a qualificação para a equipa que irá
representar o país nos Jogos Olímpicos de 2018. Para já, as coisas correram bem
a Nagasu pois deixou para trás a sua compatriota Karen Chen que teve de
contentar-se com o bronze, a 1.22pts da prata.
Mirai Nagasu obteve uma nota de
63.81pts no programa curto que lhe permitiu segurar o terceiro lugar nessa fase
da competição. A grande novidade técnica no reportório de Nagasu foi que ela
arriscou um triplo axel logo no início do programa. O axel foi punido com grau
de execução negativo e ficou com 6.90pts. O triplo flip foi o segundo elemento
e recebeu 3.76pts depois de também ter sido punido com grau de execução negativo.
Como combinação de saltos, Mirai Nagasu optou por um triplo lutz+duplo toeloop
na segunda metade do esquema. A combinação ficou com o valor base de 8.03pts. A
entrada no lutz não foi definida com clareza e o painel técnico não deixou
passar isso em branco. O esquema de saltos é, de facto, ambicioso mas com Mirai
nunca se sabe… Se ela conseguir melhorar o seu estado de forma e ganhar
consistência nas suas prestações talvez tenha hipóteses nos nacionais dos
Estados Unidos. A sequência de passos (3.90pts) foi de nível 3 e os peões foram
todos de nível 4 (total de 11.70pts. Como médias nos segmentos dos componentes,
Mirai conquistou 7.50 na perícia, 7.10 nas transições, 7.35 na performance,
7.60 na composição e 7.35 na interpretação da música.
No programa livre, Mirai Nagasu ficou
com uma nota de 119.73pts, que a colocou na segunda posição dessa fase da
competição. Dos sete elementos de salto, seis foram punidos com grau de
execução negativo. Apenas o triplo loop final foi considerado limpo e recebeu
6.17pts. Os saltos penalizados foram o triplo axel (8.10pts), a combinação de
triplo flip+triplo toeloop (7.60pts), triplo salchow (2.40pts), combinação de
duplo axel+triplo toeloop+duplo toeloop (7.12pts), triplo lutz (2.52pts) e
combinação de triplo flip+duplo toeloop (4.94pts). Mirai tem um problema
crónico de falta de rotação e aldraba constantemente a última volta, tornando
os saltos incompletos. Ironicamente, a rotação no triplo axel foi completa. Os
peões foram todos de nível 4, tendo obtido um total de 12.10pts. A sequência
coreográfica rendeu-lhe 2.70pts e a sequência de passos de nível 3 recebeu
3.80pts. Este programa deve ter sido um pesadelo para o painel de juízes pois
foi radicalmente alterado do que estava previsto. O elemento de abertura devida
ter sido a combinação de triplo flip+triplo toeloop mas ela apresentou o triplo
axel. O segundo elemento estava para ser o triplo lutz mas Mirai executou uma
combinação de triplo flip+triplo toeloop. Supostamente, a sequência de passos
deveria ter sido o quarto elemento mas Mirai fez um peão de combinação com
mudança de pé. Onde era suposto realizar uma combinação de triplo loop+duplo
toeloop, a patinadora apresentou o triplo lutz isolado. O triplo loop isolado
estava planeado como oitavo elemento mas em vez disso Mirai realizou a
combinação flip+toeloop. O nono elemento estava previsto ser o peão de
combinação mas Mirai fez a sequência de passos. Onde deveria estar um duplo
axel isolado, Mirai realizou a sequência coreográfica. Onde era suposto estar a
sequência coreográfica, Mirai fez um triplo loop isolado. Resumindo: uma dor de
cabeça das grandes. Depois disto tudo, como é que um programa pode ter uma boa
avaliação em sede de componentes? É que até a sequência de passos e a sequência
coreográfica foram mudadas de sítio! Que coerência pode ter um programa destes?
Mesmo assim, Mirai safou-se com médias de 8.05 na perícia, 7.65 nas transições,
7.90 na performance, 8.05 na composição e 7.90 na interpretação da música.
Na categoria masculina, Nathan Chen
(Estados Unidos) confirmou todo o favoritismo e venceu a medalha de ouro
confortavelmente. Max Aaron, também dos Estados Unidos, ficou com a medalha de
prata e o canadiano Liam Firus segurou a medalha de bronze. Desilusão para
Takahito Mura (Japão), Michal Brezina (Rep. Checa) e Daniel Samohin (Israel)
que ficaram afundados na classificação geral e longe das suas melhores
prestações.
Nathan Chen liderou o programa curto
com uma nota de 91.80pts. O esquema foi iniciado com um triplo axel (10.10pts),
a que se seguiu um peão flying sit (3.80pts) de nível 4. O terceiro elemento
foi um peão camel com mudança de pé que foi classificado com o nível 3 e
recebeu 3.20pts. Na segunda metade do esquema, Nathan arriscou uma combinação
de quádruplo flip+duplo toeloop (13.76pts) que perdeu 1.20pts do valor base
devido à aplicação de grau de execução negativo. Depois foi a vez do triplo
lutz (7.44pts). Seguidamente, ele realizou a sequência de passos de nível 3 que
recebeu 4.60pts. O esquema foi terminado com um peão de combinação com mudança
de pé de nível 4 que lhe rendeu 4.50pts. Nos segmentos dos componentes do
programa, as suas médias fixaram-se em 8.85 na perícia, 8.80 nas transições,
8.85 na performance, 8.95 na composição e 8.95 na interpretação da música.
Nathan Chen ficou em primeiro lugar
no programa livre com uma nota de 183.24pts. Como já vem sendo hábito, Nathan
brindou-nos com dois quádruplos logo no início do programa. Ele realizou um
quádruplo loop (13.60pts) e um quádruplo lutz (15.80pts). Como terceiro
elemento, este patinador efectuou uma combinação de triplo flip+triplo toeloop
(10.58pts). Os restantes saltos foram colocados na segunda metade do esquema:
combinação de triplo lutz+duplo toeloop (8.87pts), um triplo flip (6.81pts), um
duplo toeloop (1.59pts) e uma combinação de triplo axel+duplo toeloop+duplo
loop (12.13pts). Na última combinação, o duplo toeloop foi considerado inválido
pois já era o terceiro duplo toeloop do esquema e isso corresponde a uma
violação da regra conhecida como Zayak para a limitação de repetição do mesmo
salto durante um esquema. Todos os peões foram de nível 4 e totalizaram
12.90pts. A sequência de passos foi de nível 3 e recebeu 4.30pts. A sequência
coreográfica amealhou 2.98pts. As médias apuradas nos segmentos dos componentes
que fazem parte da segunda nota fixaram-se em 8.75 na perícia, 8.45 nas
transições, 8.80 na performance, 9.05 na composição e 8.95 na interpretação da
música.
Na categoria de pares a vitória
sorriu ao par canadiano composto por Kirsten Moore-Towers & Michael Marinaro.
As medalhas de prata e de bronze ficaram com pares da casa: Alexa
Scimeca-Knierim & Chris Knierim e Chelsea Liu & Brian Johnson
respectivamente. Haven Denney & Brandon Frazier surpreenderam pela negativa
e terminaram em quarto lugar mas bem longe dos terceiros classificados em
termos de pontuação.
Moore-Towers & Marinaro
concluíram o programa curto com uma nota de 65.76pts. O triplo twist de nível
1, elemento de abertura, ficou meramente com o valor base de 5.40pts. Os outros
elementos beneficiaram de grau de execução positivo. Como saltos lado-a-lado,
este par optou pelo triplo toeloop que recebeu 5.14pts. O salto lançado foi um
triplo loop que obteve 5.42pts. A sequência de passos (5.02pts), a figura de
elevação (5.50pts), a espiral da morte interior (4.76pts) e o peão (5.20pts)
foram todos classificados com o nível 4. Em termos de componentes, as médias
obtidas fixaram-se em 7.40 na perícia, 7.15 nas transições, 7.25 na
performance, 7.35 na composição e 7.50 na interpretação da música.
No programa livre, Moore-Towers &
Marinaro ficaram com uma pontuação de 123.00, que os colocou em segundo lugar,
atrás de Scimeca-Knierim & Knierim, nessa fase da prova. O par canadiano
contou com dois elementos punidos com grau de execução negativo: a tentativa de
combinação de duplo axel+loop+triplo salchow (6.30pts) e a segunda figura de
elevação (3.40pts). As outras duas figuras de elevação foram de nível 3 e
totalizaram 13.00pts. O salto isolado lado-a-lado foi o triplo toe loop
(4.58pts). O tripo twist foi de nível 2 e ficou com 6.22pts. Os saltos lançados
foram o triplo loop (6.40pts) e o triplo salchow (5.20pts). Os dois peões
atingiram o nível 4 e totalizaram 8.84pts. A espiral da morte exterior para
trás foi de nível 3 e obteve 5.26pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes
2.28pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 7.70 na perícia,
7.55 nas transições, 7.70 na performance, 7.80 na composição e 7.70 na
interpretação da música.
Senhoras
Vídeos Marin Honda Curto
Livre
Mirai Nagasu Curto
Livre
Karen Chen Curto
Livre
Resultado final
1.º - Marin Honda (Japão) - 198.42pts
2.º - Mirai Nagasu (EUA) - 183.54pts
3.º - Karen Chen (EUA) - 182.32pts
4.º - Kaori Sakamoto (Japão) - 169.12pts
5.º - Mariah Bell (EUA) - 168.66pts
6.º - Alicia Pineault (Canadá) - 150.52pts
7.º - Brooklee Han (Austrália) - 131.02pts
8.º - Michelle Long (Canadá) - 119.98pts
9.º - Paige Rydberg (EUA) - 119.71pts
10.º - Aimee Buchanan (Israel) - 107.78pts
Desistência - Stephanie Yuung-Shuh Chang (Taipé)
Homens
Vídeos
Nathan Chen
Curto
Livre
Max Aaron
Curto
Livre
Não disponível
Liam Firus
Curto
Livre
Resultado final
1.º - Nathan Chen (EUA) - 275.04pts
2.º - Max Aaron (EUA) - 261.56pts
3.º - Liam Firus (Canadá) - 248.29pts
4.º - Yaroslav Paniot (Ucrânia) - 233.16pts
5.º - Kazuki Tomono (Japão) - 225.30pts
6.º - Timothy Dolensky (EUA) - 214.94pts
7.º - Takahito Mura (Japão) - 205.38pts
8.º - Sean Rabbitt (EUA) - 204.46pts
9.º - Michal Brezina (Rep. Checa) - 193.95pts
10.º - Daniel Samohin (Israel) - 191.20pts
11.º - Bennet Toman (Canadá) - 188.31pts
12.º - Jordan Dodds (Austrália) - 152.70pts
13.º - Andrew Dodds (Austrália) - 143.24pts
14.º - Chih-Sheng Chang (Taipé) - 114.68pts
Pares
Vídeos
Moore-Towers & Marinaro Curto Não disponível
Livre
Scimeca-Knierim & Knierim
Curto
Livre
Liu & Johnson Curto Não disponível
Livre
Resultado final
1.º - Kirsten Moore-Towers & Michael Marinaro (Canadá) - 188.76pts
2.º - Alexa Scimeca-Knierim & Chris Knierim (EUA) - 186.08pts
3.º - Chelsea Liu & Brian Johnson (EUA) - 181.40pts
Pares que não se qualificaram para o programa livre
Análise
A competição de pares foi a primeira
a terminar nos mundiais 2017. Durante a prova houve muitos nervos e grandes
surpresas, sendo que os chineses Sui & Han garantiram o seu primeiro título
mundial com dois programas excepcionais. Os alemães Savchenko & Massot
conquistaram com a medalha de prata e os russos Tarasova & Morozov
asseguraram a medalha de bronze.
Wenjing Sui & Cong Han passaram
por bastantes dificuldades depois da patinadora ter sido submetida a operações
cirúrgicas nos dois pés. O jovem par chinês teve de passar por um longo período
de recuperação e houve muita gente que duvidou da sua capacidade para regressar
rapidamente à alta-roda da competição mundial. Esta foi uma grande prestação do
jovem par. Força, caracter, domínio técnico e capacidade artística. Foi isso
que eles nos apresentaram.
No programa curto, Sui & Han
lideraram com uma excelente nota de 81.23pts. O tema musical escolhido foi o
icónico “Blues for Klook”. Essa música foi celebrizada no mundo da patinagem
com dois programas inesquecíveis: uma dança livre do par russo Usova &
Zhulin e um programa do japonês Daisuke Takahashi. Este programa curto de Sui
& Han não fica nada atrás. Eles iniciaram o esquema com um triplo toe loop
lado-a-lado (5.90pts), a que se seguiu um extraordinário triplo flip lançado
(7.60pts). Este flip recebeu +3 por parte de todos os juízes na escala do grau
de execução. Depois foi a vez do triplo twist de nível 4 que pontuou 8.20pts. A
espiral da morte (4.90pts) foi executada com primor e cumpriu os requisitos
para o nível 4. O peão em paralelo (3.50pts) foi o elemento mais fraco deste
esquema pois verificou-se uma certa dessincronização na fase inicial. Mesmo
assim, penso que foi justo não ter sido aplicado grau de execução negativo. O
peão foi classificado com o nível 3. A sequência de passos atingiu o nível 4 e
recebeu 5.60pts. O último elemento técnico foi a figura de elevação (8.70pts)
do grupo 5 de dificuldade que ficou com o nível 3. O juiz 5 apenas marcou 0 no
grau de execução da figura de elevação mas não percebi porquê. Os elementos
técnicos foram todos atacados com muita convicção e velocidade. A fluidez foi
outra das características desta prestação. Nos segmentos dos componentes que
fazem parte da segunda nota, as médias apuradas foram de 9.07 na perícia, 9.04
nas transições, 9.39 na performance, 9.25 na composição e 9.29 na interpretação
da música. O juiz 5 voltou a fazer das suas nos segmentos dos componentes ao
marcar apenas 8.75 na performance e composição e 8.50 na interpretação,
contrariando a maioria do painel.
No programa livre, Sui & Han
conquistaram 150.83pts. O programa foi fenomenal e apenas aconteceu um
percalço. O único elemento punido com grau de execução negativo foi o triplo
salchow lado-a-lado (2.30pts) pois ela caiu na recepção do salto. Este elemento
teve de ser punido com -3 na escala do grau de execução. A queda ainda fez com
que lhes fosse aplicada uma dedução automática de um ponto. Tudo o resto foi
impecável e obteve uma clara maioria de +2 e +3 nos graus de execução. O
impressionante quádruplo twist (10.46pts) foi de nível 3. A espiral da morte
(5.90pts), o peão em paralelo (4.71pts), o peão de par (4.71pts) e todas as
figuras de elevação (total de 24.20pts) foram todos classificados com o nível
4, que é o nível máximo. A combinação lado-a-lado foi de triplo toe loop-duplo
toe loop (6.90pts). Como saltos lançados, este par realizou um triplo salchow
(6.20pts) e um triplo flip (7.60pts). A sequência coreográfica permitiu-lhes
somar mais 3.80pts à nota técnica. As médias nos segmentos dos componentes
foram altíssimas e fixaram-se em 9.32 na perícia, 9.18 nas transições, 9.36 na
performance, 9.43 na composição e 9.61 na interpretação.
Sui & Han acertaram em cheio com
os programas para esta temporada. Fora dos elementos técnicos quase pareciam
dois dançarinos no que diz respeito à fluidez das transições. A técnica base é
maravilhosa e permite-lhes demonstrar um deslizar com muita suavidade. Uns
dignos campeões nestes mundiais.
Os alemães Aliona Savchenko &
Bruno Massot continuam na sua senda de se estabelecerem como um dos grandes
pares até 2018. Aliona nunca escondeu que quer uma medalha de ouro nos Jogos
Olímpicos, sendo que o título olímpico é de facto a única coisa que lhe falta
no seu currículo já tão recheado de grandes êxitos. Eles estão no bom caminho
embora Aliona tenha sofrido uma lesão no tornozelo que os impediu de competir
na final do grande prémio desta temporada. Nestes mundiais eles conquistaram a
medalha de prata com dois programas memoráveis. Esta foi a décima medalha
conquistada por Aliona em mundiais. Impressionante!
No programa curto, Aliona e Bruno
receberam uma nota de 79.84pts. O esquema iniciou-se com um triplo twist de
nível 4 que amealhou 8.70pts e recebeu +3 no grau de execução por parte de
todos os juízes. Seguiu-se o triplo salchow lado-a-lado (4.50pts) que dividiu o
painel quando ao grau de execução, sendo que três juízes aplicaram grau de
execução negativo enquanto outros três marcaram 0 e os restantes marcaram +2. É
que Aliona fez a recepção do salto com os dois pés. O triplo axel lançado foi o
único elemento efectivamente punido com grau de execução negativo que ficou com
5.56pts. A figura de elevação (9.00pts) do grupo 5 de dificuldade, a sequência
de passos (5.80pts), a espiral da morte (5.10pts) e o peão (4.43pts) atingiram
o nível 4. As médias dos segmentos dos componentes foram excelentes: 9.07 na
perícia, 9.04 nas transições, 9.25 na performance, 9.29 na composição e 9.29 na
interpretação da música. O juiz 3 chegou mesmo a marcar-lhes a nota 10.00 para
o segmento de interpretação.
O programa livre obteve uma pontuação
de 150.46pts. Eles optaram por patinar ao som de uma música que eu acho muito
bela. Eu penso que o par soube interpretar muito bem os assentos da música não
só com o movimento mas também com um misto de sensibilidade e força. Não é
fácil conseguir conjugar essas duas facetas ainda para mais executando
elementos de dificuldade elevada e mesmo assim manifestando sentimento. O
programa foi realmente muito belo apesar de terem ocorrido alguns erros. Aliona
fez uma recepção defeituosa em ambos os saltos lançados apresentados que foram
o triplo axel (7.41pts) e o triplo salchow (3.90pts). Como sequência esses dois
elementos foram punidos com grau de execução negativo. Esses dois erros custaram-lhe
a medalha de ouro. O triplo twist (7.90pts) foi meramente de nível 2 e
deixou-me com algumas dúvidas pois Bruno ajudou com o ombro quando apanhou
Aliona após o voo. Obviamente que isso não será suficiente para a aplicação de
grau de execução negativo mas analisando os protocolos parece que apenas o juiz
7 levou essa circunstância em consideração e marcou +1 enquanto os restantes
juízes marcaram +3. Eu concordo com o juiz 7. Como saltos lado-a-lado, este par
efectuou uma sequência de triplo toe loop-duplo toe loop (5.68pts) e realizou
um triplo salchow (5.20pts). Nos peões, o lado-a-lado ficou com 4.93pts e o de
par recebeu 5.50pts, tendo ambos atingido o nível 4. A espiral da morte foi
classificada com o nível 3 e obteve 5.40pts. As três figuras de elevação foram
brilhantes e impressionantes e todas alcançaram o nível 4 e um total de
24.56pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 4.00pts. As médias nos segmentos
dos componentes da segunda nota foram óptimas: 9.32 na perícia, 9.32 nas
transições, 9.57 na performance, 9.57 na composição e 9.71 na interpretação da
música. Analisando a escala de cada juiz, Aliona e Bruno receberam cinco notas
10.00!
Aliona e Bruno têm todas as
qualidades necessárias para lutarem pelo ouro olímpico em 2018. Parece-me que o
segredo será afinar os elementos que já têm. Às vezes dá a sensação que eles
ainda não controlam completamente o equilíbrio de forças entre os dois. Isso é
notório principalmente nos saltos lançados. Se conseguirem afinar isso até à
próxima temporada, a concorrência que se cuide!
Evgenia Tarasova & Vladimir
Morozov têm tido uma excelente temporada 2016/2017 e são os actuais campeões da
final do grande prémio e da Europa. O azar bateu-lhes à porta logo no início
destes mundiais. Durante uma sessão de treinos, já em Helsínquia, Evgenia
lesionou-se e ficou a dúvida sobre se o par teria de desistir ainda antes do
programa curto. A patinadora fez um grande esforço para conseguir manter-se em
prova e o par acabou por conquistar a medalha de bronze. Este resultado
representou o culminar de uma excelente temporada para este par que, cada vez
mais, tem sido encarado como o n.º1 na selecção russa.
No programa curto, Evgenia e Vladimir
ficaram em terceiro lugar com uma pontuação de 79.37pts. Este programa está
muito bem coreografado e permite a este par mostrar uma faceta mais
extrovertida. A música é muito animada e é um excelente acompanhamento para a
velocidade com que este par consegue patinar. O programa está muito bem
construído em termos técnicos e artísticos. O primeiro elemento do esquema foi
um fantástico triplo twist de nível 4 que recebeu 8.70pts. Seguidamente foi a
vez do triplo toe loop lado-a-lado (6.00pts). O salto lançado realizado por
este par foi um triplo loop (5.60pts). Neste elemento, Evgenia cometeu um erro
que foi bem disfarçado. É que, na recepção do salto, ela tocou com o “pé livre”
no gelo. Foi uma coisa ligeira e ela teve a força necessária para que isso não
se tornasse num problema maior. No entanto, isso para mim teria sido suficiente
para marcar 0 no grau de execução mas apenas 1 juiz fez isso. Outros dois
juízes marcaram grau de execução positivo e os restantes marcaram grau de
execução positivo. Depois foi a vez de quatro elementos que atingiram o nível
4: a espiral da morte (4.90pts), a figura de elevação do grupo 5 de dificuldade
(8.80pts), a sequência de passos (5.30pts) e o peão (4.21pts). Eu pensei que as
suas médias nos segmentos dos componentes seriam um pouco mais elevadas nas
transições e na composição mas isso não aconteceu. Mesmo assim foram muito boas
com 9.04 na perícia, 8.82 nas transições, 9.04 na performance, 8.93 na
composição e 9.00 na interpretação da música.
No programa livre, o jovem par russo
conseguiu uma pontuação de 139.66pts que os colocou em quarto lugar nessa fase
da competição. Evgenia e Vladimir arriscaram um quádruplo twist (8.46pts) de
nível 3 no início do programa. No entanto, esse elemento foi punido com grau de
execução negativo. Se tiverem oportunidade de ver o vídeo do programa livre,
podem reparar que a recepção do elemento não foi a melhor. A segunda figura de
elevação (5.00pts) também foi punida com grau de execução negativo. Eles
perderam imensos pontos nesta figura pois, para além dessa penalização, ela só
serviu para o nível 1 (o básico) e isso fez baixar o valor base. O sangue frio
de Vladimir foi impressionante nesse elemento porque se ele tivesse largado a
mão livre de Evgenia como era suposto acontecer, o mais certo era terem caído
os dois, visto que a entrada não foi completamente controlada e ele teve de
recorrer à serrilha para travar a velocidade. Foi uma pena. Os restantes
elementos obtiveram grau de execução positivo mas estes dois erros,
principalmente o da figura de elevação, deitaram por terra a hipótese de um
lugar mais elevado no pódio. Os saltos lado-a-lado apresentados foram o triplo
salchow (5.50pts) e a combinação de triplo toe loop-duplo toe loop-duplo toe
loop (7.90pts). Os saltos lançados realizados por este par foram o triplo
salchow (6.20pts) e o triplo loop (5.410pts). No loop lançado, a patinadora
colocou o pé livre no gelo na altura da recepção do salto. Foi uma coisa
ligeira mas foi o suficiente para que três juízes tivessem aplicado o grau 0 na
execução, sendo que dois marcaram -1 e os restantes atribuíram grau de execução
positivo. Eu teria marcado 0 tal como os juízes 1, 2 e 8 fizeram. Os peões
foram ambos de nível 4 e totalizaram 9.50pts. A sequência coreográfica
rendeu-lhes 3.10pts. A primeira figura de elevação conquistou 8.90pts e a
terceira figura de elevação recebeu 5.21pts, tendo ambas atingido o nível 4.
Nos segmentos dos componentes da segunda nota, as médias apuradas foram de 9.14
na perícia, 8.71 nas transições, 8.75 na performance, 8.89 na composição e 8.57
na interpretação da música. Houve um juiz que se entusiasmou um bocadinho e
atribuiu-lhes 9.75 no segmento de performance… Não concordo. O programa é bom
mas os erros no twist e na segunda figura de elevação tiraram-lhe um pouco de
brilho e projecção. No programa livre foi aplicada uma dedução automática de um
ponto devido a um problema ocorrido com a roupa. Sinceramente não me apercebi
em que momento é que isso aconteceu mesmo depois de já ter visto o vídeo três
vezes.
O par chinês Xiaoyu Yu & Hao
Zhang terminou a competição na quarta posição final. Esta parceria é recente e,
como se devem recordar, o seu anúncio foi envolto em polémica visto que ambos
tinham outros parceiros e esta mudança foi imposta pela federação chinesa. A
avaliar pelos resultados entretanto obtidos durante a temporada foi uma aposta
ganha. Este quarto lugar é bastante promissor e é bom que não descartem este
par para os próximos Jogos Olímpicos. Esta conjugação de resultados dos pares
chineses nos mundiais 2017 permitiu à China garantir três lugares para os
mundiais 2018 e para os Jogos Olímpicos 2018.
No programa curto, Xiaoyu e Hao
conseguiram o quarto lugar com uma nota de 75.23pts. O facto de terem patinado
muito cedo nessa fase da competição prejudicou-os um pouco em termos de
atribuição de notas nos segmentos dos componentes. É que os juízes acabam por
ter a tendência de “guardar nota” pois existe a expectativa de aparecer alguém
melhor mais à frente na competição. É por isso que é tão importante conseguir
patinar nos dois últimos grupos. Faz muita diferença. Esta lógica ainda é
reminiscente do antigo sistema de pontuação do 6.0 mas eu penso que já era
altura de evoluir nesse aspecto. Os juízes devem atribuir a nota consoante
aquilo que foi efectivamente feito pelos patinadores. Se, por exemplo, merecer
um 8.00, o juiz tem de marcar a nota e não atribuir apenas 7.00 só porque ainda
faltam dois grupos. Em termos técnicos todos os elementos receberam grau de
execução positivo. O salto lado-a-lado foi um triplo toe loop (5.50pts) e o
salto lançado foi um triplo loop (6.80pts). O triplo twist de nível 4 recebeu
8.30pts e foi o elemento mais espectacular do esquema. A espiral da morte
(4.40pts) foi classificada com o nível 3. O peão em paralelo (4.21pts), a
figura de elevação (8.90pts) e a sequência de passos (5.00pts) atingiram o nível
4. As médias fixadas nos segmentos dos componentes foram de 8.11 na perícia,
7.79 nas transições, 8.18 na performance, 8.07 na composição e 8.00 na
interpretação da música. No que diz respeito ao segmento de performance apenas
o juiz 1 marcou 9.00 enquanto o Juiz 9 marcou 7.25.
No programa livre, Xiaoyu e Hao
ficaram em quinto lugar com uma pontuação de 136.28pts. 136.28pts. Em termos de
impacto artístico gostei mais do programa curto mas penso que esta coreografia
assentou bem às características dos patinadores. O erro mais grave ocorrido no
livre foi na combinação de saltos lado-a-lado. A patinadora não completou a
terceira volta do triplo toe loop, perdeu a cadência e falhou também no duplo
toe loop por falta de rotação. Em resultado, a combinação de triplo toe
loop-duplo toe loop foi penalizada com grau de execução negativo e pontuou
apenas 1.90pts. Os restantes elementos obtiveram grau de execução positivo.
Este par também arriscou um quádruplo twist (8.14pts) que foi classificado com
o nível 2. Apesar da média final para o elemento ter sido positiva, três juízes
no painel marcaram grau de execução negativo. No duplo axel lado-a-lado eles
conseguiram 3.87pts. Como saltos lançados eles realizaram um triplo loop
(6.60pts) e um triplo salchow (6.60pts). Na sequência coreográfica eles
amealharam 3.30pts. A espiral da morte foi classificada com o nível 3 e recebeu
5.00pts. Os dois peões receberam 9.57pts e ambos atingiram o nível 4. As
figuras de elevação foram todas de nível 4 e totalizaram 23.41pts. Nos segmentos
dos componentes as suas médias fixaram-se em 8.61 na perícia, 8.18 nas
transições, 8.64 na performance, 8.54 na composição e 8.46 na interpretação da
música.
Ksenia Stolbova & Fedor Klimov
chegaram a estes mundiais numa situação complicada. Devido a lesões, com Ksenia
a ser mais afectada ultimamente, este par praticamente não competiu nesta
temporada. A sua condição física ainda está longe do seu melhor mas este par
continuou a figurar na lista de potenciais medalhados. No entanto, estes
mundiais foram uma dura prova de resistência emocional e de capacidade de
reacção porque no programa curto eles deitaram tudo a perder.
No programa curto, Ksenia e Fedor
ficaram apenas com 65.69pts e terminaram essa fase da competição em 13.º lugar.
Este belíssimo programa foi afectado por erros graves. O primeiro erro grave
ocorreu no triplo twist (3.70pts) de nível 2. Fedor caiu depois de ter apanhado
Ksenia. Parece-me que ela tocou na lâmina do pé de apoio dele e quando isso
acontece é queda na certa. O elemento foi punido com grau de execução negativo
e foi ainda aplicada uma dedução automática de um ponto por causa da queda. No
triplo flip lançado (3.40pts), a patinadora caiu na recepção do salto. Como
consequência, o salto lançado foi punido com grau de execução negativo e foi
aplicada mais uma dedução automática de um ponto. No triplo toe loop
lado-a-lado (3.10pts) Ksenia fez uma recepção defeituosa do elemento e foi os
juízes tiveram de aplicar grau de execução negativo. Eles perderam 5.40pts só
em valores retirados ao valor base nestes três elementos! Bastava que eles
tivessem conseguido meramente o valor base nesses três elementos e que não
tivessem sofrido deduções automáticas para a sua nota chegar pelo menos aos
73.09pts. A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade (8.60pts), a espiral
da morte (4.90pts), a sequência de passos (5.30pts) e o peão (4.64pts)
atingiram o nível 4 e receberam graus de execução positivos. Os erros cometidos
também afectaram a segunda nota. As suas médias foram de 8.75 na perícia, 8.43
nas transições, 8.18 na performance, 8.68 na composição e 8.54 na interpretação
da música.
No programa livre, Ksenia e Fedor
pontuaram 141.03pts e ficaram em terceiro lugar nessa fase da competição.
Apesar da recuperação assinalável, isso não foi suficiente. Terem conseguido
recuperar de 13.º lugar para 5.º na classificação final já foi muito bom tendo
em conta as circunstâncias. O programa não foi isento de pequenos erros mas foi
bem mais próximo daquilo que todos nós sabemos que eles são capazes. Neste
livre foram dois os elementos punidos com grau de execução negativo. A
combinação de triplo toe loop-triplo toe loop-toe loop simples (7.50pts) e o
triplo salchow lado-a-lado (3.30pts) foram os elementos penalizados. Se verem o
vídeo da prova podem verificar que Fedor colocou a mão no gelo para se apoiar
na recepção do segundo triplo toe loop da combinação e Ksenia só realizou um
toe loop simples como terceiro salto. No triplo salchow lado-a-lado ambos
tiveram uma recepção defeituosa no elemento. Como saltos lançados, este par
efectuou um triplo flip (6.30pts) e um triplo salchow (5.40pts). O triplo twist
(6.40pts) foi classificado com o nível 3 mas eles já executaram este melhor de
uma maneira mais correcta noutras ocasiões. Os dois peões atingiram o nível 4 e
totalizaram 9.86pts. As figuras de elevação foram todas de nível 4 e ficaram
com um total de 22.76pts. A espiral da morte também foi de nível 4 e recebeu
5.80pts. A belíssima sequência coreográfica amealhou 3.30pts. Nos segmentos dos
componentes as suas médias foram fixadas em 8.79 na perícia, 8.54 nas
transições, 8.68 na performance, 9.04 na composição e 8.96 na interpretação da
música.
Os canadianos Meagan Duhamel e Eric
Radford ficaram longe do pódio. Eric estava lesionado na anca e essa situação
levou a que eles tivessem evitado arriscar o triplo lutz lado-a-lado tanto no
programa curto como no livre. Este par venceu o título mundial em 2015 e em
2016 e este sétimo lugar em 2017 não era expectável. No entanto, não deem este
par como acabado. A lesão de Eric foi um factor condicionante mas com certeza
que eles vão lutar para voltar aos melhores lugares em competições futuras.
O programa curto de Meagan e Eric
ficou com uma pontuação de 72.67pts. O esquema foi iniciado com um triplo twist
de nível 3 que recebeu 7.60pts. Seguiu-se o triplo toe loop lado-a-lado que
recebeu 4.40pts. A posição de recepção do salto não foi a melhor nem por parte
de Meagan nem por parte de Eric. Dois juízes no painel marcaram -1 no grau de
execução desse elemento enquanto quatro juízes marcaram a nota de 0. Compreendo
as marcações de 0 e de -1. Tenho mais dificuldades em perceber os três juízes
que marcaram +1. O movimento de transição para o triplo lutz lançado foi
visivelmente “pesado”. O triplo lutz lançado (5.00pts) foi o único elemento do
esquema a ser efectivamente punido com grau de execução negativo. Meagan
efectuou uma recepção algo defeituosa e teve de colocar uma mão no gelo para se
apoiar. A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade atingiu o nível 4 e foi
o elemento mais valioso do programa com uma nota de 9.10pts. O peão (3.29pts),
a sequência de passos (4.23pts) e a espiral da morte (4.50pts) foram
classificados com o nível 3. Nos segmentos dos componentes do programas, as
médias apuradas foram de 8.71 na perícia, 8.50 nas transições, 8.61 na
performance, 8.61 na composição e 8.75 na interpretação da música.
No programa livre, Meagan e Eric
receberam uma pontuação de 133.39pts que os colocou na sétima posição nessa
fase da competição. Foram três os elementos punidos com grau de execução
negativo: o quádruplo salchow lançado (5.20pts), o triplo salchow lado-a-lado
(4.00pts) e o triplo lutz lançado (4.90pts). No quádruplo salchow lançado,
Meagan caiu na recepção do elemento e a queda deu lugar à dedução automática de
um ponto. No triplo salchow lado-a-lado foi a vez de Eric efectuar uma recepção
defeituosa. No triplo lutz lançado, a patinadora tocou claramente com o pé
livre no gelo na altura da recepção. Na minha opinião havia mais dois elementos
que deviam ter sido punidos com grau de execução negativo: a combinação de
triplo toe loop-duplo toe loop (5.70pts) lado-a-lado e a segunda figura de
elevação (8.00pts) que foi de nível 3. Apenas dois juízes marcaram grau de
execução negativo na combinação lado-a-lado e apenas um juiz marcou grau de
execução negativo na segunda figura de elevação. Não é preciso ser especialista
para ver a oscilação da entrada na figura e falta de estabilidade na primeira
fase. Ironicamente quatro juízes do painel atribuíram grau de execução de +2 a
essa figura… O triplo twist (7.20pts) e a espiral da morte (4.70pts) foram de
nível 2. A primeira figura de elevação foi de nível 4 e as outras duas foram de
nível 3, totalizando 21.90pts. Os peões foram ambos de nível 4 e receberam um
total de 9.15pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 3.30pts. Nos segmentos
dos componentes as suas médias fixaram-se em 8.61 na perícia, 8.46 nas
transições, 8.39 na performance, 8.64 na composição e 8.61 na interpretação da
música.
Menção honrosa para o par Lyubov
Iliushechkina & Dylan Moscovitch, Valentina Marchei & Ondrej Hotarek e
para o par Ryom & Kim.
De
manhã estava a ouvir a canção “All you need is love” dos lendários Beatles e
pensei: hoje é o dia perfeito para fazer um post no blogue. Como hoje é dia de
São Valentim, nada melhor do que aproveitar a ocasião para tentar responder a
questões que muitas leitoras e leitores me dirigem sobre a vida amorosa dos
nossos queridos patinadores que abrilhantam o nosso desporto tão amado. Então
vamos a isto.
O
par russo Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov, campeões olímpicos desta
disciplina em Sochi 2014, despertaram a curiosidade dos fãs quase desde o
momento em que formaram parceria. Tatiana costumava patinar com Stanislav
Morozov com quem também partilhava a sua vida fora das pistas de gelo. Quando
Maxim formou parceria com Tatiana, ele namorava com uma garota chamada
Alexandra que nada tinha a ver com a patinagem artística. No entanto, aquilo
que muitos consideravam inevitável aconteceu: Maxim e Tatiana apaixonaram-se.
Consta que foi Tatiana a dar o primeiro passo. Inicialmente, eles foram muito
discretos também por respeito a Stanislav Morozov pois ele fazia parte da
equipa técnica que os treinava. Por altura dos Jogos Olímpicos de Sochi, eles
continuavam a esquivar-se às perguntas dos jornalistas e fãs mas a sua relação
amorosa já era demasiado evidente. Tatiana e Maxim acabaram por oficializar a
sua relação publicamente depois de concluída a sua participação nos Jogos
Olímpicos de Sochi. Entretanto, eles casaram em Moscovo com uma grande festa e
partilharam esse momento importante das suas vidas com a sua fiel legião de
fãs. Em Fevereiro de 2017, Tatiana e Maxim vão ser pais de uma menina. Até
agora a sua história tem sido de conto de fadas.
Eu
recebo várias mensagens com perguntas sobre o par de dança francês Gabriella
Papadakis & Guillaume Cizeron (actuais campeões da Europa e do Mundo). A
sua cumplicidade e união no gelo faz sonhar muitos fãs. Lamento ser a portadora
de “más-notícias” mas Gabrilella e Guillaume não são namorados. A sua relação
no gelo é intensa mas fora das pistas são meramente grandes amigos. Eles
patinam juntos desde crianças e consta que sempre se deram muito bem mas apenas
isso. Gabriella namora há algum tempo com Stefano Caruso (patinador alemão de
origem italiana) e já publicou várias fotos nas redes sociais confirmando a sua
relação. Quanto a Guillaume não sei nada de concreto.
Quanto
ao par canadiano Meagan Duhamel & Eric Radford a resposta é não. Eles não
são nem nunca foram namorados. Meagan é casada com Bruno Marcotte que é um dos
treinadores responsáveis por este par. Julie Marcotte, irmã de Bruno e cunhada
de Meagan, é a coreógrafa do par. Isto já é quase um negócio de família. J
Já Eric Radford namora há algum tempo com o patinador espanhol Luís Fenero.
Ambos têm publicado algumas fotografias bem giras e carinhosas nas redes
sociais. Luís compete na categoria de dança com Célia Robledo.
Por
falar em espanhóis, aproveito a oportunidade para responder-vos sobre o novo
par composto por Sara Hurtado & Kirill Khaliavin. Quando se soube a
confirmação sobre esta nova parceria surgiram alguns rumores sobre o porquê desta
parceria e houve quem achasse que uma relação amorosa podia estar por trás
desta decisão. Nada mais errado. Sara e Kirill não são um casal fora das pistas
de gelo. Kirill está numa relação com a sua anterior parceira no gelo Ksenia
Monko. A parceria no gelo terminou devido a problemas físicos que afastaram
Ksenia da competição. Apesar desse problema, a relação amorosa entre Kirill e
Ksenia mantém-se.
Quem
é um casal mais do que assumido é o par Alexa Scimeca & Chris Knierim dos
Estados Unidos. Alexa e Chris estão juntos há vários anos e casaram no Verão de
2016. Foi curioso saber que a sua treinadora Dalilah Sappenfield é que dirigiu
a cerimónia do seu casamento. Alexa é uma esposa tão orgulhosa que decidiu
passar a usar o nome de casada nas competições internacionais. Desde então ela
aparece registada como Alexa Scimeca Knierim. Este casal também não se coíbe de
partilhar algumas fotos com os fãs através das redes sociais.
Quanto
a Valentina Marchei e Ondrej Hotarek a resposta é negativa. Eles não são namorados.
A sua química nas pistas de gelo é inegável e à conta disso têm conquistado
muitos fãs por todo o mundo. Eu não sei quem é o namorado de Valentina mas
Ondrej é casadíssimo e apaixonadíssimo por Anna Cappellini. Anna compete na
disciplina de dança com o parceiro Luca Lanotte. Anna e Luca foram namorados
quando eram mais novos mais terminaram de forma civilizada e sem beliscar a sua
parceira no gelo. Esta é uma grande prova de maturidade. Aplausos para Anna e
Luca. Quanto a Luca, ele mantém uma relação amorosa com patinadora britânica
Eve Bentley e já são pais de um menino.
Os
patinadores na categoria individual, como é óbvio, não estão imunes às partidas
do cupido. O patinador checo Michal Brezina namora há alguns anos com a
patinadora israelita Danielle Montalbano (ela tem origem italiana). Michal e
Danielle estão noivos e a sua relação foi assumida com toda a naturalidade
através das redes sociais. No passado, Michal namorou com a patinadora Allison
Reed (a irmã mais nova de Cathy e Chris Reed).
Por
terras russas, Konstantin Menshov e Maria Artemieva são um casal mais do que
assumido. Aliás, eles sempre agiram com naturalidade quanto ao facto de serem
namorados e sempre se apoiaram mutuamente em competições. Continuam juntos e
aparentam uma grande felicidade.
Por
falar em patinadores russos, são recorrentes as perguntas sobre Ekaterina
Bobrova e Dmitri Soloviev. Ekaterina e Dmitri trabalham muito bem juntos e
sempre foram bons amigos. Ekaterina é casada com o patinador Andrei Deputat
desde Julho de 2016. Eu recordo-me que cheguei a partilhar pelo menos uma foto
do casamento deles (talvez tenha partilhado no facebook – vão lá espreitar).
Dmitri foi casado com a antiga patinadora Ekaterina Lobanova e juntos tiveram
um filho que agora deve ter cerca de 7 anos de idade. Depois do divórcio,
Dmitri namorou com a patinadora Ksenia Stolbova mas já se separaram.
Evgenia
Tarasova & Vladimir Morozov, campeões da Europa em 2017, namoram há algum
tempo mas são muito discretos nas suas manifestações públicas de afecto.
Quanto
a Tessa Virtue e Scott Moir, campeões olímpicos de dança em 2010, bastou que
eles voltassem à patinagem de competição para que regressassem as perguntas
sobre a natureza da sua relação fora das pistas de gelo. A resposta continua a
ser a mesma. Eles não são namorados.
Os
franceses Vanessa James & Morgan Ciprés, que recentemente conquistaram a medalha
de bronze nos Europeus, são namorados quase desde o início da sua parceria. A
sua relação fora das pistas de gelo têm-lhes permitido angariar mais uns
quantos fãs. É quase impossível não gostar de vê-los juntos.
Victoria
Sinitsina e Nikita Katsalapov namoram quase desde o momento em que formaram
parceria nas pistas de gelo. Nikita é discreto mas Victoria de vez em quando lá
partilha algumas fotos tanto no twitter como no Instagram.
O
par de dança Alexandra Stepanova e Ivan Bukin forma parceria dentro e fora das
pistas de gelo. No entanto, ambos são discretos e raramente aparecessem em
redes sociais. Ivan é filho do antigo campeão de dança Andrei Bukin e de Elena
Vasiuk. Curiosamente os treinadores de Stepanova & Bukin também são
casados. Alexander Svinin e Irina Zhuk estão juntos há muitos anos e têm
trabalhado em conjunto em grande harmonia.
E
já que mencionei campeões do passado não posso deixar de escrever sobre Marina
Klimova & Sergei Ponomarenko. Marina e Sergei começaram a patinar juntos em
1979 e casaram em 1984. Enquanto parceiros conquistaram quatro títulos
europeus, três títulos mundiais e três medalhas olímpicas (incluindo o ouro em
1992). Estão juntos até hoje. O seu filho mais novo é Anthony Ponomarenko. Com
certeza que já o viram pois ele compete na categoria de dança com Christina
Carreira e tem obtido bons resultados. De momento, Ponomarenko e Carreira ainda
estão no escalão júnior.
Por
hoje é isto. Se tiverem mais questões não hesitem em mandar-me mensagem no twitter ou no facebook ou então deixem-me um comentário. Pode ser que eu consiga ajudar. J