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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Campeonatos da Europa 2017 - Pares

Campeonatos da Europa 2017


Entre os dias 25 e 29 de Janeiro em Ostrava (Rep. Checa)







Categoria de Pares

Resultado final






Análise




A competição de pares nos campeonatos da Europa 2017 foi das melhores que tiveram lugar nestas últimas temporadas. Houve performances interessantes por parte de quase todos os pares em prova.


Evgenia Tarasova & Vladimir Morozov conquistaram o seu primeiro título europeu. O jovem par russo ficou em primeiro lugar no programa curto com uma pontuação de 80.82pts após uma excelente prestação. Todos os elementos atingiram o nível 4 que é o mais elevado e obtiveram grau de execução positivo. Como salto lado-a-lado eles apresentaram um triplo toe loop (5.70pts) e como salto lançado realizaram um triplo loop (7.00pts). A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade amealhou 8.50pts. A espiral da morte foi pontuada com 4.80pts. A sequência de passos obteve 5.30pts e o peão ficou com 4.50pts. O triplo twist rendeu-lhes 8.70pts. As médias alcançados nos segmentos dos componentes foram excelentes: 9.00 na perícia, 8.93 nas transições, 9.25 na performance, 9.11 na composição e 9.11 na interpretação da música. O programa curto de Evgenia e Vladimir foi mesmo fabuloso e a coreografia está especialmente bem conseguida. Todo o conjunto resultou de forma harmoniosa.


No programa livre, Evgenia e Vladimir ficaram em segundo lugar com uma nota de 146.76pts. Todos os elementos beneficiaram de grau de execução positivo. No entanto, eles tiveram alguns problemas com os níveis. O programa livre foi iniciado da melhor maneira com um triplo twist (8.70pts). Seguiram-se três elementos de salto de rajada: o triplo salchow lado-a-lado (5.80pts), o triplo salchow lançado (6.10pts) e a combinação de triplo toe loop-duplo toe loop lado-a-lado (6.80pts). A primeira figura de elevação foi do grupo 5 de dificuldade e conquistou 8.90pts, tendo atingido o nível 4. A segunda figura de elevação foi deixada quase para o final do esquema e também pertenceu ao grupo 5 de dificuldade, tendo conseguido o nível 4 e 9.30pts. A terceira figura de elevação foi do grupo 3 de dificuldade mas ficou-se pelo nível 2. Eles demoraram muito tempo a entrar na figura e ela não marcou imediatamente a posição. Este elemento obteve 3.86pts. A figura é boa e difícil mas a execução podia ter sido mais dinâmica. A espiral da morte (4.50pts) e o peão de par (4.36pts) também foram de nível 2. Curiosamente os níveis foram mais baixos nos elementos deixados para o final do esquema. Talvez o nervosismo e o cansaço tenham sido os causadores dessa situação. Nos mundiais eles vão ter que conseguir manter a energia durante o programa todo pois a competição promete ser mais renhida. É que o valor base destes elementos é determinado pelo nível. Assim sendo, são pontos que se perdem com o valor base mais baixo mesmo que o elemento consiga grau de execução positivo. Os restantes elementos do esquema foram o peão em paralelo (4.00pts) que atingiu o nível 4 e a sequência coreográfica (3.40pts). Nos segmentos que compõem a segunda nota, Evgenia e Vladimir conseguiram médias de 9.36 na perícia, 9.14 nas transições, 9.29 na performance, 9.21 na composição e 9.21 na interpretação da música.


Quanto à roupa apresentada pelos novos campeões da Europa, é incrível como é que eles apareceram tão bem vestidos no programa curto e no livre parecia que tinham roupa das competições regionais. Espero bem que a federação russa lhes tenha dado alguns rublos para eles adquirirem uns fatos novos para o programa livre nos mundiais.


Os alemães Aliona Savchenko & Bruno Massot eram os grandes favoritos para a conquista da medalha de ouro. No entanto, o popular par teve de contentar-se com a medalha de prata. Aliona já se encontra melhor da lesão que sofreu durante o circuito do grande prémio mas mesmo assim ainda estava um pouco afectada.


No programa curto, Aliona e Bruno ficaram em terceiro lugar com 73.76pts. O primeiro elemento foi um triplo twist (7.90pts) gigante que foi classificado com o nível 2 e arrebatou +3 no grau de execução por parte de todos os juízes. O segundo elemento do programa foi um triplo salchow lado-a-lado (5.10pts) em que Bruno saiu do salto com o eixo muito inclinado para a frente. Esse facto prejudicou um pouco o grau de execução do elemento. Depois foi a vez do duplo axel lançado (4.80pts) e de uma figura de elevação (9.00pts) do grupo 5 de dificuldade que obteve o nível 4. E depois Aliona caiu durante a sequência de passos assim do nada! Foi uma pena. Eles iam a patinar com grande velocidade e Aliona não conseguiu evitar esse erro. Apesar de ter conseguido atingir o nível 4, a sequência de passos foi penalizada com grau de execução negativo. A queda também deu lugar a um ponto automático de dedução. O esquema terminou com a apresentação da espiral da morte (4.60pts) e o peão (4.57pts), ambos classificados com o nível 4. Nos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 9.00 na perícia, 8.86 nas transições, 9.00 na performance, 9.07 na composição e 9.18 na interpretação da música.


Aliona e Bruno venceram o programa livre com uma pontuação de 148.59pts. Tal como no curto, o triplo twist (8.30pts) foi o elemento que conseguiu +3 no grau de execução por parte de todos os juízes. O twist deles foi tão fantástico que Aliona parece que ficou a flutuar no ar… Foi um elemento espectacular. O segundo elemento do esquema foi a sequência de triplo toe loop-duplo toe loop (4.38pts) lado-a-lado. Aliona fez triplo-triplo mas Bruno teve uma saída periclitante no triplo toe loop e de seguida apenas realizou um duplo. Em consequência o elemento foi punido com grau de execução negativo. No triplo salchow lado-a-lado recebeu 5.40pts. Como saltos lançados, o par alemão efectuou um duplo axel (5.50pts) e um triplo salchow (6.00pts). A espiral da morte (5.90pts), o peão lado-a-lado (4.36pts) e o peão de combinação (5.50pts) foram classificados com o nível 4. Todas as figuras de elevação conseguiram o nível 4 e totalizaram 24.21pts. A primeira figura de elevação foi absolutamente extraordinária mas nem por um momento houve uma sensação de insegurança. A sequência coreográfica rendeu-lhes 3.60pts. As médias nos segmentos dos componentes foram muito altas: 9.36 na perícia, 9.18 nas transições, 9.54 na performance, 9.57 na composição e 9.50 na interpretação da música.


No segmento da composição no programa livre, Aliona e Bruno conseguiram três notas de 10.00! Acho que foi merecido J


Estou curiosa para ver se nos campeonatos do mundo Aliona e Bruno vão arriscar o triplo axel lançado quer no curto quer no livre. Espero que Aliona já esteja totalmente recuperada da lesão para que isso seja possível. Se eles conseguirem esse elemento, acredito que passem a ser os grandes favoritos à conquista do título mundial em 2017.


O par francês composto por Vanessa James e Morgan Ciprés foi a grande surpresa da competição ao conseguir terminar com a medalha de bronze, apenas com menos 2.33pts do que os alemães Savchenko & Massot.


No programa curto, Vanessa e Morgan ficaram em segundo lugar com uma pontuação de 74.18pts. O salto lado-a-lado foi o triplo salchow (5.60pts) e o salto lançado foi o triplo flip (6.30pts). A sequência de passos (4.16pts) e o triplo twist (7.80pts) foram classificados com o nível 3. A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade (8.80pts), a espiral da morte (4.40pts) e o peão (4.36pts) atingiram o nível 4. Na segunda nota, os segmentos ficaram com médias de 8.14 na perícia, 7.96 nas transições, 8.39 na performance, 8.25 na composição e 8.21 na interpretação da música.


No programa livre, o par francês ficou em terceiro lugar com 145.84pts. Apenas um elemento foi punido com grau de execução negativo: foi o quádruplo salchow lançado que perdeu 1.71 do valor base de 8.20pts. O outro salto lançado efectuado no programa foi o triplo flip (6.70pts). Como saltos lado-a-lado, eles fizeram uma combinação de triplo toe loop-duplo toe loop-duplo toe loop (8.10pts) e um triplo salchow (5.70pts). O triplo twist foi classificado com o nível 3 e recebeu 7.70pts. As figuras de elevação foram todas de nível 4 e totalizaram 22.57pts. Os peões foram ambos de nível 4 para um total de 9.21pts. A espiral da morte interior também atingiu o nível 4 e recebeu 4.30pts. Na sequência coreográfica eles amealharam 3.50pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 8.79 na perícia, 8.86 nas transições, 9.11 na performance, 9.04 na composição e 8.93 na interpretação da música.


Vanessa e Morgan conseguiram aqui o resultado mais significativo na sua carreira até ao momento. Este foi um resultado popular pois eles têm uma grande legião de fãs que os segue com entusiasmo. Eles são patinadores carismáticos e bem-parecidos. A sua aura positiva é muito cativante. No entanto, eles beneficiaram dos percalços de Stolbova & Klimov para conseguir esta medalha. É verdade que eles se apresentaram numa excelente forma física e que completaram os elementos. Apesar dessas qualidades, Vanessa e Morgan têm uma forma de patinar pouco suave. Ainda é tudo feito muito na base da força. Talvez com mais trabalho e mais tempo eles conseguiram melhorar esses aspectos.


Os russos Ksenia Stolbova & Fedor Klimov ficaram no quarto lugar final. Eles atravessaram um período com muitas dificuldades devido a lesões e ainda estão longe da sua melhor forma física.


No programa curto, Ksenia e Fedor obtiveram uma pontuação de 73.70pts. O programa é lindíssimo mas tecnicamente eles tiveram dois problemas. O erro mais grave ocorreu no triplo flip lançado (3.50pts) pois Ksenia caiu na recepção. Em resultado, o elemento foi punido com grau de execução negativo. Além disso foi automaticamente aplicado um ponto de dedução devido à queda. O triplo twist (7.00pts) recebeu grau de execução positivo mas apenas foi classificado com o nível 2 e isso baixou-lhes o valor base do elemento. Como salto lado-a-lado, Ksenia e Fedor realizaram um triplo toe loop (5.70pts). A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade (8.30pts), a espiral da morte (4.80pts), a sequência de passos (5.60pts) e o peão (4.57pts) atingiram o nível 4. Nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota, as médias alcançadas foram de 9.14 na perícia, 8.86 nas transições, 9.00 na performance, 9.18 na composição e 9.11 na interpretação da música. Foi ainda aplicada uma dedução automática de um ponto devido a violação de regras de tempo.


No programa livre, a nota obtida por este par russo foi de 142.81pts. Os problemas do curto repetiram-se: ela caiu na recepção do triplo flip lançado (3.50pts) e o triplo twist (6.90pts) foi meramente de nível 2. O triplo flip lançado foi o único elemento penalizado com grau de execução negativo. Os saltos lado-a-lado realizados por este par foram a combinação de triplo toe loop-duplo toe loop-duplo toe loop (7.80pts) e o triplo salchow (5.20pts). O segundo salto lançado do esquema foi o triplo salchow que conseguiu 5.50pts. Os dois peões foram ambos de nível 4 e receberam um total de 9.72pts. A espiral da morte também foi de nível e rendeu-lhes 5.80pts. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4 e totalizaram 22.69pts. A brilhante sequência coreográfica ficou com 3.70pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 9.18 na perícia, 8.86 nas transições, 9.11 na performance, 9.29 na composição e 9.18 na interpretação da música.


Este programa livre é um primor. A coreografia e o estilo de interpretação escolhidos não são nada habituais na competição de pares. Parabéns por terem arriscado algo original.


Quanto ao programa livre não posso deixar de comentar o trabalho da juiz 4. A juiz Sissy Krick marcou cinco elementos do livre com grau 0 e os restantes com apenas +1 (excepção ao triplo flip lançado onde todos tiveram de aplicar o grau de execução negativo). Nos componentes, esta juiz marcou Ksenia e Fedor abaixo de Vanessa e Morgan incluindo no segmento de perícia! Não é preciso ser especialista para verificar que Ksenia e Fedor têm uma qualidade base de patinagem muito superior à do par francês. A mesma juiz atribuiu apenas 7.75 a Ksenia e Fedor na interpretação e deu 9.25 a Vanessa e Morgan. No segmento de composição, Sissy Krick marcou apenas 8.00 ao par russo enquanto atribuiu 9.50 ao par francês!!!! Enfim…


Vídeos


Tarasova & Morozov
Curto


Livre




Savchenko & Massot
Curto


Livre




James & Ciprés
Curto


Livre




Stolbova & Klimov
Curto


Livre




Zabiiako & Enbert
Curto


Livre




Marchei & Hotarek
Curto


Livre




Duskova & Bidar
Curto


Livre




Della Monica & Guarise
Curto


Livre




Ziegler & Kiefer
Curto


Livre




Danilova & Kamianchuk
Curto


Livre




Ghilardi & Ambrosini
Curto


Livre




Jones & Boyadji
Curto


Livre

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Campeonatos da Europa 2017 - Dança

Campeonatos da Europa 2017



Entre os dias 25 e 29 de Janeiro em Ostrava (Rep. Checa)






Categoria de Dança


Resultado Final



Pares que não se qualificaram para a dança livre



Análise


Os campeonatos da Europa 2017 foram bastante competitivos na disciplina de dança quando comparados com os da temporada anterior. Quem esperava um domínio avassalador por parte dos actuais campeões mundiais Papadakis & Cizeron enganou-se. Este par francês conseguir revalidar o título europeu mas os italianos Cappellini & Lanotte e os russos Bobrova & Soloviev deram luta até ao fim.


A prova ficou manchada por uma polémica ocorrida após a dança curta. Os italianos Cappellini & Lanotte foram anunciados como vencedores da dança curta com uma pontuação de 76.65pts. Só que a sua nota foi corrigida muito depois da dança curta ter terminado devido a protestos formais. A situação começou por ser denunciada pelo jornal francês L’Équipe num artigo sobre a prova. Consta que alguém ligado à equipa de Marie France Dubreuil (treinadora do par francês Papadakis & Cizeron) se apercebeu que Cappellini & Lanotte realizaram uma figura ilegal no final da dança curta pelo que teriam de ser punidos com um ponto de dedução. Foi apresentado um protesto e a pretensão foi deferida. Assim sendo, a nota obtida por Cappellini & Lanotte foi corrigida de 76.65pts para 75.65pts, com a indicação de que realizaram um elemento extra ao que as regras permitem. Na dança curta apenas é permitida uma figura de elevação. Sucede que num elemento que devia ser meramente coreográfico, Anna ficou sem qualquer apoio no gelo, estando a ser totalmente suportada pelo seu parceiro Luca Lanotte, sendo que essa figura preenche os requisitos para ser considerada como figura de elevação rotacional. Como tal, este par realizou um elemento extra que passou despercebido ao controlador técnico. A União Internacional de Patinagem (ISU) emitiu por isso o comunicado que podem ler na imagem.


Em consequência desta confusão, os russos Bobrova & Soloviev acabaram por vencer a dança curta com uma pontuação de 76.18pts. Cappellini & Lanotte ficaram em segundo lugar na dança curta com 75.65pts e Papadakis & Cizeron terminaram essa fase da competição em terceiro lugar com 75.48pts.
Gabriella Papadakis & Guillaume Cizeron revalidaram o título europeu e, de momento, são detentores de três títulos europeus consecutivos. O último par a conseguir tal feito tinha sido Navka & Kostomarov (Rússia) que venceu este título em 2004, 2005 e 2006.
Gabriella e Guillaume ficaram em terceiro lugar na dança curta com uma nota de 75.48pts. Houve um juiz que lhes marcou uma violação de regras referentes à coreografia mas o controlador técnico não teve a mesma opinião, sendo que não lhes foi aplicadado qualquer ponto de dedução devido a essa situação. No que diz respeito à parte técnica, todos os elementos conseguiram graus de execução positivos entre +2 e +3. Os twizzles (8.06pts), a sequência de passos obrigatórios (6.29pts) e a figura de elevação (6.30pts) foram classificados com o nível 4 que é o mais elevado. A sequência parcial de passos foi de nível 3 e recebeu 9.61pts. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi o elemento mais fraco do programa apenas cumprindo os critérios do nível 2, recebendo 7.80pts. As médias que foram apuradas nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota foram as seguintes: 9.39 na perícia, 9.18 nas transições, 9.39 na performance, 9.36 na composição e 9.46 na interpretação da música/timing.
A sua vitória final deveu-se ao resultado da dança livre onde Gabriella e Guillaume conseguiram uma nota de 114.19pts. Todos os elementos técnicos obtiveram grau de execução positivo. As duas sequências de passos foram classificadas com o nível 3 e ficaram com um total de 18.76pts. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4 e totalizaram 18.04pts. Os twizzles pontuaram 8.23pts e também foram de nível 4. Como elementos coreográficos, este par optou por um twizzle (2.30pts) como sétimo elemento e por uma elevação coreográfica (2.40pts) como elemento final. O peão de combinação foi o único elemento “tremido”. Os critérios para o nível 4 foram preenchidos portanto não me parece que possa haver discussão sobre o valor base. No entanto, eles não centraram bem o peão. Se reparem bem eles afastam-se bastante do ponto onde o peão começou a ser realizado. Isso devia ter tido consequências no que diz respeito à marcação do grau de execução. Apenas um juiz teve a coragem de marcar -1 como grau de execução deste elemento. Cinco juízes marcaram +3 como grau de execução no peão… Quanto à segunda nota, as suas médias nos segmentos foram de 9.54 na perícia, 9.36 nas transições, 9.64 na performance, 9.54 na composição e 9.68 na interpretação da música/timing. Em termos de escala de cada juiz, Gabriella e Guillaume conquistaram cinco notas de 10.00 (nota máxima na escala para os segmentos dos componentes). Menção ainda para o facto de um juiz ter marcado a existência de violação às regras de restrições coreográficas mas o controlador técnico não aceitou essa marcação, pelo que não houve lugar a qualquer ponto de dedução.
Gabriella e Guillaume são dois patinadores muito dotados e muito bem emparelhados. A velocidade, a fluidez de movimentos e a interacção entre os dois parceiros são das características mais elogiadas neste par. O seu estilo de patinar e de interpretação dá mais nas vistas na dança livre e é mais cativante. Penso que no geral foram os justos vencedores da medalha de ouro.
Em comparação com o seu resultado em 2016, Gabriella e Guillaume melhoraram a sua nota total em 6.96pts.
Anna Cappellini & Luca Lanotte repetiram a medalha de prata conquistada na temporada anterior. O par italiano deu muita luta aos franceses. Na temporada passada, a nota total obtida pelos italianos foi de 178.01pts. Nesta época, os italianos conseguiram 186.04pts. Trata-se de uma melhoria significativa.
Na dança curta, os italianos foram afectados por aquele problema que descrevi no início deste texto e perderam um ponto por causa disso. Os elementos válidos foram de grande qualidade e receberam graus de execução positivo. Os twizzles (7.97pts), os passos obrigatórios (6.03pts), a sequência parcial de passos (10.80pts) e a figura de elevação (5.96pts) foram classificados com o nível 4. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi de nível 3 e recebeu 9.46pts. Nos componentes houve um juiz que lhe atribuiu a nota 10.00 no segmento de interpretação da música/timing. As médias apuradas foram de 9.04 na perícia, 8.96 nas transições, 9.25 na performance, 9.04 na composição e 9.25 na interpretação da música/timing. Eles ainda levaram uma advertência por violação das regras coreográficas mas o controlador técnico não a validou pelo que não houve lugar a aplicação de um ponto de dedução.
Na dança livre, Anna e Luca conseguiram 110.99pts. Não sei se foi por causa do nervosismo mas a entrada na dança livre foi um pouco tremida. Eles apresentaram os twizzles (6.54pts) de nível 4 como primeiro elemento do esquema. Os twizzles foram o único elemento punido com grau de execução negativo. A penalização diz respeito ao desequilibrio evidenciado por Anna no final da primeira secção dos twizzles. Eles não podiam ter-se dado ao luxo de perder estes pontos. Isto somado à dedução na dança curta e o resultado final ficava próximo de um empate entre os franceses e os italianos. Os restantes elementos da dança livre conquistaram grau de execução positivo. As duas sequências de passos foram classificadas com o nível 3, obtendo um total de 18.60pts. As figuras de elevação atingiram o nível 4 e totalizaram 18.12pts. O peão conseguiu 6.63pts e também foi de nível 4. Para o peão houve um juiz que marcou -1 no grau de execução enquanto outro marcou 0, sendo que a maioria do painel optou por +2. Como elementos coreográficos foram apresentados um peão (2.10pts) e uma elevação (2.70pts). Nos segmentos dos componentes, as médias apuradas foram as seguintes: 9.21 na perícia, 9.11 nas transições, 9.46 na performance, 9.50 na composição e 9.64 na interpretação da música/timing. Nesta prestação eles levaram com duas advertências por violação das regras coreográficas mas o painel técnico não as validou pelo que não houve lugar à aplicação de qualquer dedução nesse aspecto.
Ekaterina Bobrova & Dmitri Soloviev ficaram novamente com a medalha de bronze. Na temporada passada, este par concluíu os Europeus com uma pontuação total de 176.50pts. Em 2017, Ekaterina e Dmitri conseguiram um total de 186.56pts.
Ekaterina e Dmitri surpreenderam ao conquistar a liderança na dança curta com uma pontuação de 76.18pts. Os twizzles (8.40pts), a figura de elevação (5.87pts) e os passos obrigratórios (6.29pts) atingiram o nível 4. A sequência parcial de passos (9.30pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.46pts) foram classificadas com o nível 3. Todos os elementos beneficiaram de grau de execução positivo. Nos segmentos dos componentes este par obteve médias de 9.18 na perícia, 9.00 nas transições, 9.29 na performance, 9.32 na composição e 9.29 na interpretação da música/timing.
Na dança livre, o par russo ficou com 110.38pts. O elemento que os prejudicou face aos italianos na luta pela medalha de prata foi a sequência de passos em círculo pois foi apenas de nível 2, sendo que o valor base ficou mais baixo. A sequência de passos na diagonal foi de nível 3. O total de pontos das sequências de passos foi de 17.10pts. Os twizzles (7.80pts), as figuras de elevação (17.95pts) e o peão (7.80pts) atingiram o nível 4. Os elementos coreográficos foram deixados para o final do esquema. Ekaterina e Dmitri efectuaram um peão (2.20pts) e uma elevação (2.10pts). As médias apuradas nos segmentos dos componentes do programa que fazem parte da segunda nota foram de 9.32 na perícia, 9.25 nas transições, 9.50 na performance, 9.39 na composição e 9.57 na interpretação da música/timing. A dança livre foi alvo de duas advertências por violação de restrições coreográficas mas isso não se materializou em deduções, tal como aconteceu com Papadakis & Cizeron e Cappellini & Lanotte.


Em termos de pares russos, Ekaterina e Dmitri demonstraram mais uma vez que são o par em que a federação mais pode confiar. Stepanova & Bukin e Sinitsina & Katsalapov estiveram muito aquém das expectativas.
Alexandra Stepanova & Ivan Bukin já tiveram prestações muito boas durante a temporada mas as coisas descarrilaram nos Europeus.
Na dança curta, este jovem par ficou na sexta posição com uma pontuação de 68.17pts. A figura de elevação (5.96pts) e os twizzles (8.06pts) atingiram o nível 4. No entanto, os passos obrigatórios (4.57pts), a sequência parcial de passos (7.33pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (7.80pts) apenas foram classificados com o nível 2. Isto estragou-lhes a nota pois se o nível for mais baixo isso implica que o valor base também desça. Ou seja, mesmo com grau de execução positivo em todos os elementos, eles perderam muitos pontos na nota técnica. Os níveis são absolutamente fundamentais! Nos componentes do programa as suas médias fixaram-se em 8.57 na perícia, 8.39 nas transições, 8.75 na performance, 8.68 na composição e 8.68 na interpretação da música/timing.




Na dança livre, Alexandra e Ivan obtiveram uma pontuação de 98.76pts, sendo que voltaram a ter problemas com os níveis nos elementos. A sequência de passos na diagonal (4.87pts) foi meramente de nível 1, ou seja, foi considerada básica. A sequência de passos em círculo (7.49pts) foi de nível 2. Como já deu para perceber, eles perderam imenso nas duas sequências de passos. Os twizzles foram de nível 3 e receberam 7.31pts. O peão (7.06pts) e as figuras de elevação (total de 17.01pts) atingiram o nível 4. Este par optou por integrar o peão coreográfico a meio do esquema tendo recebido 1.90pts. A elevação coreográfica foi o último elemento do esquema e também ficou com 1.90pts. Nos segmentos dos componentes, Alexandra e Ivan ficaram com 8.46 na perícia, 8.29 nas transições, 8.57 na performance, 8.68 na composição e 8.68 na interpretação da música/timing.


Victoria Sinitsina & Nikita Katsalapov viveram um pesadelo nestes campeonatos da Europa. Na temporada passada eles terminaram na 4.ª posição com uma pontuação de 172.65pts. Este ano não foram além do 10.º posto com um total de 154.51pts.


Na dança curta, Victoria e Nikita receberam 64.67pts. Os twizzles (7.80pts) e a figura de elevação (5.79pts) atingiram o nível 4. Os passos obrigatórios (5.43pts) foram de nível 3, a sequência parcial de passos (7.49pts) foi de nível 2 e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (5.30pts) foi meramente de nível 1. Mesmo assim, todos os elementos conseguiram obter grau de execução positivo. Como se não bastassem os pontos perdidos nos níveis, eles ainda foram automaticamente penalizados com um ponto de dedução devido a início tardio. Nos segmentos dos componentes, as suas médias foram de 8.43 na perícia, 8.29 nas transições, 8.54 na performance, 8.46 na composição e 8.61 na interpretação da música/timing.


Na dança livre a nota obtida por Victoria e Nikita foi de 89.84pts. Foi uma nota muito baixa mas que reflectiu o que eles apresentaram. Tal como aconteceu na dança curta, eles sofreram novamente uma dedução automática de um ponto devido a início tardio. Nesta dança eles cometeram um erro gravissimo que lhes estragou a prova: os twizzles correram muito mal e o elemento nem sequer foi considerado pelo que não recebeu qualquer ponto. Além disso, a primeira figura de elevação foi ligeiramente punida com grau de execução negativo. As figuras de elevação (total de 15.52pts) e o peão (6.80pts) foram classificados com o nível 4. A sequência de passos em círculo (9.14pts) foi de nível 3 e a sequência de passos na diagonal (6.86pts) foi de nível 2. Como elementos coreográficos, Victoria e Nikita apresentaram um peão (1.80pts) e um twizzle (1.60pts). Nos segmentos dos componentes eles obtiveram médias de 8.21 na perícia, 8.18 nas transições, 7.93 na performance, 8.50 na composição e 8.11 na interpretação da música/timing.


Os pequenos erros acumulados mais o erro grave nos twizzles, na minha opinião, tiraram o brilho a este programa e o impacto artístico e de interpretação desvanesceu-se. Foi pena.


Victoria e Nikita voltaram a comparecer numa competição sem a companhia de Marina Zoueva. Quem esteve com eles durante os campeonatos da Europa foi Elena Tchakovskaya.


Em contraste com Sinitsina & Katsalapov, os israelitas Isabella Tobias & Ilya Tkachenko fizeram duas das melhores prestações da sua carreira. Nos campeonatos da Europa da época passada, o par israelita ficou na 10.ª posição com uma pontuação de 151.67pts. Este ano eles conseguiram o 4.º lugar final com um total de 169.29.


Na dança curta, Isabella e Ilya conseguiram 69.35pts. Os twizzles (7.63pts) e a figura de elevação (5.79pts) foram classificados com o nível 4. Os passos obrigatórios (5.34pts), a sequência parcial de passos (8.83pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.99pts) foram de nível 3. Nos segmentos dos componentes, Isabella e Tobias obtiveram médias de 8.21 na perícia, 8.04 nas transições, 8.29 na performance, 8.21 na composição e 8.21 na intepretação da música/timing.


Na dança livre, a pontuação alcançada por Isabella e Ilya foi de 99.94pts. As duas sequência de passos foram classificadas com o nível 2 e totalizaram 14.02pts. Os twizzles (7.80pts), o peão (6.71pts) e as figuras de elevação (16.94pts) atingiram o nível 4. Como elementos coreográficos, este par apresentou uma elevação (2.00pts) e um twizzle (1.70pts). As médias fixadas nos segmentos dos componentes foram de 8.36 na perícia, 8.21 nas transições, 8.61 na performance, 8.57 na composição e 8.57 na interpretação da música/timing. Houve dois juízes que lhe marcaram advertências pela violação de regras sobre restrições coreográficas mas isso acabou por não dar lugar a qualquer ponto de dedução.








Os italianos Charlene Guignard & Marco Fabbri têm feito uma evolução lenta mas segura ao longo da sua carreira. Nota-se bem que eles se têm esforçado e que formam uma equipa sólida. Charlene e Marco apresentaram-se nos campeonatos da Europa numa excelente forma física. Na dança curta eles conseguiram o 4.º lugar com uma pontuação de 70.46pts. No entanto, na dança livre eles sofreram uma queda aparatosa na figura de elevação em curva e perderam muitos pontos na nota técnica para além de lhe terem sido aplicados dois pontos de dedução por causa da queda. Foi uma pena.

Os polacos Natalia Kaliszek & Maksym Spodyriev deram nas vistas e foram dos mais populares durante esta competição muito devido à dança livre que apresentaram. A coreografia e interpretação nessa dança são inspiradas no famoso filme “Dirty Dancing” e Natalia e Maksym fizeram-lhe justiça. Esta é uma daquelas danças que dá gosto rever mesmo sem nos focarmos nos elementos técnicos essenciais para a competição.

Destaque também para a estreia em Europeus do par espanhol Sara Hurtado e Kirill Khaliavin. Como se devem recordar, ambos já são bem conhecidos devido às suas parcerias anteriores. Este 13.º lugar final foi um bom resultado para eles.






Vídeos

Papadakis & Cizeron
Dança curta

Dança livre


Cappellini & Lanotte
Dança curta

Dança livre


Bobrova & Soloviev
Dança curta

Dança livre


Tobias & Tkachenko
Dança curta

Dança livre


Stepanova & Bukin
Dança curta

Dança livre


Guignard & Fabbri
Dança curta

Dança livre


Fournier-Beaudry & Sorensen
Dança curta

Dança livre


Kaliszek & Spodyriev
Dança curta

Dança livre


Nazarova & Nikitin
Dança curta

Dança livre


Sinitsina & Katsalapov
Dança curta

Dança livre


Agafonova & Ucar
Dança curta


Lauriault & Le Gac
Dança curta

Hurtado & Khaliavin
Dança curta

Dança livre





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Campeonatos da Europa 2017 - Homens

Campeonatos da Europa 2017

Entre os dias 25 e 29 de Janeiro em Ostrava (Rep. Checa)



Categoria de Homens

Resultado final



Patinadores que não se qualificaram para o programa livre





Análise


O espanhol Javier Fernandez continua na sua senda vitoriosa e conquistou mais uma medalha de ouro nos campeonatos da Europa. Ainda há pouco tempo parecia impensável que um patinador espanhol pudesse sequer ficar no pódio e agora Javier já tem cinco medalhas de ouro nesta competição. O último patinador a conseguir a proeza de conquistar cinco títulos europeus de forma consecutiva foi Ondrej Nepela que foi campeão entre 1969 e 1973.


Na temporada passada, Javier conquistou o título com uma pontuação de 302.77pts. Nesta época, ele conseguiu o ouro comum total de 294.84pts. Ou seja, este ano ele teve menos 7.93pts do que na temporada passada. Essa diferença tem muito a ver com os erros cometidos no programa livre como vão poder ler mais em baixo. O importante é que Javier liderou esta competição tanto no programa curto como no programa livre.


No programa curto, o patinador espanhol obteve uma nota impressionante de 104.25pts. Ele conquistou 38.60pts só em saltos. Javier realizou uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (15.46pts), um quádruplo salchow (12.79pts) e um triplo axel (10.35pts). O axel foi apresentado na segunda metade do esquema para beneficiar de pontuação bónus sobre o valor base. Os peões foram todos de nível 4, totalizando 12.33pts. A sequência de passos também foi classificada com o nível 4 e recebeu 6.00pts. Aliás, a sequência de passos foi o elemento mais bem executado em todo o programa, tendo conseguido a marca de +3 por parte de oito dos nove juízes no painel. A marca mais alta na escala dos graus de execução é precisamente +3. No que diz respeito aos segmentos dos componentes, Javier conseguiu médias altíssimas de 9.32 na perícia, 9.32 nas transições, 9.54 na performance, 9.50 na composição e 9.64 na interpretação da música. Na sua escala individual, o juiz 5 atribuiu-lhe nota 10.00 na performance e na interpretação da música. Ele não teve nenhuma nota abaixo de 9.00!


No programa livre a pontuação obtida pelo espanhol foi de 190.59pts. Quatro elementos de salto foram punidos com grau de execução negativo. O erro mais grave ocorreu no quádruplo salchow (7.55pts) pois Javier caiu na recepção do salto. A queda provocou uma dedução automática de um ponto. Se assistirem ao vídeo do programa livre (está mais em baixo neste post), reparem no braço direito dele ao tentar minimizar o impacto da queda. Essa deve ter doído! Javier acabou mesmo por ficar lesionado e não pôde patinar na gala por causa disso. O triplo axel isolado (8.49pts), o triplo loop (4.81pts) e a combinação de quádruplo salchow-duplo toe loop (11.60pts) foram os outros elementos que foram penalizados no valor base. A combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow ficou com o valor base de 11.22pts depois de ter sido confirmado que a definição de entrada no flip não foi feita de forma clara. Os saltos que receberam grau de execução positivo foram o quádruplo toe loop (13.01pts) inicial, a combinação de triplo axel-triplo toe loop (13.66pts) e o triplo lutz (7.70pts). O peão camel sit foi de nível 3 e recebeu 3.03pts enquanto o peão flying camel atingiu o nível 4 e arrecadou 3.86pts. O peão de combinação foi classificado com o nível 4 e pontuou 4.36pts. A sequência de passos (5.50pts) também foi de nível 4. A sequência coreográfica acrescentou-lhe mais 3.50pts à nota técnica. No que diz respeito aos componentes, Javier recebeu três notas de 10.00 na escala individual do juiz 1 e do juiz 7: um 10.00 para a composição e dois 10.00 para a interpretação da música. As suas médias finais fixaram-se em 9.29 na perícia, 9.18 nas transições, 9.21 na performance, 9.43 na composição e 9.54 na interpretação da música.


Maxim Kovtun venceu a medalha de prata com uma nota de 266.80pts. Na temporada passada ele tinha ficado com a medalha de bronze e 242.21pts. Estamos a falar 24.59pts de diferença. Kovtun revelou uma melhoria significativa em relação ao total da época anterior. Talvez ele se tenha sentido um bocado pressionado internamente depois de ter sido terceiro nos campeonatos nacionais da Rússia. Esta foi uma boa demonstração de que a Federação russa ainda pode contar com Kovtun. Eu penso que com este resultado ele deve ter conseguido segurar uma vaga na selecção nacional para os próximos mundiais.


Maxim Kovtun foi segundo classificado no programa curto com uma pontuação de 94.53pts, sendo que todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. Só nos três elementos de salto este atleta angariou 36.98pts! Maxim efectuou uma combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (16.51pts), um quádruplo toe loop (10.41pts) e um triplo axel (10.06pts). Os peões e a sequência de passos (5.00pts) atingiram o nível 4. Nos peões ele totalizou 10.99pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.39 na perícia, 8.11 nas transições, 8.46 na performance, 8.39 na composição e 8.21 na interpretação da música. O juiz 4 foi o mais mauzinho e só lhe deu 7.75 na performance, composição e interpretação da música…


No programa livre Kovtun obteve uma nota de 172.27pts. Ele iniciou o seu programa de forma estrondosa com a execução de um quádruplo salchow (12.64pts) e de um quádruplo toe loop (12.30pts). No entanto, no terceiro elemento ele perdeu-se um pouco. Parece que lhe falhou a concentração e, em vez de apresentar um triplo lutz conforme estava previsto, Maxim fez um duplo lutz (2.23pts). Na segunda metade do esquema, este patinador apresentou um triplo axel (9.92pts), uma combinação de triplo axel-triplo toe loop (14.65pts), um triplo loop (6.31pts), combinação de triplo salchow-duplo toe loop (6.47pts) e combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.06pts). A sequência coreográfica rendeu-lhe 2.90pts e a sequência de passos de nível 3 permitiu-lhe obter mais 4.16pts. Os peões atingiram todos o nível 4 e totalizaram 11.13pts. Nos segmentos dos componentes as médias foram de 8.61 na perícia, 8.21 nas transições, 8.54 na performance, 8.39 na composição e 8.50 na interpretação da música.


Mikhail Kolyada, actual campeão da Rússia, ficou com a medalha de bronze e com uma pontuação total de 250.18pts. Na temporada anterior, Kolyada terminou na quinta posição com 236.58pts. Esta foi a sua primeira medalha conquistada em campeonatos da Europa. Kolyada esteve lesionado depois dos campeonatos nacionais e é muito provável que a sua preparação para os Europeus tenha sido afectada. Mesmo assim penso que ele tem tudo para ficar satisfeito com esta conquista.


Mikhail foi quarto classificado no programa curto com uma nota de 83.96pts. Ele cometeu uma falha grave ao apenas executar um axel simples durante o esquema. É que no programa curto masculinos as regras obrigam à apresentação de um triplo axel. O axel simples no programa curto é um elemento inválido e, como tal, não pode receber qualquer pontuação. Só de valor base do triplo axel, Kolyada perdeu 8.50pts. Os restantes elementos pontuaram e receberam grau de execução positivo. A combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop recebeu 16.31pts. O triplo lutz obteve 8.30pts. A sequência de passos foi classificada com o nível 3 e pontuou 4.30pts. Os peões atingiram todos o nível e totalizaram 12.98pts. Nos segmentos dos componentes, destaco o juiz 9 que apenas lhe atribuiu 7.50 na perícia, em claro contraste com o restante painel. Fiquei um bocado intrigada com essa nota até porque Kolyada é dos melhores patinadores do mundo no que diz respeito à perícia. As suas médias fixaram-se em 8.43 na perícia, 8.14 nas transições, 8.50 na performance, 8.46 na composição e 8.54 na interpretação da música.


No programa livre Kolyada ficou com uma nota de 166.22pts que lhe valeu o terceiro lugar nessa fase da competição. O esquema começou mal com uma queda na tentativa de quádruplo lutz. Esse elemento foi punido com grau de execução negativo e perdeu 4pts do valor base de 13.60pts, ficando com um total de 9.60pts. A queda foi ainda punida com uma dedução automática de um ponto. O segundo elemento do programa foi um quádruplo toe loop (8.07pts) que também acabou punido com grau de execução negativo. O sétimo elemento do esquema era suposto ter sido um triplo axel isolado mas Mikhail apenas efectuou um salto simples (1.18pts) que foi punido em sede de grau de execução. Os restantes elementos beneficiaram de grau de execução positivo. Os outros saltos realizados foram a combinação de triplo axel-triplo toe loop (14.94pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo toe loop (9.60pts), sequência de triplo salchow-duplo axel (7.78pts), triplo loop (6.51pts) e duplo axel (4.13pts). Os peões foram todos classificados com o nível 4 e conseguiram um total de 12.27pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.40pts e a sequência de passos de nível 4 recebeu 5.30pts. Foi realmente uma pena que ele tivesse cometido aqueles erros no início do programa. Quanto aos segmentos dos componentes, as médias fixaram-se em 8.57 na perícia, 8.18 nas transições, 8.43 na performance, 8.43 na composição e 8.61 na interpretação da música.


O belga Jorik Hendrickx foi nono classificado nos Europeus da temporada passada com uma nota final de 221.39pts. Esta temporada ele conseguiu melhorar o seu resultado de forma significativa. Hendrickx foi quarto classificado nesta edição dos Europeus com uma nota de 242.56pts. O jovem belga apostou em conseguir capitalizar sobre elementos bem executados e não tentou nenhum quádruplo.


No programa curto, Hendrickx foi quinto classificado com uma nota de 82.50pts. O primeiro elemento foi o triplo axel que perdeu 0.43 do valor base de 8.50pts devido a aplicação de grau de execução negativo. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.83pts) foi o quarto elemento do esquema e beneficiou de pontuação bónus no valor base por já se encontrar na segunda metade do esquema. O triplo loop foi o elemento seguinte e recebeu 6.31pts. Os peões foram todos de nível 4 e totalizaram 11.56pts. A sequência de passos obteve 5.30pts e também atingiu o nível 4. As médias apuradas nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota foram de: 7.93 na perícia, 7.68 nas transições, 8.00 na performance, 7.82 na composição e 8.00 na interpretação da música.


No programa livre, o atleta belga foi novamente quinto classificado com uma pontuação de 160.06pts. Apenas dois dos treze elementos foram punidos com grau de execução negativo. Isso ocorreu no triplo axel isolado (7.79pts) e na combinação de triplo lutz-triplo toe loop-duplo loop (13.11pts). O triplo salchow ficou meramente com o valor base de 4.40pts. Os restantes saltos foram uma combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.80pts), um triplo lutz (7.10pts), um triplo flip (6.33pts), uma combinação de triplo loop-duplo toe loop (7.34pts) e um duplo axel (3.84pts). Os peões atingiram o nível 4, com um total de 11.77pts. A sequência de passos foi de nível 3 e recebeu 4.30pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe 2.70pts. Nos segmentos dos componentes do programa as suas médias fixaram-se em 8.04 na perícia, 7.89 nas transições, 8.14 na performance, 8.04 na composição e 8.18 na interpretação da música.


O israelita Alexey Bychenko foi vice-campeão europeu em 2016 com uma pontuação total de 242.56pts. Em 2017, Bychenko teve de contentar-se com o quinto lugar com um total de 239.24pts.


Destaque para a participação de Moris Kvitelashvili (Geórgia) e de Deniss Vasiljevs (Letónia) que cativaram muitos fãs, essencialmente no programa livre. O russo Alexander Samarin estreou-se no escalão sénior a nível internacional e conseguiu a oitava posição.


Michal Brezina (Rep. Checa) foi uma das grandes desilusões do evento e terminou na 12.ª posição.


Daniel Samohin (Israel) tinha grandes aspirações para estes campeonatos da Europa mas nem conseguiu qualificar-se para o programa livre. É que houve problemas com os patins de Samohin e ele teve de improvisar uma solução. Acabou por patinar com patins emprestados. Esta situação prejudicou-o imenso pois cada atleta tem as botas e as lâminas personalizadas. Portanto, imaginem o que é tentar fazer um quádruplo ou qualquer outro salto com patins em que não se está confortável. Foi pena. No entanto, ele ainda é muito jovem e terá hipóteses de participar novamente em vários campeonatos da Europa. Pelo menos é o que desejo para ele.



Vídeos

Javier Fernandez
Programa curto

Programa livre


Maxim Kovtun
Programa curto

Programa livre


Mikhail Kolyada
Programa curto

Programa livre


Jorik Hendrickx
Programa curto

Programa livre


Alexey Bychenko
Programa curto

Programa livre


Moris Kvitelashvili
Programa curto

Programa livre


Deniss Vasiljevs
Programa curto

Programa livre


Alexander Samarin
Programa curto

Programa livre


Chafik Besseghier
Programa curto

Programa livre


Paul Fentz
Programa curto

Programa livre


Alexander Majorov
Programa curto

Programa livre


Michal Brezina
Programa curto

Programa livre