quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Notícias - Hurtado & Khaliavin

Há um novo par de dança a competir por Espanha!
Como devem estar recordados Sara Hurtado e Adriá Diaz deram nas vistas e colocaram a Espanha no mapa da dança no gelo. Os seus resultados e as suas prestações angariaram-lhe muitos fãs de todas as nacionalidades. Por isso foi com alguma tristeza que muitos receberam a notícia da sua separação. Dessa separação ficou a pergunta: o que vai ser acontecer com todo o investimento que a federação espanhola nesta disciplina?
Pouco depois da separação de Hurtado e Diaz, surgiram logo os rumores que ele já tinha nova parceira e que a eleita era a britânica Olivia Smart. Os rumores confirmaram-se e os dois já competem juntos na temporada 2016-2017, tendo inclusivamente já vencido uma medalha numa prova internacional.
Mas o que toda a gente queria mesmo saber era o que se passava com Sara Hurtado pois ela era considerada como o elemento mais forte do par. O mistério está desfeito. Sara Hurtado tem como novo parceiro o russo Kiril Khaliavin. Ele formava parceria com a sua namorada Ksenia Monko mas ela lesionou-se no ano passado e as coisas complicaram-se para ela. Hurtado e Khaliavin estão a patinar sob o comando do experiente treinador e coreógrafo russo Alexander Zhulin. A federação russa já concedeu autorização para que Khaliavin passe a competir internacionalmente inscrito pela federação espanhola.


Sara Hurtado & Kiril Khaliavin
Fonte: Instagram de Sara Hurtado

Notícias - Volosozhar & Trankov

Antes da temporada 2016/2017 se iniciar, corriam as notícias de que os campões olímpicos de pares Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov iriam abdicar de participar no circuito de grande prémio. Foi anunciado que eles iriam adiar o início da temporada e que a sua primeira competição oficial ocorreria nos campeonatos nacionais russos 2016. A ideia era que depois eles intensificassem a preparação para os campeonatos da Europa e do Mundo em 2017. Por altura da semana de testes na Rússia (início de Setembro 2016), a treinadora Nina Mozer disse que Volosozhar & Trankov iriam perder completamente a temporada 2016/2017 mas não adiantou pormenores.
Em 21-09-2016 foi tornado público que Tatiana está grávida de quatro meses. O par está muito feliz. O parto está previsto para Fevereiro. Em entrevista à comunicação social russa, o par não descarta a hipótese de tentar voltar à competição, tendo como objectivo os Jogos Olímpicos de 2018.
Entretanto foi também anunciado que Maxim será um dos patinadores que vão ajudar celebridades russas a aprender a patinar no programa "Ice Age" do canal público russo.


Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov
Fonte: revista russa; créditos na foto;

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Challenger Series 2016/2017 - US International Figure Skating Classic

US International Figure Skating Classic 2016

Challenger Series 2016/2017 - Etapa 2

Entre os dias 15 e 18 de Setembro de 2016

Em Salt Lake City (Estados Unidos)








Categoria de Homens


Jason Brown conquistou a medalha de ouro nesta competição do circuito Challenger Series, depois de na semana anterior ter obtido a medalha de prata no Troféu Lombardia. Não se pode dizer que este início de temporada esteja a correr mal a Jason Brown J Nesta competição, ele foi segundo classificado no programa curto com uma nota de 83.18pts, sendo que o seu maior problema nessa fase da competição foi o quádruplo toe loop, onde ele acabou por cair. No programa livre, Brown alcançou a liderança com uma pontuação de 170.86pts. Ele voltou a ter problemas com o quádruplo toe loop que resultaram em nova queda. No entanto, este ainda é um elemento mais recente para ele e, por isso, é natural que ainda não esteja tão bem afinado nesta fase da temporada.


Takahito Mura levou a medalha de prata para casa depois de ter sido terceiro no programa curto e segundo no livre. No programa curto a sua nota foi de 82.55pts. O quádruplo toe loop foi punido com grau de execução negativo mas ele não se deixou arrastar por esse erro e concluiu ainda um triplo axel e uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop. No programa livre Mura conseguiu uma nota de 169.65pts e obteve grau de execução positivo em todos os elementos técnicos. O seu único erro grosseiro foi transformar o primeiro axel do esquema num salto simples mas ele conseguiu emendar isso mais à frente no programa. Destaque para o quádruplo toe loop isolado e para a combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop.


Adam Rippon liderou o programa curto com uma nota de 87.86pts. Rippon não arriscou um quádruplo no programa curto mas o seu plano de jogar mais pelo seguro resultou. A combinação de triplo flip-triplo toe loop, o triplo axel e o triplo lutz obtiveram bons graus de execução positivos. Aliás este patinador estado-unidense conseguiu diversos +2 por parte dos juízes na escala dos graus de execução dos elementos. Rippon foi terceiro no programa livre com uma nota de 160.38pts. Ele começou por arriscar um quádruplo lutz mas faltou cerca de ¼ de volta para que o elemento fosse efectivamente completo e foi-lhe aplicado grau de execução negativo. Ele também teve problemas nos dois triplo axel apresentados. Destaque para a combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop na segunda metade do esquema.


Para mim, a grande surpresa foi o resultado do australiano Brendan Kerry que conseguiu a quarta posição final à frente de patinadores como Nam Nguyen, Ross Miner e Elladj Baldé.


Vídeos

Jason Brown
Programa curto







Takahito Mura
Programa curto



Adam Rippon
Programa curto






Resultado final


1.º - Jason Brown (Estados Unidos) – 254.04pts
2.º - Takahito Mura (Japão) – 252.20pts
3.º - Adam Rippon (Estados Unidos) – 248.24pts
4.º - Brendan Kerry (Austrália) – 222.40pts
5.º - Nam Nguyen (Canadá) – 220.55pts
6.º - Ross Miner (Estados Unidos) – 214.48pts
7.º - Sean Rabbitt (Estados Unidos) – 209.66pts
8.º - Elladj Baldé (Canadá) – 207.94pts
9.º - Mitchell Gordon (Canadá) – 200.17pts
10.º - Keiji Tanaka (Japão) – 185.98pts
11.º - Andrew Dodds (Austrália) – 160.54pts
12.º - Jordan Dodds (Austrália) – 139.44pts
13.º - Bela Papp (Finlândia) – 137.88pts













Categoria de Senhoras
A japonesa Satoko Miyahara dominou a completamente a categoria feminina e é bom que as suas adversárias não a subestimem para as competições futuras. No programa curto Satoko obteve uma excelente nota de 70.09pts, mesmo com a combinação de triplo lutz-triplo toe loop a ter sido ligeiramente punida com grau de execução negativo. O triplo flip quase no final do programa e o peão layback foram grandes destaques no esquema.
O programa livre de Miyahara recebeu 136.66pts. Em termos técnicos apenas o triplo flip isolado perdeu 0.14pt devido a grau de execução negativo. Uma das novidades que este novo programa livre trouxe foi a introdução de duas combinações com o triplo lutz, em vez da repetição da combinação duplo axel-triplo toe loop que ela fez durante a temporada passada. Neste programa livre ela apresentou uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop e uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop na segunda metade do esquema.

A grande decepção da prova foi a patinadora Elizabet Tursynbaeva do Cazaquistão de quem se esperava bastante mais. Talvez o seu resultado possa ser explicado pelo estado de forma ainda não estar em alta e possa ter a ver com gestão de esforço ao longo da temporada. Veremos se nas próximas competições as coisas lhe correm melhor.


Vídeos

Satoko Miyahara
Programa curto

Programa livre




Resultado final
1.º - Satoko Miyahara (Japão) – 206.75pts
2.º - Mariah Bell (Estados Unidos) – 184.22pts
3.º - Karen Chen (Estados Unidos) – 162.08pts
4.º - Da Bin Choi (Coreia do Sul) – 152.99pts
5.º - Paige Rydberg (Estados Unidos) – 149.35pts
6.º - Emily Chan (Estados Unidos) – 139.43pts
7.º - Elizabet Tursynbaeva (Cazaquistão) – 127.06pts
8.º -Aimee Buchanan (Israel) – 122.52pts
9.º - Kim Decelles (Canadá) – 120.41pts
10.º - Seo Young Lee (Coreia do Sul) – 118.08pts
11.º - Yasmine Kimiko Yamada (Suíça) – 92.18pts
12.º - Dimitra Korri (Grécia) – 81.31pts


Categoria de Dança



Madison Hubbell & Zachary Donohue confirmaram todo o favoritismo que traziam no início da prova e venceram a medalha de ouro de forma categórica. Na dança curta eles obtiveram 64.82pts. Apesar da nota ter sido boa, eles têm algum trabalho de casa para fazer antes do circuito do grande prémio. É que a sequência de passos parcial foi meramente de nível 1 (o mínimo) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi de nível 2.

Hubbell & Donohue obtiveram uma nota de 102.08pts. Do ponto de vista técnico, eles tiveram três elementos de nível 2: as duas sequências de passos e o peão. No entanto, a sua grande arma foi a qualidade de execução dos elementos. Eles receberam diversos +2 e +3 (o máximo) na escala dos graus de execução. Basta ver que a sua nota de partida foi de 35.80pts e foi melhorada para 50.40pts graças aos graus de execução positivos acumulados. Eles sofreram um ponto de dedução de forma automática devido a terem excedido o tempo limite previsto pelas regras numa figura de elevação.

Os japoneses Muramoto & Reed surpreenderam pela positiva. Eles estão juntos há pouco tempo e parecem ter um bom futuro pela frente. Como se devem recordar, Chris Reed costumava patinar com a irmã Cathy Reed. A dança curta de Muramoto & Reed recebeu 61.10pts. A figura de elevação foi o único elemento de nível 4 mas os restantes foram todos classificados com o nível 3. Essa demonstração de consistência é um bom indicador.

Muramoto & Reed receberam 90.08pts na dança livre. As duas sequências de passos foram de nível 2 e os twizzles foram de nível 3, sendo que os restantes elementos alcançaram o nível 4. Eles sofreram uma dedução automática devido a terem ultrapassado o limite de tempo permitido numa das figuras de elevação. No que toca aos componentes é que ainda há algum trabalho a desenvolver. O painel de juízes esteve algo divido nas notas a atribuir-lhe mas as suas médias gerais acabaram por ser consistentes.

Vídeos

Hubbell & Donohue
Dança curta

Dança livre

Muramoto & Reed
Dança curta

Dança livre


Resultado final

1.º - Madison Hubbell & Zachary Donohue (Estados Unidos) – 166.90pts

2.º - Kana Muramoto & Chris Reed (Japão) – 151.18pts

3.º - Alexandra Paul & Mitchell Islam (Canadá) – 141.20pts

4.º - Olivia Smart & Adriá Diaz (Espanha) – 138.34pts

5.º - Karina Manta & Joseph Johnson (Estados Unidos) – 137.76pts

6.º - Yura Min & Alexander Gomelin (Coreia do Sul) – 134.74pts

7.º - Alisa Agafonova & Alper Ucar (Turquia) – 131.76pts

8.º - Danielle Thomas & Daniel Eaton (Estados Unidos) – 128.64pts

9.º - Tina Garabedian & Simon Proulx-Senecal (Arménia) – 127.38pts

10.º - Cortney Mansour & Michal Ceska (Rep. Checa) – 120.20pts

11.º - Mackenzie Bent & Dmitre Razgulajevs (Canadá) – 112.10pts

12.º - Katharina Muller & Tom Dieck (Alemanha) – 109.84pts









Categoria de Pares
A competição na categoria de pares não foi particularmente brilhante. Jones & Reagan acabaram por conseguir impor-se à concorrência e ficar com a medalha de ouro, graças à recuperação que tiveram do programa curto para o livre. Jones & Reagan foram segundos no programa curto com uma nota de 55.64pts. Os elementos que beneficiaram de grau de execução positivo foram o triplo toe loop lado-a-lado (5.00pts), a figura de elevação do grupo 5 de dificuldade que foi de nível 4 (8.20pts), o triplo loop lançado (5.98pts) e a espiral da morte de nível 2. Os elementos punidos com grau de execução negativo foram o triplo twist de nível 1 (4.42pts), o peão de nível 2 (2.38pts) e a sequência de passos de nível 3 (3.12pts). Nos componentes eles tiveram notas tão baixas como uma nota de 3.25 nas transições e de 4.00 na interpretação da música. No entanto, as suas médias acabaram por fixar-se em 6.05 na perícia, 5.55 nas transições, 6.05 na performance, 5.80 na composição e 5.45 na interpretação da música.
No programa livre, Jones & Reagan pontuaram 99.84pts. Os elementos que conseguiram atingir grau de execução positivo: o triplo salchow lançado (5.20pts), a espiral da morte de nível 1 (3.70pts), o peão lado-a-lado de nível 3 (3.40pts), a segunda figura de elevação de nível 4 (8.20pts), a sequência coreográfica (2.42pts), a terceira figura de elevação de nível 4 (5.10pts) e o peão de par de nível 3 (4.34pts). O triplo twist de nível 1 (4.56pts), triplo toe loop-duplo toe loop-toe loop simples (4.60pts), triplo salchow lado-a-lado (0.70pts) e a primeira figura de elevação de nível 1 (5.72pts) foram punidos com grau de execução negativo. Por causa de uma queda no triplo salchow lado-a-lado foi-lhes aplicada uma dedução automática de um ponto. Nos componentes as suas médias foram meramente de 6.35 na perícia, 5.75 nas transições, 6.25 na performance, 6.35 na composição e 5.85 na interpretação da música.
Resultado final
1.º - Brittany Jones & Joshua Reagan (Canadá) – 155.48pts
2.º - Jessica Calalang & Zack Sidhu (Estados Unidos) – 151.24pts
3.º - Alexandria Shaughnessy & James Morgan (Estados Unidos) – 140.08pts
4.º - Sumire Suto & Francis Boudreau-Audet (Japão) – 122.64pts
5.º - Paris Stephens & Matthew Dodds (Austrália) – 82.76pts






domingo, 18 de setembro de 2016

GP Júnior 2016/2017 - Saransk 2016

GRANDE PRÉMIO JÚNIOR DE SARANSK 2016


Taça de Mordóvia

Entre os dias 14 e 18 de Setembro

Em Saransk (Rússia)



Categoria de Senhoras




Polina Tsurskaya deu nas vistas durante o circuito júnior do grande prémio na temporada passada. Tsurskaya alcançou mesmo o estatuto de super-favorita para os mundiais de juniores 2016 só que foi afectada por uma lesão no tornozelo no início dessa prova e foi obrigada a desistir. Felizmente ela conseguiu recuperar daquilo que parecia ser uma lesão complicada e regressou agora à competição. As dúvidas sobre a sua capacidade para voltar à competição foram logo dissipadas no programa curto do grande prémio de Saransk. Tsurskaya bateu o recorde para nota mais alta alcançada por uma atleta júnior no programa curto. Ela obteve uma nota de 69.02pts. Tsurskaya iniciou o esquema com uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.82pts), a que se seguiram um peão (3.87pts) e a sequência de passos (5.18pts), que foram ambos de nível 4 (o máximo). Já na segunda metade do programa, Tsurskaya realizou um triplo loop (6.31pts) e um duplo axel (4.55pts). Terminou com o peão de combinação (4.42pts) e com o peão layback (3.45pts) que também cumpriram os requisitos exigidos para o nível 4. No que toca aos segmentos dos componentes do programa que compõem a segunda nota, as suas médias fixaram-se em 7.42 na perícia, 6.96 nas transições, 7.50 na performance, 7.42 na composição e 7.46 na interpretação da música. O segmento de transições foi o pior do seu programa e houve alguma divisão no painel de juízes pois as suas notas balizaram-se entre 5.75 e 8.50…


No programa livre, Tsurskaya cometeu alguns erros e foi segunda classificada nessa fase da competição com uma nota de 114.71pts. Esses erros ocorreram essencialmente nos saltos. Estava previsto que ela realizasse uma combinação inicial de triplo lutz-triplo toe loop-duplo toe loop mas que acabou ser transformada em duplo-triplo-duplo, tendo recebido 8.05pts. Outro erro ocorreu na combinação de triplo flip-duplo toe loop (6.79pts) pois ela não definiu claramente a entrada no flip e o elemento foi punido com grau de execução negativo. O terceiro erro em saltos teve lugar no axel simples (1.21pts) que era suposto ter sido o primeiro duplo axel do esquema. O triplo salchow (3.79pts) foi punido com grau de execução negativo e a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.33pts) ficou meramente com o valor base. Ela também executou um triplo loop (6.54pts) e um duplo axel (4.21pts). A sequência de passos foi de nível 3 e pontuou 4.22pts. Os peões foram todos de nível 4 e totalizaram 11.37pts. A segunda nota ressentiu-se um pouco com todos os erros cometidos e as suas médias acabaram por ser de 7.25 na perícia, 6.96 nas transições, 7.00 na performance, 7.29 na composição e 7.25 na interpretação da música.


Stanislava Konstantinova é mais um nome a acrescentar à longa lista de patinadoras russas muito promissoras. Konstantinova ficou com a medalha de prata depois de ter sido segunda no programa curto e terceira no programa livre. No programa curto a sua nota foi de 64.38pts. Todos os elementos técnicos desse programa conquistaram graus de execução positivos. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop foi o primeiro elemento do esquema e recebeu 11.00pts. O triplo loop (5.73pts) e o duplo axel (3.80pts) foram efectuados na segunda metade do esquema. No que diz respeito aos peões, todos eles foram de nível 4 e permitiram-lhe conquistar mais 12.24pts. A sequência de passos pontuou 4.05pts e foi classificada com o nível 3. As suas médias nos segmentos do programa que compõem a segunda nota foram de 7.00 na perícia, 6.63 nas transições, 7.08 na performance, 6.79 na composição e 6.96 na interpretação da música.


Konstantinova foi terceira no programa livre com uma nota de 110.82pts. Apesar do programa ter um plano de saltos ambicioso, a verdade é que três elementos acabaram por ser punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (7.33pts), o triplo loop (4.44pts) e o duplo axel isolado (2.13pts). A patinadora caiu no duplo axel isolado e, por causa disso, foi-lhe aplicada uma dedução automática de um ponto. Ainda houve lugar a uma segunda dedução automática de um ponto devido a outra queda. Os restantes saltos realizados no programa foram os seguintes: triplo lutz (7.33pts), combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow (11.34pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.06pts) e triplo flip (6.65pts). A sequência de passos foi classificada com o nível 3 e obteve 3.88pts. Os peões foram todos de nível 4 e receberam um total de 11.32pts. Nos segmentos nos componentes do programa, as suas médias foram de 6.75 na perícia, 6.42 nas transições, 6.58 na performance, 6.92 na composição e 6.92 na interpretação da música.


Elizaveta Nugumanova foi quarta no programa curto com uma nota de 57.30pts, essencialmente devido a dois erros em elementos de saltos. O primeiro erro ocorreu na combinação de triplo lutz-triplo toe loop (8.42pts) pois a terceira rotação no toe loop não foi efectivamente completa.  Por causa disso, o elemento perdeu 0.58 do valor base de 9.00pts. O segundo erro teve lugar no triplo loop (2.21pts) que foi realizado na segunda metade do esquema. Tal como no primeiro caso, faltou-lhe um pouco para conseguir realmente completar a terceira volta. O elemento perdeu 1.75 do valor base de 3.96pts. O duplo axel (4.13pts) foi o terceiro elemento de salto neste programa mas aqui ela não revelou problemas. A sequência de passos (4.22pts) foi classificada com o nível 3 e os peões (12.40pts) foram de nível 4. No que toca aos componentes, as suas médias consistiram em 6.50 na perícia, 6.33 nas transições, 6.33 na performance, 6.63 na composição e 6.63 na interpretação da música.


Nugumanova foi primeira no programa livre com uma nota de 115.83pts mas não foi suficiente para anular a enorme vantagem que Tsurskaya obteve no curto. Neste seu programa houve três elementos de saltos punidos com grau de execução negativo: o triplo flip (4.60pts) por indefinição na marcação de entrada, o triplo lutz isolado (3.50pts) por não ter realmente completado a terceira volta e o triplo salchow (4.72pts). Os restantes saltos foram a combinação de triplo lutz-duplo toe loop (8.00pts), combinação triplo loop-triplo loop (10.20pts), combinação de duplo axel-triplo toe loop-duplo toe loop (10.37pts) e duplo axel (3.71pts). Todos os peões preencheram os critérios para o nível 4 e permitiram-lhe angariar um total de 12.64pts. A sequência de passos foi de nível 3 e rendeu-lhe 3.88pts. Na segunda nota, as suas médias nos segmentos foram de 6.83 na perícia, 6.50 nas transições, 6.88 na performance, 6.79 na composição e 6.88 na interpretação da música.






Vídeos


Polina Tsurskaya
Programa curto

Programa livre


Stanislava Konstantinova
Programa curto

Programa livre


Elizaveta Nugumanova
Programa curto

Programa livre


Yuna Shiraiwa
Programa curto

Programa livre


Kokoro Iwamoto
Programa curto

Programa livre


Brynne McIsaac
Programa curto

Programa livre



Resultado final







Categoria de Homens




Alexander Samarin dominou a competição masculina ao vencer a medalha de ouro com um avanço de mais de 20 pontos sobre o segundo classificado. A nota total de Samarin foi de 228.33pts. No programa curto a sua nota foi de 73.34pts. No que toca aos saltos ele colocou o triplo axel (10.50pts) na primeira metade do esquema; o triplo loop (6.78pts) e a combinação ocorreram na segunda metade. A combinação de saltos foi o único elemento punido com grau de execução negativo. Samarin caiu e não conseguiu realizar o elemento pretendido que era de triplo lutz-triplo toe loop. Ele ficou apenas com 4.50pts nesse elemento. Além dos pontos perdidos no valor base e pelo grau de execução negativo, foi-lhe aplicado um ponto automático de dedução pela queda. Os peões totalizaram 11.78pts e todos cumpriram os critérios exigidos para o nível 4. A sequência de passos obteve 5.07pts e também alcançou o nível 4. Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias foram as seguintes: 7.17 na perícia, 6.92 nas transições, 7.00 na performance, 7.33 na composição e 7.29 na interpretação da música.


No programa livre a pontuação que Samarin recebeu foi de 154.99pts. O único elemento punido com grau de execução negativo foi o triplo salchow (3.44pts). Os restantes elementos receberam grau de execução positivo. Para além do triplo salchow, Samarin realizou um quádruplo toe loop (11.30pts), um triplo axel (9.00pts), uma combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.63pts), combinação de triplo lutz-loop simples-triplo flip (14.75pts), triplo loop (5.73pts), triplo lutz (7.42pts) e duplo axel (3.80pts). A tal combinação de triplo lutz-loop simples-triplo flip é uma raridade. De momento não me recordo de ver outro patinador sequer a tentar esta combinação em competição. Aplausos para Samarin por ter tentado um elemento tão difícil. É raríssimo um flip ser colocado como segundo salto numa combinação. Nos peões ele totalizou 11.78pts, sendo que todos foram de nível 4. A sequência de passos recebeu 4.72pts e foi de nível 4. No que diz respeito à segunda nota, as suas médias nos segmentos fixaram-se em 7.38 na perícia, 7.13 nas transições, 7.33 na performance, 7.38 na composição e 7.29 na interpretação da música.


Vídeos

Alexander Samarin
Programa curto

Programa livre


Andrew Torgashev
Programa curto

Programa livre


Matyas Belohradsky
Programa curto

Programa livre


Petr Gumennik
Programa curto
Programa livre


Eric Sjoberg
Programa livre



Resultado final






Categoria de dança




Alla Loboda & Pavel Drodz arrancaram a vitória na categoria de dança com uma nota final de 161.87pts. Na dança curta, Loboda & Drodz lideraram com uma nota de 64.96pts. Os twizzles (7.70pts), as duas sequências de passos obrigatórios de blues (11.30pts) e a figura de elevação (5.70pts) foram classificados com o nível 4. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.93pts) foi de nível 3. As suas médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota fixaram-se em 7.79 na perícia, 7.54 nas transições, 8.00 na performance, 7.88 na composição e 7.96 na interpretação da música/timing.


A dança livre de Loboda & Drodz obteve uma pontuação total de 96.91pts. Os elementos técnicos receberam diversos +2 e +3 (o máximo) na escala individual dos juízes referente aos graus de execução. A sua nota de partida para a técnica foi de 36.10pts e foi melhorada para 47.05pts graças ao acumulado de graus de execução positivos. As duas sequências de passos totalizaram 18.42pts, tendo ambas sido classificadas com o nível 3. Os twizzles (7.80pts), o peão (6.90pts) e as duas figuras de elevação (total de 11.60pts) foram todos de nível 4. Como elemento coreográfico, este par optou por apresentar um peão que recebeu 2.33pts. Quanto às médias nos segmentos dos componentes, elas foram as seguintes: 8.29 na perícia, 8.04 nas transições, 8.42 na performance, 8.38 na composição e 8.42 na interpretação da música/timing.  

Christina Carreira & Anthony Ponomarenko seguraram a medalha de prata com uma nota total de 157.19pts. Na dança curta, a nota desta par foi de 63.10pts. Em termos de elementos técnicos, as duas sequências de passos obrigatórios de blues (total de 10.50pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.12pts) alcançaram o nível 3, enquanto que os twizzles (7.20pts) e a figura de elevação (5.70pts) foram de nível 4. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. As suas médias nos segmentos dos componentes foram consistentes e fixaram-se em 7.54 na perícia, 7.33 nas transições, 7.83 na performance, 7.75 na composição e 7.79 na interpretação da música/timing.

Carreira & Ponomarenko obtiveram uma nota de 94.09pts na dança livre. As coisas correram-lhe bem no que toca aos elementos técnicos, tendo os mesmos conseguido diversos +2 e +3 na escala individual dos juízes para o grau de execução. A sua nota técnica de partida foi de 36.10pts e foi melhorada para 45.98pts. As duas sequências de passos (total de 17.86pts) foram de nível 3. Já o peão (6.80pts), os twizzles (7.60pts) e as duas figuras de elevação (total de 11.50pts) alcançaram o nível 4. O peão coreográfico conquistou 2.22pts. No que diz respeito às médias nos segmentos do programa, estas foram de 7.96 na perícia, 7.79 nas transições, 8.17 na performance, 8.04 na composição e 8.13 na interpretação da música/timing.



Vídeos

Loboda & Drodz
Dança curta

Dança livre


Carreira & Ponomarenko
Dança curta

Dança livre


Shevchenko & Eremenko
Dança curta

Dança livre


Fabbri & Pietrantonio
Dança curta

Dança livre


Wagret & Couyras
Dança curta

Dança livre


Resultado final






Categoria de Pares




O par composto por Anastasia Mishina e Vladislav Mirzoev dominou esta disciplina e venceu a medalha de ouro com mais de 20 pontos de avanço sobre os segundos classificados. Eles lideraram o programa curto com uma nota de 63.93pts. No que toca aos elementos técnicos, a sua nota de partida foi de 33.40pts e eles conseguiram melhorá-la para 38.18pts graças aos graus de execução positivo acumulados. Todos os elementos beneficiaram de grau de execução positivo. O esquema foi iniciado com um triplo twist de nível 3 (7.10pts), a que se seguiu um triplo flip lançado (6.10pts). Depois foi a vez de um duplo axel lado-a-lado (3.51pts) e uma figura de elevação do grupo 5 de dificuldade que cumpriu os critérios do nível 4 e pontuou 8.20pts. Os restantes elementos foram um peão (4.07pts), uma sequência de passos (4.90pts) e uma espiral da morte (4.30pts), todos de nível 4. No que diz respeito aos segmentos que compõem a segunda nota, as suas médias foram de 6.36 na perícia, 6.14 nas transições, 6.57 na performance, 6.57 na composição e 6.54 na interpretação da música.


No programa livre, Mishina e Mirzoev conseguiram uma nota de 111.89pts. O primeiro elemento do programa livre foi o triplo twist de nível 3 (7.20pts), seguindo-se um triplo flip lançado (6.40pts). Depois foi a vez de uma combinação de triplo toe loop-toe loop simples-duplo toe loop (3.00pts) que foi punida com grau de execução negativo. O triplo salchow lado-a-lado correu melhor e recebeu 5.00pts. O quinto elemento foi uma sequência coreográfica que obteve 2.80pts. Seguidamente, Mishina e Mirzoev efectuaram uma figura de elevação do grupo 5 de dificuldade que alcançou o nível 4 e 8.50pts. No primeiro peão do esquema eles obtiveram 4.14pts, sendo que o elemento foi de nível 4. Seguiu-se uma figura de elevação do grupo 3 de dificuldade que foi de nível 4 (5.21pts). O nono elemento foi um triplo salchow lançado (5.70pts) e o décimo foi uma espiral da morte de nível 4 (4.00pts). O último elemento foi um peão que recebeu 5.07pts e que também foi de nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes do programa foram de 6.86 na perícia, 6.61 nas transições, 6.82 na performance, 7.00 na composição e 7.00 na interpretação da música.






Vídeos

Mishina & Mirzoev
Programa curto

Programa livre


Boikova & Kozlovskii
Programa curto

Programa livre


Borisova & Sopot
Programa curto

Programa livre


Matte & Ferland
Programa curto

Gao & Xie
Programa curto

Programa livre



Resultado final








sábado, 17 de setembro de 2016

Semana de testes na Rússia 2016



Um dos momentos mais aguardados pela maioria dos fãs de patinagem artística no gelo é a semana de testes na Rússia. Este evento trata-se de uma semana de testes organizados pela federação russa de patinagem em que os principais patinadores da selecção nacional são convocados para participar. Durante os testes estão presentes vários responsáveis da federação russa bem como diversos especialistas e treinadores de renome como é o caso de Tatiana Tarasova. Os patinadores devem mostrar os elementos em que trabalharam durante a pré-temporada e os esboços dos programas com que planeiam competir durante a época.
Como os patinadores russos são dos que mais interesse geram junto dos fãs da modalidade, muita gente quer satisfazer a curiosidade de ver um pouco do que está para vir. Cada vez mais o foco das atenções é a categoria feminina devido ao grande número de atletas russas que se destacam internacionalmente.
Nos testes deste ano houve alguns patinadores que acabaram por ser dispensados como foi o caso do par Ilinykh & Zhiganshin e do par Stolbova & Klimov. Zhiganshin está a braços com uma lesão num joelho e Stolbova ainda está a recuperar de uma lesão mais antiga.
Tatiana Volosozhar e Maxim Trankov, campões olímpicos em Sochi, não marcaram presença pois decidiram não participar em competições durante a temporada 2016/2017.
Em baixo podem disfrutar de alguns dos vídeos amadores captados por vários fãs que puderam assistir aos testes ao vivo.




Evgenia Medvedeva
Programa curto
Programa livre


Anna Pogorilaya
Programa curto
Programa livre

Elena Radionova
Programa curto

Adelina Sotnikova
Programa curto
Programa livre



Julia Lipnitskaya
Programa curto
Programa livre

Maria Sotskova


Bobrova & Soloviev
Dança livre
https://www.youtube.com/watch?v=UECLJu1aXD4




Sinitsina & Katsalapov
Dança curta

Kavaguti & Smirnov
Programa curto

Tarasova & Morozov
Programa curto





quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Tradução de entrevista de Julia Lipnitskaya


A patinadora Julia Lipnitskaya concedeu uma entrevista à jornalista russa Elena Vaisetkhovskaya para o sport-express.ru. A entrevista ocorreu no contexto da semana de testes na Rússia em que os patinadores têm de mostrar os novos programas perante especialistas da Federação.


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Tradução de entrevista

EV – A Julia Lipnitskaya não estava satisfeita com o seu programa livre. Respondendo sobre o que mais a desagradou disse:

Julia: Decorreu como esperado. Simplesmente nós não tivemos ensaios gerais suficientes durante os treinos. Aliás, nós nunca patinámos o programa livre completo. Mas sabendo como eu estava nervosa antes dos testes – podia ter sido muito pior. A pressão era alta.

EV – Eu entrevistei-te no início do ano e tu disseste que a certa altura tiveste medo de competir.

Julia: Certo. Por exemplo, no ano passado eu tive medo dos testes. No entanto, quando eu penso nas competições futuras não há medo. Eu compreendo que no tempo que falta nós faremos ensaios gerais suficientes e as coisas serão bastantes diferentes a partir de agora. Eu penso que a primeira vez em público, a estreia dos novos programas foi sempre um estresse para mim, mesmo quando era garota. De todas as vezes eu queria muito mostrar todas as coisas novas que eu tinha aprendido. E só o pensamento de que algo podia correr mal, causava-me tanto medo que as minhas pernas tremiam. Isso melhorou. Eu tentei lutar por cada elemento do meu programa livre, mesmo que alguns fossem chatos. Anteriormente eu abortava um salto.

EV – Tu tinhas grande planos para a pré-temporada, principalmente em relação aos saltos. Atingiste os teus objectivos?

Julia: Nós trabalhámos essencialmente na técnica. Nem tudo foram rosas – houve algumas lesões. Mas nós conseguimos fazer muito. Nós trabalhámos nas sequências de saltos com o foco no segundo salto e, francamente, foi difícil recuperar esses saltos. No programa curto, eu mais ou menos consegui fazer as coisas apesar de estar preocupada com a minha (combinação) triplo lutz-triplo toe loop. O programa livre ainda está muito irregular e a coreografia ainda não está trabalhada.

EV – Tu és muito rigorosa.

Julia: Quem é que eu estaria a enganar? O mais importante é que o Alexei Urmanov e eu temos claro o que é que nós vamos trabalhar até às competições. A minha primeira competição é o Nepela Memorial em Bratislava, depois os grandes prémios em Chicago e Moscovo.

 

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EV – Eu sei que tu trabalhaste muito com uma especialista em dança no gelo durante o Verão – Ekaterina Rubleva. Gostaste?

Julia: Muito. Nós comunicámos com facilidade. A Katia (diminuitivo para Ekaterina) começou a trabalhar comigo como se eu tivesse passado a minha vida toda na dança no gelo. Na verdade, os patinadores da dança no gelo são de uma nação diferente na patinagem artística. Eles conseguem trabalhar em sequências de passos, que eu detesto com todo o coração, durante todo o treino.

EV – Referes-te a alguns passos complicados?

Julia: Quem me dera! Não, os passos básicos com a lâmina a direito. O passo mais básico da patinagem artística! Para os patinadores individuais é apenas algo para ganhar velocidade. Para os patinadores de dança no gelo há toda uma teoria, incluindo tão baixo te podes baixar, como fazes a puxada, como é que posicionas as costas, sem usar os teus ombros ou a anca. Eu estava a dar em doida ao aprender isso tudo. Os passos eram mais cansativos do que patinar todo o programa livre. Saltar é tão mais fácil!

EV – O que é que sentes que esse trabalho te deu?

Julia: Passos mais poderosos, um deslizar diferente. Infelizmente, nós não tivemos a oportunidade de trabalhar tanto quanto como queríamos: a Katia veio para Sochi várias vezes e arranjava tempo para trabalhar comigo entre as suas equipas de dança. Algumas vezes era por diversos dias, outras vezes por uma semana. Infelizmente não há um treinador de deslizamento em Sochi.

EV – Com as novas regras para individuais, tornou-se moda convidar especialistas em dança para as sequências de passos. Pelo menos é o que a maioria faz. Consegues explicar isso?

Julia: Os dançarinos no gelo não desperdiçam o seu precioso tempo numa coisa tão desprezível como os saltos. Os patinadores individuais gastam a maior parte do seu tempo de treino nos saltos: a técnica, a preparação e afins. Por isso, se um patinador individual realizar uma sequência com passos de dança, em que os dançarinos trabalham várias horas diariamente, já vai parecer diferente. Realmente é muito fixe fazer os passos como os dançarinos. Por isso é que há tanta gente a tentar trabalhar nos passos com os dançarinos no gelo – para melhorar a técnica. Torna-se mais fácil acrescentar detalhes para o trabalho de joelhos ou do corpo para fazer os passos parecerem melhor e começar a actuar aí, sem estar a morrer durante os passos mas a sentir-se confortável. A sequência de passos do programa curto foi feita com o Stephane Lambiel. Eu fiz algumas mudanças em Sochi – torneia-as mais fáceis para que eu pudesse fazer os saltos. No início da temporada você sempre dá um tempo na primeira parte para poder patinar o programa até ao fim. Eu tinha tudo sob controlo durante a minha prova (provavelmente é uma referência aos testes) e fiquei surpreendida em como tudo decorreu com facilidade. Quando nós estávamos a coreografar o programa tudo era desconfortável.

EV – Como é que tu lidaste com o desconfortável?

Julia: Mesmo quando eu era garota os treinadores diziam-me: se tu coreografas as coisas para serem confortáveis o tempo todo, o atleta não vai aprender nada. Os “elementos desconfortáveis” fazem-nos trabalhar neles arduamente e é assim que tu aprendes. Eu lembrei-me disso. Por isso quando estava a trabalhar com o Lambiel em vez de ficar chateada eu pensei “Vou aprender tanto”.

EV – Como é que acabou?

Julia: Com tudo a ser fácil agora. Eu devia estar feliz mas estou a olhar para o que vai correr mal: por que é que é tão fácil? Provavelmente algo está errado! Provavelmente esqueci-me de alguma coisa!

EV – Mas ainda existem coisas em que trabalhar?

Julia: Claro. Deram-nos muitas chamadas de atenção sobre o programa curto, tanto nos passos como nas transições. Todas as chamadas de atenção foram acertadas e, claro está, é nisso que nós vamos trabalhar imediatamente. Quanto ao programa livre – primeiro tenho que me habituar. Depois trabalharei nos detalhes.

EV – Tu surpreendeste-me ao falar sobre o trabalho com o Lambiel.  Geralmente acredita-se que os ex-patinadores coreografam as coisas mais confortáveis.

Julia: Eu realmente amei trabalhar com o Lambiel. Talvez seja porque ele não é o primeiro coreógrafo com quem eu trabalhei, então eu tenho algo para comparar. Digamos que quando és uma garota, os teus treinadores fazem-te programas que são confortáveis para crianças, porque o principal são os saltos. O Nikolai Morozov coreografa de forma confortável: normalmente ele pedia-me para mostrar alguns passos, ele olhava e dizia “Ok. Vamos integrar isto aqui ou ali”. E de facto, as sequências de passos eram para ser confortáveis. A Marina Zoueva tentou trazer algo novo para as transições e mostrar alguma coreografia nova, só que quando eu estava a trabalhar com ela não estava em paz comigo mesma. Claro que para alguém do estrangeiro era ainda mais difícil perceber como trabalhar comigo. Durante a temporada eu habituei-me aos programas mas inicialmente eles pareciam estranhos. Com o Stephane é outra história. A música começava e ele voava. Ele adora tanto a música e o gelo que é um prazer observar as suas improvisações. Mas não foi para isso que nós fomos lá! Na realidade era assim: o Stephane ligava a música, começava a fazer passos rápidos, o Alexei Urmanov e eu ficávamos de queixo caído sem sequer entender como é que ele estava a fazer aquilo. Depois eu recompunha-me, pedia-lhe para repetir e ele ia – mas ele fazia as coisas de maneira totalmente diferente sem sequer se dar conta disso! Ele já não se lembrava dos passos nem da sua ordem! Ainda agora perguntar-lhe o que ele fez exactamente é inútil. Então eu aprendi a ver alguns dos seus passos e a repeti-los. Eu patinava atrás dele, observando a suas pernas. Ele estava a “entrançar” as pernas o tempo todo. Eu nunca tinha passado tanto tempo “sentada” no gelo na minha vida como na Suíça a tentar repetir os passos do Stephane.

EV – O final desse trabalho foi um alívio?

Julia: Por um lado eu adorei e gostaria de continuar; por outro lado, o Alexei Urmanov e eu percebemos que isso seria muito para os dois programas e que não seríamos capazes de processar aquilo tudo. Mas nós vamos integrar no programa livre alguns passos que não foram usados para o programa curto.

EV – Como é que o programa livre foi coreografado?

Julia: Demorámos algum tempo para encontrar a música. Nós andávamos a ouvir de tudo até que encontrámos a banda sonora de “Kill Bill”. Eu lembrei-me que tinha patinado aquela música num programa de exibição e pensei “Por que não?”. Nessa altura tinham-me dito que era bom.

EV – Eu estou a tentar lembrar-me e não consigo?

Julia: Foi na temporada olímpica e só o patinei uma vez – no grande prémio do Canadá. Nós coreografamo-lo muito depressa e os cortes na música não foram os melhores, daí que acabou por não ser o que eu queria e imaginava. E foi isto. Agora eu vejo-o a ser desenvolvido e estou interessada.  

EV – Continua a ser importante para ti perceberes qual a ideia por detrás do programa e gostares dela?

Julia: Agora é diferente. Se anteriormente eu descartava uma ideia que eu não conseguia compreender, agora eu tento pensar em que é que o coreógrafo vê que eu não vejo. Quanto ao programa livre não havia nada contra – as coisas encaixaram-se. Foi confortável coreografar o programa em casa – sem a necessidade de estar a seguir a ideia de outrem – é muito mais livre e confortável. Se eu sentir que devo mudar a entrada para um elemento, eu faço-o. Se eu quiser mudar a ordem dos elementos não há problema.

EV – Durante o Verão tu alcançaste uma excelente forma. Foi difícil?

Julia: Comecei a perder peso antes da Taça da Rússia em Saransk (competição interna), em Fevereiro passado. Não há muito tempo eu coloquei duas fotos juntas: uma da altura das exibições nos campeonatos nacionais do final do ano passado e outra tirada num espectáculo em Moscovo mesmo antes dos testes. Eu fiquei chocada. Em Dezembro passado, eu pensei que estava bem e que não precisava perder mais peso. Na realidade, vejo uma diferença de oito quilos entre as duas fotos.

EV- Tens feito um esforço para manter o peso actual?

Julia: Nem por isso. Desde que eu comecei a trabalhar a minha forma no ginásio, o problema desapareceu. O trabalho que eu faço lá é focado em manter os meus músculos e não em fazê-los aumentar. Apesar de tudo, anteriormente, eu tinha medo do ginásio.

EV – Porquê?

Julia: Porque eu raramente lá ia e quando o fazia era até ao limite. Então eu tinha a sensação de que as minhas pernas inchavam como se alguém lhes tivesse posto água. Foi na mesma altura em que eu comecei a ganhar peso, então a palavra ginásio fazia-me entrar em pânico – eu não estava apenas gorda, eu ia ficar inchada! E aquele corpo nem estava a patinar – uma catástrofe de todo o tamanho. No entanto, em Sochi, as coisas começaram a resultar mas mesmo assim eu estava a tremer a primeira vez que fui ao ginásio.

EV – Tu estavas a ver-te ao espelho para acompanhar as mudanças do teu corpo?

Julia: Os massagistas são os primeiros a notar as diferenças. Eles começaram a dizer-me que eu estava a ganhar músculo nas minhas costas e nas pernas. Eu já tinha tentada trabalhar nas minhas costas anteriormente mas parece que do modo errado, o que causava alguns problemas na espinha e nos nervos. Eu fazia uma volta mal feita com o meu corpo e bastava isso para a minha não funcionar. Trabalhar as costas correctamente é um problema geral na patinagem artística – acho que todos os patinadores se deparam com isso.

EV – Provavelmente é uma pergunta estúpida mas quando os teus músculos estão bem trabalhados, as quedas tornam-se menos dolorosas?

Julia: Diria que consegues levantar-te mais depressa. E às vezes até nem cais onde parecia que ia acontecer. Mas as quedas chateiam-me muito.

EV – Durante o ano que viveste em Sochi, sentiste que estavas a viver numa estância de férias?

Julia: Sentes-te num local de férias quando andas pelas ruas cheias de gente e loucas com o sol, calor e nada que fazer. Percebi como todos andavam relaxados assim que iniciei as aulas de condução. O instructor levava-me para locais cheios de gente para trabalhar a minha atenção e reacção. Foi aí que eu percebi que as pessoas não controlavam as suas acções. Tu podes ir a conduzir a 10km/h mas mesmo assim há uma possibilidade de alguém acabar debaixo das tuas rodas. Alguns nem pensam se estão numa rua ou no passeio. Em Sochi, a qualquer altura alguém pode ir a conduzir em sentido contrário, não porque estão com pressa, mas porque estão distraídos. Estão-me sempre a perguntar “Como é que é trabalhar em Sochi? Estás na praia o dia todo?”.

EV – Boa pergunta.

Julia: Honestamente, a última vez que fui à praia foi provavelmente há um mês. Inicialmente era interessante; Eu tentava ir para o mar todos os dias mesmo se fosse apenas para passar algum tempo na praia e apanhar algum sol. Quando começámos a trabalhar a sério, eu tive que parar de fazer isso. Para mim é melhor passar uma hora a dormir ou a estudar para o meu exame de código. No meu dia de folga eu costumo dormir até à uma da tarde para recuperar com mais rapidez. Ou então vou a Moscovo.

EV – Vais lá com regularidade?

Julia: Eu tento. Ajuda-me a recuperar: apesar dos voos, eu geralmente regresso cheia de energia e com vontade de trabalhar.