segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Challenger Series - US International Figure Skating Classic 2017

Challenger Series 2017/2018


US International Figure Skating Classic 2017






O segunde evento do circuito Challenger Series 2017/2018 decorreu nos Estados Unidos com o US International Figure Skating Classic.


Na categoria de dança, o par Madison Hubbell & Zachary Donohue (Estados Unidos) dominou completamente a competição e conseguiu a medalha de ouro com mais de 25pts de vantagem sobre os seus compatriotas Kaitlin Hawayek & Jean-Luc Baker.


Hubbell & Donohue obtiveram uma nota de 71.15pts na dança curta. Os twizzles (6.25pts) e a sequência parcial de passos (7.80pts) não foram além do nível 2. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.30pts) e a figura de elevação em curva (5.50pts) foram classificadas com o nível 3. Os passos obrigatórios de rumba (6.20pts) atingiram o nível 4. Nos segmentos dos componentes, este par ficou com médias de 8.88 na perícia, 9.00 nas transições, 9.00 na performance, 9.13 na composição e 9.13 na interpretação da música/interpretação. Se eles conseguirem trabalhar os twizzles e essencialmente a sequência parcial de passos para um nível superior, então é bom que comecem a considerá-los como uma séria ameaça para os campeonatos nacionais dos Estados Unidos. O lugar de n.º 1 na selecção americana está ao alcance deles para esta temporada.


Na dança livre, Hubbell & Donohue conquistaram uma nota de 107.65pts. Em termos técnicos, este par conseguiu uma prestação promissora e houve apenas um senão: a primeira sequência de passos (7.80pts) foi de nível 2. A sequência de passos na diagonal foi de nível 3 e recebeu 9.03pts. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4 e totalizaram 17.25pts. A terceira figura de elevação levou a que lhes fosse aplicada uma dedução automática de um ponto devido ao facto de ter sido ultrapassado o limite de tempo permitido pelas regras. O peão (6.80pts) e os twizzles (8.40pts) também foram de nível 4. Uma coisa que gostei na construção do desenho do esquema é que os dois elementos coreográficos foram distribuídos pelo programa. Eles optaram por um peão coreográfico (2.58pts) como terceiro elemento e por um twizzles coreográfico (2.40pts) no final do programa. As suas médias nos componentes foram excelentes: 9.00 na perícia, 8.81 nas transições, 9.13 na performance, 9.19 na composição e 9.19 na interpretação da música/timing. O juiz n.º 1 é que parece não ter ficado muito convencido pois a nota mais alta que lhes marcou foi um 8.25 na interpretação da música/timing.


No início desta competição esperava-se que o par dinamarquês Fournier-Beaudry & Sorensen estivesse na luta por uma medalha, depois dos bons resultados que têm obtido nas últimas temporadas. O resultado obtido aqui foi desapontante pois ficaram em quarto lugar, a uma distância pontual de 9.49 da medalha de bronze. Na categoria de dança, esse fosso pontual é muito grande.


A medalha de bronze ficou nas mãos do par japonês Kana Muramoto & Chris Reed.


Na categoria de senhoras não faltou animação. A jovem japonesa Marin Honda chegou, viu e venceu na sua estreia no escalão sénior a nível internacional. Honda ficou em primeiro lugar tanto no programa curto como no programa livre e não parecia minimamente incomodada por estar a competir contra atletas muito mais experientes do que ela.


Marin Honda iniciou o seu programa curto com um peão layback (3.00pts) de nível 4, a que se seguiu a combinação de triplo flip+triplo toeloop (10.44pts). Depois ela avançou para o peão flying camel de nível 4 que recebeu 3.90pts. A sequência de passos foi de nível 3 e obteve 4.10pts. Já na segunda metade do programa, ela apresentou o triplo loop (7.01pts) e o duplo axel (4.23pts), tendo assim beneficiado de bónus no valor base. O esquema foi terminado com um peão de combinação com mudança de pé que atingiu o nível 4 e recebeu 4.10pts. As médias obtidas por Honda nos componentes que fazem parte da segunda nota foram fixadas em 7.50 na perícia, 7.25 nas transições, 7.65 na performance, 7.60 na composição e 7.65 na interpretação da música. A sua pontuação total no programa curto foi de 66.90pts.


No programa livre, Marin Honda obteve uma pontuação de 131.52pts. Na primeira metade do esquema, ela efectuou um triplo lutz (6.28pts) e uma combinação de triplo flip+triplo toeloop (10.86pts). Na segunda metade do programa, Honda realizou uma combinação de duplo axel+triplo toeloop (9.34pts), um triplo flip (7.09pts), duplo salchow (1.55pts), um triplo loop (6.59pts) e uma combinação de duplo axel+duplo toeloop+duplo toeloop (6.79pts). O que Honda executou na competição não foi o plano de saltos que ela tinha previsto fazer. O início do programa foi igual ao estipulado mas na segunda metade ocorreram alterações significativas. Em vez do triplo flip isolado, era suposto que Honda tivesse realizado uma combinação de triplo lutz+duplo toeloop+duplo loop. O duplo salchow era suposto ter sido um triplo. A combinação final de duplo axel+toeloop+toeloop era suposto ter sido um axel isolado. No entanto, como ela não arriscou a combinação do lutz teve de improvisar uma solução para não ficar com uma combinação a menos no programa, o que lhe teria custado muitos pontos. A sequência de passos foi de nível 3 e ficou com 3.90pts enquanto a sequência coreográfica lhe garantiu 3.26pts. Os peões foram todos classificados com o nível 4 e permitiram-lhe amealhar um total de 10.90pts. Nos componentes as suas médias fixaram-se em 8.20 na perícia, 7.85 nas transições, 8.25 na performance, 8.10 na composição e 8.20 na interpretação da música.


Mirai Nagasu, quarta classificada nos Jogos Olímpicos de Vancouver em 2010, ficou com a medalha de prata. A sua participação nesta competição tem muito a ver com a luta interna que decorre no seio da equipa dos Estados Unidos para a qualificação para a equipa que irá representar o país nos Jogos Olímpicos de 2018. Para já, as coisas correram bem a Nagasu pois deixou para trás a sua compatriota Karen Chen que teve de contentar-se com o bronze, a 1.22pts da prata.  


Mirai Nagasu obteve uma nota de 63.81pts no programa curto que lhe permitiu segurar o terceiro lugar nessa fase da competição. A grande novidade técnica no reportório de Nagasu foi que ela arriscou um triplo axel logo no início do programa. O axel foi punido com grau de execução negativo e ficou com 6.90pts. O triplo flip foi o segundo elemento e recebeu 3.76pts depois de também ter sido punido com grau de execução negativo. Como combinação de saltos, Mirai Nagasu optou por um triplo lutz+duplo toeloop na segunda metade do esquema. A combinação ficou com o valor base de 8.03pts. A entrada no lutz não foi definida com clareza e o painel técnico não deixou passar isso em branco. O esquema de saltos é, de facto, ambicioso mas com Mirai nunca se sabe… Se ela conseguir melhorar o seu estado de forma e ganhar consistência nas suas prestações talvez tenha hipóteses nos nacionais dos Estados Unidos. A sequência de passos (3.90pts) foi de nível 3 e os peões foram todos de nível 4 (total de 11.70pts. Como médias nos segmentos dos componentes, Mirai conquistou 7.50 na perícia, 7.10 nas transições, 7.35 na performance, 7.60 na composição e 7.35 na interpretação da música.


No programa livre, Mirai Nagasu ficou com uma nota de 119.73pts, que a colocou na segunda posição dessa fase da competição. Dos sete elementos de salto, seis foram punidos com grau de execução negativo. Apenas o triplo loop final foi considerado limpo e recebeu 6.17pts. Os saltos penalizados foram o triplo axel (8.10pts), a combinação de triplo flip+triplo toeloop (7.60pts), triplo salchow (2.40pts), combinação de duplo axel+triplo toeloop+duplo toeloop (7.12pts), triplo lutz (2.52pts) e combinação de triplo flip+duplo toeloop (4.94pts). Mirai tem um problema crónico de falta de rotação e aldraba constantemente a última volta, tornando os saltos incompletos. Ironicamente, a rotação no triplo axel foi completa. Os peões foram todos de nível 4, tendo obtido um total de 12.10pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe 2.70pts e a sequência de passos de nível 3 recebeu 3.80pts. Este programa deve ter sido um pesadelo para o painel de juízes pois foi radicalmente alterado do que estava previsto. O elemento de abertura devida ter sido a combinação de triplo flip+triplo toeloop mas ela apresentou o triplo axel. O segundo elemento estava para ser o triplo lutz mas Mirai executou uma combinação de triplo flip+triplo toeloop. Supostamente, a sequência de passos deveria ter sido o quarto elemento mas Mirai fez um peão de combinação com mudança de pé. Onde era suposto realizar uma combinação de triplo loop+duplo toeloop, a patinadora apresentou o triplo lutz isolado. O triplo loop isolado estava planeado como oitavo elemento mas em vez disso Mirai realizou a combinação flip+toeloop. O nono elemento estava previsto ser o peão de combinação mas Mirai fez a sequência de passos. Onde deveria estar um duplo axel isolado, Mirai realizou a sequência coreográfica. Onde era suposto estar a sequência coreográfica, Mirai fez um triplo loop isolado. Resumindo: uma dor de cabeça das grandes. Depois disto tudo, como é que um programa pode ter uma boa avaliação em sede de componentes? É que até a sequência de passos e a sequência coreográfica foram mudadas de sítio! Que coerência pode ter um programa destes? Mesmo assim, Mirai safou-se com médias de 8.05 na perícia, 7.65 nas transições, 7.90 na performance, 8.05 na composição e 7.90 na interpretação da música.


Na categoria masculina, Nathan Chen (Estados Unidos) confirmou todo o favoritismo e venceu a medalha de ouro confortavelmente. Max Aaron, também dos Estados Unidos, ficou com a medalha de prata e o canadiano Liam Firus segurou a medalha de bronze. Desilusão para Takahito Mura (Japão), Michal Brezina (Rep. Checa) e Daniel Samohin (Israel) que ficaram afundados na classificação geral e longe das suas melhores prestações.


Nathan Chen liderou o programa curto com uma nota de 91.80pts. O esquema foi iniciado com um triplo axel (10.10pts), a que se seguiu um peão flying sit (3.80pts) de nível 4. O terceiro elemento foi um peão camel com mudança de pé que foi classificado com o nível 3 e recebeu 3.20pts. Na segunda metade do esquema, Nathan arriscou uma combinação de quádruplo flip+duplo toeloop (13.76pts) que perdeu 1.20pts do valor base devido à aplicação de grau de execução negativo. Depois foi a vez do triplo lutz (7.44pts). Seguidamente, ele realizou a sequência de passos de nível 3 que recebeu 4.60pts. O esquema foi terminado com um peão de combinação com mudança de pé de nível 4 que lhe rendeu 4.50pts. Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias fixaram-se em 8.85 na perícia, 8.80 nas transições, 8.85 na performance, 8.95 na composição e 8.95 na interpretação da música.


Nathan Chen ficou em primeiro lugar no programa livre com uma nota de 183.24pts. Como já vem sendo hábito, Nathan brindou-nos com dois quádruplos logo no início do programa. Ele realizou um quádruplo loop (13.60pts) e um quádruplo lutz (15.80pts). Como terceiro elemento, este patinador efectuou uma combinação de triplo flip+triplo toeloop (10.58pts). Os restantes saltos foram colocados na segunda metade do esquema: combinação de triplo lutz+duplo toeloop (8.87pts), um triplo flip (6.81pts), um duplo toeloop (1.59pts) e uma combinação de triplo axel+duplo toeloop+duplo loop (12.13pts). Na última combinação, o duplo toeloop foi considerado inválido pois já era o terceiro duplo toeloop do esquema e isso corresponde a uma violação da regra conhecida como Zayak para a limitação de repetição do mesmo salto durante um esquema. Todos os peões foram de nível 4 e totalizaram 12.90pts. A sequência de passos foi de nível 3 e recebeu 4.30pts. A sequência coreográfica amealhou 2.98pts. As médias apuradas nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota fixaram-se em 8.75 na perícia, 8.45 nas transições, 8.80 na performance, 9.05 na composição e 8.95 na interpretação da música.


Na categoria de pares a vitória sorriu ao par canadiano composto por Kirsten Moore-Towers & Michael Marinaro. As medalhas de prata e de bronze ficaram com pares da casa: Alexa Scimeca-Knierim & Chris Knierim e Chelsea Liu & Brian Johnson respectivamente. Haven Denney & Brandon Frazier surpreenderam pela negativa e terminaram em quarto lugar mas bem longe dos terceiros classificados em termos de pontuação.


Moore-Towers & Marinaro concluíram o programa curto com uma nota de 65.76pts. O triplo twist de nível 1, elemento de abertura, ficou meramente com o valor base de 5.40pts. Os outros elementos beneficiaram de grau de execução positivo. Como saltos lado-a-lado, este par optou pelo triplo toeloop que recebeu 5.14pts. O salto lançado foi um triplo loop que obteve 5.42pts. A sequência de passos (5.02pts), a figura de elevação (5.50pts), a espiral da morte interior (4.76pts) e o peão (5.20pts) foram todos classificados com o nível 4. Em termos de componentes, as médias obtidas fixaram-se em 7.40 na perícia, 7.15 nas transições, 7.25 na performance, 7.35 na composição e 7.50 na interpretação da música.


No programa livre, Moore-Towers & Marinaro ficaram com uma pontuação de 123.00, que os colocou em segundo lugar, atrás de Scimeca-Knierim & Knierim, nessa fase da prova. O par canadiano contou com dois elementos punidos com grau de execução negativo: a tentativa de combinação de duplo axel+loop+triplo salchow (6.30pts) e a segunda figura de elevação (3.40pts). As outras duas figuras de elevação foram de nível 3 e totalizaram 13.00pts. O salto isolado lado-a-lado foi o triplo toe loop (4.58pts). O tripo twist foi de nível 2 e ficou com 6.22pts. Os saltos lançados foram o triplo loop (6.40pts) e o triplo salchow (5.20pts). Os dois peões atingiram o nível 4 e totalizaram 8.84pts. A espiral da morte exterior para trás foi de nível 3 e obteve 5.26pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 2.28pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 7.70 na perícia, 7.55 nas transições, 7.70 na performance, 7.80 na composição e 7.70 na interpretação da música.




Senhoras

Vídeos

Marin Honda
Curto

Livre


Mirai Nagasu
Curto

Livre


Karen Chen
Curto

Livre




Resultado final

1.º - Marin Honda (Japão) - 198.42pts
2.º - Mirai Nagasu (EUA) - 183.54pts
3.º - Karen Chen (EUA) - 182.32pts
4.º - Kaori Sakamoto (Japão) - 169.12pts
5.º - Mariah Bell (EUA) - 168.66pts
6.º - Alicia Pineault (Canadá) - 150.52pts
7.º - Brooklee Han (Austrália) - 131.02pts
8.º - Michelle Long (Canadá) - 119.98pts
9.º - Paige Rydberg (EUA) - 119.71pts
10.º - Aimee Buchanan (Israel) - 107.78pts
Desistência - Stephanie Yuung-Shuh Chang (Taipé)

Homens

Vídeos

Nathan Chen
Curto

Livre


Max Aaron
Curto

Livre
Não disponível

Liam Firus
Curto
Livre



Resultado final

1.º - Nathan Chen (EUA) - 275.04pts
2.º - Max Aaron (EUA) - 261.56pts
3.º - Liam Firus (Canadá) - 248.29pts
4.º - Yaroslav Paniot (Ucrânia) - 233.16pts
5.º - Kazuki Tomono (Japão) - 225.30pts
6.º - Timothy Dolensky (EUA) - 214.94pts
7.º - Takahito Mura (Japão) - 205.38pts
8.º - Sean Rabbitt (EUA) - 204.46pts
9.º - Michal Brezina (Rep. Checa) - 193.95pts
10.º - Daniel Samohin (Israel) - 191.20pts
11.º - Bennet Toman (Canadá) - 188.31pts
12.º - Jordan Dodds (Austrália) - 152.70pts
13.º - Andrew Dodds (Austrália) - 143.24pts
14.º - Chih-Sheng Chang (Taipé) - 114.68pts

Pares

Vídeos

Moore-Towers & Marinaro
Curto
Não disponível

Livre



Scimeca-Knierim & Knierim
Curto

Livre



Liu & Johnson
Curto
Não disponível

Livre




Resultado final

1.º - Kirsten Moore-Towers & Michael Marinaro (Canadá) - 188.76pts
2.º - Alexa Scimeca-Knierim & Chris Knierim (EUA) - 186.08pts
3.º - Chelsea Liu & Brian Johnson (EUA) - 181.40pts
4.º - Haven Denney & Brandon Frazier (EUA) - 168.47pts
5.º - Paige Conners & Evgeni Krasnopolski (Israel) - 165.38pts
6.º - Deanna Stelatto & Nathan Bartholomay (EUA) - 165.36pts
7.º - Sidney Kolodziej & Maxime Deschamps (Canadá) - 164.32pts
8.º - Sumire Suto & Francis Boudreau-Audet (Japão) - 153.60pts
9.º - Paris Stephens & Matthew Dodds (Austrália) - 84.84pts

Dança

Vídeos

Hubbell & Donohue
Dança curta

Dança livre

Hawayek & Baker 
Dança Curta

Dança Livre 

Muramoto & Reed 
Dança Curta 

Dança Livre 



Fournier-Beaudry & Sorensen 
Dança Curta 

Dança Livre 


Resultado final

1.º - Madison Hubbell & Zachary Donohue (EUA) - 178.80pts
2.º - Kaitlin Hawayek & Jean-Luc Baker (EUA) - 153.55pts
3.º - Kana Muramoto & Chris Reed (Japão) - 151.45pts
4.º - Laurence Fournier-Beaudry & Nikolaj Sorensen (Dinamarca) - 141.71pts
5.º - Carolane Soucisse & Shane Firus (Canadá) - 137.43pts
6.º - Tina Garabedian & Simon Proulx-Senecal (Arménia) - 133.26pts
7.º - Olivia Smart & Adriá Diaz (Espanha) - 132.13pts
8.º - Julie Biechler & Damian Dodge (EUA) - 127.12pts
9.º - Adel Tankova & Ronald Zilberberg (Israel) - 102.59pts

domingo, 17 de setembro de 2017

Challenger Series - Troféu Lombardia 2017

Challenger Series 2017/2018


Troféu Lombardia 2017





O Troféu da Lombardia foi a primeira prova do circuito Challenger Series 2017/2018 e decorreu em Bergamo. A competição italiana contou com a presença de vários patinadores de grande nível internacional.

A categoria masculina dominou as atenções devido ao duelo entre o japonês Shoma Uno e o estado-unidense Jason Brown. Estes dois campeões de popularidade terminaram com a medalha de ouro e a medalha de prata respectivamente. No entanto, não houve luta taco-a-taco.

Shoma Uno dominou a prova desde o programa curto onde conquistou uma nota de 104.87pts! Em termos de saltos, Uno apresentou um quádruplo flip (12.26pts), uma combinação de quádruplo toeloop+triplo toeloop (18.26pts) e triplo axel (12.15pts). O quádruplo flip foi o único elemento do esquema punido com grau de execução negativo. O peão flying camel (4.00pts) e o peão de combinação com mudança de pé (4.50pts) foram classificados com o nível 4. A sequência de passos (4.40pts) e o peão em baixo com mudança de pé (3.60pts) foram de nível 3. Nos segmentos dos componentes as suas médias balizaram-se entre 8.85 e 9.25.

No programa livre, Shoma Uno obteve a enorme nota de 214.97pts! O plano de saltos que ele apresentou é insano: quádruplo loop (9.84pts), quádruplo salchow (11.30pts), combinação de triplo axel+triplo toeloop (14.40pts), quádruplo flip (15.53pts), combinação de quádruplo toeloop+duplo toeloop (14.16pts), quádruplo toeloop (13.13pts), combinação de triplo axel+loop+triplo flip (17.53pts) e triplo salchow (6.10pts)!!!!! O peão flying camel (3.80pts) e o peão flying em combinação com mudança de pé (4.10pts) atingiram o nível 4. O peão de combinação com mudança de pé (4.00pts) foi de nível 3. A sequência de passos de nível 4 recebeu 5.44pts e a sequência coreográfica obteve 3.54pts. As médias nos componentes fixaram-se entre 8.80 e 9.50.
Shoma Uno encantou do ponto de vista técnico mas também artisticamente. A concorrência que se cuide.

Jason Brown deslumbrou com a sua excelente interpretação e coreografias. A parte técnica é que não lhe permitiu incomodar o japonês. No programa curto, Jason tentou o quádruplo toeloop (2.20pts) mas o salto só foi cotado como triplo pois ele não conseguiu de todo realizar a quarta volta. Além disso, ele caiu nessa tentativa e por esse motivo sofreu um ponto de dedução automática. O triplo axel também foi penalizado com grau de execução negativo e só ficou com 7.10pts. A combinação de triplo flip+triplo toeloop (11.40pts) efectuada na segunda metade do programa foi o melhor elemento de salto. Os peões totalizaram 12.70pts e foram todos classificados com o nível 4. A sequência de passos foi também de nível 4 e recebeu 5.86pts. Nos componentes que fazem parte da segunda nota, as médias de Jason ficaram entre 8.80 e 9.15.

No programa livre, Jason Brown conseguiu uma pontuação de 176.87pts. Desta vez, ele evitou a tentativa de qualquer quádruplo. Houve dois elementos de saltos punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo lutz+loop+triplo salchow (10.28pts) e o triplo loop (5.33pts). Os restantes saltos foram os seguintes: o triplo flip (6.70pts), triplo axel (10.50pts), duplo axel (4.00pts), combinação de triplo axel+duplo toeloop (11.38pts), combinação de triplo lutz+duplo toeloop (8.73pts) e duplo axel (4.23pts). Os peões correram lindamente e conseguiram um total de 14.10pts e foram todos de nível 4. A sequência de passos (5.86pts) foi classificada com o nível 4 e a sequência coreográfica obteve 3.96pts. As médias nos componentes foram excelentes e fixaram-se entre 8.90 e 9.45.


A grande surpresa foi protagonizada pelo australiano Brendan Kerry que conseguiu ficar no pódio com a terceira posição. 

Na categoria feminina havia a expectativa para um duelo entre duas ex-campeãs mundiais Carolina Kostner e Elizaveta Tuktamysheva. No entanto, foi a estreante Alina Zagitova que levou a medalha de ouro para casa.

Alina Zagitova estreou-se no escalão sénior a vencer. No programa curto, onde conquistou 71.29pts e o terceiro lugar nessa fase, Alina pareceu um pouco nervosa o que até foi natural tendo em conta as circunstâncias da sua estreia. Apesar da nota muito boa, Alina cometeu um erro grave: a queda no duplo axel (2.23pts). A queda fez com que lhe fosse aplicado um ponto automático de dedução. Os outros saltos receberam grau de execução positivo: combinação de triplo lutz+triplo loop (13.19pts) e triplo flip (7.23pts). É de salientar que os elementos de saltos foram todos colocados na segunda metade do esquema e, por causa disso, beneficiaram de bónus no valor base. O peão flying camel (4.40pts), o peão layback (3.70pts) e o peão de combinação com mudança de pé (4.60pts) foram classificados com o nível 4 assim como a sequência de passos (5.30pts). Nos componentes, ela ficou com médias entre 7.70 e 8.20.

No programa livre, Alina Zagitova obteve uma nota de 147.17pts e liderou. Os elementos de saltos foram todos realizados na segunda metade do esquema: combinação de triplo lutz+triplo loop (13.61pts), combinação de duplo axel+triplo toeloop (9.34pts), combinação de triplo flip+duplo toeloop+duplo loop (10.08pts), triplo lutz (7.44pts), triplo salchow (5.68pts), triplo flip (7.23pts) e duplo axel (4.23pts). Os peões foram todos de nível 4 e totalizaram 13.20pts. A sequência coreográfica que abriu o programa recebeu 3.40pts e a sequência de passos conseguiu 5.44pts. As médias nos segmentos dos componentes balizaram-se entre 8.25 e 8.60.


A japonesa Wakaba Higuchi venceu o programa curto mas no programa livre foi segunda classificada.

Higuchi obteve uma excelente nota de 74.26pts. Os peões (total de 12.00pts) e a sequência de passos (5.30pts) foram classificados com o nível 4, que é o mais elevado. Os saltos realizados foram o duplo axel (4.30pts), a combinação de triplo lutz+triplo toeloop (12.17pts) e triplo flip (7.09pts). Nos componentes as médias ficaram entre 8.10 e 8.50.


No programa livre, Higuchi recebeu 143.37pts. O único senão a nível técnico ocorreu no triplo flip (6.11pts) pois a definição de entrada no salto não foi exactamente clara. Por isso, esse salto foi sinalizado com “!” nos protocolos. No entanto, isso não foi suficiente para penalizar o elemento em grau de execução. Os outros saltos do esquema foram o duplo axel (4.20pts), a combinação de triplo lutz+triplo toeloop (11.14pts), triplo salchow (5.66pts), combinação de triplo lutz+triplo toeloop (12.59pts), triplo loop (6.59pts), combinação de duplo axel+duplo toeloop+duplo loop (7.74pts), triplo flip (6.11pts). Os peões permitiram-lhe obter 11.40pts, sendo que o primeiro foi de nível 3 e os restantes foram de nível 4. A sequência coreográfica obteve 3.12pts e a sequência de passos de nível 4 ficou com 5.86pts. Nos segmentos dos componentes, as médias apuradas fixaram-se em 8.45 e 8.75. 

Carolina Kostner ficou com a medalha de bronze. O programa curto foi muito bom apesar do peão de combinação com mudança de pé ter sido apenas de nível 2. Em termos de componentes, as suas médias foram excelentes como de habitualmente: 9.05 na perícia, 9.00 nas transições, 9.20 na performance, 9.35 na composição e 9.40 na interpretação da música.

No programa livre as coisas já não correram tão bem a Carolina e ela ficou em quinto lugar nessa fase da prova. Houve dois elementos de saltos punidos com grau de execução negativo: combinação de triplo flip+duplo toeloop (6.18pts) e o triplo toeloop (3.47pts). Outro erro ocorrido no esquema teve lugar no axel isolado porque ela tinha previsto realizar um duplo mas apenas apresentou um axel simples. O triplo loop também não foi famoso em termos de execução e ficou meramente com o valor base. De salientar que ela voltou a nem sequer tentar um triplo lutz. 

Elizaveta Tuktamysheva deixou uma boa impressão nos testes organizados pela federação russa que tiveram lugar uma semana antes desta prova. Talvez a viagem longa a tenha afectado mas a verdade é que ela esteve longe do seu melhor.
No programa curto, Elizaveta sofreu uma queda no triplo lutz e a combinação de triplo toe loop+triplo toeloop também não correu bem em termos de execução. Só o duplo axel foi limpo. O programa livre foi apenas razoável e não lhe permitiu ascender na tabela classificativa.

 Na categoria de pares, os russos Natalia Zabijako & Alexander Enbert lideraram tanto no programa curto como no livre.

No programa curto, Zabijako & Enbert ficaram com uma nota de 69.22pts. Todos os elementos beneficiaram de grau de execução positivo. Eles apresentaram um triplo twist de nível 4 (7.86pts), um triplo toeloop lado-a-lado (4.72pts), um triplo loop lançado (6.40pts), uma figura de elevação de nível 4 (5.20pts), uma espiral da morte de nível 3 (4.60pts), uma sequência de passos de nível 3 (4.10pts) e um peão de nível 4 (5.10pts). Nos componentes, as médias conquistadas ficaram entre 7.60 e 7.95.

O programa livre não foi tão limpo como o curto em termos de execução. Zabijako & Enbert tiveram mesmo os elementos de saltos lado-a-lado punidos com grau de execução negativo: combinação de triplo toeloop+triplo toeloop+duplo loop (6.98pts) e duplo salchow (0.70pts). O triplo twist de nível 2 recebeu 7.20pts. Como saltos lançados, este par efectuou um triplo lutz (6.76pts) e um triplo loop (6.12pts). Os peões foram ambos de nível 4 e totalizaram 8.60pts. As figuras de elevação também foram todas de nível 4 e contribuíram com 22.06pts para a nota técnica. A espiral da morte de nível 2 obteve 4.06pts e a sequência coreográfica ficou com 2.84pts. As médias nos componentes fixaram-se entre 7.55 e 7.90. 

A medalha de prata e a medalha de bronze ficaram para os pares da casa. A única surpresa foi que Della Monica & Guarise levaram a melhor sobre Marchei & Hotarek.

 Na categoria de dança, Charlene Guignard & Marco Fabbri impuseram-se com naturalidade e confirmaram o favoritismo ao arrecadar a medalha de ouro.

Guignard & Fabbri ficaram em primeiro lugar na dança curta com uma nota de 70.26pts. Os twizzles (8.16pts) e a figura de elevação (5.94pts) foram de nível 4; a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.08pts) e os passos obrigatórios da rumba (5.36pts) foram de nível 3; a sequência parcial de passos (7.80pts) ficou-se pelo nível 2. Nos segmentos dos componentes, este par italiano ficou com médias de 8.50 na perícia, 8.30 nas transições, 8.55 na performance, 8.60 na composição e 8.45 na interpretação da música/timing.

Na dança livre, Guignard & Fabbri obtiveram uma nota de 99.04pts. O programa foi afectado por um erro na primeira figura de elevação (1.38pts) que não passou despercebido aos juízes que se viram obrigados a marcar o elemento com grau de execução negativo. Já não é a primeira vez que este par tem problemas com figuras de elevação durante competições. Definitivamente é um ponto em que têm de trabalhar mais. A figura de elevação em rotação (5.82pts) foi classificada com o nível 4 e a figura de elevação em curva (5.20pts) foi de nível 3. Em termos de sequências de passos, a sequência em círculo (9.30pts) foi de nível 3 e a sequência na diagonal (7.36pts) foi de nível 2. O peão foi de nível e recebeu 6.80pts. Os elementos coreográficos foram deixados para o fim do esquema, tendo este par optado por um peão (2.54pts) e uma elevação (1.84pts). As suas médias nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota fixaram-se em 8.45 na perícia, 8.25 nas transições, 8.30 na performance, 8.55 na composição e 8.45 na interpretação da música/timing. 

Alla Loboda & Pavel Drodz tiveram uma boa estreia no escalão sénior e arrecadaram a medalha de prata, após duas prestações sólidas. Em termos técnicos, na dança curta, o seu maior problema ocorreu nos passos obrigatórios de rumba pois dois juízes marcaram grau de execução negativo nesse elemento embora o restante painel não tenha sido da mesma opinião. Na dança livre, o calcanhar de Aquiles deste par foram as sequências de passos pois ambas foram classificadas com o nível 2 e isso fez com que o valor base de partida fosse mais baixo do que eles estavam à espera. No que diz respeito aos componentes houve grandes discrepâncias nas notas atribuídas pelos juízes. Na dança curta, o juiz 2 marcou-lhe notas como 5.75 nas transições enquanto outros juízes marcaram 8.00 no mesmo segmento. Situação semelhante ocorreu na dança livre, onde, por exemplo, no segmento de performance as notas flutuaram entre 6.75 e 8.50.

A luta pela medalha de bronze foi renhida e os ucranianos Nazarova & Nikitin levaram a melhor sobre Pogrebinsky & Benoit por uma unha negra. A diferença entre os dois pares foi meramente de 0.46pts. 

Senhoras

Vídeos

Alina Zagitova 
Curto 

Livre 

Carolina Kostner 
Curto

Livre 

Elizaveta Tuktamysheva 
Curto 

Livre 

Resultado final



Pares

Vídeos

Zabiiako & Enbert 
Curto

Livre

Della Monica & Guarise 
Curto

Livre 

Marchei & Hotarek 
Curto

Livre 

Cain & LeDuc 
Curto 

Livre 

Efimova & Korovin 
Curto 

Livre 

Ziegler & Kiefer 
Curto 

Livre 

Barquero & Maestu 
Curto 

Livre 

Resultado final



Homens

Vídeos

Shoma Uno 
Curto 

Livre 

Jason Brown 
Curto 

Livre 

Brendan Kerry
Curto 

Livre 


Resultado final



Dança

Vídeos

Guignard & Fabbri 
Curta

Livre 

Loboda & Drodz 
Curta 

Livre 

Nazarova & Nikitin 
Curta

Livre 

Pogrebinsky & Benoit
Curta

Livre

Resultado final


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Tradução de entrevista de Elizaveta Tuktamysheva

Elizaveta Tuktamysheva está na ribalta da patinagem feminina desde o escalão júnior. Na temporada 2014/2015, Elizaveta conquistou o título europeu e o título mundial e parecia imbatível, com o triplo axel à mistura. No entanto, na época passada, ela afundou-se nos campeonatos nacionais, onde a concorrência é muito forte, e foi deixada de fora da selecção nacional russa para as principais competições internacionais. Esta temporada é especial devido aos Jogos Olímpicos de 2018 e Elizaveta é uma das candidatas a representar a Rússia nessa importante competição. Nos testes organizados pela federação russa as coisas parecem ter corrido bem a Elizaveta e muita gente gostou especialmente do seu novo programa curto. 

Entretanto, ela concedeu uma entrevista a um órgão de comunicação social da Rússia cujo original pode ser consultado neste link: http://www.sport-express.ru/figure-skating/reviews/elizaveta-tuktamysheva-opyt-nepopadaniya-na-olimpiadu-moe-preimuschestvo-1307288/




Tradução de entrevista

Jornalista – Como está a decorrer a preparação para a temporada?

Elizaveta – Já há algum tempo que estamos a treinar os programas completos. Eu encontro-me numa forma decente. Certamente em melhor forma do que na mesma fase no ano passado.

Jornalista – O que é que foi mais importante nos testes em Sochi?

Elizaveta – Mostrar os programas completos. Claro que eles estavam a verificar a parte técnica mas o mais importante é o estado do programa: as transições, os peões, os passos. Essas coisas fazem realçar o programa. O ambiente estava algo nervoso apesar de compreenderes que não é um evento importante. Mesmo assim é o primeiro evento da época e, como diz o meu treinador, “só um idiota não ficaria preocupado”.

Jornalista – Tu e o teu treinador já compilaram o plano da temporada?

Elizaveta – De momento estamos a planear um início de temporada intenso. O Troféu Lombardia e depois talvez mais algumas competições. Eu penso que antes dos grandes prémios vamos fazer pelo menos 3 competições.

Jornalista – A triste experiência de não teres ido aos jogos olímpicos – esse é o teu ponto fraco ou uma vantagem?

Elizaveta – Eu vou tentar transformar isso numa vantagem. Especialmente porque tantas pessoas acreditam em mim. É motivador.

Jornalista – Qual é o estado da tua técnica?

Elizaveta – Eu recuperei todos os triplos, agora só tenho de fazê-los em competição. Só tenho feito o triplo axel nos treinos. Para já, nós pensamos colocá-lo só num programa. O programa livre.

Jornalista – Olhando para o conteúdo técnico das miúdas juniores, tu pensas em ti própria no início do teu caminho com “eu também conseguia saltar com essa facilidade”?

Elizaveta – Não de todos. Parabéns às garotas. É óptimo que a patinagem artística se desenvolva. Eu desejo que as garotas possam patinar aos 20 anos como elas patinam agora, quando as hormonas, etc, já fizeram estragos. Eu não penso nos “tempos antigos”. Pelo menos eu tento não pensar. Eu prefiro que os meus saltos sejam mais fáceis na actualidade.  

Jornalista – Os comentários do género “A Liza nunca regressará ao seu nível anterior” chateiam-te?

Elizaveta – É engraçado que as pessoas que me descartam são as que já nem estão no sistema. Quanto aos fãs, eles são pessoas emocionais e sentem pelo seu atleta. Então há aqueles que são a favor e os que são contra. Mas, francamente, eu não tenho tempo para ler os comentários. Se eu estive fora dos Europeus e Mundiais, isso significa que esse tempo me foi dado para outra coisa. Eu curei-me, tentei novas personagens no gelo, passei mais tempo com os meus entes queridos. Isso é uma coisa má?

Jornalista – Uma das últimas tendências são os saltos na segunda metade do programa ao modo ‘tano ou Rippon. Vais tentar aumentar o valor base dos teus programas com isso?

Elizaveta – Claro que posso. Levantar assim os braços não é nada de especial. Quanto a integrar os saltos na segunda metade do programa, bem, no meu programa curto dois elementos são na segunda metade. Mesmo assim, apesar da mudança para a segunda parte do programa dar mais pontos, eu não gosto de programas em que a garota patina às voltas durante dois minutos. O conjunto do programa é parcialmente conseguido pela boa distribuição dos saltos. Os programas têm de ser um mini-teatro no gelo.

Jornalista – No entanto, muitos especialistas consideram-te uma tecnicista pois os componentes não são o teu ponto forte.

Elizaveta – De facto, eu sou muitas vezes considerada uma saltadora. Eu espero que nesta temporada eu também brilhe nos meus programas.

Jornalista – O que é que podes dizer sobre os novos programas?

Elizaveta – Eu adoro os meus programas e penso que não vamos mudá-los. Eles saíram coloridos, emocionais e divertidos. Pelo menos no programa curto. Eu penso que será a minha personagem habitual mas um pouquinho diferente.

Jornalista – E como é que vais parecer?

Elizaveta – Alegre, divertida, brincalhona. Claro que haverá paixão e elegância. Claro que é sobre os dois programas e não tudo de uma vez.

Jornalista – Os fãs questionam-se sobre o porquê de nas exibições usares vestidos coloridos e sexys e, no entanto, nas competições habitualmente vestidos largos e escuros.

Elizaveta – Nós escolhemos os vestidos de acordo com as minhas preferências. Eu gosto dos vestidos flutuantes nas competições.

Jornalista – O teu treinador Alexey Mishin é conhecido por ser tão calmo durante as competições, enquanto outros preparam os seus patinadores para uma luta e habitualmente começam uma dissecação logo após a prestação…

Elizaveta – Isso simplesmente não resultaria comigo. Além disso, o Alexey Nikolaevich não é pessoa que te obrigue a fazer coisas. Ele sabe perfeitamente que se um atleta for inteligente, ele saberá atingir a atitude certa e saberá o que é que precisa. Não faz sentido gritar ou exigir.

Jornalista – Ele desdenha-te pelo menos em algumas ocasiões?

Elizaveta – Se alguma está errada, ele diz de uma vez. Ele nunca desdenha mas pode ser rígido nas suas opiniões. Eu gosto disso e penso que essa é a abordagem correcta.

Jornalista – Ele alguma vez colocou a Kostner como um exemplo ou a ti como um exemplo para ela?

Elizaveta – Isso raramente acontece. Além disso, nós trabalhamos com a coreógrafa Tatiana Prokofieva que me ajuda muito. Mesmo quando o Alexey Nikolaevich está focado na Carolina, eu fico sob a orientação da Tatiana Nikolaevna. Assim há atenção suficiente para todos.

Jornalista – Mas os treinos mudaram desde a chegada da Carolina?

Elizaveta – No geral não, é mais como se a competição passasse a fazer parte disso. Afinal nós fazemos habitualmente todos os elementos, todos os saltos. De certo modo, ter uma oponente tão forte é uma coisa positiva. Nós temos boas relações e tenho de me enquadrar.

Jornalista – Estás satisfeita com as inscrições nos grandes prémios – China e França?

Elizaveta – Na minha situação seria patético falar em preferências. Eu estou feliz por ter conseguido a França e sou sempre bem aceite na China.

Jornalista – De entre os patinadores, com quem é que mantiveste mais contacto durante o ano passado?

Elizaveta – Eu dou-me bem com a Kaitlyn Weaver. No geral gosto muito da equipa canadiana. Nós começámos a falar durante as competições e descobrimos que temos muitos interesses em comum. Além disso, a Kaitlyn é uma pessoa muito interessante e sã. Eu gosto.

Jornalista – Essa é a patinadora a quem os fãs russos chamam ‘Katusha’.

Elizaveta – Exactamente. Ela chama-me ‘Lizonchik’.

Jornalista – A língua é uma barreira?

Elizaveta – O meu inglês falado não é muito mau. Claro que, quando começamos a falar de temas que não estão relacionados com patinagem artística, há algumas dificuldades. Mas nós descobrimos sempre uma maneira. Para além dela, eu mantenho contacto com a Ekaterina Ryazanova. Ela retirou-se mas ainda se mantém no mundo da patinagem artística.

Jornalista – Há uma ideia de que os patinadores se tornam adultos no gelo mas que fora do rinque ainda são uns bebés.

Elizaveta – Disparate. Talvez seja verdade para alguns mas eu não conheço patinadores desses. Eu não sei como explicar mas eu não sinto diferença na vida dentro do desporto e fora dele. E não conheci muitos que façam essa diferença.

Jornalista – Duas temporadas de fora da selecção, com muito tempo livre, tu não encontraste algo que gostasses de fazer à margem da patinagem artística?

Elizaveta – Mesmo quando eu não estava a competir, eu continuei a treinar e a curar as minhas costas. Houve sempre algo para fazer e a minha vida continua a girar em torno da patinagem artística. Eu não quero dispersar-me e eu ainda não decidi o que quero fazer depois disto. Então, mesmo que não haja competições, os meus treinadores arranjam sempre em que trabalhar durante os treinos.

Jornalista – Não há muito tempo tu paraste de esconder a tua relação com o Andrey Lazukin. Se não fôr segredo, quem é que paquerou quem?

Elizaveta – Nós fomos amigos durante algum tempo – nós começámos a comunicar assim que ele se mudou para o nosso grupo. Penso que desde os treze anos. Nós conhecemo-nos há muito tempo. A iniciativa partiu dos dois – os nossos caminhos cruzavam-se frequentemente. É mais comum nos pares pois patinam juntos e veem-se o tempo todo. Nós sabemos de muitos exemplos de pares que, quando começaram a namorar, se esqueceram de trabalhar. Os atletas são pessoas muito disciplinadas e são espertas o suficiente para não deixarem as emoções atrapalhar os treinos. Pelo menos no nosso caso não atrapalham.

Jornalista – Os rapazes do grupo fazem piadas sobre vocês?

Elizaveta – O humor é uma grande parte do nosso grupo portanto há muitas piadas à nossa custa. Isso não perturba os treinos mas adiciona divertimento e cria um ambiente positivo.

Jornalista – O que é que dirias àqueles que pensam que se há amor na tua vida então a patinagem artística torna-se a segunda coisa mais importante?

Elizaveta – Para que se metam na sua própria vida e sejam felizes!

Jornalista – Mesmo apesar das duas últimas temporadas, tu és uma patinadora com títulos. No entanto, o teu namorado ainda não alcançou títulos. Isso influencia a vossa relação? Afinal de contas é importante para os homens serem os primeiros…


Elizaveta – Nós apenas nos apoiamos mutuamente, é só isso. A nossa relação não é construída no desporto mas sim dos nossos sentimentos. Assim sendo, o Andrey, como o jovem inteligente que é, compreende que os meus feitos não são motivo para ciúme ou inveja. São uma razão para patinar melhor.  

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tradução de entrevista de Julia Lipnitskaya


Julia Lipnitskaya

Julia Lipnitskaya começou a dar nas vistas no escalão júnior onde chegou a conquistar o título mundial. A pequena russa conquistou imediatamente o coração de milhares de fãs em todo o mundo. Nem aqueles que conhecem pouco sobre a patinagem artística ficaram indiferentes às capacidades de Julia. Quando ascendeu ao escalão sénior, Julia impôs-se imediatamente, tendo alcançado resultados muito importantes como a medalha de ouro olímpica por equipas nos Jogos que decorreram em Sochi, o título europeu em 2014 e a medalha de prata nos mundiais do mesmo ano. Esperavam-se muitos mais feitos por parte de Julia mas as coisas começaram a não correr bem e ela foi ficando de fora da selecção russa para as competições mais importantes. Um grande sinal de alerta ocorreu quando Julia decidiu abandonar o grupo de Eteri Tutberidze que era a sua treinadora de longa data. Na altura não faltaram rumores sobre o porquê dessa separação ter ocorrido. Falou-se que Julia não gostava de dividir a atenção da sua treinadora com a jovem em ascensão Evgenia Medvedeva. Foi dito que Julia sentiu que Tutberidze preferia focar mais a sua atenção em Medvedeva. Também se falou da hipótese da ruptura ter sido provocada pelo plano alimentar que Tutberidze obrigava Julia a cumprir. Talvez tudo isso afinal seja verdade ou talvez seja tudo mentira. Os rumores sobre o facto de Julia sofrer de anorexia desde que estava no grupo de Tutberidze é que parecem ser todos verdadeiros. A própria Julia acabou por confirmar isso nesta entrevista concedida à jornalista russa Olga Ermolina.

Desde a Primavera que havia muita expectativa sobre se Julia iria patinar nos testes da federação russa que foram marcados para o início de Setembro. Entretanto, Julia anunciou a sua retirada da patinagem artística. Essa notícia deixou muitos fãs entristecidos mas temos de compreender que a saúde desta jovem está em primeiro lugar. Resta-nos desejar que tudo corra bem a Julia no futuro e desfrutar dos vídeos dos programas magníficos com que ela nos brindou na sua curta mas intensa carreira.

Nesta entrevista, Julia não se esquivou de falar sobre um assunto pessoal incómodo pois houve um homem que foi entrevistado por vários órgãos de comunicação social na Rússia e que afirmou ser o pai de Julia. Esse assunto fez correr muita tinta mas Julia fez agora questão de denunciá-lo publicamente como um impostor.

O link original da entrevista pode ser visto aqui: http://www.fsrussia.ru/intervyu/3126-yuliya-lipnitskaya-stranitsa-perevernuta-u-menya-novaya-zhizn-i-novye-plany.html

 

Tradução de entrevista

Jornalista – Julia, quão bem ponderada foi a tua decisão de te retirares?

Julia – Desta vez foi a 100%. Eu não passei um mês ou dois ou três a pensar sobre isso, eu demorei algum tempo, levando em consideração todos os prós e contras. Durante o Inverno, quando eu fui para o hospital, e estive lá algum tempo, foi o suficiente para reconsiderar. Foi muito difícil decidir afastar-me. A sério, todos os dias eu ia dormir e acordava com um pensamento: e agora? Quando eu estive lá trabalhámos muito com psiquiatras, e eles têm uns muito bons, eles ajudaram-me a estabelecer correctamente as prioridades para a minha vida. Eu tive de pensar sobre muitas coisas porque eu estava segura de que eu iria recuperar e voltar a patinar. Eu estava segura. Todos estávamos – a minha mãe, o treinador… Nas minhas primeiras semanas no hospital em Israel, o meu telefone foi roubado e a comunicação com o mundo exterior foi cortada. Foi completamente ao acaso mas como resultado eu fiquei algum tempo offline. Só agora é que compreendo o motivo. Eu pude realmente pensar sobre o que se estava a passar na minha vida. Isso foi de uma enorme importância. Sim, eu poderia simplesmente ter comprado outro telefone, mas eu decidi que se isso aconteceu então foi por uma razão. Então eu estava noutro país, onde toda a gente fala uma língua estrangeira que nem sequer é inglês, sem conexão com o mundo exterior. Eu só me lembrava do número de telefone da minha mãe. Eu acabei por comprar um telefone barato para poder telefonar à minha mãe e aos meus parentes. E foi isto. Então o que é que eu podia fazer lá senão curar-me e pensar no que faria de seguida.

Jornalista – Qual foi a coisa mais assustadora?

Julia – O desconhecido. Compreender o que vem a seguir. Eu sair do hospital e depois o quê? Especialmente quando eu comecei a perceber que estava 99,9% acabada para a patinagem. Eu estava em pânico com o desconhecido. Foi um pesadelo. Quando eu regressei a casa, eu passei a primeira semana a pensar ‘e agora’? O que é que eu devo fazer agora? O desconhecido é uma coisa terrível. Em falei com a minha mãe e ela compreendeu-me. Nós decidimos que é uma nova vida. Então eu tive de ir à Federação Russa de Patinagem Artística assinar a minha retirada, explicar o que aconteceu e foi o que eu fiz. Eu fiz um acordo com a federação para que todos nós esperássemos até Setembro e que durante os testes anunciaríamos a minha retirada. Foi isto. Então eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que me apoiaram e aos fãs por esperarem.

Jornalista – A Federação Russa de Patinagem Artística pediu-te para repensares porque és uma patinadora de topo e não podes ser dispensada facilmente?

Julia – Claro, em Abril perguntaram-me se era uma decisão espontânea e emocional. Mas tu não podes pensar por tanto tempo e acabar com uma decisão emocional. Então sim, foi-me dado tempo para pensar até aos testes. Mas eu já tinha decidido.

Jornalista – Achas que alcançaste tudo o que podias no desporto?

Julia – Claro que não. Havia muitas coisas que eu queria alcançar e fazer, melhorar. Mas as coisas são o que são. Depois dos jogos de Sochi eu queria experimentar a dança no gelo. Eu pensei nisso durante alguns anos mas havia tanta gente contra que essa ideia foi deixada.

Jornalista – O que é que te impediu de alcançar tudo o que querias?

Julia – 99% foram as lesões. O resto foi resultado disso. Depois de eu ter tido um diagnóstico, eu recebi muitas questões sobre o porquê de tê-lo feito. Mas se eu não tivesse anunciado a decisão por mim própria, a informação acabaria por saber-se à mesma. A anorexia é a doença do século XXI. Não é uma raridade. Infelizmente nem todas conseguem ultrapassá-la. Eu decidi que não seria nada de mais se eu a revelasse. A única coisa de que eu me arrependo é de não ter falado sobre isso mais cedo. Isto prolongou-se não por um ano ou dois ou três. Depois da Taça da Rússia, eu fui para casa, coloquei os patins no roupeiro e não os voltei a ver desde então. Eu fui hospitalizada em Janeiro. Esta é a história toda.

Jornalista – Depois dos Jogos Olímpicos de Sochi foste atingida pela fama – isso foi uma coisa que te deu motivação para continuar ou foi um fardo que tiveste de carregar?

Julia – Foi desgastante. Eu não tinha força para mais nada, foi muito duro. Eu não sou uma “pessoa pública”. Nunca fui. Sou uma introvertida desde a minha infância. Eu tinha de fazer um esforço enorme para falar com alguém que não me fosse familiar. Agora é mais fácil comunicar, eu tornei-me mais aberta. Mas eu desenvolvi algumas habilidades, hábitos e estereótipos e eu sigo-os. Eu não acho que tenha de estar em todos os jornais, todos os programas de televisão para onde sou convidada. Eu não gosto disso e provavelmente nunca gostarei. Eu prefiro ir directa ao assunto e simplesmente dizer o que precisa ser dito; especialmente depois do meu prolongado silêncio houve muitas especulações, de repente apareceram tantas pessoas que foram entrevistadas, incluindo pessoas que eu nem sequer conheço. Inicialmente até era engraçado mas depois tornou-se insano. Houve tantos factos falsos que eu gostaria de explicar. O motivo principal foi um programa no Canal 1 em que tudo foi falso. Quando eu perguntei aos editores “como é que isto foi exibido”, foi-me respondido “mas tu nunca disseste pessoalmente que era uma mentira, então podia ser verdade”, portanto parece que agora tenho de dizê-lo.

Jornalista – OK, então começa a falar.

Julia – Vamos começar pelo programa de televisão depois do qual a minha mãe ficou com cabelos brancos, eu provavelmente também ganhei alguns cabelos brancos, mas os produtores de tv conseguiram as suas audiências. Eles falaram com uma pessoa chamada Zanozin. Essa pessoa disse que eu fui aceite na Universidade de Moscovo e isso é uma certeza. Eu estava somente a planear frequentar a Universidade e será óptimo se resultar. Eu só planeio candidatar-me e fazer os exames dentro de um ano. Eu gostaria de tornar-me numa manager desportiva. É interessante e estaria relacionado com a minha vida antiga. Em segundo lugar, há uma pessoa que vai de programa de tv em programa de tv e ousa dizer que é meu pai. Uma pergunta: como é que os editores permitem uma coisa destas? Esta pessoa é falsa. Mesmo que ele tenha o mesmo sobrenome não tirem conclusões precipitadas. Essa pessoa não me é nada. O que ele disse sobre mim – eu quis silenciá-lo fisicamente. É impossível de ouvir!  Quanto ao meu verdadeiro pai, eu sei muito bem quem é ele e onde vive. Portanto deixa-me dar um aviso: se esses casos continuarem e os meus “pais” ou “familiares” forem a programas de televisão com vontade de obter alguma fama às minhas custas, nós vamos encontrar-nos em tribunal. Um dos jornais publicou um artigo. Enquanto eu estava a lê-lo, eu pensei que era uma piada. As únicas coisas verdadeiras eram os nomes Julia e Lipnitskaya. Só isso. Eles inventaram um jovem que supostamente teria influenciado a minha decisão de retirar-me? Foram apresentadas algumas declarações de alguns familiares que preferiram manter-se anónimos. Eu não tenho familiares ou amigos que pudessem fazer uma coisa dessas. Todo o artigo é uma fantasia do jornalista. Ó autor, nota alta pela história!

Jornalista – É óptimo que consigas manter o sentido de humor nessa situação. O que é que sonhas agora?

Julia – Sonhar? Eu gostaria de encontrar algo que eu pudesse fazer para o resto da minha vida. Agora estou numa encruzilhada porque tenho muitas ofertas, opções e projectos. Mas eu não vou e não quero ir para um lugar e simplesmente ficar lá como “Julia Lipnitskaya”. Eu quero participar, eu quero fazer alguma coisa interessante e isso não acontecerá sem educação. Então isso é a primeira coisa na minha lista. Eu estudo inglês com um tutor. Num futuro próximo, eu ficarei completamente focada nos meus estudos e depois logo se vê. Simultaneamente, é claro que eu experimentarei algumas coisas novas e tentarei encontrar o meu caminho. Eu tenho sido questionada sobre se participarei em espectáculos. De momento eu não posso e não quero apesar de haver propostas. Talvez com o tempo as coisas mudem e eu possa querer regressar ao gelo. Vamos ver. Uma coisa é certa: eu não serei treinadora. Tornar-me numa profissional do desporto é uma coisa diferente. Mas eu preciso de estudar. Uma passatempo é um passatempo mas uma profissão precisa de educação.

Jornalista – Tu viraste a página e todos os teus sonhos e planos são para o futuro?

Julia – Sim, eu tenho uma nova vida e novos planos. O desporto deixou-me o hábito de ser organizada, de ter um horário rigoroso. Quando eu tenho tempo livre, e agora tenho muito mais, começo a pensar “como é que eu posso preenche-lo?”, eu tenho um planeamento para não ficar ociosamente sentada. Quando o dia está todo preenchido, eu sinto-me óptima e tento fazer tudo. Eu passo os meus dias livre na casa de campo. Toda a gente sabe que eu sempre adorei cavalos. Agora eu tenho um. Em Moscovo. Não muito longe da casa de campo há um estábulo privado e eu posso fazer desporto aí, montar a cavalo por 30-40Km. É um dos meus hábitos favoritos e eu não me importo de gastar tanto tempo com isso porque eu adoro fazê-lo. O nome do cavalo é Dakota. É alto, giro e calmo. Um sonho.

Jornalista – Isso é óptimo! Há mais alguma coisa que gostasses de acrescentar?

Julia – Eu gostaria de agradecer à federação e a todos os que me ajudaram e apoiaram. Um agradecimento especial ao agora meu ex-treinador Alexey Urmanov, que durante o nosso tempo juntos trabalhou muito duro e reagiu imediatamente a todos os problemas e resolveu-os com rapidez. Eu estive confortável a trabalhar em Sochi embora a vida lá seja tão diferente. A equipa em Sochi é óptima, todos são muito encorajadores. Teria ficado muito feliz se tivéssemos alcançado alguns resultados com aquela equipa e tenha muita pena que isso não tenha acontecido. Mas mais uma vez, foi excelente trabalhar com pessoas assim. Eu gostaria de agradecer aos fãs pelo seu amor, fé, compreensão e paciência. Esta foi a forma como as coisas tiveram de ser feitas. Para mim e não só. Agora eu recebo tantas mensagens. Eu às vezes tento responder porque algumas pessoas escrevem do fundo do seu coração e quando eu leio essas mensagens eu não consigo evitar as lágrimas mas na maior parte das vezes elas fazem-me sorrir. É muito bom saber que as pessoas gostam tanto de mim. Eu também gostaria de agradecer àqueles que me espicaçaram e até aos “haters” pois, algumas vezes, eles fizeram-me pensar e seguir em frente. Simplesmente agradecer a toda a gente!

Jornalista – Obrigado Julia.

Este foi o lindíssimo programa curto que Julia patinou na Taça Rostelecom 2016