domingo, 30 de outubro de 2016

GP Skate America 2016 - Homens

Skate America 2016



Chicago (Estados Unidos)


Entre os dias 20 e 23 de Outubro




Análise


A competição correu bem aos atletas dos Estados Unidos pois conseguiram a medalha de prata e a medalha de bronze perante o seu público. Jason Brown e Adam Rippon fizeram as delícias da sua vasta legião de fãs e patinaram de maneira que superou as expectativas. O vencedor acabou por ser o japonês Shoma Uno que conquistou a medalha de ouro de forma categórica. Um dos favoritos a um lugar no pódio era o chinês Boyang Jin pois ele venceu a medalha de bronze nos mundiais da temporada passada. Só que Jin teve de contentar-se com o quinto lugar. Na disputa interna na equipa russa, Sergei Voronov levou a melhor sobre o seu compatriota Maxim Kovtun.


Shoma Uno foi primeiro classificado tanto no programa curto como no programa livre. Uno patinou e encantou.


No programa curto, Uno obteve uma nota de 89.15pts. A sua nota podia ter sido melhor não tivesse sido o caso de todos os saltos terem sido penalizados em sede de grau de execução. O quádruplo flip perdeu 0.51 do valor base de 12.30, a combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop perdeu 4.00pts do valor base de 13.30pts e o triplo axel perdeu 0.14 do valor base de 9.35pts. Como podem reparar, o esquema de saltos deste patinador é super ambicioso. Além disso ele é o único patinador que está a apresentar o quádruplo flip. Apesar dessas penalizações o programa curto não foi nenhum desastre. O erro mais grave ocorreu na combinação pois ele caiu. Essa queda fez com que fosse aplicada uma dedução automática de um ponto. O peões foram todos classificados com o nível 4 e receberam um total de 12.34pts. A sequência de passos foi de nível 3 e obteve 4.23pts. Quanto aos segmentos que fazem parte da nota dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.75 na perícia, 8.39 nas transições, 8.68 na performance, 8.71 na composição e 8.75 na interpretação da música.


O programa livre correu muito melhor e recebeu uma nota de 190.19pts. Shoma Uno, apesar de ser um patinador que passou ao escalão sénior há pouco tempo, tem uma presença fantástica e é muito carismático. Espero que vejam o vídeo do programa livre dele porque vale mesmo a pena. E digam lá se ele não tem alguns movimentos que fazem lembrar o saudoso Daisuke Takahashi? Em termos técnicos houve apenas um elemento punido com grau de execução negativo. Isso ocorreu no triplo axel isolado apresentado na segunda metade do esquema visto que o patinador caiu na recepção do salto. Esse triplo axel ficou com uma pontuação de 3.49pts. A queda fez com que tivesse de ser aplicada uma dedução automática de um ponto. Os outros saltos realizados no programa tiveram sucesso: quádruplo flip (13.73pts), quádruplo toe loop (12.59pts), triplo loop (6.10pts), combinação de triplo axel-triplo toe loop (16.51pts), combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop (14.19pts), triplo lutz (7.30pts) e triplo salchow (5.54pts). É um esquema de saltos impressionante. O quádruplo flip e a combinação de triplo axel-triplo toe loop foram os grandes destaques do programa na minha opinião. Os peões alcançaram todos o nível 4 e obtiveram um total de 12.77pts. A sequência de passos rendeu-lhe 4.59pts e a sequência coreográfica permitiu-lhe amealhar mais 3.30pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 9.11 na perícia, 8.86 nas transições, 9.21 na performance, 9.11 na composição e 9.25 na interpretação da música. Mesmo com o erro no triplo axel isolado, esta foi uma prestação de encher o olho.


Jason Brown conquistou a medalha de prata e também encantou. Ele é um dos melhores patinadores da actualidade no que diz respeito a qualidade base de patinagem, peões, transições e interpretação. Brown esteve parado durante algum tempo devido a lesão mas parece que conseguiu recuperar a sua melhor forma.


No programa curto Jason Brown foi terceiro classificado com uma nota de 85.75pts. Este patinador arriscou um quádruplo toe loop que ainda é um elemento novo para ele. Desta vez não teve sucesso e caiu. Por causa da queda foi necessário aplicar um ponto de dedução de forma automática. O salto foi punido com grau de execução negativo e ficou com 6.30pts. Ele conseguiu amealhar 10.50pts no triplo axel e recebeu 12.33pts na combinação de triplo lutz-triplo toe que foi realizada na segunda metade do esquema. O maior problema no seu programa curto, para além da queda no quádruplo, aconteceu no segundo peão pois o controlador técnico determinou que o elemento foi inválido. Brown falhou na transição entre posições durante o peão, penso que na passagem da primeira para a segunda, e ficou com 0.00 nesse elemento. O peão flying sit e o peão de combinação atingiram o nível 4 e receberam 8.29pts. A sequência de passos também foi de nível 4 e obteve 5.90pts. Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias foram as seguintes: 8.50 na perícia, 8.57 nas transições, 8.71 na performance, 8.79 na composição e 8.86 na interpretação da música.


Jason Brown foi segundo classificado no programa livre com 182.63pts. Apesar de não ter sido uma prestação isenta de erros, o programa foi espantoso. Os erros aconteceram no quádruplo toe loop e na combinação de triplo flip-triplo toe loop. O quádruplo toe loop perdeu 1.03 do valor base de 8.00pts pois faltou ¼ de volta para que a quarta rotação fosse efectivamente completada. A combinação de triplo flip-triplo toe loop, efectuada na segunda metade do esquema, foi penalizada em 0.10 no valor base de 10.56pts pois a definição de entrada no flip não foi realizada de forma clara. Os outros saltos efectuados no esquema foram uma combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.37pts), triplo axel (9.78pts), triplo lutz (7.80pts), duplo axel (4.13pts), triplo loop (6.41pts) e uma maravilhosa combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (13.19pts). O primeiro peão recebeu 4.70pts e o segundo peão obteve 4.50pts, sendo que ambos foram classificados com o nível 4. O terceiro peão foi de nível 3 e ficou com 4.00pts. Na sequência de passos de nível 4 e na sequência coreográfica, ele obteve 5.60pts e 3.70pts respectivamente. Nos segmentos dos componentes do programa as suas médias foram as seguintes: 8.89 na perícia, 8.79 nas transições, 9.11 na performance, 9.04 na composição e 9.18 na interpretação da música.


Adam Rippon tem imensos fãs espalhados por todo o mundo e nestas últimas temporadas tem-se tornado numa espécie de ícone gay do nosso amado desporto. O seu novo programa curto vem um pouco nesta sequência e resultou às mil maravilhas junto do público que assistiu ao vivo ao Skate America.


No programa curto a nota de Rippon foi de 87.32pts permitiu-lhe ficar em segundo lugar nessa fase da competição. Esquema foi iniciado com uma combinação de triplo flip-triplo toe loop (10.50pts) a que se seguiu um triplo axel (9.79pts). O terceiro elemento foi um peão de combinação que atingiu o nível 4 e recebeu 4.57pts. Já na segunda metade do esquema ele efectuou um triplo lutz (7.60pts). O peão flying camel (3.99pts) também foi de nível 4. A sequência de passos (4.44pts) e o último peão (3.53pts) foram de nível 3. As médias obtidas por este patinador nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.43 na perícia, 8.18 nas transições, 8.79 na performance, 8.61 na composição e 8.89 na interpretação da música.


Adam Rippon foi terceiro classificado no programa livre com uma nota de 174.11pts. O único elemento punido com grau de execução negativo foi a tentativa de quádruplo toe loop pois Rippon caiu na recepção do salto. O quádruplo perdeu 4.00pts do valor base de 6.30pts. A queda também teve como consequência a aplicação de uma dedução automática de um ponto. Em várias ocasiões passadas, Rippon tentou o quádruplo lutz mas desta vez decidiu atacar o toe loop. Talvez seja uma boa opção estratégica para ele. O restante esquema de saltos foi o seguinte: combinação de triplo flip-triplo toe loop (10.50pts), triplo salchow (4.70pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (12.21pts), triplo axel (10.64pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (10.11pts), triplo loop (6.31pts) e triplo lutz (8.10pts). O primeiro peão (3.51pts) e a sequência de passos (4.16pts) foram classificados com o nível 3. Os outros peões foram de nível 4 e receberam 9.21pts. A sequência coreográfica obteve 3.50pts. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 8.50 na perícia, 8.21 nas transições, 8.75 na performance, 8.68 na composição e 8.79 na interpretação da música.


O russo Sergei Voronov foi quinto classificado tanto no programa curto como no livre e parece ter voltado a ganhar confiança em si mesmo. Comparado com o que ele passou na temporada passada, a mudança de treinadora parece ter sido uma boa opção. Voronov está agora integrado no grupo de Inna Goncharenko e treina ao lado de Elena Radionova e Maxim Kovtun.


No programa curto Voronov recebeu uma pontuação de 78.68pts. Ele começou o programa com um quádruplo toe loop mas caiu na recepção. O elemento foi penalizado em 4.00 em sede de grau de execução e ficou com 6.30pts. Esse quádruplo era suposto ter sido parte da combinação mas por causa da queda ele teve de improvisar uma solução. Ficar sem combinação no programa curto é um erro muito grave. Voronov não perdeu a calma e transformou o salto isolado na combinação. Assim ele fez um triplo loop-triplo toe loop (10.64pts) na segunda metade do esquema. O triplo axel (10.35pts) também foi efectuado na segunda metade do programa. O quádruplo toe loop ficou então cotado como o salto isolado. Os peões foram todos classificados com o nível 4 e totalizaram 11.06pts. A sequência de passos foi de nível 3 e permitiu-lhe amealhar 3.73pts. Nos segmentos dos componentes as médias apuradas foram de 7.71 na perícia, 7.18 nas transições, 7.57 na performance, 7.57 na composição e 7.57 na interpretação da música.


O programa livre de Voronov recebeu 166.60pts. O primeiro elemento foi um quádruplo toe loop impressionante que pontuou 12.30pts. A combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.23pts) também foi bem executada. Ele apresentou uma combinação de triplo toe loop-triplo toe loop (9.80pts). Eu penso que com o evoluir da temporada não será descabido considerar o plano de transformar esta combinação em quádruplo-toe loop. Na segunda metade do esquema, Voronov executou um triplo axel (10.07pts), um triplo flip (3.27pts), um triplo lutz (7.40pts), uma combinação de triplo loop-duplo toe loop-duplo loop (9.92pts) e um duplo axel (4.13pts). O triplo flip foi o único elemento punido com grau de execução negativo devido ao facto da definição de entrada ter sido incorrecta. Os peões totalizaram 10.92pts e atingiram todos o nível 4. A sequência de passos foi de nível 3 e recebeu 4.16pts. A sequência coreográfica ficou com 2.80pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 7.54 nas transições, 8.36 na performance, 8.11 na composição e 8.11 na interpretação da música. Apesar de não ter conseguido conquistar uma medalha, eu penso que este foi um bom resultado para Voronov tendo em consideração o que se passou na época passada.


Quanto ao chinês Boyang Jin, eu fiquei com a impressão que ele está em fase de maturação. Na temporada passada ele deslumbrou por causa dos saltos mas houve muita gente que o criticou devido aos componentes. Esta época parece que ele está focado em desenvolver os aspectos referentes à performance, à composição e à interpretação da música. Talvez devido a ainda se estar a habituar a coreografias mais exigentes, desta vez ele cometeu diversos erros nos saltos.


Maxim Kovtun tem talento e tem muitas capacidades mas voltou a falhar num evento internacional mesmo tendo bons programas para mostrar. Tal como Voronov, Kovtun também mudou de treinadora no final da temporada passada mas talvez lhe fizesse falta ser acompanhado por um psicólogo desportivo. É que nos treinos ele parece excelente e depois chega a certas competições e erra sem se perceber muito bem porquê. No passado, atletas como Alexei Yagudin recorreram ao auxílio de um psicólogo desportivo e as coisas mudaram para melhor. Quem sabe se Kovtun precisa de uma solução igual para poder desbloquear.




Vídeos


Shoma Uno
Programa curto


Programa livre



Jason Brown
Programa curto


Programa livre


Adam Rippon
Programa curto


Programa livre



Boyang Jin
Programa curto


Programa livre



Nam Nguyen
Programa curto


Programa livre



Maxim Kovtun
Programa curto


Programa livre



Timothy Dolensky
Programa curto


Programa livre



Jorik Hendrickx
Programa curto

Programa livre



Brendan Kerry
Programa curto


Programa livre





Resultado final

sábado, 29 de outubro de 2016

GP Skate America 2016 - Dança

Skate America 2016



Em Chicago (Estados Unidos)

Entre os dias 21 e 23 de Outubro













Análise




A categoria de dança esteve recheada de motivos de interesse. Em primeiro lugar, os irmãos Maia e Alex Shibutani foram desde logo apontados como os principais favoritos à vitória, principalmente depois do excelente resultado que obtiveram nos mundiais 2016. Aqui também se arrisca no jogo da reputação internacional e os irmãos Shibutani estão a consolidar-se como a equipa n.º 1 nos Estados Unidos, ultrapassando Chock & Bates. Havia ainda muita curiosidade em perceber a dinâmica dos pares russos presentes nesta competição. Elena Ilinykh e Ruslan Zhiganshin estão a trilhar um novo caminho depois da mudança de equipa de treinadores após a temporada passada. Ekaterina Bobrova e Dmitri Soloviev estão de regresso à competição internacional depois de terem passado uma fase turbulenta devido a lesões e a um período de suspensão aplicado à patinadora que se veio a revelar injustificado. No meio de isto tudo ainda tivemos a estreia de Elliana Pogrebinsky e Alex Benoit no circuito sénior do grande prémio e a curiosidade sobre a evolução dos italianos Guignard & Fabbri, dos israelitas Tobias & Tkachenko e dos estado-unidenses Hubbell & Donohue.


Em termos de dança curta ocorreu uma situação curiosa: nenhum par conseguiu realizar uma sequência de passos em que os patinadores não se tocam que chegasse para cumprir os critérios exigidos para o nível 4, que é o nível máximo. O par italiano Guignard & Fabbri foi o que apresentou a sequência de passos em que os patinadores não se tocam com o grau de dificuldade mais elevado e que chegou para o nível 3. Todos os outros pares se ficaram pelo nível 2, incluindo os pares com mais prestígio e experiência internacional. Alguns pares tentaram antes apostar na qualidade de execução em vez da maior dificuldade dos passos. No entanto, não deixa de ser uma surpresa.


Maia e Alex Shibutani não deixaram os seus créditos por mãos alheias e venceram a medalha de ouro destacadamente. A sua vitória começou a ser cimentada com uma excelente nota de 73.04pts na dança curta. Todos os elementos técnicos beneficiaram excelentes graus de execução positivos, com uma maioria de +3. Os twizzles (8.31pts) e os passos obrigatórios (6.20pts) alcançaram o nível 4. A figura de elevação foi de nível 3 e recebeu 5.63pts. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.27pts) e a sequência parcial de passos (7.80pts) foram apenas de nível 2. As suas notas nos segmentos foram excelentes e as suas médias fixaram-se em 9.14 na perícia, 9.00 nas transições, 9.36 na performance, 9.18 na composição e 9.36 na interpretação da música/timing. Quase todos os juízes lhe atribuíram notas acima de 9.00 em todos os segmentos. A coreografia da dança curta resultou muito bem e é das melhores que eu já vi nesta temporada. A combinação de gestos e movimentos de vários estilos de dança que à partida são muito diferentes resultou harmoniosa e isso deixou uma excelente impressão.


Na dança livre, os irmãos Shibutani obtiveram uma excelente nota de 112.71pts. Se na dança curta a coreografia deu nas vistas, na livre achei que eles se limitaram a juntar coisas que já fizeram em temporadas anteriores. Gostei muito mais da coreografia e da música da temporada passada. Talvez não fosse má ideia deixar este par trabalhar novamente com o coreógrafo Peter Tchernyshev. Dito isto a prestação deles não deixou de ser boa à mesma. Os twizzles foram o grande elemento de destaque. Tecnicamente, eles foram buscar muitos pontos graças aos graus de execução positivos acumulados em todos os elementos. A sua nota técnica de partida foi de 41.30pts e foi melhorada para 56.95pts! Eles conseguiram +2 e +3 em todos os elementos e por parte de todos os juízes. As duas sequências de passos foram classificadas com o nível 3 e totalizaram 18.60pts. O peão (7.31pts) e os twizzles (8.40pts) foram ambos de nível 4. As figuras de elevação também conseguiram todas o nível 4 e conseguiram um total de 18.04pts. Os elementos coreográficos foram deixados para o fim e os eleitos foram uma elevação (2.10pts) e um twizzle (2.50pts). As suas médias nos segmentos que fazem parte da segunda nota foram de 9.29 na perícia, 9.11 nas transições, 9.43 na performance, 9.32 na composição e 9.32 na interpretação da música/timing.


Madison Hubbell & Zachary Donohue levaram a medalha de prata para casa por uma unha negra. Sinceramente pareceu-me que eles beneficiaram de estar a patinar em casa pois alguns juízes inflacionaram-lhe as notas em alguns segmentos dos componentes.


Hubbell & Donohue obtiveram uma pontuação de 68.78pts na dança curta, onde foram terceiros classificados. A sequência de passos obrigatórios (6.11pts), os twizzles (7.71pts) e a figura de elevação (5.70pts) alcançaram o nível 4. A sequência parcial de passos foi de nível 3 e recebeu 8.51pts. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam ficou com o nível 2 e pontuou 7.49pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram fixadas em 8.29 na perícia, 8.11 nas transições, 8.39 na performance, 8.36 na composição e 8.43 na interpretação da música/timing. Não concordo de todo com o juiz que lhes atribuiu 9.00 no segmento de perícia e muito menos com o 9.25 na interpretação da música/timing. Aliás, a amálgama de músicas usadas na dança curta prejudicou a percepção do timing. Acho que o juiz que lhes atribuiu 7.75 na interpretação da música/timing esteve mais certeiro.


Na dança livre, Hubbell & Donohue conseguiram uma nota de 106.99pts. Todos os elementos técnicos obtiveram grau de execução positivo. As duas sequências de passos foram classificadas com o nível 3 e receberam um total de 18.29pts. As figuras de elevação (total de 17.35pts), os twizzles (7.97pts) e o peão (6.89pts) preencheram os critérios exigidos para o nível 4. O twizzle coreográfico (1.90pts) e a figura de elevação coreográfica (2.10pts) foram os dois últimos elementos do esquema. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.64 na perícia, 8.50 nas transições, 8.89 na performance, 8.82 na composição e 8.89 na interpretação da música/timing. Cinco juízes marcaram notas na casa dos oito pontos enquanto quatro juízes atribuíram-lhe notas de 9.00 ou mais em cada segmento. Lamento mas do que conheço do código de pontos não me parece que o demonstrado por Hubbell & Donohue neste programa merecesse uma nota de 9.25 na perícia.


Ekaterina Bobrova & Dmitry Soloviev ficaram com a medalha de bronze com menos um ponto do que Hubbell & Donohue. Acho que eles podem ficar contentes com este resultado e já é um bom incentivo para competições futuras depois do tempo de paragem forçada que os afectou.


A dança curta de Bobrova & Soloviev ficou com uma nota de 68.92pts. Os twizzles (7.97pts) e a figura de elevação (5.70pts) foram os únicos elementos que alcançaram o nível 4. A sequência de passos obrigatórios (5.00pts), a sequência parcial de passos (7.01pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (7.64pts) ficaram-se pelo nível 2. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. No que toca à segunda nota, as suas médias nos segmentos foram de 8.86 na perícia, 8.64 nas transições, 9.00 na performance, 9.00 na composição e 9.00 na interpretação da música/timing.


Na dança livre, Bobrova & Soloviev obtiveram uma pontuação de 105.85pts. O elemento determinante neste programa e que influenciou o resultado final foi a figura de elevação em curva pois ultrapassou o tempo limite permitido pelas regras e por isso teve de ser aplicada uma dedução automática de um ponto. Essa figura de elevação recebeu grau de execução positivo mas na minha opinião o elemento devido ter sido marcado com 0 ou -1. Apenas um juiz marcou -1. A maioria dos juízes marcou o elemento com +2 no grau de execução. As três figuras de elevação cumpriram os critérios exigidos para o nível 4 e receberam um total de 17.78pts. Os twizzles (7.80pts) e o peão (6.71pts) também foram de nível 4. A sequência de passos em círculo (9.14pts) foi de nível 3 mas a sequência de passos na diagonal (7.49pts) foi de nível 2. Os elementos coreográficos foram um peão (2.00pts) e uma figura de elevação (2.10pts) e foram realizados mesmo no final do esquema. Nos segmentos dos componentes obtiveram médias de 9.04 na perícia, 8.71 nas transições, 9.04 na performance, 8.96 na composição e 9.11 na interpretação da música/timing.


Os italianos Charlene Guignard & Marco Fabbri conseguiram um bom resultado e têm-se mostrado mais confiantes e mais consistentes nas suas prestações internacionais. Tem sido um caminho percorrido com paciência mas tem dado bons frutos.


Na dança curta, Guignard & Fabbri foram quintos classificados com uma nota de 64.79pts. Como eu já referi no início da análise, este foi o único par que conseguiu realizar uma sequência de passos em que os patinadores não se tocam (5.00pts) que chegou ao nível 3. No entanto a sua sequência parcial de passos (4.87pts) foi meramente de nível 1, o que lhes prejudicou o valor base do elemento. Os passos obrigatórios chegaram para o nível 3 e receberam 5.00pts. Os twizzles (7.80pts) e a figura de elevação (5.44pts) alcançaram o nível 4. Nos segmentos dos componentes as notas que lhe foram atribuídas permitiram-lhes ficar com médias de 8.07 na perícia, 7.93 nas transições, 8.25 na performance, 8.18 na composição e 8.25 na interpretação da música/timing.


Guignard & Fabbri surpreenderam na dança livre ao ficarem à frente dos russos Ilinykh & Zhiganshin. A nota dos italianos nesta fase da prova foi de 100.65pts. Os elementos técnicos beneficiaram todos de grau de execução positivo. As duas sequências de passos foram de nível 3 e o seu total de pontos nestes elementos foi de 17.34pts. Os twizzles (7.71pts), o peão (6.80pts) e as figuras de elevação (total de 16.33pts) conseguiram alcançar o nível 4. Uma figura de elevação (1.90pts) e um twizzle (1.40pts) foram os elementos escolhidos como coreográficos e foram realizados no fim do esquema. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 7.93 nas transições, 8.36 na performance, 8.21 na composição e 8.29 na interpretação da música/timing.


Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin prometeram muito na sua primeira temporada juntos e pareciam que estavam cheios de fogo para provar a sua qualidade. No entanto, as coisas parece que estagnaram. Depois da mudança para o grupo liderado pelo treinador Igor Shpilband esperava-se muito deste par. Talvez seja necessário ter paciência e ver a sua evolução no decorrer da temporada mas pelo que foi visto nesta prova eles ainda estão muitos furos abaixo de Bobrova & Soloviev e também de Stepanova & Bukin (que esta época já venceram o Troféu Finlândia). Relembro que a Rússia apenas tem dois lugares disponíveis na selecção nacional para os próximos mundiais. Portanto, Ilinykh e Zhiganshin vão ter de lutar.


Na dança curta, Ilinykh & Zhiganshin obtiveram uma pontuação de 66.60pts. A sequência parcial de passos (7.33pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (7.17pts) foram apenas de nível 2. Os passos obrigatórios (5.86pts), os twizzles (7.46pts) e a figura de elevação (5.70pts) alcançaram o nível 4. O painel de juízes foi muito coerente na atribuição de notas a este par no que diz respeito aos segmentos dos componentes. As suas médias foram as seguintes: 8.25 na perícia, 7.96 nas transições, 8.43 na performance, 8.32 na composição e 8.39 na interpretação da música/timing. Este par foi quarto classificado na dança curta.


Na dança livre, a pontuação obtida por Ilinykh & Zhiganshin foi de 98.56pts. Em termos de plano de inclusão de elementos no programa, gostei de ver que eles encaixaram verdadeiramente os elementos coreográficos na coreografia sem deixar os dois apenas para o fim como fez a maioria dos outros pares. Em termos de sequências de passos, a primeira foi de nível 3 e recebeu 9.14pts. A segunda sequência de passos foi de nível 2 e ficou com 6.54pts. As figuras de elevação (15.98pts), os twizzles (7.63pts) e o peão (6.03pts) alcançaram o nível 4. O twizzle coreográfico foi o quinto elemento do esquema e recebeu 1.60pts. A figura de elevação coreográfica foi o nono elemento e ficou com 1.80pts. Todos os elementos receberam grau de execução positivo mas não em valores tão altos como os pares acima referidos. Talvez quando o seu estado de forma esteja melhor a qualidade de programa e da coreografia possam ser realçados. Em sede de segmentos dos componentes as suas médias foram as seguintes: 8.36 na perícia, 8.00 nas transições, 8.39 na performance, 8.39 na performance e 8.39 na interpretação da música/timing.


O meu destaque final vai para o par coreano Min & Gamelin pois utilizaram música na sua dança livre que foi cantada pela portuguesa Dulce Pontes.




Vídeos


Shibutani & Shibutani
Dança curta


Dança livre




Hubbell & Donohue
Dança curta




Dança livre




Bobrova & Soloviev
Dança curta


Dança livre




Guignard & Fabbri
Dança curta


Dança livre




Ilinykh & Zhiganshin
Dança curta


Dança livre




Tobias & Tkachenko
Dança curta


Dança livre




Pogrebinsky & Benoit
Dança curta


Dança livre




Muramoto & Reed
Dança curta


Dança livre



Agafonova & Ucar
Dança curta


Dança livre




Min & Gamelin
Dança curta


Dança livre





Resultado final




GP Skate America 2016 - Pares

GP Skate America 2016



Em Chicago (Estados Unidos)


Nos dias 21 e 22 de Outubro de 2016






Análise


A categoria de pares foi mais interessante do que inicialmente se esperava. O par canadiano composto por Julianne Séguin e Charlie Bilodeau foi o grande vencedor com duas prestações sólidas. Este par tem feito uma excelente transição do escalão júnior para o sénior e já uma certeza. A federação canadiana pode estar contente com os resultados obtidos por estes dois jovens patinadores.

Séguin & Bilodeau ficaram na terceira posição no programa curto com uma pontuação de 66.49pts. O programa começou de forma um pouco tremida com um triplo twist (6.95pts) de nível 4 que dividiu o painel de júri pois houve dois juízes que aplicaram +2 na escala do grau de execução do elemento enquanto um juiz marcou -2 e outros dois optaram por -1. Como salto isolado era suposto terem apresentado um triplo loop como segundo elemento do esquema. No entanto, o salto apenas foi cotado como duplo devido a um erro cometido por Bilodeau e só recebeu 0.90pts visto que houve lugar a punição por grau de execução negativo. Daí para a frente as coisas estabilizaram e correram melhor. O triplo lutz lançado recebeu 6.43pts. O peão (3.75pts), a figura de elevação (8.43pts), a espiral da morte (4.32pts) e a sequência de passos (5.18pts) conseguiram cumprir os critérios necessários para a classificação de nível 4. Olhando para a escala do grau de execução de cada um dos elementos, verifiquei que houve um juiz que lhes marcou 0 em três elementos e considerou os outros quatro elementos deviam ser penalizados em sede de execução. Essa não foi a posição da maioria dos juízes. No que diz respeito aos segmentos que fazem parte da nota dos componentes, as médias obtidas por este par foram de 7.71 na perícia, 7.38 nas transições, 7.50 na performance, 7.75 na composição e 7.83 na interpretação da música.

No programa livre, Séguin e Bilodeau impuseram-se à concorrência e também beneficiaram dos erros cometidos pelo par russo Tarasova & Morozov. Séguin & Bilodeau venceram o programa livre com uma nota de 130.82pts, sendo que todos os elementos beneficiaram de grau de execução positivo, com excepção do twist que ficou com grau 0. Aliás, o triplo twist foi precisamente o primeiro elemento do esquema, tendo alcançado o nível 4 e recebido o valor base de 6.60pts. O saltos lado-a-lado que eles apresentaram foram a combinação de triplo toe loop-duplo toe loop (6.50pts) e o triplo salchow (5.40pts). Os saltos lançados foram efectuados na segunda metade do programa e foram o triplo lutz (5.70pts) e o triplo loop (5.60pts). Os dois peões foram classificados com o nível 4 e totalizaram 8.88pts. A sequência coreográfica pontuou 3.20pts. A espiral da morte recebeu 4.80pts e também foi de nível 4. No que toca a figuras de elevação, a primeira foi do grupo 3 de dificuldade e foi de nível 4 (5.29pts). A segunda figura de elevação foi do grupo 5 de dificuldade e foi de nível 3 (6.79pts). A terceira figura de elevação também foi do grupo 5 de dificuldade e foi classificada com o nível 3 (7.80pts). Nos segmentos dos componentes do programa, as médias deste par fixaram-se em 7.96 em perícia, 7.71 nas transições, 8.21 na performance, 8.14 na composição e 8.14 na interpretação da música.

O par Haven Denney  & Brandon Frazier (Estados Unidos) teve de passar por uma longa ausência da competição devido a uma sucessão de lesões. A lesão mais grave foi a que afectou Denney num joelho. Ela ainda tem de usar uma protecção como precaução tal como foi visível nesta prova. Ainda bem que eles conseguiram voltar pois fizeram uma boa carreira no escalão júnior, onde chegaram a conquistar o título mundial.

Denney & Frazier ficaram em segundo lugar no programa curto com uma nota de 67.29pts. O único elemento punido com grau de execução negativo foi o triplo salchow lado-a-lado (3.00pts). O triplo twist (7.02pts) e a espiral da morte (3.67pts) foram classificados com o nível 3. O peão (4.25pts), a sequência de passos (4.60pts) e a figura de elevação (8.55pts) preencheram os critérios para poderem ser considerados de nível 4. Eles também apresentaram um triplo loop lançado (6.40pts). As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 7.50 na perícia, 7.25 nas transições, 7.50 na performance, 7.46 na composição e 7.54 na interpretação da música.

O programa livre de Denney & Frazier obteve uma nota de 125.36pts que lhes permitiu ficar em segundo lugar nesta fase da competição. O programa teve bons momentos e resultou bem em termos artísticos. A única coisa que correu mal foram os saltos lado-a-lado: tanto a combinação de triplo salchow-duplo toe loop (3.30pts) como o elemento que era suposto ser um duplo axel mas que foi cotado como axel simples (0.70pts) acabaram por ser punidos com grau de execução negativo. Em termos de saltos lançados, este par apresentou um triplo loop (6.10pts) e um triplo salchow (5.10pts). A espiral da morte foi de nível 2 e ficou com 3.70pts. Os dois peões foram classificados com o nível 4 e receberam um total de 9.36pts. O triplo twist efectuado chegou para o nível 3 e obteve 7.00pts. A sequência coreográfica recebeu 3.10pts. As três figuras de elevação conseguiram preencher os critérios exigidos para aplicação do nível 4 e conquistaram a respeitável soma de 22.86pts. Quanto aos segmentos dos componentes, o painel de júri não manifestou grandes discrepâncias, tendo as suas médias se fixado em 7.93 na perícia, 7.75 nas transições, 8.11 na performance, 8.11 na composição e 8.18 na interpretação da música. No entanto, depois de rever o programa três vezes fiquei com a ideia de que se eles tivessem a competir noutro país qualquer as suas médias nos componentes teriam ficado todas na casa dos sete e não teriam dado para ultrapassar oito. Mas é de referir que esse pormenor não coloca em causa a sua classificação neste evento.

Os russos Evgenia Tarasova & Vladimir Morozov começaram a sua participação no Skate America 2016 com um excelente programa curto que pontuou 75.24pts. Este programa curto tem uma coreografia que ajuda este par a mostrar uma nova faceta em termos artísticos e isso é demonstrativo da evolução que eles têm feito ao longo destas temporadas. Os elementos técnicos tiveram boa qualidade e beneficiaram todos de grau de execução positivo. O triplo twist de nível 4 foi o melhor da competição e obteve 8.47pts. O triplo toe loop lado-a-lado conquistou 4.88pts. O triplo loop lançado obteve 6.40pts. A espiral da morte foi de nível 3 e recebeu 4.60pts. A figura de elevação (7.97pts), a sequência de passos (5.30pts) e o peão (3.92pts) foram de nível 4. Na segunda nota, as suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.42 na perícia, 8.25 nas transições, 8.58 na performance, 8.38 na composição e 8.50 na interpretação da música.

Se o programa curto foi bastante bom, o mesmo não se pode dizer do programa livre. Tarasova & Morozov foram quintos classificados no livre com uma pontuação de 110.70pts. O esquema começou com um erro que acabou por arruinar a impressão geral do programa. Eles tentaram efectuar um quádruplo twist como elemento inicial. O timing entre eles falhou na recepção do twist e a patinadora acabou por cair logo a seguir. Claro que por causa da queda lhes foi aplicada uma dedução automática de um ponto e o elemento foi punido com grau de execução negativo, ficando com 5.00pts. O problema é que Tarasova pareceu ter ficado nervosa com esse erro e talvez também afectada pela sensação de vertigem. O twist é um elemento extremamente exigente e, no caso das patinadoras, pode causar uma sensação de vertigem aquando da descida do voo. Quem já sofreu de vertigens sabe que não é uma coisa muito agradável e pode mesmo deixar-nos com um embrulho no estômago. Ela ficou abalada e foram vários os pequenos erros que se acumularam nos elementos seguintes. O triplo salchow lado-a-lado que estava planeado acabou por apenas poder ser cotado como salchow simples que ainda por cima foi punido com grau de execução negativo, tendo ficado com 0.13pts. A combinação de saltos lado-a-lado também não foi boa. Eles acabaram por realizar um duplo toe loop-duplo toe loop-toe loop simples (2.57pts) que também foi penalizado com grau de execução negativo. Nos saltos lançados, este par apresentou um triplo salchow (4.80pts) e um triplo loop (5.80pts). A espiral da morte (3.50pts) não foi perfeita e  apenas chegou para o nível 1. O peão em paralelo (4.21pts) foi de nível 4 mas o peão de par (4.43pts) foi de nível 3. A primeira figura de elevação tal como a segunda foram classificadas com o nível 4. A terceira figura de elevação foi de nível 3. Nas figuras de elevação, eles conquistaram 16.90pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 2.50pts. As médias nos segmentos dos componentes foram de 8.04 na perícia, 7.61 nas transições, 7.61 na performance, 7.79 na composição e 7.61 na interpretação da música.

A competição de pares ficou marcada pela consistência de Séguin & Bilodeau e pelo regresso de Denney & Frazier. Tarasova & Morozov desperdiçaram toda a vantagem que traziam do programa curto e este resultado pode colocar em causa as suas aspirações à qualificação para a final do grande prémio. Os franceses James & Ciprés tinham uma boa oportunidade de aspirar a uma medalha neste evento mas acabaram bem longe do pódio. Quem também deve ponderar bem o que fazer no futuro são os pares Kayne & O’Shea e Castelli & Tran pois a luta interna por um lugar na selecção nacional dos Estados Unidos não lhes está a correr de feição. Denney & Frazier tiveram muito tempo fora da competição e não se sabia o que esperar deles mas depois do Skate America eles estão na linha da frente desta disciplina nos Estados Unidos. Não nos podemos esquecer dos seus compatriotas Scimeca & Knierim (que não estiveram neste evento) que são o par n.º 1 dos Estados Unidos até agora. Isto deixa Castelli & Tran numa posição algo frágil. Tanto Marissa Castelli como Mervin Tran já provaram serem excelentes atletas e tiveram bons resultados nas suas anteriores parcerias. No entanto, parece que estão a ter alguma dificuldade em impor-se na equipa dos Estados Unidos e esta prestação no Skate America não ajudou a melhorar a sua posição...
 



Vídeos

Séguin & Bilodeau
Programa curto

Programa livre


Denney & Frazier
Programa curto

Programa livre


Tarasova & Morozov
Programa curto

Programa livre


James & Ciprés
Programa curto

Programa livre


Astakhova & Rogonov
Programa curto

Programa livre


Kayne & O'Shea
Programa curto

Programa livre


Castelli & Tran
Programa curto

Programa livre


Marchei & Hotarek
Programa curto

Programa livre




Resultado final


domingo, 23 de outubro de 2016

GP Skate America 2016 - Senhoras

GP Troféu Skate America 2016


Em Chicago (Estados Unidos)

Nos dias 21 e 22 de Outubro de 2016




Análise




Ashley Wagner, vice-campeã mundial 2016, era uma das principais favoritas à conquista de uma medalha neste primeiro grande prémio da temporada 2016/2017. Wagner não deixou os seus créditos em mãos alheias e arrecadou a medalha de ouro. O troféu Skate America é encarado como sendo super importante para as patinadoras estado-unidenses visto que a categoria de senhoras é a que mais atenções atrai nos Estados Unidos. É uma prova que tem destaque na imprensa nacional e que pode chamar a atenção do público e de patrocinadores. Também é uma prova em que se começam a marcar posições para os campeonatos nacionais e por isso é importante conseguir um bom resultado para ganhar algum favoritismo e confiança do ponto de vista psicológico. No actual panorama da patinagem feminina dos Estados Unidos fala-se da rivalidade entre Ashley Wagner e Gracie Gold. Neste grande prémio Ashley Wagner já leva um bom avanço face à sua rival.


Ashley Wagner conquistou o público no programa curto ao patinar ao som de um arranjo da popular música “Sweet Dreams (Are made of these)” de Annie Lennox. A música e a coreografia assentam-lhe que nem uma luva ao seu estilo. E se há coisa que Ashley sabe fazer é apresentar bem uma coreografia. O programa recebeu uma excelente nota de 69.50pts. Os peões conseguiram um total de 10.50pts e foram todos classificados com o nível 3. A sequência de passos obteve 4.51pts e também foi de nível 3. Em termos de saltos, a combinação de triplo flip-triplo toe loop foi o elemento inicial do programa e ficou com o valor base de 8.30pts. A maior parte dos juízes foi condescendente com ela neste elemento pois o triplo toe loop foi claramente incompleto, ou seja, faltou um pouco para que a terceira rotação fosse efectivamente completa. No entanto, apenas dois juízes aplicaram -1 na escala do grau de execução. O triplo loop (6.91pts) e o duplo axel (4.56pts) foram realizados na segunda metade do esquema para beneficiar de pontuação bónus no valor base. As suas médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram muito boas: 8.68 na perícia, 8.32 nas transições, 8.82 na performance, 8.71 na composição e 8.86 na interpretação da música.


Ashley Wagner foi segunda no programa livre com uma pontuação de 126.94pts. Mais uma vez Ashley conseguiu cativar o público com uma boa interpretação. No entanto, em termos técnicos ocorreram algumas falhas em elementos de saltos. Na combinação de triplo flip-triplo toe loop (7.90pts), a terceira rotação do toe loop não foi de facto completada e, ao contrário do que aconteceu no curto, o elemento foi punido com grau de execução negativo. No triplo flip isolado também faltou rotação pelo que os juízes tiveram de aplicar grau de execução negativo. Esse elemento ficou com 3.97pts. A combinação de triplo loop-toe loop simples (5.05pts) perdeu pontos devido a uma recepção um pouco deficiente no primeiro salto e à segunda parte da combinação não ter sido feita de acordo com o planeado e essa alteração ter sido bem perceptível. Essa combinação foi punida com grau de execução negativo. A combinação de triplo lutz-duplo toe loop (5.15pts) também foi penalizada pois a definição de entrada do lutz foi claramente incorrecta. Os saltos que receberam grau de execução positivo foram os dois duplo axel isolados (4.23pts e 4.01pts respectivamente) e o triplo loop (6.81pts). Na sequência de passos de nível 3 ela conseguiu amealhar 4.66pts. Sinceramente achei que em comparação com a de Mao Asada, a da japonesa foi claramente melhor mas ficou exactamente com os mesmos pontos… A sequência coreográfica rendeu-lhe3.60pts. Nos peões ela conseguiu 11.50pts, sendo que os primeiro foi de nível 4 e os outros foram de nível 3. No que diz respeito aos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.71 na perícia, 8.43 nas transições, 8.79 na performance, 8.82 na composição e 9.04 na interpretação da música. Apesar das falhas nos saltos, Ashley tem uma capacidade enorme em disfarçar erros. Além disso, como ela tem uma presença forte em pista e exibe auto confiança por todos os poros, é fácil ter a tendência de nos concentrarmos no lado artístico e descurarmos os erros. Mesmo assim penso que Ashley foi uma justa vencedora nesta prova.


Mariah Bell foi a grande surpresa desta competição ao conseguir alcançar a medalha de prata. Ela foi sexta no programa curto com 60.92pts mas não se deixou abater e venceu o programa livre com uma nota de 130.67pts.


O programa curto de Mariah Bell teve dois elementos punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (8.20pts) e o triplo flip (5.63pts). O principal problema da combinação foi que no triplo toe loop a terceira rotação não foi de facto completada pela patinadora. O duplo axel recebeu 3.92pts. Tanto o flip como o axel foram efectuados na segunda metade do esquema. O peão layback (3.70pts) foi de nível 4, o peão flying sit (3.03pts) foi de nível 3 e o peão de combinação (2.93pts) foi de nível 3. A sequência de passos obteve 3.60pts e foi classificada com o nível 2. Nos segmentos dos componentes, as médias alcançadas por Mariah Bell foram de 7.25 na perícia, 7.32 nas transições, 7.64 na performance, 7.50 na composição e 7.68 na interpretação da música.


No programa livre, Bell apenas teve um elemento punido com grau de execução negativo: foi a combinação de triplo flip-loop simples-duplo salchow (7.50pts). A definição de entrada no triplo lutz isolado não foi limpa mas apenas dois juízes marcaram -1 pelo que o elemento acabou por conseguir grau de execução positivo e pontuar 6.70pts. Os outros saltos realizados foram a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts), triplo loop (5.70pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.10pts), duplo axel isolado (4.34pts) e triplo flip (6.93pts). A sequência de passos cumpriu os critérios exigidos para o nível 3 e pontuou 4.09pts. Na sequência coreográfica, ela obteve 3.20pts. Em termos de peões, os três totalizaram 11.26pts, sendo que o primeiro foi de nível 4, o segundo foi de nível 3 e o último foi de nível 2. As médias obtidas nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram de 7.93 na perícia, 7.75 nas transições, 8.32 na performance, 8.07 na composição e 8.21 na interpretação da música.


A japonesa Mai Mihara pode ficar contente com o seu resultado no Skate America. A jovem japonesa conquistou a medalha de bronze logo na sua estreia no circuito do grande prémio sénior.


Mihara foi segunda classificada no programa curto com uma nota de 65.75pts. Eu fiquei impressionada com a sua prestação principalmente porque o salto isolado foi o último elemento do programa. Começa a ser hábito para muitas patinadoras colocar o salto isolado na segunda metade do esquema para obter um bónus no valor base mas deixá-lo mesmo para último elemento é uma raridade. Parabéns a Mai Mihara por ter arriscado. Ela começou por realizar uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts), a que se seguiram o peão flying sit (3.93pts) e o peão de combinação (4.07pts) ambos de nível 4. Na segunda parte do esquema ela realizou o duplo axel (4.42pts), o peão layback (3.27pts) de nível 4, a sequência de passos (3.80pts) de nível 3 e o triplo flip (4.83pts). O triplo flip foi o único elemento punido com grau de execução negativo. Nos segmentos dos componentes houve um juiz que não se mostrou impressionado mas esteve isolado no painel. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas: 7.71 na perícia, 7.18 nas transições, 7.61 na performance, 7.54 na composição e 7.50 na interpretação da música.


Mai Mihara foi terceira no programa livre com uma nota de 123.53pts. Tecnicamente a japonesa foi superior a Ashley Wagner mas a nota dos componentes fez toda a diferença. Houve apenas um elemento punido com grau de execução negativo: a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (6.33pts) da segunda metade do esquema. É que a última rotação do toe loop não foi efectivamente realizada. Curiosamente, Mihara jogou com as regras e colocou duas combinações de triplo lutz-triplo toe loop. É uma situação legal mas com esta combinação de saltos é a primeira vez que vejo. Foi uma decisão interessante da equipa técnica dela pois é um elemento muito valioso. A primeira combinação de triplo lutz-triplo toe loop no programa livre correu bem e rendeu-lhe 11.60pts. Os restantes saltos apresentados no livre foram o triplo flip (6.30pts), o duplo axel (3.87pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.49pts), triplo loop (6.61pts) e duplo salchow (1.46pts). Estava previsto que Mihara executasse um triplo salchow em vez de duplo mas eu penso que lhe estavam a faltar um pouco as forças visto que esse foi o último salto do esquema. Mihara ainda está a adaptar-se ao escalão sénior e nos juniores os programas livres exigem menos elementos do que aqui. Os peões conquistaram 12.07pts e conseguiram todos o nível 4. A sequência de passos foi classificada com o nível 3 e obteve 4.01pts. A sequência coreográfica pontuou 3.10pts. As médias obtidas nos segmentos dos componentes foram de 7.96 na perícia, 7.57 nas transições, 8.00 na performance, 7.86 na composição e 7.79 na interpretação da música.


É sempre um gosto ver Mao Asada patinar. A sua leveza, qualidade base de patinagem, capacidade de interpretação da música são maravilhosas mas neste evento ela só conseguiu o sexto lugar, tendo ficado com uma pontuação total que a deixou bem longe do pódio.


Mao Asada conseguiu uma pontuação de 64.47pts no programa curto. O primeiro elemento foi um duplo axel (4.23pts) logo seguido da combinação de triplo flip-duplo loop (4.90pts). A combinação foi penalizada em sede de grau de execução pois o a terceira rotação do flip não foi completada. Faltou-lhe cerca de ¼ de volta. O terceiro elemento foi o peão flying spin (3.77pts) que cumpriu os critérios necessários para o nível 4. Depois foi a vez do triplo loop (5.81pts) já na segunda metade do programa. Seguiram-se o peão layback (3.41pts) e o peão de combinação (4.50pts) ambos de nível 4. O programa terminou com a sequência de passos de nível 3 que recebeu 4.37pts. Do que vi nesta prova pareceu-me que a sequência de passos foi mais do que suficiente para o nível 4 e isso teria aumentado o valor base do elemento. No entanto o controlador técnico achou que a dita sequência só chegou para o nível 3. Nos segmentos dos componentes ela ficou com médias de 8.43 na perícia, 8.11 nas transições, 8.39 na performance, 8.43 na composição e 8.50 na interpretação. Apesar das boas médias, houve um juiz que entendeu que o programa só merecia 7.75 na composição e 7.75 na interpretação. 7.75 para o que é uma das melhores coreografias vistas nesta temporada até agora e tendo em conta o que ela apresentou nesta prova parece-me severo.


Mao Asada foi sexta classificada no programa livre com uma nota de 112.31pts. Três dos elementos de salto foram punidos com grau de execução negativo: o triplo lutz (3.60pts), o axel simples (0.81pts) e o triplo salchow (1.31pts). No axel simples era suposto que ela tivesse tentado uma combinação de duplo axel-duplo toe loop ou de duplo axel-triplo toe loop. Pareceu-me que ela não conseguiu entrar bem no axel pois tinha o eixo de rotação desalinhado e por isso não foi capaz de reunir o impulso suficiente para a rotação no ar. Para evitar uma queda ela teve de abortar o salto. Pareceu-me também que pode ter havido algum lapso de concentração em consequência disso pois o erro no triplo salchow ocorreu logo de seguida. Ela tinha planeado fazer um triplo flip como elemento seguinte ao triplo salchow mas acabou apenas por efectuar um duplo flip que ficou com o valor base de 2.09pts. Os saltos que beneficiaram de grau de execução positivo foram o duplo axel (4.23pts), a combinação de triplo flip-duplo loop (7.90pts) e triplo loop (6.21pts). Nos peões ela conseguiu amealhar 11.84pts, sendo que todos alcançaram o nível 4. A sequência de passos obteve 4.66pts e foi de nível 3. Mais uma vez discordo da atribuição do nível. A mim pareceu-me que os critérios para o nível 4 foram todos preenchidos. A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.70pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 8.36 na perícia, 7.93 nas transições, 8.14 na performance, 8.43 na composição e 8.36 na interpretação da música.


Gracie Gold ficou desalentada com o seu resultado nesta competição. Ela queria lutar por um lugar no pódio e acabou por ficar sem medalha. O seu quinto lugar no Skate America compromete as suas aspirações de se qualificar para a grande final que se vai realizar em Dezembro. Além disso, este resultado foi também um rude golpe na sua reputação pois as atenções da imprensa americana que esteve a cobrir o evento estavam muito focadas nela. A queda no triplo flip no programa curto e mais duas quedas no programa livre para além de outros pequenos erros acumulados não deixaram boa impressão a muita gente. É claro que todos nós sabemos que ela tem muitas capacidades e talento natural mas acho que é cedo demais para riscá-la da lista de favoritas. Estamos numa fase em que as patinadoras ainda não estão no seu pico de forma e até aos campeonatos nacionais ainda muita coisa pode acontecer. O que mais me surpreendeu foi a atitude cabisbaixa que ela demonstrou no decorrer da competição e a maneira como demonstrou isso quando falou com a imprensa. Enfim… todos nós podemos ter dias maus. O que importa é reagir.








Vídeos

Ashley Wagner
Programa curto

Programa livre


Mariah Bell
Programa curto

Programa livre


Mai Mihara
Programa curto

Programa livre


Gabrielle Daleman
Programa curto

Programa livre


Gracie Gold
Programa curto

Programa livre


Mao Asada
Programa curto

Programa livre







Resultado final



sábado, 22 de outubro de 2016

Challenger Series 2016/2017 - Troféu Finlândia

Troféu Finlândia 2016


Challenger Series - Etapa 6

Entre os dias 6 e 9 de Outubro

Em Espoo (Finlândia)








Categoria de Senhoras







A disciplina de senhoras foi a que mais expectativa gerou nesta competição. A presença de Mao Asada, Elizaveta Tuktamysheve e Anna Pogorilaya fazia adivinhar uma competição intensa com qualquer uma delas a ser candidata à medalha de ouro. No entanto, quem levou a melhor sobre toda a concorrência foi a canadiana Kaetlyn Osmond.


Kaetlyn Osmond passou por um mau bocado depois de uma lesão grave. Na temporada passada ela trabalhou para poder regressar à competição e finalmente parece que está a voltar à sua melhor forma. A sua vitória aconteceu por uma margem curta mas, tendo em conta a concorrência que ela deixou para trás, foi uma vitória valiosa.

O programa curto de Kaetlyn obteve uma nota de 64.73pts. O primeiro elemento do esquema foi a combinação de triplo flip-duplo toe loop (7.30pts), a que se seguiu um triplo lutz (6.93pts). Depois foi a vez de um peão flying camel que alcançou o nível 4 e recebeu 3.63pts. Já na segunda metade do esquema, Kaetlyn efectuou um duplo axel (4.46pts). Seguiram-se o peão layback (3.53pts), a sequência de passos (5.18pts) e o peão de combinação (4.33pts) que preencheram os critérios do nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 7.21 na perícia, 6.96 nas transições, 7.67 na performance, 7.38 na composição e 7.50 na interpretação da música. Esta prestação permitiu-lhe ser terceira no programa curto.

Kaetlyn venceu a fase do programa livre com uma pontuação de 122.54pts. O programa livre não foi limpo pois três elementos de saltos foram punidos com grau de execução negativo. A combinação de triplo flip-triplo toe loop perdeu 1.17 do valor base de 9.60pts, a combinação de triplo salchow-toe loop simples-duplo loop ficou sem 1.75 do valor base de 6.82pts e o duplo axel que foi penalizado em 1.00 no valor base de 3.63pts. Os outros saltos realizados foram a combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.27pts), triplo lutz (7.17pts), triplo loop (5.61pts) e triplo flip (6.88pts). O triplo loop ficou meramente com o valor base. Os peões foram todos de nível 4 e totalizaram 12.28pts. A sequência coreográfica pontuou 3.28pts e a sequência de passos de nível 3 recebeu 3.97pts. Nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota, as suas médias foram as seguintes: 7.67 na perícia, 7.54 nas transições, 7.67 na performance, 7.96 na composição e 7.88 na interpretação da música.

Mao Asada maravilhou a assistência com a sua elegância e capacidade interpretativa. Asada ficou com a medalha de prata depois de ter sido segunda classificada tanto no programa curto como no livre.

O programa curto de Mao recebeu 64.87pts. Havia alguma expectativa de saber se Mao iria arriscar o triplo axel como já fez noutras competições mas desta vez ela não arriscou. A patinadora japonesa começou o curto com um duplo axel (3.97pts) seguido de uma combinação de triplo flip-duplo loop (7.80pts). O peão flying camel foi o terceiro elemento do esquema e atingiu o nível 4, tendo obtido 3.53pts. Na segunda parte do programa, Mao realizou um triplo loop como salto isolado que foi punido com grau de execução negativo, perdendo 0.70 do valor base de 5.61pts. Depois foi a vez do peão layback (3.37pts) e do peão de combinação (4.50pts) que preencheram os critérios do nível 4. O programa terminou com a sequência de passos de nível 3 que pontuou 4.47pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.08 na perícia, 7.79 nas transições, 8.04 na performance, 8.17 na composição e 8.33 na interpretação da música. Houve um juiz que marcou todos os segmentos com notas na casa de seis, atribuindo-lhe 6.75 na perícia, 6.50 nas transições, 6.75 na performance, 6.50 na composição e 6.75 na interpretação da música. É verdade que este juiz optou por um critério muito apertado na atribuição das notas a todas as patinadoras mas mesmo assim não deixou de gerar alguma estranheza ver uma patinadora com a qualidade base de patinagem de Asada apenas receber 6.75 na perícia. Além disso também achei que a nota na composição e interpretação da música foram baixas…

No programa livre a sua nota foi de 121.29pts. Durante todo o esquema houve apenas um elemento punido com grau de execução negativo: o triplo lutz perdeu 0.23 do valor base de 6.00pts pois a definição de entrada do salto não foi feita de forma clara. Houve ainda um outro erro que ocorreu no flip isolado visto que estava previsto um triplo mas a patinadora apenas realizou um duplo. Esse duplo flip ficou com o valor base de 2.09pts. Os restantes saltos foram o duplo axel (4.05pts), combinação de triplo flip-duplo loop (7.80pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.56pts), triplo salchow (5.42pts) e triplo loop (6.31pts). Não me admirava nada que a combinação de duplo axel-duplo toe loop venha a ser transformada em duplo-triplo nas competições mais importantes. A escolha por este plano de saltos pode ter sido estratégica para ganhar ritmo competitivo. O peão flying camel (3.30pts) e o peão layback (2.98pts) foram classificados com o nível 3. O peão de combinação (4.42pts) atingiu o nível 4. A sequência de passos de nível 3 pontuou 4.63pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe mais 3.75pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.08 na perícia, 7.63 nas transições, 8.33 na performance, 8.21 na composição e 8.50 na interpretação da música. Não posso deixar de mencionar que houve um juiz que apenas lhe atribuiu 5.75 no segmento de transições em claro contraste com o restante painel.

A russa Anna Pogorilaya ficou com a medalha de bronze depois de ter sido primeira no programa curto e terceira no livre.

O programa curto de Anna ficou com uma excelente nota de 69.50pts. O esquema foi iniciado com a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (10.07pts) a que se seguiram o peão de combinação (4.33pts) e o peão flying camel (4.12pts) ambos de nível 4. Na segunda parte do programa foi a vez de um triplo loop (5.96pts) e do duplo axel (3.88pts). A sequência de passos (5.53pts) e o peão layback (3.70pts) também preencheram os critérios exigidos para o nível 4. Nos segmentos dos componentes, ela ficou com médias de 8.00 na perícia, 7.67 nas transições, 8.13 na performance, 7.96 na composição e 8.13 na interpretação da música.

O programa livre foi pautado por diversos erros técnicos e ficou com uma nota de 113.30pts. Todos os elementos de saltos foram punidos com grau de execução negativo. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (8.30pts) foi afectada pelo facto da terceira rotação do toe loop não ter sido efectivamente completa. O triplo flip (1.83pts) correu mal logo desde o início pois a definição de entrada foi claramente incorrecta. O duplo axel perdeu 0.50 do valor base de 3.30pts. O triplo lutz isolado ficou sem 0.70 do valor base de 6.60pts e a combinação de triplo loop-duplo toe loop foi penalizada em 0.12 do valor base de 7.04pts. A combinação de triplo loop-loop simples-triplo salchow (8.64pts) perdeu pontos porque o loop simples não foi completo e a terceira rotação do salchow não foi efectivamente realizada. O último salto foi um axel simples que perdeu 0.13 do valor base de 1.21pts. Os peões foram todos de nível 3, tendo ficado com um total de 9.85pts. A sequência de passos foi de nível 3 e rendeu-lhe 4.30pts enquanto a sequência coreográfica recebeu 2.93pts. As suas médias nos componentes fixaram-se em 7.88 na perícia, 7.29 nas transições, 7.46 na performance, 7.67 na composição e 7.67 na interpretação da música.

A campeã mundial de 2015 está a deixar-me intrigada com as suas prestações nesta temporada. Elizaveta Tuktamysheva parece estar bem fisicamente e tem competido. Só que as coisas não lhe estão a correr de feição. A escolha de saltos que ela tem apresentado pode ser estratégica para esta fase da temporada mas a verdade é que do triplo axel nem sinal. Ou ela tem uma carta na manga para apresentar nos próximos eventos ou corre o risco de ficar novamente de fora da selecção russa para os europeus e mundiais.

Elizaveta conseguiu uma nota de 62.99 no programa curto. O elemento inicial foi a combinação de triplo toe loop-triplo toe loop (9.53pts) logo seguido do peão flying sit (3.02pts) e do peão layback (2.90pts) ambos classificados com o nível 3. O quarto elemento já se incluiu na segunda metade do esquema e tratou-se do triplo lutz (6.95pts). A sequência de passos recebeu 3.43pts mas só chegou para cumprir os critérios do nível 2. Seguidamente ela apresentou um duplo axel (4.13pts) e terminou com o peão de combinação (3.50pts) de nível 3. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 7.38 na perícia, 7.00 nas transições, 7.58 na performance, 7.46 na composição e 7.50 na interpretação da música.

O programa livre de Elizaveta obteve uma pontuação de 102.60pts. O primeiro salto do esquema foi o duplo axel (4.05pts). Seguiu-se uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop que foi punida com grau de execução negativo, perdendo 0.35 do valor base de 8.60pts, sendo que a segunda rotação do loop final não foi completada. O triplo flip (2.65pts) também foi punido com grau de execução negativo e a terceira rotação não foi efectivamente realizada. Os restantes saltos ocorreram na segunda metade do programa. A combinação de triplo toe loop-triplo toe loop (5.93pts) foi penalizada com grau de execução negativo e ela voltou a não conseguir efectuar a terceira rotação do segundo toe loop. Além disso, ela caiu nesse elemento. O triplo lutz (2.52pts) padeceu do mesmo problema na última rotação e ela também caiu. As duas quedas fizeram com que lhes fossem aplicadas duas deduções automáticas no total de 2.00pts. Ela ainda executou uma combinação de triplo salchow-duplo toe loop (6.39pts) e um duplo axel (3.71pts). Os peões foram todos de nível 3 e conseguiram um total de 9.25pts. A sequência de passos (3.10pts) apenas serviu para o nível 2 e a sequência coreográfica rendeu-lhe 2.35pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias ficaram-se por 7.00 na perícia, 6.75 nas transições, 6.96 na performance, 7.25 na composição e 7.29 na interpretação da música. Analisando a escala individual de cada juiz, verifiquei que houve um juiz que lhe atribuiu pontuações baixíssimas nos segmentos dos componentes: 4.75 na perícia, 5.00 nas transições, 4.75 na performance, 5.00 na composição e 5.00 na interpretação da música. Isso são notas que seriam más até no actual escalão júnior. O segmento das transições sempre foi o calcanhar de Aquiles dos programas de Tuktamysheva mas 4.75 na perícia parece-me um exagero descabido. No entanto não deixa de ser um alerta para esta patinadora.




Vídeos


Kaetlyn Osmond
Programa curto
https://www.youtube.com/watch?v=00DK_Rib3Ro
Programa livre
https://www.youtube.com/watch?v=fJ-GjcREI0Q


Mao Asada
Programa curto
https://www.youtube.com/watch?v=7p78SUZ_SpQ
Programa livre
https://www.youtube.com/watch?v=3u3kQLC6vO0


Anna Pogorilaya
Programa curto
https://www.youtube.com/watch?v=nNiUxaK0GXQ&spfreload=10
Programa livre
https://www.youtube.com/watch?v=49K0FDxq5yo


Elizaveta Tuktamysheva
Programa curto
https://www.youtube.com/watch?v=pAIDXj_2jg0
Programa livre
https://www.youtube.com/watch?v=jVCjcK9FfO4


Resultado final




1.º
Kaetlyn Osmond
Canadá
187.27pts
2.º
Mao Asada
Japão
186.16pts
3.º
Anna Pogorilaya
Rússia
182.80pts
4.º
Elizaveta Tuktamysheva
Rússia
165.59pts
5.º
Nicole Schott
Alemanha
150.00pts
6.º
Courtney Hicks
Estados Unidos
149.80pts
7.º
Loena Hendrickx
Bélgica
148.16pts
8.º
Serafima Sakhanovich
Rússia
143.37pts
9.º
Joshi Helgesson
Suécia
142.30pts
10.º
Viveca Lindfors
Finlândia
137.10pts
11.º
Danielle Harrison
Grã-Bretanha
125.89pts
12.º
Emmi Peltonen
Finlândia
124.17pts
13.º
Karly Robertson
Grã-Bretanha
120.54pts
14.º
Liubov Efimenko
Finlândia
119.42pts
15.º
Helery Halvin
Estónia
116.39pts
16.º
Aimee Buchanan
Israel
110.41pts
17.º
Dasa Grm
Eslovénia
105.00pts
18.º
Yasmine Kimiko Yamada
Suíça
98.09pts
19.º
Ilaria Nogaro
Itália
90.87pts




Categoria de Pares




Os campeões mundiais Meagan Duhamel & Eric Radford foram os grandes cabeça-de-cartaz desta competição e confirmaram o favoritismo ao vencer a medalha de ouro com mais de 28 pontos de vantagem sobre os segundos classificados. Duhamel & Radford lideraram tanto o programa curto como o livre e aproveitaram para testar algumas alterações nos seus programas, em comparação com a temporada passada. O programa curto recebeu a nota de 66.49pts e não correu tão bem como eles esperavam. Aliás, Meagan chegou a pedir desculpa nas redes sociais devido ao par ter cometido alguns erros. São coisas que acontecem até porque eles ainda estão longe do seu pico de forma. Os erros aconteceram no triplo lutz lado-a-lado e no triplo axel lançado. O lutz foi meramente cotado como simples e isso constitui uma violação das regras pois no programa curto os pares têm de apresentar como salto lado-a-lado um salto com pelo menos duas rotações. Por causa desse erro eles não receberam qualquer ponto nesse elemento. O triplo axel lançado foi afectado por uma queda e como tal foi punido com grau de execução negativo, com -3 em toda a linha. O elemento perdeu 3 pontos do valor base de 7.70pts. Por causa da queda foi também realizada uma dedução automática de um ponto. O triplo twist (7.60pts) e a sequência de passos (3.97pts) foram classificadas com o nível 3. A figura de elevação foi do grupo 5 de dificuldade e alcançou o nível 4, tendo recebido 8.90pts. O peão (4.50pts) e a espiral da morte (4.90pts) também foram classificados com o nível 4. Em termos técnicos foi bom vê-los arriscar um triplo axel lançado em competição. Este é um elemento novo para eles e com certeza que devem já ter um bom registo de sucesso nos treinos caso contrário não o arriscariam em competição. Eles costumavam fazer o triplo lutz lançado com consistência. Veremos se eles vão manter esta opção para o resto da temporada. No que diz respeito aos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.38 na perícia, 7.92 nas transições, 8.17 na performance, 8.42 na composição e 8.25 na interpretação da música.

O programa livre recebeu uma pontuação de 131.29pts mas foi minado por vários erros. Quatro elementos técnicos foram punidos com grau de execução negativo: os dois saltos lado-a-lado e os dois saltos lançados. O triplo lutz lado-a-lado perdeu 1.40 do valor base de 6.00pts porque Duhamel desequilibrou-se na recepção do salto. A sequência de triplo toe loop-toe loop-toe loop lado-a-lado não foi de facto completada pelo que só contou o primeiro salto, tendo o elemento perdido 1.75 do valor base de 3.44. O quádruplo salchow lançado perdeu 3.00pts do valor base de 8.20pts devido a queda e o triplo lutz lançado foi penalizado em 0.82 do valor base de 5.50pts. No que diz respeito às figuras de elevação, todas foram classificadas com o nível 4 e permitiram-lhe amealhar 23.30pts. As duas primeiras figuras de elevação foram do grupo 5 de dificuldade. A terceira figura de elevação foi do grupo 3 de dificuldade. O peão em paralelo (4.25pts) e o peão de par (5.25pts) foram ambos de nível 4. O triplo twist (7.48pts) foi de nível 3 e a espiral da morte (5.78pts) foi de nível 4. Na sequência coreográfica eles receberam 3.05pts. Na segunda nota, as suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.42 na perícia, 8.21 nas transições, 8.29 na performance, 8.50 na composição e 8.46 na interpretação da música. Há também que assinalar que a queda sofrida durante o programa fez com que lhes fosse aplicada uma dedução automática de um ponto.




Kristina Astakhova e Alexei Rogonov ficaram com a medalha de prata. Eles foram segundos quer no programa curto como no livre. Astakhova & Rogonov não têm o nível técnico de Duhamel & Radford mas são um par interessante principalmente na parte artística.

O programa curto recebeu uma nota de 57.26pts e foi afectado por dois erros graves. No peão em paralelo eles não obtiveram qualquer ponto pois o elemento foi considerado inválido. Como salto lado-a-lado eles queriam apresentar um triplo loop mas não conseguiram. Rogonov apenas realizou um duplo e Astakhova caíu na recepção do salto. Em resultado, o elemento foi cotado como duplo e foi punido com grau de execução negativo, tendo perdido 0.90 do valor base de 1.80. A queda fez com que fosse aplicada uma dedução automática de um ponto. O triplo flip lançado ficou meramente com o valor base de 5.50pts. O triplo twist foi de nível 1 e pontuou 5.98pts. A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade (7.62pts), a espiral da morte (4.43pts) e a sequência de passos (4.83pts) cumpriram os critérios do nível 4. Nos segmentos dos componentes do programa as suas médias foram de 7.33 na perícia, 7.00 nas transições, 7.17 na performance, 7.42 na composição e 7.33 na performance.
O programa livre obteve uma nota de 111.84pts. Em termos de qualidade de execução dos elementos as coisas podiam ter corrido bem melhor. É que a sua nota técnica de partida foi de 58.10pts mas devido às penalizações ficaram com uma nota técnica final de 56.17pts. Astakhova e Rogonov tiveram cinco elementos punidos com grau de execução negativo. O triplo loop lado-a-lado perdeu 2.10pts do valor base de 5.10pts. Devido a queda na recepção foi-lhes aplicada uma dedução automática de um ponto. A combinação de triplo salchow-duplo toe loop-duplo toe loop lado-a-lado perdeu 0.70 do valor base de 6.60pts devido ao facto do último toe loop ter sido incompleto. O triplo loop lançado perdeu 1.17 do valor base de 5.00pts. Para além destes erros em saltos, Astakhova & Rogonov tiveram algumas falhas nas figuras de elevação. A segunda figura de elevação do grupo 5 de dificuldade foi de nível 2 e perdeu 0.08 do valor base de 5.50pts. A terceira figura de elevação foi do grupo 3 de dificuldade e atingiu o nível 3, tendo perdido 0.42 do valor base de 4.00pts. Já o triplo flip lançado ficou meramente com o valor base de 5.50pts, tal como o peão de par (4.00pts) de nível 3. Os restantes elementos conseguiram grau de execução positivo. O triplo twist foi de nível 1 e pontuou 5.63pts. A primeira figura de elevação foi do grupo 5 de dificuldade e atingiu o nível 4, recebendo 8.43pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 2.70pts. A espiral da morte (4.35pts) foi de nível 3. O peão em paralelo cumpriu os critérios do nível 4 e conseguiu 3.83pts. Eles têm grande margem para melhorar o programa nomeadamente no que diz respeito aos níveis dos elementos e na execução. Fiquei surpreendida por este par ter efectuado alguns erros nas figuras de elevação pois costuma ser um dos seus pontos mais fortes a nível técnico. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 7.00 na perícia, 6.88 nas transições, 6.83 na performance, 7.42 na composição e 7.29 na interpretação da música.
O resto da competição de pares foi um pouco modesta sendo que os alemães Vartmann & Blommaert seguraram a medalha de bronze. Foi interessante ver que o par Cain & Leduc dos Estados Unidos impuseram-se aos seus compatriotas Kayne & O’Shea que são muito mais experientes. Ashley Cain costumava competir na categoria individual e têm-se adaptado bem a esta disciplina com ajuda do seu parceiro Timothy Leduc.


Vídeos

Duhamel & Radford
Programa curto
Programa livre


Astakhova & Rogonov
Programa curto
Programa livre
https://www.youtube.com/watch?v=gK3C9OE65nE
Vartmann & Blommaert
Programa curto
https://www.youtube.com/watch?v=VjcEXMNW30Q
Programa livre
https://www.youtube.com/watch?v=kJMOcwfvNl8

Resultado final


1.º
Meagan Duhamel & Eric Radford
Canadá
197.78pts
2.º
Kristina Astakhova & Alexei Rogonov
Rússia
169.10pts
3.º
Mari Vartmann & Ruben Blommaert
Alemanha
164.91pts
4.º
Ashley Cain & Timothy Leduc
Estados Unidos
158.63pts
5.º
Tarah Kayne & Danny O'Shea
Estados Unidos
158.11pts
6.º
Ekaterina Alexandrovskaya &  Harley Windsor
Austrália
147.02pts
7.º
Minerva Fabienne Hase & Nolan Seegert
Alemanha
127.55pts
8.º
Alexandra Herbrikova & Nicolas Roulet
Suíça
117.36pts
9.º
Ioulia Chtchetinina & Noah Scherer
Suíça
104.32pts










Categoria de dança



A categoria de dança foi ganha pelo par russo Alexandra Stepanova & Ivan Bukin. Eles conseguiram o primeiro lugar tanto na dança curta como na dança livre.
A nota que o par russo alcançou na dança curta foi de 69.63pts. A nota técnica de partida foi de 29.10pts e foi melhorada para 35.78pts graças à acumulação de graus de execução positivos. A figura de elevação (5.70pts) e os twizzles (7.80pts) cumpriram os critérios exigidos para o nível 4. A sequência parcial de passos (8.38pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.30pts) foram de nível 3. Os passos obrigatórios (4.60pts) ficaram-se pelo nível 2. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.46 na perícia, 8.21 nas transições, 8.54 na performance, 8.42 na composição e 8.67 na interpretação da música/timing.
Stepanova & Bukin conseguiram uma nota de 103.20pts na dança livre. A nota técnica de partida foi de 39.30pts e terminou em 51.04pts devido aos graus de execução positivos em todos os elementos técnicos. Os twizzles (7.80pts) e o peão (7.00pts) foram classificados com o nível 4. No que diz respeito às figuras de elevação, as duas primeiras foram de nível 4 e a terceira foi de nível 3, tendo conseguido um total de 15.80pts. A sequência de passos em círculo foi de nível 2 e obteve 7.43pts. A sequência de passos na diagonal foi de nível 3 e recebeu 8.93pts. Como elementos coreográficos eles optaram por um peão (1.98pts) e uma figura de elevação (2.10pts). Estes elementos coreográficos foram respectivamente o quinto e o nono elemento. Nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota, as suas médias foram fixadas em 8.58 na perícia, 8.42 nas transições, 8.75 na performance, 8.83 na composição e 8.88 na interpretação da música/timing. Apesar da qualidade do programa, este par não se livrou de uma advertência relativamente às regras sobre a música. É um ponto que têm de corrigir para as competições futuras.
Os estado-unidenses Hubbell & Donohue foram segundos classificados tanto na dança curta como na livre e foram para casa com a medalha de prata.
Na dança curta a nota de Hubbell & Donohue foi de 65.31pts. A sua nota podia ter sido melhor não tivesse sido o caso de três dos cinco elementos técnicos apenas terem cumprido os critérios exigidos para o nível 2. Isso fez-lhes baixar o valor base desses elementos. Mesmo assim eles tentaram compensar com a soma de graus de execução positivos. Os elementos de nível 2 foram os passos obrigatórios (4.60pts), a sequência parcial de passos (6.88pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (7.80pts). Os twizzles (7.20pts) e a figura de elevação (5.60pts) atingiram o nível 4. Nos segmentos dos componentes do programa, Hubbell & Donohue conseguiram médias de 8.33 na perícia, 8.13 nas transições, 8.42 na performance, 8.29 na composição e 8.38 na interpretação da música/timing.
Na dança livre este par alcançou uma nota de 100.45pts. O peão (6.70pts) e todas as figuras de elevação conseguiram preencher os critérios exigidos para o nível 4. Nas figuras de elevação eles totalizaram 17.40pts. Os twizzles (6.00pts) e a sequência de passos na diagonal (8.20pts) foram de nível 3. A sequência de passos em círculo foi de nível 2 e recebeu 7.25pts. Os elementos coreográficos foram deixados para o final do esquema. Este par optou por apresentar um twizzle (1.75pts) e uma figura de elevação (2.10pts). As suas médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.46 na perícia, 8.29 nas transições, 8.50 na performance, 8.58 na composição e 8.71 na interpretação da música/timing.
Tiffany Zahorski e Jonathan Guerreiro continuam a evoluir favoravelmente. Desta vez conseguiram segurar a medalha de bronze.
Zahorski & Guerreiro obtiveram uma nota de 62.27pts na dança curta. Os passos obrigatórios (4.30pts) e a sequência parcial de passos (6.52pts) ficaram-se pelo nível 2 mas não tiveram um grau de execução tão bom como o do par Hubbell & Donohue. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi classificada com o nível 3 e recebeu 8.38pts. Os twizzles (7.40pts) e a figura de elevação (5.60pts) alcançaram o nível 4. Na parte dos segmentos dos componentes houve dois juízes que, em vários segmentos, lhes marcaram notas inferiores às atribuídas pelo restante painel. Mesmo assim as suas médias não foram nada más com 7.50 na perícia, 7.21 nas transições, 7.63 na performance, 7.58 na composição e 7.67 na interpretação da música/timing.
A dança livre de Zahorski & Guerreiro recebeu 90.73pts. Desta vez as discrepâncias nas notas marcadas nos segmentos dos componentes não foram tão vincadas como na dança curta mas aconteceram na atribuição dos graus de execução. No peão coreográfico, por exemplo, houve um juiz que lhes atribuiu -1 no grau de execução em contraste com os dois juízes que aplicaram +1 e com os três juízes que marcaram +2. Na figura de elevação em curva, dois juízes marcaram o elemento com -1 no grau de execução em manifesto desacordo com o restante painel onde se destacou uma maioria de +2. É por circunstâncias como estas que devia acabar o anonimato na atribuição de notas… Os twizzles (7.70pts), o peão (6.40pts), a primeira figura de elevação (5.60pts) e a figura de elevação em curva (5.22pts) foram classificados com o nível 4. As duas sequências de passos foram meramente de nível 2 e totalizaram 13.40pts. A segunda figura de elevação chegou apenas para o nível 1 (básico) e só recebeu 2.80pts apesar dos bons graus de execução. O sexto elemento foi o peão coreográfico que obteve 1.40pts. O último elemento foi a figura de elevação coreográfica que lhes rendeu 1.40pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 7.71 na perícia, 7.50 nas transições, 7.92 na performance, 7.88 na composição e 8.00 na interpretação da música/timing. Eles levaram uma advertência devido a violação das regras que impõe restrições coreográficas. Possivelmente terão de apurar o porquê de terem recebido essa advertência para alterar esse aspecto do programa para competições futuras.













Resultado final


1.º
Alexandra Stepanova & Ivan Bukin
Rússia
172.83pts
2.º
Madison Hubbell & Zachary Donohue
Estados Unidos
165.76pts
3.º
Tiffany Zahorski & Jonathan Guerreiro
Rússia
153.00pts
4.º
Laurence Beaudry & Nikolaj Sorensen
Dinamarca
149.69pts
5.º
Natalia Kaliszek & Maksym Spodiryev
Polónia
147.46pts
6.º
Olivia Smart & Adria Diaz
Espanha
142.12pts
7.º
Cecilia Torn & Jussiville Partanen
Finlândia
126.93pts
8.º
Taylor Tran & Saulius Ambrulevicius
Lituânia
117.63pts
9.º
Emi Hirai & Marien De La Asuncion
Japão
102.03pts
10º
Olesia Karmi & Max Lindholm
Finlândia
101.02pts






Categoria de homens




O patinador americano Nathan Chen surpreendeu a concorrência e venceu a medalha de ouro no Troféu Finlândia 2016. O jovem Chen apresentou dois programas muito ambiciosos nesta competição e, apesar de ter cometido alguns erros em termos de execução, conseguiu garantir valores base muito elevados, o que lhe permitiu impor-se nesta competição.


No programa curto, Chen obteve uma pontuação de 87.50pts. O primeiro elemento do esquema foi muito arriscado. Ele efectuou uma combinação de quádruplo lutz-triplo toe loop (18.57pts). Como segundo elemento ele tentou um quádruplo flip. O salto não correu bem e Chen caiu. O elemento teve de ser punido com grau de execução negativo, tendo perdido 4.00pts do valor base de 12.30pts. Mesmo com o erro, ele ainda garantiu 8.30pts nesse elemento. Devido à queda foi-lhe aplicada uma dedução automática de um ponto. Depois foi a vez do peão flying sit (2.85pts) que foi classificado com o nível 3. Já depois de ultrapassada a marca para a segunda metade do esquema, Chen realizou um triplo axel que ficou com o valor base de 9.35pts. Seguiram-se o peão change camel (3.13pts) de nível 3, a sequência de passos (5.30pts) de nível 4 e o peão de combinação (3.25pts) de nível 3. As médias obtidas nos segmentos dos componentes foram de 7.58 na perícia, 7.25 nas transições, 7.54 na performance, 7.71 na composição e 7.67 na interpretação da música.


O jovem Nathan Chen, que está a estrear-se no escalão sénior, venceu o programa livre com uma nota de 168.94pts, tendo realizado cinco saltos quádruplos no esquema! A sua nota técnica de partida foi astronómica: nada mais nada menos do que 104.45pts! No entanto, durante o esquema houve vários elementos punidos com grau de execução negativo e a sua nota técnica final foi de 96.08pts. No que diz respeito a quádruplos, Chen apresentou uma combinação de quádruplo lutz-triplo toe loop (16.50pts), quádruplo flip (11.10pts), quádruplo toe loop (6.30pts) e na segunda metade do esquema realizou uma combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop-duplo loop (15.57pts) e um quádruplo salchow (7.55pts). Ele sofreu duas quedas no programa: uma no quádruplo toe loop isolado e outra no quádruplo salchow. Isso implicou que esses elementos fossem punidos com grau de execução negativo e lhe fossem aplicadas duas deduções automáticas de um ponto para cada uma das quedas. A combinação de quádruplo lutz-triplo toe loop, o quádruplo flip e o triplo axel (7.50pts) também foram punidos com grau de execução negativo. A combinação de triplo flip-triplo toe loop apresentada na segunda metade do esquema ficou com o valor base de 10.56pts. Ele também efectuou um triplo lutz (6.72pts). A sequência de passos (3.10pts) ficou-se pelo nível 2 e na sequência coreográfica ele recebeu 2.70pts. O primeiro peão (2.20pts) foi de nível 1, o segundo peão (3.28pts) foi de nível 4 e o terceiro peão (3.00pts) foi de nível 2. Como médias nos segmentos dos componentes, ele obteve 7.71 na perícia, 7.17 nas transições, 7.46 na performance, 7.63 na composição e 7.46 na interpretação da música.




No início da temporada ficámos todos surpreendidos com a notícia que dava conta que a treinadora Kathy Johnson tinha dispensado o patinador Patrick Chan. Mais surpreendidos ficámos quando não foi dada a indicação de quem seriam os novos treinadores de Patrick Chan. O mistério só foi desfeito aqui no Troféu Finlândia. Patrick Chan tem estado a ser orientado por Marina Zoueva e Oleg Epstein em Canton (Estados Unidos). Curiosamente, a dupla Zoueva / Epstein também é responsável por Nathan Chen.


No programa curto Chan conseguiu uma nota de 84.59pts, tendo sido terceiro classificado nesta fase da competição. O primeiro elemento foi o quádruplo toe loop (6.30pts) que perdeu 4.00pts do valor base de 10.30pts. Seguiu-se o triplo axel que foi penalizado em 2.33pts, tendo ficado com 6.17pts. Depois foi a vez de um peão (4.00pts) e da sequência de passos (5.42pts), ambos de nível 4. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.56pts) foi colocada na segunda metade do programa. O esquema foi finalizado com um peão (3.47pts) de nível 3 e outro peão (4.75pts) de nível 4. Nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota, as suas médias fixaram-se em 8.63 na perícia, 8.54 nas transições, 8.33 na performance, 8.67 na composição e 8.75 na interpretação da música.


 Patrick Chan foi segundo no programa livre com uma nota de 164.14pts. Ele realizou três elementos de salto que foram punidos com grau de execução negativo: o quádruplo toe loop (9.90pts), o quádruplo toe loop que era suposto ter sido colocado em combinação (2.16pts) e o triplo lutz (5.90pts). Chan caiu no segundo quádruplo toe loop e por causa disso foi-lhe aplicada uma dedução automática de um ponto. A combinação de duplo flip-duplo toe loop-loop simples ficou meramente com o valor base de 4.07pts. Os outros saltos apresentados foram os seguintes: triplo axel (9.67pts), o triplo salchow (5.45pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.95pts) e triplo loop (6.66pts). O primeiro peão foi de nível 3 e os outros dois foram de nível 4, tendo totalizado 12.14pts. A sequência de passos de nível 4 permitiu-lhe acrescentar 5.53pts na nota técnica. Na sequência coreográfica ele amealhou 3.63pts. Nos segmentos dos componentes do programa ele ficou com médias de 8.83 na perícia, 8.58 nas transições, 8.67 na performance, 8.96 na composição e 9.00 na interpretação da música.

Maxim Kovtun ficou com a medalha de bronze depois de ter sido primeiro no programa curto e quarto no livre.


O programa curto de Kovtun recebeu 88.26pts. Os seus elementos de saltos foram os seguintes: combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (16.97pts), quádruplo toe loop (6.57pts) e triplo axel (10.35pts). O quádruplo toe loop foi punido com grau de execução negativo e perdeu 3.73pts do valor base de 10.30pts. O triplo axel foi realizado na segunda metade do esquema. Os peões foram todos classificados com o nível 4, tendo totalizado 10.95pts. A sequência de passos também cumpriu os critérios do nível 4 e recebeu 4.83pts. Nos segmentos dos componentes Kovtun obteve 7.88 na perícia, 7.38 nas transições, 7.83 na performance, 7.71 na composição e 7.79 na interpretação da música.

Kovtun ficou com uma pontuação de 141.31pts no programa livre. O patinador russo cometeu vários erros técnicos e deixou imensos pontos para trás devido a ter faltado primor na execução dos elementos. Ele começou por falhar a intenção de realizar um quádruplo salchow no início do programa. Esse plano de quádruplo foi transformado em triplo que acabou por ser punido com grau de execução negativo, ficando apenas com 2.53pts. Seguiram-se um quádruplo toe loop (10.97pts) e um triplo loop (5.92pts). Os restantes saltos foram colocados na segunda metade do esquema: uma combinação de triplo axel –loop simples-triplo salchow (15.57pts), um triplo axel (10.68pts), uma combinação de triplo salchow-duplo toe loop (0.19pts), lutz simples (0.59pts) e duplo axel (3.63pts). A combinação de triplo salchow-duplo toe loop ficou com uma nota muito baixinha porque Kovtun distraiu-se na contagem dos elementos. Ou seja, ele já tinha realizado dois triplos salchow. Por esse motivo o triplo salchow colocado em combinação com o duplo toe loop foi considerado inválido e não recebeu qualquer ponto. O duplo toe loop dessa combinação também não foi bom pois faltou-lhe 2/4 de volta. O lutz era suposto ter sido um triplo mas Kovtun apenas fez um salto simples. O duplo axel ficou meramente com o valor base. O primeiro peão foi de nível 4 e os outros dois foram de nível 3, totalizando 9.65pts. A sequência de passos foi de nível 2 e recebeu 2.93pts. Na sequência coreográfica ele recebeu 2.23pts. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 7.79 na perícia, 7.29 nas transições, 7.63 na performance, 7.75 na composição e 7.75 na interpretação da música.






Vídeos


Nathan Chen
Programa curto
Programa livre

Patrick Chan
Programa curto
Programa livre

Maxim Kovtun
Programa curto
Programa livre


Resultado final

1.º
Nathan Chen
Estados Unidos
256.44pts
2.º
Patrick Chan
Canadá
248.73pts
3.º
Maxim Kovtun
Rússia
229.57pts
4.º
Mikhail Kolyada
Rússia
219.55pts
5.º
Jorik Hendrickx
Bélgica
218.32pts
6.º
Alexander Petrov
Rússia
211.80pts
7.º
Alexei Bychenko
Israel
203.75pts
8.º
Paul Fentz
Alemanha
196.12pts
9.º
Alexander Majorov
Suécia
193.78pts
10.º
Ivan Righini
Itália
191.81pts
11.º
Ryuju Hino
Japão
181.25pts
12.º
Jiri Belohradsky
Rep. Checa
175.63pts
13.º
Daniel Samohin
Israel
160.97pts
14.º
Daniel Albert Naurits
Estónia
152.41pts
15.º
Bela Papp
Finlândia
148.84pts
16.º
Samuel Koppel
Estónia
143.32pts