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sábado, 27 de outubro de 2012

Skate Canada 12 - Homens (Final + Análise)

No dia 27-10-2012 ficou concluída a categoria de individuais masculinos no troféu Skate Canada. Estes foram os resultados finais:

OURO - Javier Fernandez (Espanha) --- 253.94pts
PRATA - Patrick Chan (Canadá) --- 243.43pts
BRONZE - Nobunari Oda (Japão) --- 238.34pts
4.º - Florent Amodio (França) --- 218.72pts
5.º - Ross Miner (Estados Unidos) --- 213.60pts
6.º - Denis Ten (Cazaquistão) --- 203.70pts
7.º - Elladj Balde (Canadá) --- 199.94pts
8.º - Takahito Mura (Japão) --- 199.74pts
9.º - Artur Gachinsky (Russia) --- 199.58pts
10.º - Liam Firus (Canadá) --- 169.67pts
 
 
Análise
 
Javier Fernandez conseguiu inscrever o seu nome na história da patinagem artistica  mundial ao ser o primeiro patinador espanhol a vencer uma medalha de ouro numa prova do circuito do grande prémio. Bravo Javier! Os espanhóis bem podem estar orgulhosos de ter um talento destes como compatriota. Mas vamos dissecar o programa livre de Javier. O início não foi famoso pois penso que ele teria planeado fazer um quadruplo toe loop mas não conseguiu obter a tensão e elevação necessárias para a realização do salto. Por isso apenas fez três rotações e acabou por não conseguir segurar a saída tendo caído. Todos os juízes lhe deram a penalização máxima nesse elemento (-3), o que implicou a subtração de 2.10 ao valor base desse salto. Mesmo assim ainda amealhou 2.00pts por ter conseguiu definir a entrada no elemento e realizado a rotação. Javier foi também penalizado em -1,00 por causa da queda. A sua reação a este percalço inicial foi excelente e ele continuou o programa como se nada se tivesse passado não tendo deixado que isso afectasse a parte da apresentação. O seu segundo elemento técnico foi um quadruplo salshow realizado com muita consistência e premiado com 12.21pts. Seguiu-se o triplo axel também muito sólido. O grau de execução foi positivo mas mediano. Conseguiu 9.07pts nesse salto. O quarto elemento técnico foi um peão de nível 3 que contribuiu com 2.83pts para a nota técnica. A sequência de passos foi classificada de nível 4 e o grau de execução foi bom (5.40pts). Depois Javier arriscou muito ao colocar uma combinação de quadruplo toe loop com duplo toe loop. Relembro que os saltos efectuados na segunda metade do esquema têm direito a pontos extra. Portanto, colocar uma combinação deste calibre na segunda metade é uma grande jogada estratégica para melhorar a nota técnica e Javier foi bem sucedido nesse aspecto. Só nesse elemento foi buscar 13.47pts. O sétimo elemento técnico foi uma combinação de triplo lutz com duplo toe loop. O grau de execução foi mediano mas serviu para ajudá-lo a conquistar mais 8.13pts. Seguiu-se a realização de um triplo loop (5.91pts). Outro elemento de grande risco foi uma combinação de triplo flip com loop simples e triplo salchow. Apesar do grau de execução ter sido mediano, essa combinação valeu-lhe mais 11.50pts. No peão de nível três que executou a seguir a essa combinação perdeu -0,04no grau de execução mas mesmo assim obteve mais 2.96pts. A sequência de passos coreográfica foi valorizada em 3pts. O seu último salto no programa foi um triplo salchow (5.12pts). Finalizou o esquema com um peão de nível 3 com grau de execução positivo e amealhou mais 3.57pts na nota técnica. O seu program livre está de facto construído para ajudar Javier a lutar pelas medalhas nas grandes competições. O conteúdo técnico é ambicioso e vamos ver como é que Javier vai gerir a sua forma ao longo da temporada para continuar a ter sucesso na execução dos elementos e melhorar o que puder (essencialmente é preciso melhorar um bocadinho nos peões). Os seus 85.15 pontos na nota técnica metem respeito e são um aviso aos seus concorrentes que não se podem esconder à sombra da bananeira.
Na nota dos componentes, Javier os seus melhores segmentos foram o da coreografia e o da interpretação, com 8.57 e 8.64 respectivamente. Nós concordamos com isso pois é notório que Javier foi capaz de apresentar um esquema que do ponto de vista artistico tem "cabeça, tronco e membros". A música de filmes de Charlie Chaplin serviu para que Javier fizesse alguns movimentos que nos fizeram imediatamente lembrar esse grande personagem. A estética do programa foi mantida de forma coerente do início ao fim. As variações da música foram exploradas através do movimento e o resultado foi muito bonito.
Quanto a Patrick Chan só posso dizer que foi excelente vê-lo a apresentar um programa livre onde se nota que de facto ele melhorou muito na parte da coreografia e essencialmente na parte da interpretação. Desta vez ninguém o pode acusar de ter sido robótico nos seus movimentos. Acho que foi a primeira vez que ele me dislumbrou verdadeiramente. Foram precisamente esses aspectos que fizeram a diferença e o ajudaram a segurar a medalha de prata. Na parte técnica, infelizmente, Patrick não esteve ao seu melhor nível tendo cometido vários erros nas recepções de certos saltos. Ainda por cima Patrick teve uma queda no triplo axel. Se no caso de Fernandez a queda que ele teve no inicio parece não ter perturbado a boa impressão do esquema no seu todo, o mesmo não se passou com Patrick. A queda no triplo axel e os outros erros nas recepções dos saltos tiraram um pouquinho de brilho à sua prestação. Só espero é que Patrick não vá se um extremo ao outro, ou seja, se dantes a técnica prevalecia claramente sobre a artistica, que não se torne o contrário. É preciso que esses dois lados estejam equilibrados. Por outro lado, há quem aponte que talvez não tenha sido boa ideia Patrick ter optado por não contratar alguém que o ajudasse especificamente com os saltos visto que Kristy Krall abandonou a sua equipa técnica durante o defeso. Cá estaremos para ver. Pode ser que seja só uma fase de transição.
Finalmente, tenho de deixar aqui algumas palavras sobre o japonês Nobunari Oda. A temporada passada foi uma travessia no deserto essencialmente devido a lesões e foi excelente vê-lo voltar com força e com programas lindos de que ele pode estar orgulhoso. Neste momento, ele não está na lista dos três principais patinadores japoneses e vai ter de batalhar muito para roubar o lugar a Takahashi, Kozuka ou Hanyu para chegar à selecção nacional principal para os mundiais. Claro que se patinar como o fez durante o troféu Skate Canada bem pode ter esperança que isso aconteça. Com esta medalha de bronze e tendo em consideração que ele também vai competir na Taça da Russia, Oda tem aspirações a qualificar-se para a final do grande prémio que vai decorrer em Dezembro 2012.

Skate Canada 12 - Dança (Final + Análise)

Resultados finais da categoria de dança no Troféu Skate Canada 2012
 
OURO - Virtue & Moir (Canadá) --- 169.41pts
PRATA - Cappellini & Lanotte (Itália) --- 160.06pts
BRONZE - Riazanova & Tkachenko (Russia) --- 143.39pts
4.º - Gilles & Poirier (Canadá) --- 136.74pts
5.º - Hubbell & Donohue (Estados Unidos) --- 135.16pts
6.º - Zlobina & Sitnikov (Azerbaijão) --- 132.80pts
7.º - Carron & Jones (França) --- 130.75pts
8.º - Ralph & Hill (Canadá) --- 126.60pts
 
Análise
 
Virtue & Moir podem ter terminado com cerca de 9 pontos de avanço em relação ao par italiano mas na verdade olhar só para os números pode ser enganador.
Os actuais campeões olímpicos têm uma dança livre inspirada na famosa história de "Carmen" e o seu esquema tem momentos muito interessantes, desde logo porque têm um início muito picante e porque apostam nalgumas figuras de elevação novas. No entanto, este par ainda está fora de forma. A dada altura Virtue quase que caiu e mais para o fim notou-se uma certa falta de dinâmica e fluidez. Scott pareceu-me muito contido para aquilo que normalmente é e, enquanto esperavam as notas, parecia preocupado. Outra coisa que notei foi que desta vez se apresentaram com menos velocidade do que é habitual. Curiosamente, os juízes pareceram ignorar as pequenas falhas que ocorreram durante a dança livre e deram-lhe 9.25 no segmento de performance. Então quer dizer que se eles tivessem estado perfeitos rebentavam a escala? (ironia) Tenho a certeza que com o decurso da época as coisas vão parecer melhor. A nível técnico obtiveram um total de 48.42pts tendo partido de um valor base de 38.70pts. Todos os elementos técnicos tiveram grau de execução positivo. Esta dança livre é diferente daquilo que Virtue & Moir têm apresentado até agora e só posso saudá-los por terem arriscado qualquer coisa de mais dramático.
Quanto aos italianos posso dizer que me pareceram nervosos no início do esquema. Talvez o facto de estarem a -0.01 de Virtue & Moir após a short dance lhes tenha causado alguma pressão. O programa é lindo e tem momentos em que os movimentos que fazem marcam os assentos da música na perfeição. Tecnicamente tiveram todos os seus elementos com grau de execução positivo. A nível dos componentes obtiveram 8.36 pela qualidade base da sua patinagem, 8.11 pelo movimento e passos de ligação, 8.57 pela performance, 8.57 pela coreografia e 8.57 pela interpretação.
Riazanova & Tkachenko devem estar contentes por regressar ao pódio em eventos do circuito do grande prémio. O guarda roupa que escolheram é lindo mas bastante sóbrio. O nível geral da sua patinagem parece ter melhorado desde que começaram a trabalhar com Igor Shiplband.  A minha principal critica a este par tem a ver com a reciclagem de figuras de elevação que já apresentaram noutras épocas. No entanto, o programa está bem construído e é bastante sólido. A nível técnico, os russos tiveram todos os seus elementos com grau de execução positivo. A sua nota técnica de partida foi de 35.20 e eles conseguiram totalizar 41.64pts. A nível dos componentes, os segmentos ficaram todos muito equilibrados (7.82 pela qualidade base da sua patinagem, 7.36 pelo movimento e passos de ligação, 7.75 pela performance, 7.75 pela coreografia e 7.79 pela interpretação).
Gilles & Poirier, no meu entender, foram salvos pelo conteúdo técnico e pelos graus de execução positivos. A sua nota técnica de base foi de 36.20 e no final eles conseguiram 40.93. A nível artistico, tenho muita pena de dizer isto mas detestei o programa. Não se percebe nenhuma história nem qualquer conceito. Nem sequer os fatos deles fazem conjunto! Ainda houve 2 juízes que só lhe atribuiram 6.50 na coreografia mas eles acabaram por conseguir 7.11 nesse segmento.
Zlobina & Sitnikov do Azerbaijão conseguiram ter uma dança livre que no cômputo geral está muito mais elaborada do que a short dance e por causa disso eles conseguiram subir na classificação geral. A sua nota técnica de partida foi de 35.70 e conseguiram melhorar para 40.01. Eles tiveram graus de execução positivos em todos os elementos e alcançaram o nível 4 nos twizzles. Devo dizer que gosto muito da forma limpa como executam o que fazem. Ou seja, eles têm linhas corporais bem definidas e não são trapalhões. A nível artistico, a coreografia deles é um mimo. Durante todo o programa eles contam uma história através dos seus movimentos. Ele interpreta um rapaz que quer conquistar uma rapariga mas no início ela não quer nada com ele até que no fim ele consegue conquistá-la. A premissa foi simples e eficaz. Chamo a atenção para o facto deste par ter usado um trecho de uma música da cantora cabo-verdiana Cesária Évora. No segmento de coreografia conseguiram 7.11 e no da interpretação obtiveram 7.21. Adorei.
 

Skate Canada 12 - Pares (Final + Análise)

A competição de pares no troféu Skate Canada terminou em 27-10-2012 sem surpresas e com os seguintes resultados:

OURO - Savchenko & Szolkowy (Alemanha) --- 201.36pts
PRATA - Duhamel & Radford (Canadá) --- 190.49pts
BRONZE - Berton & Hotarek (Itália) --- 172.03pts
4.º - Lawrence & Swiegers (Canadá) --- 158.33pts
5.º - Popova & Massot (França) --- 149.37pts
6.º - Vise & Baldwin (Estados Unidos) --- 141.21pts
7.º - Davis & Ladwig (Estados Unidos) --- 122.26pts

Análise
Os alemães Savchenko & Szolkowy repetiram a vitória no troféu Skate Canada por uma larga margem. O seu programa livre teve um desenho e conteúdo técnico semelhante a programas que fizeram em épocas anteriores, nomeadamente em 2008-2009. As coisas saíram-lhe bem embora tenham tido 2 elementos com grau de execução negativo: triplo flip lançado (-0,50) e no primeiro peão que efectuaram (-0,13). Todas as figuras de elevação que realizaram alcançaram o nível 4. Na nota dos componentes, o seu melhor segmento foi o da coreografia/composição com 8.54, logo seguido da qualidade base da sua patinagem com 8.50. Os fatos extremamente coloridos são, na minha opinião, um factor de distração e convinha que considerassem uma alteração no guarda-roupa para o resto da temporada.
Duhamel & Radford foram o par que mais gostei de ver no programa livre. Adorei que eles arriscassem elementos como o triplo lutz lado a lado, o triplo lutz lançado e uma combinação de triplo salchow com duplo toe loop e duplo toe loop na segunda metade do esquema. Eles estavam muito felizes com a sua prestação, que embora não tenha sido isenta de erros foi bastante promissora, e ela foi particularmente expansiva na sua demonstração de alegria.  Na nota dos componentes conseguiram um total de 62.00, o que para eles é uma óptima melhoria em relação à época passada.
Os italianos podem estar orgulhosos da prestação de Berton & Hotarek que estão já no patamar de melhor par italiano de sempre. Esta medalha no troféu Skate Canada é um prémio para a evolução que têm tido. A segunda figura de elevação que fizeram no programa foi o elemento técnico que melhor lhe correu e conseguiram amealhar 7.85pts. No entanto, este par não conseguiu ganhar muito em termos de grau de execução dos elementos e por isso ficaram com um total de 58.44pts na nota técnica, tendo em consideração que a sua nota base de partida era 58.25. A nível dos componentes o seu melhor aspecto foi o da qualidade base da sua patinagem com 7.07pts.
A minha última referência vai para o par francês Popova & Massot que escolheu uma música lindissima e fora do vulgar que ajudou a assentuar o impacto da realização dos elementos técnicos. Não conseguiram ser completamente limpos na execução do programa mas também este par pode voltar para casa com o sentimento de dever cumprido.

Skate Canada 12 - Senhoras - Final + Análise

A prova de senhoras no troféu Skate Canadá terminou no dia 27-10-2012. Os resultados foram os seguintes:

OURO - Kaetlyn Osmond (Canadá) --- 176.45pts
PRATA - Akiko Suzuki (Japão) --- 175.16pts
BRONZE - Kanako Murakami (Japão) --- 168.04pts
4.º - Elizaveta Tuktamysheva (Russia) --- 168.00pts
5.º - Elene Gedevanishvili (Geórgia) --- 160.52pts
6.º - Ksenia Makarova (Russia) --- 154.11pts
7.º - Gracie Gold (Estados Unidos) --- 151.57pts
8.º - Amélie Lacoste (Canadá) --- 151.44pts
9.º - Caroline Zhang (Estados Unidos) --- 149.87pts 
10.º - Polina Shelepen (Russia) --- 124.29pts

Análise
A competição de senhoras foi muito interessante mas pode-se dizer que houve alguma polémica na atribuição da medalha de ouro. É verdade que Suzuki não vinha bem classificada do programa curto (5.ª) e teve de recuperar os 5,44 pontos que tinha de atraso em relação a Osmond. O programa livre de Suzuki foi sólido, muito bom a nível técnico e artistico e sem qualquer queda.
Suzuki realizou combinação de triplo lutz com duplo toe loop e duplo loop, combinação de duplo axel com triplo toe loop, combinação de triplo flip com toe loop simples, triplo flip, triplo loop, triplo salchow, duplo axel, ou seja, teve 7 elementos técnicos de saltos. Suzuki realizou também 3 peões (um de nível 3 e os restantes de nível 4), uma sequência de passos de nível quatro e a sequência coreográfica que lhe valeu 3.20pts. Comparando o teor técnico do esquema livre, Osmond fez uma combinação de triplo flip com duplo toe loop, tentou um triplo lutz e caiu, combinação de duplo axel com triplo toe loop, triplo salchow, triplo flip e triplo toe loop (saída desequilibrada), finalizando com uma combinação de duplo axel com duplo toe loop e duplo toe loop. Osmond também fez 3 peões (2 de nível 4 e um de nível 3). A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.20pts e a sequência de passos foi de nível 4. O grande problema reside na nota dos componentes. No segmento de performance/execução, Suzuki obteve 7.57 contra 7.61 de Osmond, sendo que convém recordar que Osmond teve uma queda! Um dos juízes chegou ao cúmulo de dar 9.00 na execução do programa de Osmond! Tambem no segmento de interpretação temos algumas dúvidas como é que Osmond pode receber 7.61 contra 7.57 de Suzuki. É que Osmond é uma atleta com um talento inegável mas ainda tem muito que evoluir para chegar à qualidade artistica de Suzuki. A nota dos componentes é que fez a diferença a favor de Osmond.
Murakami teve um programa livre lindo ao som de Astor Piazzola. Sem quedas e demonstrando enorme segurança, Murakami pareceu mesmo determinada em segurar um lugar no pódio mostrando garra e muita atitude competitiva. A nível técnico o seu principal problema foi uma chamada de atenção dos juízes no triplo lutz por ter definido mal a entrada para o triplo lutz e três situações que lhe faltou um bocadinho para conseguir completar a rotação dos saltos. De resto foi um programa que vale a pena rever.
Tuktamysheva só se pode queixar de si própria. Não fora a queda no triplo lutz e teria ficado no pódio. Foi por uma unha negra. Mas que atitude que Tuktamysheva demonstrou! O esquema livre não começou bem mas ela agarrou o resto dos elementos e deixou o erro para trás das costas, lutando por cada pontinho até ao fim. O programa é bonito e a nível de interpretação ela esteve bem. A sua expressão está melhor desde a temporada passada. É claro que ela gostaria de ter vencido esta prova novamente mas é de salientar que este ano a preparação da época foi diferente. Agora ela já compete como senior e tem de pensar em ter o seu pico de forma lá mais para a frente. Portanto, o início desta época também tem sido mais cauteloso. Convém também referir que ela esteve algum tempo a recuperar de uma lesão nos ligamentos.
Uma palavra ainda para Elene Gedevanishvili. O seu programa livre está bem desenhado e ela demonstrou que tem um lado artistico mais desenvolvido do que na temporada passada. No entanto, os erros técnicos traíram-na e ela acabou por cair para a 5.º posição no final.
Nota final: Makarova tem um programa livre extraordinariamente coreografado mas os erros técnicos custaram-lhe caros.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Skate Canada 12 - Short Dance

Após a realização da Short dance ficámos com a seguinte classificação:

1.º - Virtue & Moir (Canadá) --- 65.09pts
2.º - Cappellini & Lanotte (Itália) --- 65.08pts
3.º - Riazanova & Tkachenko (Russia) --- 55.80pts
4.º - Hubbell & Donohue (Estados Unidos) --- 54.84pts
5.º - Gilles & Poirier (Canadá) --- 53.61pts
6.º - Carron & Jones (França) --- 51.67pts
7.º - Zlobina & Sinitkov (Azerbaijão) --- 50.92pts
8.º - Ralph & Hill (Canadá) --- 50.00pts

Análise

Se antes da prova começar alguém dissesse que o par italiano Cappellini & Lanotte estaria a morder os calcanhares aos canadianos Virtue & Moir ninguém acreditaria. Mas é o que temos! Após a realização da short dance em 26-10-2012, os canadianos lideram apenas com 0.01 de vantagem sobre os italianos. Estão praticamente empatados!
Mas por que é que Virtue & Moir não tiveram melhor nota? O erro mais visível e grave foi na figura de elevação com rotação. Como poderão ver no video, eles não conseguiram fazer a figura com sucesso e Virtue acertou com a perna livre no pescoço de Moir (é capaz de ter doído!) quando ia fazer a mudança de posição. Por causa disso, Moir perdeu velocidade na rotação. Esta figura de elevação foi classificada de nível 1 mas surpreendentemente os juízes atribuíram-lhe um grau de execução positivo (+0.43). Os twizzles foram de nível 3 e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi de nível 2. Devo dizer que é desconcertante ver o par campeão do mundo sem um único elemento de nível 4. É sabido que eles desistiram de participar no troféu da Finlândia devido a uma lesão de Moir. Talvez tenham perdido tempo de treino por causa disso e os tenha influenciado negativamente nesta prova. Os 9.25 que os juízes lhe atribuiram em sede de performance na nota dos componentes pareceu-me demasiado pois isso dá a entender que não tiveram problema nenhum na execução e não foi esse o caso. De resto, do ponto de vista coreográfico estiveram lindos como sempre.
Os italianos Cappellini & Lanotte estiveram muito competentes tecnicamente e nota-se uma evolução em elementos obrigatórios. Talvez já estejamos a vislumbrar o toque de mágica do trabalho de Igor Shilpband com este par. Os twizzles foram de nível 4 (7.00pts) e a figura de elevação com rotação também (5.00). Na sequência de passos em que os patinadores não se tocam, Cappellini & Lanotte obtiveram 7.79pts e nível 3. As duas sequências de Yankee Polka renderam-lhe 12,65pts. Nos componentes ficaram atrás de Virtue & Moir. Em termos de comparação podemos verificar que na performance, os juízes acharam que os italianos só mereciam 7.39pts. Eu humildemente discordo. O programa está lindamente construído e este par conseguiu executar com sucesso tudo a que se tinha proposto para além de mostrar maturidade artistica, fluidez, interpretação, etc.
Os russos Riazanova & Tkachenko mostraram que o trabalho que começaram a desenvolver durante o Verão, com o auxílio do treinador Igor Shilpband, está a dar bons frutos. Em relação à época passada nota-se uma enorme melhoria na fluidez de movimentos, velocidade de execução, definição das posições da lâmina no gelo, e, essencialmente, nos twizzles. A nota dos componentes foi boa e tiveram todos os segmentos na casa dos 7.00 pontos para cima. No entanto, a nível técnico tiveram um grau de execução negativo na segunda sequência da Yankee Polka (-0,14).
Os americanos Hubbel & Donohue têm um programa curto maravilhoso do ponto de vista coreográfico. O meu momento favorito foi o da transição que marca a entrada para os twizzles. Foi uma situação original e que deu ainda mais amplitude aos twizzles. Na nota dos componentes todos os segmentos estiveram na casa dos 7.00 em baixa, com excepção do segmento do movimento e passos de ligação onde obtiveram 6.75pts.
A prova de short dance foi muito boa no cômputo geral e a dança livre promete ser animada.


 

Skate Canada 12 - Homens (curto)

Após a realização do programa curto, a classificação ficou ordenada da seguinte maneira:

1.º - Javier Fernandez (Espanha) --- 85.87pts
2.º - Patrick Chan (Canadá) --- 82.52pts
3.º - Nobunari Oda (Japão) --- 82.14pts
4.º - Denis Ten (Cazaquistão) --- 75.26pts
5.º - Florent Amodio (França) --- 74.61pts
6.º - Elladj Balde (Canada) --- 72.46pts
7.º - Artur Gachinsky (Russia) --- 69.74pts
8.º - Ross Miner (Estados Unidos) --- 69.41pts
9.º - Takahito Mura (Japão) --- 62.10pts
10.º - Liam Firus (Canadá) --- 60.50pts
 
 
 

Skate Canada 12 - Pares (curto)

A prova de pares começou bem e o programa curto foi de bom nível.

1.º - Savchenko & Szolkowy (Alemanha) --- 72.26pts
2.º - Duhamel & Radford (Canadá) --- 64.49pts
3.º - Berton & Hotarek (Itália) --- 59.79pts
4.º - Lawrence & Swiegers (Canadá) --- 52.88pts
5.º - Popova & Massot (França) --- 48.43pts
6.º - Davis & Ladwig (Estados Unidos) --- 47.05pts
7.º - Vise & Baldwin (Estados Unidos) --- 46.47pts
 
Os alemães Savchenko & Szolkowy começaram a sua participação no circuito do grande prémio com um programa curto muito sólido e eficaz. Desta vez não tentaram nenhum triplo axel lançado e voltaram à fórmula do triplo flip lançado logo a abrir o programa. E que triplo flip! Tiveram uma enorme elevação e correção na execução desse elemento, tendo logo amealhado 7.10pts. Nos restantes elementos também não tiveram qualquer problema e receberam graus de execução positivos em todos. Basta verificar que partiram de uma pontuação base de 31.30 na técnica e conseguiram melhorá-la para 38.63pts no total. No que diz respeito à nota dos componentes, eu achei que os juízes foram um pouco sovinas nos segmentos de interpretação e performance/execução, onde conseguiram 8.29 e 8.68 respectivamente. De qualquer das formas é um bom começo.
Duhamel & Radford estiveram um pouquinho atabalhoados na sua apresentação do programa curto e houve alguns momentos em que pareceu que eles estariam na iminência de falhar alguma coisa. No final, este par conseguiu a sua melhor nota de sempre em programas curtos muito por causa do desenho do esquema e da escolha dos elementoes técnicos. Como salto lado a lado optaram por um triplo lutz (só o axel é mais dificil do que o lutz) mas Radford não teve uma boa recepção como poderão reparar no video que coloquei em cima. Os juízes penalizaram-nos em -0.90 nesse elemento. O grau de execução dos restantes elementos foi mediano. Como salto lançado também optaram pelo lutz. A figura de elevação, o peão lado a lado e a sequência de passos foram todos classificados de nível 4. Na nota dos componentes, este par teve todos os seus segmentos na casa dos 7 pontos.
Berton e Hotarek tiveram o programa que em termos artisticos mais me agradou. O arranjo de música dos Rolling Stones, o visual deles e a coreografia resultaram muito bem. A sua apresentação foi muito sólida mas há aqui muita margem para melhorar ao longo da época. O grau de execução dos elementos foi mediano, tendo sido negativo apenas no peão lado a lado (-0.17). A espiral da morte foi apenas de nível 1. Na nota dos componentes, o seu melhor segmento foi o da performance/execução com 7.29pts e o pior foi o das transições/passos de ligação com 6.86pts. Os italianos são claramente candidatos a uma medalha mas os canadianos Lawrence & Swiegers ainda podem aspirar ao pódio. Apesar de terem tido graus de execução negativos no triplo twist e no peão lado a lado, o programa curto de Lawrence & Swiegers foi bastante competente e artisticamente agradável. Deixaram boa impressão tendo o segmento da interpretação, com 6.86pts, sido o melhor na parte dos componentes.
A realização do programa livre está marcada para dia 27-10-2012.

Skate Canada 12 - Senhoras (Curto)

A edição de 2012 do prestigiado troféu Skate Canada iniciou-se com o programa curto de senhoras.
Os resultados do programa curto foram os seguintes:

1.º - Elene Gedevanishvili (Geórgia) --- 60.80pts
2.º - Kaetlyn Osmond (Canadá) --- 60.56pts
3.º - Ksenia Makarova (Russia) --- 58.56pts
4.º - Kanako Murakami (Japão) --- 56.21pts
5.º - Akiko Suzuki (Japão) --- 55.12pts
6.º - Elizavete Tuktamysheva (Russia) --- 55.10pts
7.º - Amélie Lacoste (Canadá) --- 53.81pts
8.º - Caroline Zhang (Estados Unidos) --- 52.97pts
9.º - Gracie Gold (Estados Unidos) --- 52.19pts
10.º - Polina Shelepen (Russia) --- 46.18pts
 
 

Quem diria que Elene Gedevanishvili estaria na liderança do troféu Skate Canada após a realização do programa curto? Pouca gente arriscaria esse vatícinio. A verdade é que Elene estava radiante com a sua prestação nesta fase da competição e fez questão de demonstrar a sua alegria enquanto abandonava a pista de gelo para ir para o local onde ia ouvir quais as notas que lhe seriam atribuídas. Foi um momento divertido. A nível técnico, Elene mostrou-se sólida mas mesmo assim a sua combinação de triplo lutz com triplo bem como o triplo salchow isolado tiveram um grau de execução negativo. Nos restantes elementos não teve problemas. A sequência da passos foi classificada de nível 4 e dos três peões que executou um deles alcançou o nível 4  e ou restantes nível 3. Na nota dos componentes, o seu melhor segmento foi o da interpretação com 7.61 e o pior foi o das transições/passos de ligação com 6.93. Eu achei que o programa está bem coreografado e que Elene demonstrou maturidade artistica.
Quando toda a gente estava à espera que Gracie Gold e Polina Shelepen fossem as estreantes a dar nas vistas, eis que Kaetlyn Osmond roubou a cena e colocou-se em boa posição para avançar para o programa longo com aspirações ao pódio. Os seus sete elementos técnicos foram realizados com sucesso e graus de execução positivos. Curiosamente a nota dos componentes foi mais baixa que a técnica. Nos componentes ela recebeu 27.35pts e na técnica obteve o total de 33.21pts.
Ksenia Makarova podia muito bem estar na liderança mas só se pode queixar dela própria pois quando tudo estava a correr tão bem ela falhou a definição da entrada para o duplo axel e teve de abortar o salto. Uma pena. Tudo o resto foi lindissimo. Aproveitamos esta oportunidade para elogiar novamente esta coreografia que Averbukh fez para Makarova. A música, a interpretação, o movimento, o vestido... tudo fez parte de um conjunto muito artistico. Por este motivo acho que os juízes penalizaram Makarova no segmento da coreografia na nota dos componentes pois só lhe atribuiram 7.04 nesse ponto! Enfim.
Kanako Murakami do Japão ficou um pouco desapontada com a nota que recebeu. De facto todo o programa é no geral muito bom e está bem desenhado em termos de distribuição dos elementos técnicos pelo tempo de duração do esquema. À primeira vista parecia que Murakami ia direitinha para primeiro lugar mas assim não aconteceu. O triplo flip que Murakami tentou fazer foi apenas considerado como duplo e teve grau de execução negativo. Na combinação de triplo toe loop com triplo toe loop, os juízes consideraram que no segundo salto a última rotação não foi bem realizada e como tal assinalaram um grau de execução negativo.
Akiko Suzuki chegou a este evento na condição de medalhada de bronze dos mundiais 2012 mas este programa curto esteve um pouco aquém. Parecia prometer muito mas não cumpriu na totalidade. Houve falta de fluidez de movimentos após a realização do triplo lutz  (onde ela foi lenta com a perna livre na recepção do salto) e no primeiro peão que realizou no programa. Ainda por cima, os juízes entenderam que ela não definiu bem a entrada no lutz e esse elemento teve grau de execução negativo, o mesmo acontecendo à combinação de dois triplos toe loop e no tal primeiro peão. A nível artistico eu esperava um pouco mais de atitude. Quando se vai patinar ao som da banda sonora de Kill Bill, com um vestido preto que podia ser usado por uma vocalista de metal, espera-se mais garra na interpretação. Não foi isso que aconteceu aqui. No entanto, penso que com o decorrer da época, Akiko fará melhor.
A vencedora do ano passado Elizaveta Tuktamysheva está relegada para 5.º lugar mas ainda pode ambicionar um lugar no pódio. Foi pena a queda que deu na combinação de triplo toe loop com triplo toe loop. No triplo loop foi penalizada em -0.70 devido ao grau de execução. O resto do programa foi bastante razoável. Nota-se que Tuktamysheva cresceu um bocadinho em relação ao ano passado e parece que já está a passar pela fase em que deixa de ter corpito de criança para ser uma mulherzinha. Esse aspecto tem a sua importância pois as oscilações de peso e o crescimento em altura têm implicações nas definições dos saltos e peões e podem afectar o eixo de rotação. Agora é esperar para ver como é que ela vai reagir no programa livre.
Em 27-10-2012 vai decorrer o programa livre.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Alerta Tv - Patinagem na Eurosport

Os fãs portugueses de patinagem artistica no gelo vão poder acompanhar as transmissões dos troféus Skate America e Skate Canada, ambos parte do circuito grande prémio, no canal de desporto Eurosport.

Eu já estive a dar uma vista de olhos na programação e encontrei estes horários em que se prevêm transmissões:

21-10-2012
Eurosport 1 - 17h00 + 21h15

22-10-2012
Eurosport 2 - 06h00 + 19h30

23-10-2012
Eurosport 2 - 08h00 + 20h30

24-10-2012
Eurosport 2 - 15h30 + 17h00

26-10-2012
Eurosport 2 - 19h30 + 20h30

27-10-2012
Eurosport 2 - 07h00 + 08h00 + 13h00 + 14h15 + 15h45 + 23h30 + 00h15
Eurosport 1 - 17h00 + 18h00 + 19h30 + 21h00 + 21h45

Convém ficarem de alerta porque pode haver alguma alteração na programação entretanto principalmente por causa das transmissões de partidas de ténis (que nunca se sabe quanto tempo demoram e depois afectam os outros programas que devem dar a seguir).