sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A parceria Fournier-Beaudry & Cizeron e o elefante na loja de porcelana

A parceria Fournier-Beaudry & Cizeron e o elefante na loja de porcelana


A dança no gelo é frequentemente apresentada como um universo de elegância, precisão e cumplicidade. No entanto, por trás das coreografias impecáveis e das medalhas reluzentes, existe um lado menos visível marcado por alegações graves, tensões internas e uma crescente perceção de que as entidades responsáveis pelo desporto não estão a acompanhar a gravidade dos acontecimentos.

Este artigo analisa alguns dos casos mais marcantes dos últimos anos, com foco no par Laurence Fournier‑Beaudry & Guillaume Cizeron, e amplia o olhar para outras polémicas que têm abalado a confiança dos fãs e levantado questões urgentes sobre segurança e responsabilidade no nosso amado desporto.


Fournier‑Beaudry & Cizeron: uma parceria artística sob pressão

Laurence Fournier‑Beaudry e Guillaume Cizeron são reconhecidos pela consistência técnica e pela expressividade das suas performances. Contudo, a dupla tem estado envolvida num contexto mais amplo de tensão e escrutínio público.

Laurence mantém uma relação amorosa com o seu antigo parceiro, Nikolaj Sørensen, suspenso após alegações de conduta sexual imprópria.

Fournier-Beaudry & Sorensen
A suspensão, associada à gravidade das acusações, gerou forte reação pública e colocou o foco na forma como as federações lidam com casos deste tipo.

A reação dos fãs

Um número significativo de fãs expressou desconforto com o apoio contínuo de Fournier‑Beaudry e Cizeron a Sørensen. Entre as críticas mais frequentes encontram‑se: preocupação com a imagem da modalidade; receio de que o apoio possa ser interpretado como minimização das alegações e, acima de tudo, frustração com a falta de comunicação clara por parte das entidades oficiais

A discussão tornou‑se um reflexo da sensibilidade crescente do público para temas de conduta imprópria e segurança no desporto.

Guillaume Cizeron e o fim da parceria com Gabriella Papadakis

A separação entre Gabriella Papadakis & Guillaume Cizeron marcou profundamente a dança no gelo contemporânea. Após anos de domínio internacional, a parceria terminou de forma abrupta e envolta em tensão.

Papadakis & Cizeron

No seu livro "Pour ne pas disparaître", editado recentemente, Gabriella descreve a experiência na patinagem de elite, incluindo aspetos da relação profissional com Cizeron. O relato sensível aborda temas sensíveis como tensões acumuladas ao longo dos anos, diferenças artísticas, desgaste emocional e os desafios psicológicos associados à alta competição. A obra trouxe à superfície questões que raramente são discutidas publicamente no desporto, principalmente na perspetiva feminina.

Gabriella revelou que foi vítima de 2 agressões s*exuais e que desabafou com Guillaume sobre uma dessas situações. Segundo Gabriella, Guillaume disse que acreditava nela. No entanto, Guillaume terá dito que iria colocar um ponto final na parceria se Gabriella apresentasse queixa nas autoridades judiciais. 



A publicação do livro trouxe várias consequências para Gabriella, nomeadamente com a ameaça de Cizeron de agir judicialmente contra ela, para evitar que certos pormenores sejam tornados públicos.

A situação ganhou nova dimensão quando Gabriella, inicialmente anunciada como comentadora para os Jogos Olímpicos, foi posteriormente dispensada pela estação de televisão americana responsável pela transmissão. A decisão levantou dúvidas sobre critérios editoriais, pressões externas e o impacto das polémicas recentes na sua imagem pública.

O caso de Shiyue Wang & Xinyu Liu: alegações que abalaram a comunidade internacional

Em 2024, o par chinês Shiyue Wang & Xinyu Liu tornou‑se protagonista de uma das polémicas mais graves da dança no gelo. O patinador Xinyu Liu foi acusado de envolvimento em condutas s*xuais impróprias com menores, um caso que provocou forte reação internacional.

As consequências foram imediatas: choque generalizado entre fãs e especialistas, debates sobre segurança e proteção de menores e questionamentos sobre a resposta das federações chinesas e internacionais.

O caso reforçou a perceção de que a modalidade enfrenta desafios profundos na forma como lida com alegações de natureza s*xual.

 Falhas na resposta institucional: um padrão preocupante

A análise conjunta destes casos revela um padrão que muitos adeptos e analistas têm vindo a destacar: a sensação de que as entidades máximas da patinagem artística não tratam alegações graves com a transparência, rapidez e seriedade necessárias.

Entre as críticas mais recorrentes encontram‑se: falta de comunicação clara sobre investigações; processos disciplinares lentos ou pouco transparentes; inconsistência no tratamento de diferentes casos; ausência de políticas robustas de prevenção e proteção; perceção de proteção institucional de atletas de alto perfil.

Para muitos, estes episódios não são incidentes isolados, mas sintomas de um problema sistémico.

Proteger as vítimas é urgente e inadiável

A dança no gelo é um desporto extraordinário, mas a sua beleza não pode servir de cortina para problemas estruturais.

Os casos analisados mostram que a modalidade enfrenta desafios sérios na forma como lida com alegações de conduta imprópria, especialmente quando envolvem figuras de destaque.

Num contexto em que vítimas e sobreviventes enfrentam barreiras significativas para denunciar, a responsabilidade das federações e organismos internacionais é ainda maior. Proteger atletas, especialmente os mais vulneráveis, não é apenas uma questão ética; é uma obrigação fundamental para garantir a integridade do desporto. A confiança do público depende disso. A segurança dos atletas, principalmente dos mais jovens, depende disso. E o futuro da patinagem artística depende, acima de tudo, da capacidade de colocar as vítimas no centro das decisões, com transparência, rigor e humanidade.

Tanto Fournier-Beaudry & Cizeron como Wang & Liu estão a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Os dois pares continuam a contar com o apoio de treinadores, coreógrafos e outros patinadores enquanto as vítimas são simplesmente invisíveis aos olhos do grande palco internacional dos Jogos Olímpicos.






























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