Olá a todos e bem-vindos a mais uma publicação com notícias da patinagem artística no gelo. Hoje vamos mais uma vez falar sobre mudança de treinadores. Há algum tempo fomos todos apanhados de surpresa com a decisão de Evgenia Medvedeva em abandonar Eteri Tutberidze, a sua treinadora de longa data, para passar a integrar o grupo de Brian Orser no Canadá. Esse assunto tem dado pano para mangas mas não foi a única novidade no grupo de Orser pois Boyang Jin (China) e Jason Brown (Estados Unidos) também se mudaram para lá. O crescimento do grupo de Brian Orser foi abordado neste post: http://magiageladapatinagememportugues.blogspot.com/2018/05/o-grupo-de-brian-orser-continua-crescer.html Com Brian Orser a ter de dividir a sua atenção por tantos patinadores de renome, os fãs de Elizabet Tursynbaeva manifestaram a sua preocupação com a situação da patinadora. A resposta a essas dúvidas chegou agora. Elizabet despediu-se do grupo de Brian Orser. A partir de agora Elizabet trabalhará sob orientação de Eteri Tutberidze na Rússia. A jovem do Cazaquistão não perdeu tempo e já se apresentou num estágio, onde iniciou a preparação dos programas para a nova temporada. Também foi confirmado que Elizabet pretende completar mais um ciclo olímpico, ou seja, ela quer competir pelo menos até 2022.
Elizabet Tursynbaeva Da Noruega chegou a notícia que Anne Linne Gjersem decidiu arrumar os patins. Esta patinadora de 24 anos foi presença assídua nas competições durante praticamente uma década. Quem acompanha as provas menos badaladas sabe do seu valor. Além disso, Anne Linne, juntamente com a sua irmã Camilla, teve um papel fundamental na divulgação da patinagem artística na Noruega. Este país escandinavo teve durante muito anos um papel fulcral na patinagem de competição mas depois este desporto deixou de ser uma prioridade. Anne Linne ajudou os noruegueses a voltarem a olhar para a patinagem artística com mais atenção e fez com os órgãos de comunicação social voltassem a destacar a modalidade. Só por isso ela já deixou uma marca importante no nosso querido desporto.
Anne Linne Gjersem (Fonte: Facebook) Quem pode respirar de alívio são os fãs de Michal Brezina (Rep. Checa) e de Alexander Majorov (Suécia). Pensou-se que estes dois patinadores iam terminar a carreira na patinagem competição na temporada 2017/2018 só que afinal o cenário é diferente. Tanto Michal como Alexander pretendem continuar pelo menos por mais uma época.
Print do tweet de Alexander Majorov a confirmar que vai continuar por mais uma temporada
Do Japão chegam notícias que dão conta que a patinadora Kaori Sakamoto está a trabalhar com o conceituado coreógrafo canadiano David Wilson na construção de um novo programa. Na temporada passada, os seus programas de competição foram desenhados pelo francês Benoit Richaud.
Kaori Sakamoto
A federação russa de patinagem finalmente divulgou as datas e o local onde se realizarão os próximos campeonatos nacionais da Rússia. Apesar de ser uma competição interna, esta é uma das provas mais aguardadas e seguidas de cada temporada. Então não se esqueçam de marcar nas vossas agendas que os próximos nacionais da Rússia vão decorrer entre 19 e 23 de Dezembro 2018, na cidade de Saransk.
Nos Estados Unidos parece que a disciplina de pares é a que já vai mais adiantada na preparação da nova temporada. O novo programa curto do par composto por Deanna Stellato & Nathan Bartholomay foi coreografado por Anjelika Krylova. O novo programa livre é da responsabilidade da dupla Marie-France Dubreuil & Patrice Lauzon. Quanto a Ashley Cain & Timothy LeDuc, os seus programas de competição para a temporada 2018/2019 apresentarão coreografias de Pasquale Camerlengo. O novo par composto por Jéssica Calalang & Brian Johnson trabalhou com o coreógrafo Rohenne Ward na construção do programa curto.
Ashley Cain & Timothy Le Duc
Este post termina com uma nota triste pois a mãe da patinadora Piper Gilles faleceu na passada segunda-feira.
Piper postou vídeos na sua conta do Instagram onde falou abertamente deste assunto doloroso.
Deixo aqui o link para o caso de quererem enviar uma mensagem de apoio à patinadora.
Post sobre o programa curto: http://magiageladapatinagememportugues.blogspot.pt/2018/01/campeonatos-da-europa-2018-homens-curto.html E vão seis...! Javier Fernandez conquistou o título europeu pela sexta vez consecutiva.Sinceramente parece-me que ele continua a estar num patamar acima dos outros e é claramente o melhor patinador do continente. Javier venceu o programa livre com uma pontuação de 191.73pts. O esquema foi iniciado com um quádruplo toeloop (12.73pts) super bem realizado que conquistou uma maioria de +2 e +3 nos graus de execução. Logo depois foi a vez de uma combinação de quádruplo salchow+duplo toeloop (17.09pts) que também foi impecável. Na combinação de triplo axel+duplo toeloop (9.80pts), a saída do duplo toeloop foi um pouquinho desequilibrada. Dois juízes marcaram -1 no grau de execução mas o 0 prevaleceu e esse elemento terminou com o valor base. A sequência coreográfica resultou muito bem e recebeu 3.80pts graças à boa execução. O quinto elemento foi o peão em baixo com mudança de pé que cumpriu os critérios exigidos para o nível 4 e obteve 3.86pts. Como sexto elemento estava prevista a realização de um quádruplo salchow mas o patinador apenas efectuou um triplo que teve uma recepção defeituosa. O triplo salchow ficou com 3.34pts devido à aplicação de grau de execução negativo. O triplo loop (7.11pts) correu bem com momentos de transição antes e depois do salto. O triplo axel (11.35pts) foi efectuado com muita leveza com fluidez na saída. A tentativa de triplo flip (1.19pts) é que correu muito mal - a terceira volta ficou longe de estar completa, faltou elevação e a aresta de entrada não foi definida claramente como mandam as regras. O último elemento de salto foi a combinação de triplo lutz+loop simples+triplo salchow que lhe permitiu obter mais 12.89pts. O peão camel em combinação com mudança de pé (3.63pts) foi de nível 4 mas podia ter sido mais bem executado. A entrada não foi segura e a variação de posições não foi exactamente feita no mesmo eixo. Três juízes marcaram -1 no grau de execução mas este elemento acabou por não ser punido. A sequência de passos foi de nível 4 e obteve 5.80pts. O esquema terminou com um peão de combinação com mudança de pé que foi classificado com o nível 3 e pontuou 4.00pts. No que diz respeito â segunda nota, as suas médias roçaram a perfeição: 9.50 na perícia, 9.36 nas transições, 9.46 na performance, 9.61 na composição e 9.64 na interpretação da música. A próxima vez que vamos poder ver o espanhol em acção vai ser nos Jogos Olímpicos 2018.
Dmitri Aliev confirmou a segunda posição que trazia do programa curto com uma boa prestação no livre.A sua pontuação foi de 182.73pts. O primeiro elemento do seu programa livre foi uma combinação de quádruplo toeloop+triplo toeloop (17.03pts) que foi executada com muita suavidade. O quádruplo toeloop que se lhe seguiu também foi bastante bem executado, tendo amealhado 12.44pts. O terceiro elemento foi um triplo axel (9.64pts) mas aqui o painel de juízes dividiu-se quanto ao grau de execução. O juiz n.º 6 marcou 0 e o juiz n.º 7 marcou +3. Eu concordo com a maioria dos juízes que marcou +1 porque ele teve de oscilar a lâmina em curva na recepção do salto - tudo o resto foi bom nesse elemento. Com este começo sólido, Dmitri avançou para um peão camel com entrada saltada que atingiu o nível 4 e recebeu 3.91pts. Ele também apresentou um boa sequência coreográfica que recebeu 3.40pts. O sexto elemento foi um triplo lutz (8.00pts) em que a definição de entrada foi muito bem vincada mas suave ao mesmo tempo. A combinação de triplo axel+duplo toeloop ficou com 11.07pts mas aqui a qualidade de execução foi mediana. A combinação de triplo loop+loop simples+triplo salchow também correu bem e obteve 11.60pts. O primeiro erro no esquema ocorreu no flip. Era suposto que ele tivesse realizado um triplo mas apenas apresentou um duplo. De qualquer modo, o duplo flip foi bem executado e ficou com 2.13pts. O último salto do esquema foi um duplo axel (3.92pts). A sequência de passos cumpriu as exigências do nível 4 e obteve 5.40pts. Eu gostei da forma como ele marcou bem as arestas com aparente facilidade. O programa terminou com dois peões: o peão de combinação com mudança de pé (3.86pts) de nível 4 e o peão em baixo com mudança de pé (2.89pts) de nível 3. Este último peão foi um pouquinho lento e a mudança para a segunda posição fê-lo sair do ponto onde estava centrado. Houve um juiz que marcou -1 no grau de execução deste último peão. Quanto aos componentes, as médias deste atleta fixaram-se em 8.75 na perícia, 8.54 nas transições, 8.82 na performance, 8.79 na composição e 8.82 na interpretação da música. Esta foi uma estreia promissora para este atleta e aconteça o que acontecer no futuro ele já tem este fantástico resultado no currículo. Quem sabe se ele na próxima temporada não será ele o campeão da Europa?
Mikhail Kolyada ficou desapontado com a sua prestação no programa curto mas tinha esperanças de ainda conseguir lutar pela medalha de prata. No programa livre, este patinador obteve uma pontuação de 175.49pts, que o colocou na terceira posição. O primeiro elemento do esquema foi o quádruplo lutz. A definição da entrada foi excelente, assim como a posição no ar durante as rotações, mas ele caiu na recepção do salto. Em resultado foram subtraídos 4pts ao valor base de 13.60pts, a que se acrescentou uma dedução automática de ponto devido à queda. O segundo salto do esquema foi um triplo salchow (5.10pts) bem executado mas que deveria ter sido um quádruplo. Seguiu-se uma boa combinação de triplo axel+triplo toeloop (14.23pts). O peão em baixo com entrada saltada foi classificado com o nível 4 e recebeu 3.93pts. A sequència de passos de nível 3 obteve 4.30pts. Já depois da marca da segunda metade do programa, Mikhail arriscou um quádruplo toeloop mas as coisas não resultaram. Ele foi lento com a perna livre e caiu na recepção desse salto. Por causa da má execução foram-lhe retirados 4pts do valor base de 11.33pts, para além da dedução automática obrigatória de um ponto pela queda. O salto seguinte foi um triplo axel impecável que lhe rendeu 11.64pts. O oitavo elemento do programa foi uma combinação de triplo lutz+loop simples+duplo salchow (9.38pts) que foi bem executada mas que não era a que estava prevista. Era suposto que esta combinação consistisse de triplo lutz+loop simples+triplo salchow. O triplo loop foi muito bem conseguido e recebeu 6.21pts. O último elemento de salto foi uma combinação de triplo lutz+duplo toeloop (8.83pts). O peão de combinação com mudança de pé foi de nível 3 e pontuou 4.07pts. Os dois últimos elementos foram a sequência coreográfica (3.30pts) e o peão camel com mudança de pé (4.13pts) que atingiu o nível 4. Nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota, as médias apuradas foram de 8.79 da perícia, 8.25 nas transições, 8.50 na performance, 8.57 na composição e 8.61 na interpretação da música. O juiz n.º 8 marcou-lhe notas acima de 9.00 em todos os segmentos mas eu não concordo nada com o 9.75 que ele atribuiu no segmento de performance - não nos podemos esquecer que houve duas quedas no programa. Com esta prestação no livre, Mikhail conquistou a medalha de bronze, repetindo o resultado da temporada passada. O israelita Alexei Bychenko entrou no programa livre determinado a lutar até ao fim. Ele foi oitavo no programa curto e no livre conseguiu uma pontuação de 163.47pts que lhe permitiu ficar em quarto lugar nessa fase da competição. Alexei entrou cheio de força e apresentou uma combinação de quádruplo toeloop+triplo toeloop (15.89pts) e um quádruplo toeloop (12.30pts). O terceiro elemento foi um triplo loop (5.90pts). No entanto, alguns saltos realizados na segunda metade do esquema tiveram deficiências. O triplo axel (8.21pts) e a combinação de triplo axel+toeloop simples (7.35pts) foram penalizados com grau de execução negativo. O triplo lutz (7.70pts), a combinação de triplo flip+loop simples+triplo salchow (11.62pts) e o duplo axel (3.99pts) tiveram apenas uma execução mediana e, por isso, ele não conseguiu capitalizar muito em graus de execução positivos. Em termos de peões, o peão de combinação com mudança de pé (3.43pts) foi o único que chegou ao nível 4. O peão camel com entrada saltada (2.29pts) e o peão em baixo com mudança de pé (2.66pts) apenas foram suficientes para o nível 2. O peão camel com entrada saltada foi mesmo ligeiramente punido com grau de execução negativo. A sequència de passos ficou-se pelo nível 2 e obteve 3.03pts enquanto a sequência coreográfica recebeu 2.60pts. O painel de juízes esteve dividido quanto às notas marcadas nos segmentos dos componentes. No segmento de perícia ele ficou com notas entre 5.75 e 8.50. É uma discrepância muito significativa. A mesma coisa ocorreu no segmento de perícia em que as suas notas ficaram entre 5.50 e 8.75! As médias acabaram por fixar-se em 7.54 na perícia, 7.32 nas transições, 8.04 na performance, 7.71 na composição e 7.64 na interpretação da música.
O letão Deniss Vasiljevs é um dos patinadores mais acarinhados pelo público que segue as competições menos mediáticas. Este jovem é muito simpático e acessível e tem evoluído bastante como atleta. O facto de ser treinado pelo popular Stephane Lambiel também lhe tem granjeado bastante atenção. Deniss trazia o terceiro lugar do programa curto mas foi incapaz de manter essa posição no livre. No esquema houve três elementos de salto punidos com grau de execução negativo. Foi o que ocorreu na tentativa de quádruplo toeloop, na combinação de triplo lutz+loop simples+triplo salchow e no triplo lutz. Ele tentou o quádruplo toeloop mas faltaram 2/4 de volta para que a última rotação fosse de facto completa - ainda por cima ele caiu na recepção. Na prática o que ele fez foi um triplo toeloop com mais uns pozinhos. Os casos em que faltam 2/4 de volta fazem com o valor base seja alterado. Nesta situação, o valor base foi de 4.30pts. Claro que a queda também fez com que fosse aplicada uma dedução automática de um ponto. Na combinação de triplo lutz+loop simples+triplo salchow perdeu 2.10pts do valor base de 10.01pts, tendo o loop sido mal executado e faltado rotação tanto no loop como no salchow. O triplo lutz também foi incompleto e além disso o patinador fez a recepção nos dois pés. Os saltos que obtiveram grau de execução positivo foram a combinação de triplo axel+triplo toeloop (14.23pts), o triplo axel (10.36pts), o triplo loop (6.61pts) e o triplo flip (6.93pts). A combinação de duplo axel+duplo toeloop ficou meramente com o valor base de 5.06pts. No que toca aos peões, todos eles cumpriram os critérios para aplicação de nível 4 e totalizaram 12.49pts. A sequência de passos também atingiu o nível 4 e recebeu 5.30pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.60pts. As médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.29 na perícia, 7.82 nas transições, 8.29 na performance, 8.25 na composição e 8.25 na interpretação da música.
Alexander Samarin saiu triste do programa curto pois tinha algumas expectativas de ficar bem colocado só que acabou na nona posição. A sua prestação no programa livre foi recompensada com 155.56pts e permitiu-lhe ascender ao sexto lugar final. A primeira coisa a destacar é que ele apenas fez duas combinações de saltos em vez de três e isso fê-lo partir de um valor base inferior ao previsto. O elemento inicial do esquema foi um quádruplo lutz (7.27pts). Esse salto foi o único elemento punido com grau de execução negativo. Foram retirados 2.23pts ao valor base de 9.50 pois ele colocou a mão na pista na recepção do salto e não completou efectivamente a última rotação. Com esta recepção defeituosa, Alexander não arriscou o que tinha previsto fazer: uma combinação quádruplo lutz+triplo toeloop. O seguindo elemento era suposto ter sido um quádruplo lutz isolado mas o patinador apenas apresentou um triplo que recebeu 6.20pts. O terceiro elemento foi um quádruplo toeloop (10.30pts) que não teve a recepção mais elegante e que ficou apenas com o valor base. Na mudança da primeira para a segunda fase do esquema, Alexander efectuou um peão camel com entrada saltada que foi classificado com o nível 4 e obteve 3.70pts. Depois foi a vez da sequência de passos de nível 4 que reuniu 4.90pts. Já na segunda metade do programa, Alexander avançou para um triplo axel (9.92pts). O sétimo elemento foi uma combinação de triplo lutz+loop simples+duplo salchow (8.98pts). No entanto, estava previsto que o salchow fosse triplo. Logo de seguida, ele voltou a facilitar ao transformar a combinação de triplo flip+triplo toeloop em triplo flip+duplo toeloop (6.66pts). A combinação flip+toeloop foi ligeiramente punida em sede de grau de execução, sendo que a definição de entrada no flip não foi feita de forma clara. Os restantes saltos foram um triplo loop (5.71pts) e um duplo axel (3.84pts). Depois foi a vez da sequência coreográfica que lhe rendeu 2.70pts. No final do esquema ele colocou o peão de combinação com mudança de pé (3.79pts) e o peão em baixo com mudança de pé (3.29pts), tendo ambos alcançado o nível 4. No que diz respeito à segunda nota, as médias dele fixaram-se em 8.11 na perícia, 7.43 nas transições, 8.07 na performance, 7.75 na composição e 7.79 na interpretação da música. O painel de juízes esteve dividido nos segmentos e houve algumas discrepâncias nas notas marcadas. Por exemplo, no segmento de transições ele teve notas balizadas entre 6.75 e 8.75. No segmento de interpretação da música as notas ficaram entre 6.75 e 9.00. Em termos de transições acho que 8.75 é uma nota exagerada. Alexander Samarin não apresentou transições no esquema que justifiquem uma nota de 8.75. Com o sexto lugar nos campeonatos da Europa, Alexander Samarin ficou de fora da equipa principal russa para os próximos Jogos Olímpicos.
Quanto aos resultados de outros atletas é de salientar que Alexander Majorov garantiu à Suécia mais um lugar nesta categoria para os próximos Europeus. Quem também ganhou mais uma vaga para o próximos Europeus foi a Itália, graças à boa classificação de Matteo Rizzo.
A França perdeu um lugar e, por isso, só poderá apresentar um patinador na próxima época. O mesmo aconteceu com a Geórgia.
Programa livre
Vídeos Javier Fernandez
Dmitri Aliev
Mikhail Kolyada
Deniss Vasiljevs
Alexei Bychenko
Alexander Samarin
Alexander Majorov
Michal Brezina Indisponível Matteo Rizzo Indisponível Jorik Hendrickx
A 49.ª edição do Troféu Nebelborn
realizou-se na Alemanha entre os dias 27 e 30 de Setembro de 2017. Como já
ocorreu em anos anteriores, o prestigiado Troféu Nebelhorn serviu como evento
de qualificação olímpica para os países que ainda não tinham assegurado uma
vaga após os resultados dos últimos mundiais. As vagas em aberto foram apuradas
por disciplina.
A edição deste ano também ficou
marcada pelo regresso do par britânico Coomes & Buckland após prolongada
ausência devido a uma lesão grave da patinadora e pelo embate entre Tarasova
& Morozov e Savchenko & Massot que são nomes maiores da categoria de
pares a nível mundial.
Outra curiosidade da edição de 2017 é
que Jorik Hendrickx tornou-se o primeiro patinador belga a conquistar o Troféu
Nebelhorn.
Os responsáveis da federação
australiana é que devem ter ficado super contentes pois Kailani Crane tornou-se
a primeira australiana a sagrar-se vencedora no Troféu Nebelhorn. Além disso,
Alexandrovskaya & Windsor ficaram com a medalha de bronze na categoria de
pares, tornando-se o primeiro par australiano a ficar no pódio nesta
competição.
Então vamos lá responder à questão
central da edição deste ano – Quem ficou com os lugares olímpicos que ainda se
encontravam em disputa?
Na categoria de homens, os lugares em
aberto foram atribuídos à Bélgica, Suécia, Itália, Coreia do Sul, Malásia e
Ucrânia. Cada um destes países poderá indicar um patinador nesta disciplina nos
Jogos Olímpicos de 2018.
Na categoria de senhoras, os países
que se apuraram foram a Austrália, a Suécia, a Suíça, a Finlândia, a Ucrânia e
o Brasil. Cada um destes países poderá escalar uma patinadora nesta disciplina
para os próximos Jogos Olímpicos.
Na categoria de dança, os lugares
disponíveis foram atribuídos à Grã-Bretanha, ao Japão, à Alemanha, à Coreia do
Sul, à Rep. Checa e à Eslováquia. Cada um destes países poderá enviar um par.
Na categoria de pares os lugares
vagos foram conquistados pela Austrália, pela Áustria, pela Coreia do Norte,
por Israel e pela Rep. Checa. A dinâmica é a mesma das outras disciplinas,
sendo que cada um destes países poderá seleccionar um par para os próximos
Jogos Olímpicos.
O Japão é que complicou a sua própria
vida visto que Suto & Boudreau-Audet
falharam a qualificação na categoria de pares. O Japão é um dos principais
países desta modalidade e precisava de qualificar atletas em todas as
categorias para ter hipóteses de medalhar na competição olímpica por equipas.
Não sei como é que vão resolver esta situação…
Olhando especialmente para a
categoria de pares, os russos Tarasova & Morozov venceram os alemães
Savchenko & Massot na sua própria casa, tendo liderado ambas as fases da
competição.
No programa curto, Tarasova &
Morozov, actuais campeões da Europa e do Grande Prémio,ficaram em primeiro lugar com uma nota de
77.52pts. Este par conseguiu graus de execução positivos em todos os elementos,
com vários +2 e +3 por parte de todos os juízes. Eles realizaram um triplo
twist de nível 4 (8.60pts), um triplo toeloop lado-a-lado (5.70pts), um triplo
loop lançado (7.00pts), uma espiral da morte de nível 4 (5.00pts), um peão de
nível 4 (5.43pts), uma figura de elevação de nível 3 (5.00pts) e uma sequência
de passos de nível 4 (4.90pts). Nos componentes que fazem parte da segunda
nota, as médias apuradas em cada segmento foram de 9.36 na perícia, 9.11 nas
transições, 9.29 na performance, 9.21 na composição e 9.14 na interpretação da
música. No entanto, este par sofreu uma dedução automática de um ponto devido a
violação das regras de tempo.
Já os alemães Savchenko & Massot,
vice-campeões mundiais em 2017, tiveram um programa curto atribulado que mesmo
assim lhes permitiu obter uma nota de 72.99pts. Eles tiveram dois elementos
punidos com grau de execução negativo: o triplo axel lançado e o triplo salchow
lado-a-lado. No triplo axel lançado, eles ficaram sem 3.00pts do valor base de
7.00pts devido ao facto de Aliona ter caído na recepção do salto. A queda fez
com que também tivesse de ser aplicada uma dedução automática de um ponto. No
triplo salchow lado-a-lado perderam 1.10pts do valor base de 4.40pts porque
Aliona fez uma má recepção. Os restantes elementos realizados no esquema foram
um triplo twist de nível 3 (8.00pts), uma espiral da morte de nível 4
(5.20pts), um peão de nível 4 (5.43pts), uma sequência de passos de nível 4
(5.50pts) e uma figura de elevação de nível 3 (5.29pts). As médias nos
segmentos dos componentes foram excelentes e fixaram-se em 9.18 na perícia,
9.07 nas transições, 9.11 na performance, 9.14 na composição e 9.21 na
interpretação da música.
No programa livre, Tarasova &
Morozov ficaram à frente com uma nota de 140.94pts, enquanto Savchenko &
Massot foram segundos com uma pontuação de 138.09pts.
O esquema dos russos foi iniciado com
uma tentativa de quádruplo twist que teve uma recepção um pouco “pesada” por
parte da patinadora. O twist foi de nível 3 e conseguiu um ligeiro grau de
execução positivo. Eu teria deixado esse elemento apenas com o valor base.
Mesmo assim o erro mais grave no esquema ocorreu na tentativa de combinação de
triplo toeloop+duplo toeloop. Isso era o que estava planeado mas Evgenia apenas
fez um duplo toeloop+toeloop simples. Essa combinação acabou punida com grau de
execução negativo como não podia deixar de ser. Houve ainda mais um ligeiro
erro por parte de Evgenia quando ela tocou com o pé livre no gelo na recepção
do triplo loop lançado. Alguns juízes não devem ter reparado nisso pois
atribuíram grau de execução positivo na sua escala individual, sendo que apenas
dois juízes marcaram 0. Eu penso que o 0 era o mais indicado nesta situação e
eles deveriam ter ficado apenas com o valor base do triplo loop lançado. De
resto o programa foi impecável. Em termos coreográficos eles optaram por seguir
a linha do programa curto da época passada. A coreografia é da responsabilidade
de Peter Tchernyshev e é muito melhor da que eles tiveram no livre da temporada
passada, demonstrando uma boa evolução das capacidades artísticas deste par.
Aliona e Bruno também iniciaram o seu
esquema com o triplo twist. Este par consegue dar uma amplitude a este elemento
que é verdadeiramente impressionante. Aliona voa! Eles conseguiram +3 por parte
de todos os juízes no twist mas eu teria colocado +2 ou até mesmo apenas +1
pois a recepção foi feita com ajuda do ombro de Bruno. Não é suposto que o
elemento masculino apanhe a parceira com ajuda do ombro. A “apanhada” tem de
ser feita com as mãos do patinador na cintura/anca da patinadora, sem ajudas de
outra parte do corpo. Depois do twist sucederam-se quatro elementos punidos com
grau de execução negativo: o triplo axel lançado, a sequência de dois triplos
toeloop, o duplo salchow lado-a-lado e o triplo salchow lançado. Aliona caiu na
recepção do triplo axel lançado e Bruno caiu no segundo salto da sequência de
triplos toeloop. Duas quedas equivaleram à aplicação de duas deduções
automáticas de um ponto cada uma. O salchow lado-a-lado era suposto ter sido
triplo mas Bruno apenas realizou um duplo. No salchow lançado, Aliona fez a
recepção com os dois pés. Apesar destes erros todos, Aliona e Bruno não se
desconcentraram e avançaram para uma segunda metade fabulosa. Se só pudesse
usar uma palavra para descrever este programa seria com certeza ÉPICO. Com o
decorrer da temporada e com uma melhoria na sua forma física, este programa tem
tudo para colocá-los na luta pela medalha de ouro nos próximos Jogos Olímpicos.
Os resultados completos e os vídeos
em todas as categorias podem ser vistos em baixo.
Houve muitos motivos de interesse na Taça Rostelecom 2016
com o espanhol Javier Fernandez a levar a melhor sobre a concorrência. Shoma
Uno do Japão garantiu a medalha de prata enquanto o israelita Alexey Bychenko
surpreendeu ao conquistar a medalha de bronze. O russo Mikhail Kolyada estava
algo pressionado para lutar por um lugar no pódio mas apenas conseguiu o quarto
lugar.
O ajuizamento da prova esteve a cargo de Anna Kantor
(Israel), Tatiana Sharkina (Rússia), Philippe Meriguet (França), David Muñoz
(Espanha), Janice Hunter (Canadá), Emilie Billow (Suécia), Nobuhiko Yoshioka
(Japão), Wendy Enzmann (Estados Unidos) e Agita Abele (Letónia).
A controladora técnica foi Lise Rosto Jensen, com Jirina
Lorenz como técnica especialista e Ivana Jakupcevic Marinkovic foi a técnica
especialista assistente.
Javier Fernandez ficou em segundo lugar no programa curto
com uma nota de 91.55pts. O popular patinador espanhol tinha todas as condições
para liderar esta fase da competição mas a combinação de quádruplo
toeloop-triplo toeloop (13.40pts) foi penalizada com grau de execução negativo
e ele perdeu alguns pontinhos por causa disso. Outro erro ocorrido no esquema
teve lugar no triplo salchow. Javier tinha planeado executar um quádruplo
salchow só que apresentou um triplo. Isso teve implicações no valor base pois é
um valor mais baixo do que ele pretendia obter. Além disso, o triplo salchow
apenas conseguiu garantir o valor base pois ficou com 0.00 como média do grau
de execução nesse elemento. O triplo axel foi colocado na segunda metade do
esquema e recebeu 11.64pts. A sequência de passos foi classificada com o nível
4 (que é o mais elevado) e ficou com 5.60pts. Os peões foram todos de nível 3 e
totalizaram 10.43pts. As médias apuradas nos segmentos dos componentes que
fazem parte da nota de apresentação/artística foram elevadas como é habitual
para Javier: 9.14 na perícia, 9.11 nas transições, 9.11 na performance, 9.36 na
composição e 9.36 na interpretação da música.
O programa livre de Javier permitiu-lhe alcançar a liderança
com uma nota de 201.43pts. Nenhum elemento foi penalizado com grau de execução
negativo mas houve um que ficou meramente com o valor base. Foi o que aconteceu
na combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow (11.22pts). É que
houve muitas dúvidas quanto à correcção da definição de entrada no triplo flip.
Os outros saltos efectuados foram o quádruplo toeloop (12.73pts), combinação de
quádruplo salchow-duplo toeloop (12.66pts), combinação de triplo axel-duplo
toeloop (11.51pts), quádruplo salchow (14.12pts), triplo axel (10.21pts),
triplo lutz (7.60pts) e triplo loop (6.41pts). A sequência de passos foi
marcada com o nível 3 e recebeu 4.44pts enquanto a sequência coreográfica
amealhou 3.40pts. O peão em baixo com mudança de pé (4.00pts) foi classificado
com o nível 4, o peão flying com mudança de pé em combinação (4.00pts) foi de
nível 4 mas o peão de combinação com mudança de pé (3.43pts) ficou-se pelo
nível 2. As médias alcançadas nos segmentos dos componentes foram excelentes:
9.36 na perícia, 9.39 nas transições, 9.68 na performance, 9.71 na composição e
9.71 na interpretação da música. Em termos de escalas de cada juiz, Javier
obteve oito notas de 10.00 (valor máximo)!
O japonês Shoma Uno ficou satisfeito com o seu programa
curto onde alcançou uma pontuação de 98.59pts, que lhe garantiu a liderança
nessa fase da competição. O jovem japonês arriscou um quádruplo flip (11.10pts)
e este tipo de salto ainda é uma raridade. São muito poucos os que arriscam um
flip quádruplo na elite internacional. Como combinação, ele apresentou um
quádruplo toeloop com triplo toeloop que recebeu 13.23pts. No entanto, esses
dois elementos iniciais foram penalizados com grau de execução negativo e por
causa disso ele perdeu imediatamente 2.57pts. O terceiro salto do curto foi um
triplo axel (11.92pts) que ele efectuou na segunda metade do esquema. Os peões
(total de 12.63pts) e a sequência de passos (5.40pts) foram classificadas com o
nível 4. Na nota de apresentação, Shoma ficou aquém de Javier em cerca de 2
pontos. As médias conquistadas por Shoma nos segmentos dos componentes foram de
8.96 na perícia, 8.64 nas transições, 8.75 na performance, 8.96 na composição e
9.00 na interpretação da música.
No programa livre Shoma ficou na segunda posição com uma
nota de 186.48pts. Esta prestação teve um grande percalço na tentativa de
quádruplo toeloop (7.93pts) em combinação que estava prevista para a segunda
metade do programa. É que o patinador caiu e não conseguiu sequer marcar o
segundo salto que tinha planeado. Em resultado, esse quádruplo perdeu 4 pontos
do valor base por causa do grau de execução negativo e ainda lhe foi aplicada
uma dedução automática de um ponto devido à queda. O elemento seguinte foi o
triplo lutz (6.70pts) que obteve grau de execução positivo por uma unha negra
visto que a definição de entrada não foi clara como mandam as regras. Os
restantes saltos do esquema foram o quádruplo flip (13.01pts), o quádruplo toe
loop isolado (12.01pts), triplo loop (5.50pts), triplo axel (10.49pts),
combinação de triplo axel-loop simples-triplo flip (17.87pts) e triplo salchow
(5.84pts). O peão flying camel de nível 3 recebeu 3.59pts, o peão flying com
mudança de pé e em combinação foi de nível 4 e obteve 4.21pts e o peão de combinação
com mudança de pé também alcançou o nível 4 tendo ficado com 4.86pts. A
sequência de passos pontuou 4.51pts e foi classificada com o nível 3. A
sequência coreográfica ficou com 3.60pts. Nos segmentos que fazem parte da
segunda nota, as médias do patinador japonês fixaram-se em 9.21 na perícia,
8.82 nas transições, 9.04 na performance, 9.32 na composição e 9.29 na
interpretação da música.
O israelita Alexey Bychenko conseguiu um excelente resultado
ao terminar na terceira posição final, depois de ficar em quarto lugar no curto
e em terceiro lugar no livre.
No programa curto a pontuação obtida por Bychenko foi de
86.91pts. Os saltos apresentados foram o triplo axel (10.21pts), um quádruplo
toe loop (11.87pts) e uma combinação de triplo flip-triplo toeloop (11.66pts).
Os peões foram todos classificados com o nível 3 e totalizaram 9.40pts. A
sequência de passos foi de nível 2 e recebeu 3.60pts. Nos segmentos dos
componentes as médias apuradas fixaram-se em 7.89 na perícia, 7.68 nas
transições, 8.18 na performance, 8.07 na composição e 8.25 na interpretação da
música.
No programa livre Bychenko ficou com uma nota de 168.71pts.
Os saltos realizados por ele foram os seguintes: combinação de quádruplo
toeloop-triplo toeloop (16.03pts), quádruplo toeloop (12.30pts), triplo loop
(6.00pts), triplo axel (10.64pts), sequência de triplo axel-duplo toeloop
(5.48pts), triplo lutz (7.30pts), combinação de triplo flip-loop simples-triplo
salchow (12.12pts) e duplo axel (4.06pts). A sequência de triplo axel-duplo
toeloop foi o único elemento penalizado com grau de execução negativo e o
toeloop foi considerado inválido. Em termos de peões, o peão em baixo com
mudança de pé (2.33pts) e o peão flying camel (2.44pts) foram de nível 2. O
peão em combinação com mudança de pé (3.93pts) atingiu o nível 4. A sequência
de passos de nível 2 recebeu 3.24pts e a sequência coreográfica ficou com
2.70pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.00 na perícia,
7.71 nas transições, 8.18 na performance, 8.04 na composição e 8.14 na
interpretação da música.
Alexander Majorov ganhou o prémio de azarado do dia no programa livre pois sofreu uma hemorragia nasal durante o programa e não parou de patinar. Houve alguma polémica por causa disso visto que o árbito podia ter mandado parar o programa para que o patinador recebesse assistência mas não o fez.