Mikhail ShaidorovSource: olympics.com
Há histórias no desporto que parecem escritas para o cinema. A de Mikhail Shaidorov, o novo campeão olímpico de patinagem artística masculina, é uma delas. Um jovem de Almaty que começou a patinar em 2010, cresceu longe dos grandes centros tradicionais da modalidade e, ainda assim, encontrou o caminho para o topo do mundo guiado por talento, resiliência e um treinador que sabe exatamente o que significa ser campeão olímpico.
Mikhail Shaidorov nasceu em 2004, em Almaty, no Cazaquistão. Começou a patinar aos seis anos e rapidamente se destacou pela combinação rara de força técnica e sensibilidade artística. Segundo o seu perfil oficial, ele treina no clube Altynalmas e iniciou a carreira competitiva ainda muito jovem .O seu pai, Stanislav Shaidorov, também foi treinador e isso ajudou a moldar a disciplina e a ética de trabalho que o caracterizam desde cedo.
A Ascensão no Circuito Júnior
O primeiro grande marco internacional chegou em 2022, quando conquistou a medalha de prata no Campeonato do Mundo Júnior, em Tallinn (Estónia). Foi um resultado que chamou a atenção dos especialistas: havia ali um patinador com potencial para muito mais. A partir daí, a evolução foi constante.
Shaidorov tornou-se conhecido por arriscar combinações técnicas inovadoras, incluindo:
- o triple Axel – quadruple toeloop, aterrado pela primeira vez em competição no Grand Prix de França 2024
- o triple Axel – Euler – quadruple Salchow, estreado na Final do Grand Prix 2024
Ambos feitos históricos, confirmados pela ISU.
A Chegada ao Palco Sénior
Entre 2024 e 2026, Shaidorov consolidou-se como um dos patinadores mais completos da nova geração. Em 2025, conquistou o título dos Campeonatos dos 4 Continentes, tornando-se o primeiro cazaque em dez anos a vencer um campeonato ISU (saudades do malogrado Denis Ten).
No mesmo ano, alcançou também a medalha de prata no Campeonato do Mundo em Boston. Um aviso claro de que estava pronto para lutar pelo ouro olímpico.
O Mentor: Alexei Urmanov, campeão olímpico que moldou um campeão
Um dos pilares da evolução de Shaidorov é o seu treinador: Alexei Urmanov, campeão olímpico em 1994. Urmanov trouxe-lhe não apenas técnica, mas uma mentalidade vencedora graças à experiência de quem já esteve no lugar onde todos querem chegar. A relação treinador‑atleta tornou-se uma das mais interessantes do circuito: um campeão olímpico a formar outro, trinta e dois anos depois, ambos contra todas as expectativas.
Urmanov é oficialmente listado como treinador principal de Shaidorov, ao lado de Ivan Righini .
Milão‑Cortina 2026: o dia em que tudo se alinhou
O palco estava montado. O favorito era Ilia Malinin, o “Quad God”, que chegava com uma temporada quase perfeita. Mas o desporto tem o dom de surpreender. Na final olímpica, Malinin cometeu erros inesperados, abrindo uma porta que Shaidorov não hesitou em atravessar.
Com um programa livre tecnicamente impecável, incluindo cinco quádruplos, Shaidorov alcançou um recorde pessoal de 291.58 pontos, garantindo o primeiro ouro olímpico de inverno para o Cazaquistão em 32 anos .
Foi um momento histórico, não apenas para o país, mas para a modalidade.
A conquista de Shaidorov representa: o primeiro ouro olímpico de patinagem artística para o Cazaquistão, a validação de anos de trabalho silencioso, longe dos holofotes e a prova de que a técnica inovadora pode coexistir com maturidade artística
Mikhail Shaidorov não é apenas o campeão olímpico de 2026. É o símbolo de uma geração que está a redefinir o que significa competir ao mais alto nível.
Da prata júnior ao ouro olímpico, da orientação do pai ao treino com um campeão olímpico, da ousadia técnica à consistência emocional, Shaidorov construiu uma trajetória inspiradora.
E o mais impressionante é que ele tem apenas 21 anos. Esperemos que ele possa patinar por muitos anos com grande sucesso.
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