O Troféu Nebelhorn realizou-se na Alemanha entre os dias 23 e 26 de Setembro de 2015, correspondendo à segunda etapa do circuito ISU Challenger Series.
Entre os dias 25 e 31 de Janeiro na Ondrej Nepela Arena
Programa curto
O programa curto na categoria de homens ocorreu no dia 27 de Janeiro de 2016. Javier Fernandez apresentou-se como o grande favorito à vitória e começou bem a sua tentativa de defesa do título de campeão europeu. Fernandez bateu o seu recorde pessoal na nota do programa curto onde conseguiu 102.54pts! Ao conseguir essa nota ele tornou-se no segundo atleta da história a conseguir ultrapassar a barreira dos 100 pontos num programa curto. Ele começou o seu esquema com uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (13.74pts) que foi punido com grau de execução negativo devido à recepção do segundo salto ter sido desequilibrada, tendo o elemento perdido 0.86 do valor base de 14.60pts. Logo de seguida foi a vez de um quádruplo salchow (12.36pts). A primeira parte do programa foi concluída com um peão de nível 4 (3.47pts). O início da segunda metade do esquema foi marcado com um triplo axel (11.92pts). Relembro-vos que os saltos efectuados na segunda metade do esquema beneficiam de bónus na pontuação base. Seguiram-se mais dois peões (4.57pts+4.00pts) e a sequência de passos (5.90pts) todos de nível 4. No que diz respeito à segunda nota, Fernandez recebeu oito notas de 10.00 nas escalas individuais dos juízes. As suas médias acabaram por ser excelentes: 9.11 na perícia, 9.04 nas transições/passos de ligação, 9.43 na performance/execução, 9.36 na coreografia/composição e 9.64 na interpretação. Maxim Kovtun da Rússia foi vice-campeão europeu na temporada passada e após a primeira fase da competição ficou em segundo lugar com uma nota de 88.09pts. O seu esquema começou de forma auspiciosa com Kovtun a realizar uma combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (16.66pts) e um quádruplo toe loop (11.44pts). Tudo parecia estar a correr bem mas Kovtun caiu no triplo axel (5.50pts) e perdeu 3.00pts do valor base de 8.50pts. Além disso foi-lhe aplicado um ponto de dedução de forma automática por causa da queda. Este erro fez com que ele perdesse terreno face a Fernandez. Kovtun totalizou 11.19pts nos peões, tendo todos alcançado o nível 4. A sequência de passos foi de nível 3 e rendeu-lhe 4.09pts. Nos segmentos dos componentes do programa Kovtun obteve médias de 8.21 na perícia, 7.79 nas transições/passos de ligação, 8.11 na performance/execução, 8.14 na coreografia/composição e 7.96 na interpretação. Eu estava à espera que ele recebesse um pouco mais nos segmentos de coreografia/composição e de interpretação mas as pontuações dos juízes são perfeitamente aceitáveis. Michal Brezina tem tido uma época modesta mas no programa curto voltou a dar um ar da sua graça, conseguindo uma nota de 84.30pts e o terceiro lugar. O patinador checo iniciou o seu programa com um bom triplo axel (10.21pts) mas logo de seguida cometeu um erro no quádruplo salchow (6.50pts). Brezina caíu na recepção do quádruplo e perdeu 4.00pts do valor base de 10.50pts. A queda custou-lhe um ponto automático de dedução. A combinação de triplo flip-triplo toe loop foi apresentada na segunda metade do programa e rendeu-lhe 11.96pts. Os peões foram todos de nível 4, arrecadando um total de 11.34pts. A sequência de passos foi classificada com 5.10pts e alcançou o nível 4. Nos segmentos dos componentes do programa as suas médias foram de 8.18 na perícia, 7.75 nas transições/passos de ligação, 8.04 na performance/execução, 8.04 na coreografia/composição e 8.18 na interpretação. O israelita Alexey Bychenko conseguiu realizar o seu melhor programa curto desta temporada até agora. O programa está bem construído e a escolha da música foi bem conseguida. Bychenko não é um patinador que tenha muitas bases de dança mas a verdade é que com esta coreografia ele brilhou. O seu trabalho com Nikolai Morozov está a começar a dar frutos. Os saltos que Bychenko apresentou foram os seguintes: triplo axel (10.07pts), quádruplo toe loop (11.16pts) e combinação de triplo flip-triplo toe loop (10.60pts). A combinação de saltos ocorreu na segunda metade do programa. A sequência de passos (5.10pts) e o segundo peão (3.43pts) foram de nível 4. O primeiro peão (3.23pts) foi de nível 3 e o último peão (2.00pts) foi de nível 2. Nos segmentos dos componentes Bychenko conseguiu médias de 7.89 na perícia, 7.39 nas transições/passos de ligação, 7.79 na performance/execução, 7.64 na coreografia/composição e 7.79 na interpretação. A sua nota de programa curto foi de 84.09pts. O outro patinador israelita em competição foi o jovem Daniel Samohin que esta temporada ainda participou em provas no escalão júnior. Samohin conseguiu uma nota de 82.73pts. Este atleta começou em grande estilo ao efectuar uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (17.03pts). No entanto o quádruplo salchow (9.44pts) foi punido com grau de execução negativo, tendo perdido 1.06 do valor base de 10.50pts. No triplo axel (5.50pts), Samohin caiu na recepção do salto. A queda custou-lhe um ponto automático de dedução e foram-lhe retirados 3.00pts do valor base de 8.50pts. O primeiro peão (3.01pts) e a sequência de passos (4.01pts) foram classificados com o nível 3. O peão de combinação (4.21pts) e o último peão (3.57pts) foram de nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes foram consistentes: 7.46 na perícia, 7.00 nas transições/passos de ligação, 7.50 na performance/execução, 7.46 na coreografia/composição e 7.54 na interpretação. O italiano Ivan Righini ficou contente com a sua prestação no programa curto e foi um dos destaques desta fase da prova. Os saltos correram-lhe bem. Ele efectuou um triplo axel (10.07pts), um triplo flip (6.60pts) e uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.23pts). A combinação foi apresentada na segunda metade do esquema. Os dois primeiros peões foram de nível 4 e o último foi de nível 3, totalizando 10.63pts. A sequência de passos foi de nível 3 e rendeu-lhe 4.30pts. Nos segmentos dos componentes do programa este patinador obteve 7.61 na perícia, 7.36 nas transições/passos de ligação, 7.86 na performance/execução, 7.64 na coreografia/composição e 7.93 na interpretação. A sua nota final de programa curto foi de 82.23pts. O francês Florent Amodio anunciou antecipadamente que esta seria a última competição da sua carreira competitiva. Amodio admitiu em entrevista que sente que não consegue melhorar a sua prestação técnica para disputar as medalhas nos campeonatos principais. Ele planeia patinar em alguns espectáculos pelo mundo mas o principal objectivo vai ser concluir o curso de jornalismo. Para este adeus à sua carreira competitiva, Amodio contactou o treinador/coreógrafo russo Nikolai Morozov, reatando uma relação profissional que lhe deu bons frutos no passado. No programa curto, Amodio realizou os seguintes saltos: triplo salchow (4.90pts), triplo axel (9.93pts) e uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (10.03pts). A combinação foi efectuada na segunda metade do esquema e foi penalizada com grau de execução negativo. Ele perdeu 1.30 do valor base de 11.33pts nesse elemento. O primeiro peão recebeu 3.50pts e o segundo peão obteve 3.70pts, tendo ambos alcançados a classificação de nível 4. O último peão (3.50pts) e a sequência de passos (4.51pts) foram de nível 3. Este foi o melhor programa curto que ele apresentou nos últimos tempos. Nos segmentos dos componentes do programa, os juízes estiveram um pouco em desacordo na atribuição das notas. Por exemplo, no segmento de performance/execução as suas notas oscilaram entre 6.75 e 8.25. As suas médias finais foram de 7.64 na perícia, 7.14 nas transições/passos de ligação, 7.79 na performance/execução, 7.71 na coreografia/composição e 7.93 na interpretação. Menção honrosa no programa curto para o patinador belga Jorik Hendrickx que sofreu um longo período de paragem devido a lesão e que ficou contente com o seu regresso à competição.
Programa livre
Javier Fernandez conseguiu assegurar o seu quarto título europeu consecutivo e continua a escrever páginas bonitas na história da patinagem artística espanhola. Ele não foi absolutamente perfeito no programa livre mas foi mais do que suficiente para ganhar com uma grande margem pontual e sem contestações. Fernandez conseguiu também bater o seu recorde pessoal de nota combinada (curto+livre) ultrapassando a barreira dos 300 pontos, juntando-se assim a Yuzuru Hanyu no livro dos recordes. Do ponto de vista da coreografia/interpretação e construção este programa livre é incrivelmente fantástico e difícil. Nas escalas individuais dos juízes, houve dois juízes que lhe atribuíram duas notas de 10.00 no segmento de interpretação e duas notas de 10.00 no segmento de coreografia/composição. Fernandez também conseguiu uma nota de 10.00 no segmento de performance/execução. As suas médias finais nos segmentos dos componentes foram excelentes: 9.29 na perícia, 9.18 nas transições/passos de ligação, 9.50 na performance/execução, 9.57 na coreografia/composição e 9.64 na interpretação. Quanto à nota técnica, o seu programa partiu de 95.13pts e terminou com 106.87pts devido à colecção de graus de execução positivos. O triplo axel isolado (6.35pts) e o triplo loop (4.91pts) foram os únicos elementos punidos com grau de execução negativo. Esse triplo axel perdeu 3.00pts do valor base de 9.35pts. Isso sucedeu porque o patinador caiu na recepção do salto. Foi-lhe aplicado um ponto automático de dedução pela queda. O triplo loop, realizado após uma entrada difícil em transição, perdeu 0.70 do valor base de 5.61pts devido a uma recepção defeituosa. Os seus outros saltos foram: o quádruplo toe loop (10.44pts), combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (16.94pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.80pts), quádruplo salchow isolado (14.26pts), combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow (12.42pts) e triplo lutz (7.90pts). A sequência de passos (5.60pts) e os peões (12.35pts) foram todos de nível 4. Na sequência coreográfica ele obteve mais 3.90pts. A medalha de ouro foi muito bem entregue. Alexey Bychenko protagonizou a surpresa da competição ao terminar com a medalha de prata. Ele foi quarto classificado no programa livre com 158.47pts mas a conjugação de resultados e as prestações menos conseguidas de Kovtun e Brezina permitiram-lhe ficar no pódio. Este foi o melhor resultado de sempre conseguido por um patinador israelita em Campeonatos da Europa nesta categoria. Com mais um programa com uma coreografia bem conseguida, Bychenko conquistou médias consistentes nos segmentos dos componentes: 7.79 na perícia, 7.39 nas transições/passos de ligação, 7.75 na performance/execução, 7.61 na coreografia/composição e 7.61 na interpretação. No que diz respeito à parte técnica, ele sofreu um ponto de dedução automático devido a uma queda na recepção do quádruplo toe loop (6.30pts). Ele perdeu 4.00pts do valor base de 10.30pts nesse elemento por causa da aplicação de grau de execução negativo. Os seus outros saltos foram uma combinação de quádruplo toe loop-toe loop simples (10.70pts), triplo axel (9.79pts), combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.89pts), combinação de triplo flip-triplo toe loop (11.26pts), triplo loop (6.11pts), triplo lutz isolado (7.20pts) e duplo axel (3.99pts). O segundo peão (2.11pts) foi meramente de nível 1, o primeiro peão (3.21pts) foi de nível 3 e o último peão (3.14pts) foi de nível 4. A sequência de passos alcançou o nível 3 e rendeu-lhe 3.87pts enquanto que na sequência coreográfica ele obteve 2.60pts. O vice-campeão da Europa 2014/2015 Maxim Kovtun não foi feliz no seu programa livre e foi sexto classificado nesta fase da competição. Kovtun conseguiu segurar a medalha de bronze por apenas 1.25pts face ao quarto classificado final. O jovem russo não estava contente com a sua prestação e isso notou-se até na cerimónia de entrega das medalhas. Os primeiros três elementos técnicos do programa livre foram punidos com grau de execução negativo: quádruplo salchow (8.61pts), o quádruplo toe loop (6.30pts) e a tentativa de quádruplo salchow em combinação que acabou por ser apenas um salto duplo (0.10pts). No quádruplo salchow inicial ele perdeu 1.89 do valor base de 10.50pts. No quádruplo toe loop foram-lhe retirados 4.00pts do valor base de 10.30pts. Na tentativa de quádruplo salchow que deveria ser colocado em combinação, Kovtun não cumpriu as voltas todas e caiu mal na recepção do salto, tendo ficado aleijado na anca esquerda. Ele precisou de uns segundos para se recompor antes de voltar à coreografia e à sequência do programa. Kovtun redimiu-se na segunda metade do esquema onde colocou os seguintes saltos: combinação de triplo axel-triplo toe loop (14.08pts), triplo lutz (7.30pts), sequência de triplo loop-duplo axel (8.09pts), triplo salchow (5.54pts) e duplo axel (3.92pts). Os peões totalizaram 11.90pts e alcançaram todos o nível 4. A sequência de passos rendeu-lhe 5.00pts e também conseguiu o nível 4. Na sequência coreográfica amealhou 2.90pts. O seu programa livre está bem coreografado e tem tudo para ser um sucesso mas aquela queda feia fez com que Kovtun não estivesse tão concentrado na parte interpretativa e, por isso, pareceu-me que o programa não brilhou tanto quanto podia. No entanto, as suas médias nos segmentos dos componentes do programa até foram sólidas: 8.18 na perícia, 7.86 nas transições/passos de ligação, 8.00 na performance/execução, 8.36 na coreografia/composição e 8.29 na interpretação. Florent Amodio foi outro dos destaques no programa livre. O carismático francês de origem brasileira resgatou a música e coreografia de um programa passado que fez muito sucesso e voltou a brilhar neste seu adeus à patinagem de competição. O público estava consciente dessa notícia e não deixou de brindá-lo com um aplauso especial naquela que foi a cena mais emotiva da prova. Nikolai Morozov, o treinador de Amodio, não conteve as lágrimas quando Amodio terminou a sua prestação. Este foi o melhor programa livre que Amodio fez nas últimas temporadas. Até o quádruplo salchow saiu bem! Esse foi o seu primeiro elemento técnico do esquema e rendeu-lhe 11.93pts. Os outros saltos que receberam grau de execução positivo foram o triplo axel (8.64pts), a combinação de triplo axel-loop simples-duplo salchow (11.30pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop (8.73pts), combinação de triplo salchow-triplo toe loop (9.77pts), triplo lutz (7.40pts) e duplo axel (3.84pts). O triplo flip (2.87pts) foi o único elemento punido com grau de execução negativo pois ele errou claramente a definição de entrada no salto. No que respeita aos peões, Amodio totalizou 9.30pts. O primeiro peão foi de nível 4, o segundo foi de nível 3 e o último foi de nível 2. A sequência de passos alcançou o nível 3 (4.30pts). A sequência coreográfica permitiu-lhe ir buscar mais 3.60pts para a nota técnica. Nos componentes as suas médias foram de 8.14 na perícia, 7.25 nas transições/passos de ligação, 8.43 na performance/execução, 8.18 na coreografia/composição e 8.50 na interpretação. Florent Amodio terminou à beira do pódio mas ficou com a consolação de ter sido segundo no programa livre. Com a despedida de Florent Amodio assinala-se o fim de uma era na patinagem francesa que também ficou sem as suas outras referências mais populares Brian Joubert e Nathalie Péchalat & Fabian Bourzat. O russo Mikhail Kolyada fez um bom programa que lhe permitiu ser terceiro classificado no livre. No entanto, por causa dos erros que cometeu no programa curto, ele tinha que recuperar muitos pontos face aos adversários e terminou a competição na quinta posição final. No programa livre, o único elemento punido com grau de execução negativo foi o quádruplo toe loop (7.90pts), que perdeu 2.40pts do valor base de 10.30pts. A combinação de triplo axel-triplo toe loop foi um dos melhores momentos do seu esquema e rendeu-lhe 14.37pts, conseguindo vários +2 e até um +3 na escala de grau de execução dos vários juízes. Os restantes saltos foram o triplo axel isolado (10.21pts), o triplo lutz (7.20pts), o triplo loop (5.60pts), uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (10.31pts), uma sequência de duplo axel-duplo axel (6.02pts) e um duplo salchow (1.43pts). Este duplo salchow final pode ser considerado como um erro pois o que estava previsto era a realização de um triplo. Mesmo com o que perdeu no programa curto bastava-lhe ter feito este triplo salchow e a medalha de bronze era dele. Uma coisa que o prejudicou em relação aos atletas que ficaram à sua frente foi que apenas três elementos de saltos foram colocados na segunda metade do esquema, beneficiando de pontuação bónus. A maioria dos saltos ocorreu na primeira metade do esquema. Todos os peões (11.70pts) e a sequência de passos (4.70pts) foram de nível 4. O programa é muitíssimo interessante e é um dos mais arrojados da temporada em termos de coreografia. Por esse motivo pensei que as suas médias nos segmentos de coreografia/composição e interpretação fossem melhores mas assim não aconteceu. As suas médias nos segmentos dos componentes ficaram-se por 7.75 na perícia, 7.46 nas transições/passos de ligação, 7.75 na performance/execução, 7.61 na coreografia/composição e 7.71 na interpretação. Apenas dois juízes marcaram todos os segmentos acima de 8.00 nas suas escalas individuais. O checo Michal Brezina foi o último a patinar no último grupo do programa livre e tinha conhecimento que os seus mais directos adversários estavam completamente ao seu alcance. Ele tinha uma enorme passadeira vermelha estendida para ir conquistar a medalha de prata. No entanto, as coisas não lhe correram de feição e ele foi apenas décimo terceiro classificado no programa livre, terminando na décima posição final na classificação. A sua nota técnica no livre foi meramente de 52.09pts. Brezina sofreu duas deduções automáticas de um ponto devido a quedas. Além disso estes elementos sofreram penalizações resultantes de grau de execução negativo: triplo axel (6.79pts), quádruplo salchow (4.10pts), quádruplo salchow que tinha de ser colocado em combinação (2.24pts), triplo lutz (1.20pts), duplo loop (1.85pts), combinação de triplo flip-loop simples-salchow simples (6.12pts) e o último peão (2.91pts). O triplo toe loop (4.90pts) foi o único salto com grau de execução positivo. A combinação de axel simples-duplo toe loop ficou meramente com o valor base de 2.64pts. Em termos de peões os dois primeiros foram de nível 4 e o último foi de nível 3, para um total de 10.05pts. A sequência de passos atingiu o nível 4 (5.20pts). Na sequência coreográfica ele obteve 2.80pts. Nos segmentos dos componentes do programa as suas médias ficaram-se por 8.00 na perícia, 7.64 nas transições/passos de ligação, 7.50 na performance/execução, 7.86 na coreografia/composição e 7.71 na interpretação. Uma referência final para o bom regresso de Alexander Majorov (que padeceu de lesão no tendão de aquiles), a boa recuperação do jovem Deniss Vasiljevs no livre e da boa estreia do russo Alexander Petrov.
Tabela da classificação final
Tabela com os atletas que foram eliminados da competição após o programa curto
O popular patinador francês Florent Amodio anunciou oficialmente que pretende terminar a sua carreira na patinagem de competição após os campeonatos da Europa 2016. Amodio afirmou que tem a consciência de que já não consegue competir ao mais alto nível e que tem dificuldades em fazer saltos quádruplos, o que o coloca logo em desvantagem. Amodio está agora a receber orientações de treino da parte de Nikolai Morozov na preparação para a sua participação nos campeonatos da Europa. Florent Amodio pretende dedicar-se ao curso de jornalismo depois de acabar a carreira.
A categoria de individuais masculinos revelou resultados surpreendentes no Troféu Skate America 2015, que decorreu em Milwaukee (Estados Unidos) entre os dias 22 e 25 de Outubro.
Max Aaron deixou a concorrência para trás e conquistou a medalha de ouro depois de ter sido primeiro no programa curto e segundo no programa livre. O atleta dos Estados Unidos obteve uma nota de 86.67pts no programa curto, tendo executado com sucesso uma combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (15.66pts), um triplo axel (10.50pts) e um triplo lutz (7.50pts). Quanto aos restantes elementos, a sequência de passos, o primeiro e o último peão foram de nível 3 enquanto que o peão com entrada saltada foi de nível 4. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. Apesar de Max Aaron não ser propriamente um artista, as suas médias nos segmentos dos componentes foram semelhantes: 7.96 na perícia, 7.36 nas transições/passos de ligação, 7.93 na performance/execução, 7.71 na coreografia/composição e 7.75 na interpretação. No programa livre, Aaron voltou a ser consistente na apresentação dos elementos técnicos, sendo que apenas o duplo axel, mesmo no final do esquema, foi punido com grau de execução negativo. O seu plano de saltos foi o seguinte: combinação de quádruplo salchow-duplo toe loop (12.80pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.09pts), triplo loop (5.90pts), quádruplo salchow (13.26pts), triplo axel (10.64pts), combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.79pts), triplo toe loop (5.43pts) e o duplo axel (2.63pts). Todos os peões e a sequência de passos foram de nível 3. Nos componentes, Aaron obteve 8.36 na perícia, 7.61 nas transições/passos de ligação, 8.46 na performance/execução, 8.11 na coreografia/composição e 8.11 na interpretação. Eu gosto deste simpático atleta mas convenhamos que 8.11 na coreografia/composição/interpretação é um exagero perante o programa que ele apresentou. É que o programa praticamente não tem coreografia nem sequer interpretação. No entanto, apenas um juiz teve coragem de lhe atribuir a nota de 6.00 na coreografia/composição e 7.00 na interpretação...
O japonês Shoma Uno caiu na execução do quádruplo toe loop (7.33pts) no programa curto e isso atirou-o para o quarto lugar temporário. A queda nesse quádruplo custou-lhe a retirada de 4 pontos do valor base do elemento e também uma dedução automática de um ponto. No triplo axel (10.21pts) e na combinação de tripo flip-triplo toe loop (10.96pts) ele conseguiu obter grau de execução positivo. Os peões foram todos de nível 4 e a sequência de passos foi de nível 3. Na nota dos componentes, as suas médias nos segmentos foram de 7.96 na perícia, 7.43 nas transições/passos de ligação, 7.68 na performance/execução, 7.79 na coreografia/composição e 7.64 na interpretação. Uno venceu o programa livre e conseguiu subir na tabela final, terminando com a medalha de prata. O livre não foi isento de algumas imperfeições mas foi bastante ambicioso. Os três elementos iniciais foram um quadruplo toe loop (9.27pts), um triplo axel (10.07pts) e uma combinação de triplo axel-triplo toe loop (11.94pts). Quer o primeiro quádruplo como o triplo axel isolado foram penalizados com grau de execução negativo. Na segunda metade do programa Uno efectuou um triplo loop (6.41pts), um triplo salchow (5.34pts), uma combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop (14.62pts), um triplo lutz (7.10pts) e uma invulgar combinação de duplo axel-loop simple-triplo flip (10.41pts). Todos os peões alcançaram o nível 4. No entanto, a sequência de passos foi o elo mais fraco sendo apenas suficiente para preencher os critérios definidos nas regras para o nível 2. Na segunda nota, Uno obteve como médias os valores de 8.43 na perícia, 8.11 nas transições/passos de ligação, 8.61 na performance/execução, 8.39 na coreografia/composição e 8.61 na interpretação. Faltou apenas 1.52 pts para que Uno tivesse podido conquistar a medalha de ouro.
Jason Brown começou a sua participação neste grande prémio com o pé esquerdo ao ter ficado em oitavo lugar no programa curto. Esse mau começo deveu-se à falta de um salto quádruplo e a erros cometidos na combinação e no triplo lutz. Ele começou com um triplo axel (9.50pts) que conquistou grau de execução positivo. Quanto à combinação era suposto Brown ter apresentado um triplo flip com triplo toe loop mas acabou por colocar apenas um toe loop simples a seguir ao triplo flip. Aqui a decisão da arbitragem deixou-me um pouco intrigada. O elemento de combinação foi marcado como inválido mas recebeu 3.20pts à mesma, apesar do grau de execução negativo. É suposto que a combinação tenha um salto triplo em primeiro lugar e ser logo seguido com um outro triplo ou duplo. Ora quando um elemento é marcado como inválido é suposto ser como se não existisse. Se lerem a postagem sobre a disciplina de pares no Skate America 2015 vão ver que aí também houve elementos considerados inválidos ou dados como inexistentes e, claro está, que não foi atribuído qualquer ponto. A única explicação viável que encontrei é de que só foi pontuado o primeiro salto e que o toe loop simples não contou. Ou seja, os árbitros apenas marcaram como inválido o toe loop simples e não todo o elemento no seu conjunto. A ser o caso, parece-me uma regra e um critério um pouco polémicos que deviam ser clarificados no futuro. De resto, a sequência de passos e todos os peões alcançaram o nível 4. Nos componentes, as suas médias foram as seguintes: 8.39 na perícia, 8.25 nas transições/passos de ligação, 8.43 na performance/execução, 8.43 na coreografia/composição e 8.57 na interpretação. Jason Brown conseguiu assegurar a medalha de bronze graças à recuperação que teve no programa livre, onde foi terceiro. Os saltos que beneficiaram de grau de execução positivo foram a combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.23pts), triplo lutz (7.00pts), duplo axel (3.92pts), triplo loop (6.11pts) e combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.39pts). O quádruplo toe loop (4.00pts), o triplo axel isolado (2.13pts) e a combinação de triplo flip-triplo toe loop (8.43pts) foram punidos com grau de execução negativo. Além disso, foi-lhe aplicado automaticamente um ponto de dedução devido a queda na recepção do quádruplo toe loop. A sequência de passos e os dois primeiros peões foram de nível 4. O peão de combinação no final foi de nível 3. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.36 na perícia, 8.54 nas transições/passos de ligação, 8.43 na performance/execução, 8.71 na coreografia/composição e 8.64 na interpretação. Mesmo com erros técnicos, Jason Brown é sempre um patinador que consegue cativar o público e a sua capacidade de interpretação e qualidade base de patinagem são deslumbrantes.
Denis Ten do Cazaquistão foi a grande desilusão do evento. No programa curto ele foi sexto classificado após ter cometido erros no quádruplo toe loop (6.30pts), na combinação de triplo lutz-triplo toe loop (9.30pts) e no peão de combinação de nível 2. Devido à queda na recepção do quádruplo toe loop foi-lhe aplicado um ponto automático de dedução. A combinação também foi penalizada com grau de execução negativo porque a última rotação do toe loop não foi efectivamente completa. No peão de combinação, Ten não conseguiu fixar imediatamente a posição de entrada para poder efectuar as rotações sobre o pé de apoio e para se equilibrar ainda teve de colocar as duas mãos no chão. Nos segmentos dos componentes ele recebeu 8.46 na perícia, 8.11 nas transições/passos de ligação, 8.25 na performance/execução, 8.46 na coreografia/composição e 8.50 na interpretação. No programa livre, Ten sofreu três quedas (quádruplo toe loop isolado, quádruplo toe loop que era suposto ter sido colocado em combinação e no triplo axel). Outros erros cometidos por este patinador ocorreram no axel simples que era suposto ser triplo, no duplo lutz que era suposto ser triplo, no triplo loop porque a recepção foi desequilibrada e no duplo axel devido à entrada e à recepção. Todos esses elementos foram punidos com grau de execução negativo. O triplo flip foi o único salto com grau de execução positivo. O primeiro peão e o peão de combinação foram de nível 4. O peão com entrada saltada foi de nível 2 e a sequência de passos foi de nível 3. Nos componentes Ten obteve as médias de 8.04 na perícia, 7.68 nas transições/passos de ligação, 7.21 na performance/execução, 8.04 na coreografia/composição e 7.89 na interpretação.
Han Yan da China e Konstantin Menshov da Rússia foram segundo e terceiro no programa curto respectivamente mas no livre foram quinto e sexto classificados. Han ficou a 2.44pts da medalha de bronze. Takahito Mura esteve longe da sua melhor forma e cometeu vários erros técnicos que o afastaram completamente da luta pelas medalhas. Florent Amodio continua uma sombra de si próprio e voltou a ficar mal classificado numa prova do grande prémio.
* atletas que fizeram o programa curto mas não se qualificaram para o programa livre
COMENTÁRIO
Javier Fernandez: o primeiro espanhol campeão do mundo em patinagem artística no gelo
Javier Fernandez fez história ao tornar-se o primeiro patinador espanhol a conquistar uma medalha de ouro em mundiais de patinagem artística no gelo. Desde a vitória do suíço Stephane Lambiel em 2006 que não havia um patinador europeu no topo do pódio em campeonatos do mundo. Fernandez foi segundo classificado quer no programa curto como no programa livre e beneficiou da flutuação de resultados dos seus mais directos adversários Yuzuru Hanyu e Denis Ten. O programa curto de Javier Fernandez foi iniciado com um quádruplo salchow (12.64pts), a que se seguiu uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (10.80pts). O triplo axel foi o quarto elemento técnico do esquema e rendeu-lhe 9.49pts. Todos os peões foram de nível 4 onde ele conseguiu um total de 11.33pts. Na sequência de passos (4.37pts) foi classificada com o nível 3. As suas médias nos segmentos dos componentes do programa foram de 8.75 na perícia, 8.64 nas transições, 8.86 na performance, 8.86 na coreografia e 9.00 na interpretação. A coreografia do programa curto assentou que nem uma luva a Fernandez e ajudou a valorizar o seu estilo atlético. O programa livre não foi isento de falhas mas foi tecnicamente bastante ambicioso. Logo no início do esquema o patinador espanhol executou um quádruplo toe loop (12.59pts) que recebeu diversos +2 e +3 na escala individual de cada juiz no grau de execução. Ele tentou um quádruplo salchow logo de seguida mas acabou por cair na recepção. O valor base do quádruplo salchow é de 10.50pts mas, por causa do grau de execução negativo que teve de ser aplicado, Fernandez acabou com 7.50pts nesse elemento. Também foi aplicada uma dedução automática de um ponto por causa da queda. Seguiu-se um triplo axel que recebeu 9.50pts. Depois foi a vez de um peão de nível 4 e da sequência de passos de nível 3. A seguir à sequência de passos foi ultrapassada a margem de tempo para a segunda metade do esquema e, segundo as regras, os saltos realizados após essa margem recebem um bónus de 10% sobre o valor base. Na segunda metade do programa, Fernandez colocou uma excelente combinação de quádruplo salchow-duplo toe loop (14.69pts). Depois foi a vez de uma combinação de triplo flip-loop-triplo salchow (10.40pts). Este elemento foi penalizado em -0,60pts sobre o valor base de 11.00pts por causa do grau de execução negativo aplicado em virtude da definição de entrada no flip não ter sido feita com clareza. Seguiram-se três elementos de salto: triplo loop (6.51pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop (8.13pts) e triplo toe loop isolado (4.81pts). Os últimos elementos do programa foram dois peões de nível 4 e a sequência coreográfica (3.10pts). O seu total de pontos nos peões foi de 11.71pts. Nos componentes este patinador obteve 8.71 na pericia, 8.71 nas transições, 8.93 na performance, 9.07 na coreografia e 9.11 na interpretação. A vitória de Javier Fernandez pareceu-me justa e foi bastante celebrada por fãs das mais diversas nacionalidades. Um momento muito especial que ocorreu antes da cerimónia de entrega de medalhas foi o abraço de amizade entre Fernandez e o japonês Yuzuru Hanyu (ambos são pupilos de Brian Orser). Yuzuru chorou por estar decepcionado com a sua prestação no programa livre mas ao mesmo tempo revelou-se contente pela vitória do seu amigo e revelou bastante fair-play. Hanyu foi campeão do mundial em 2014 mas esta temporada tem sido difícil para ele em termos físicos. Devem recordar-se que ele chocou com Han Yan durante a Taça da China 2014 e que ficou bastante combalido. Após os campeonatos nacionais do Japão, Hanyu foi operado de urgência devido a problemas na bexiga e na uretra e isso impossibilitou-o de treinar durante algumas semanas. Pouco antes dos mundiais, Hanyu também teve de lidar com uma outra lesão. Hanyu foi primeiro no programa curto mas no programa livre foi terceiro classificado, terminando com a medalha de prata, com 2.82pts de desvantagem face a Javier Fernandez. No seu programa curto, Hanyu realizou um quádruplo toe loop, um triplo axel e uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop. O quádruplo foi punido com grau de execução negativo pois a recepção do salto foi defeituosa. Ele quase caiu e perdeu -2.40pts do valor base de 10.30pts por causa do grau de execução negativo. Tanto o axel como a combinação foram executadas na segunda metade do programa para beneficiar da pontuação bónus. O axel rendeu-lhe 11.78pts. A combinação de saltos permitiu-lhe amealhar mais 11.71pts. Todos os peões foram de nível 4 e totalizaram 12.77pts. A sequência de passos (5.50pts) foi de nível 4. Os seus componentes do programa foram de 9.14 na perícia, 8.86 nas transições, 8.96 na performance, 9.07 na coreografia e 9.25 na interpretação. Houve um juiz que na sua escala individual lhe atribuiu a nota de 10.00 no segmento de interpretação. Hanyu cometeu alguns erros no programa livre. Ele tinha planeado começar o seu programa com um quádruplo salchow mas apenas fez um salto duplo (1.33pts). De seguida ele tentou um quádruplo toe loop mas caiu na recepção do salto. Por causa da queda foi-lhe automaticamente aplicado um ponto de dedução. O grau de execução do elemento foi negativo, tendo perdido -3.00pts do valor base de 10.30pts, ficando com um total de 7.30pts. Depois foi a vez de um triplo flip (5.20pts) mas a definição de entrada no salto não foi feita com clareza pelo que foi aplicado grau de execução negativo. Os restantes saltos foram realizados na segunda metade do programa: combinação de triplo lutz-duplo toe loop (8.73pts), combinação de triplo axel-triplo toe loop (15.43pts), combinação de triplo axel-loop-triplo salchow (15.81pts), triplo loop (6.11pts) e triplo lutz isolado (7.50pts). A sequência de passos (5.30pts) e todos os peões foram classificados de nível 4. Nos peões ele amealhou 12.43pts. As suas médias nos componentes do programa foram as seguintes: 8.93 na perícia, 8.71 nas transições, 8.68 na performance, 9.04 na coreografia e 8.96 na interpretação. Uma coisa é certa, com Yuzuru Hanyu nunca há falta de emoção. Ele é um patinador que consegue envolver os fãs nos seus programas e parece que patina sempre como se fosse a última vez. Por isso é tão admirável ver que mesmo apesar dos erros iniciais ele não desistiu do programa e batalhou até ao fim. Um grande exemplo. Hanyu declarou à imprensa que planeia aumentar o grau de dificuldade dos seus programas para a próxima temporada nomeadamente colocando um salto quádruplo na segunda metade do programa livre. Denis Ten do Cazaquistão conquistou a sua segunda medalha em campeonatos do mundo. Em 2013 ficou com a medalha de prata e desta vez ficou com a medalha de bronze. O seu programa curto começou mal pois ele deu uma grande queda na recepção do quádruplo toe loop (7.30pts). Para além do ponto automático de dedução pela queda, o elemento também sofreu penalização com grau de execução negativo. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (10.01pts) que foi apresentada na segunda metade do programa também sofreu com grau de execução negativo devido a uma recepção defeituosa no toe loop. O triplo axel foi muito bom (10.21pts). A sequência de passos (5.40pts) foi de nível 4 assim como todos os peões. O seu total nos peões foi de 11.40pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.68 na perícia, 8.32 nas transições, 8.29 na performance, 8.57 na coreografia e 8.71 na interpretação. Ten venceu a parte do programa livre mas não chegou para recuperar todos os pontos com que ficou em desvantagem no curto. A ideia coreográfica do seu programa livre é das mais interessantes a que tivemos hipótese de assistir durante toda a temporada. Longo dos clichés como "O Fantasma da Ópera", Ten patinou ao som de um tema musical que penso que nunca foi usado por outro patinador. Só por causa disso já merece aplausos. A maioria dos juízes gostaram e atribuíram-lhe várias notas de 9.00 no segmento da coreografia. Houve mesmo um juiz que lhe deu a nota de 10.00 no segmento da interpretação. As suas médias nos componentes foram as seguintes: 8.71 na perícia, 8.68 nas transições, 8.79 na performance, 8.98 na coreografia e 9.04 na interpretação. Na primeira metade do esquema ele executou os seguintes elementos: quádruplo toe loop (8.44pts) que foi penalizado com grau de execução negativo devido à má recepção, combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (16.11pts), peão de nível 4 (4.20pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.80pts), a sequência coreográfica (3.50pts) e triplo axel (6.64pts) precedido de posição de águia que acabou por ser punido com grau de execução negativo devido a má recepção. Na segunda metade do programa foi a vez de uma combinação de triplo flip-loop-triplo salchow (11.80pts), triplo lutz (7.70pts), triplo loop (6.71pts), duplo axel (4.20pts), sequência de passos de nível 4 (4.20pts), peão com entrada saltada de nível 4 (3.36pts) e peão de combinação de nivel 4 (4.21pts). A margem de pontos entre os atletas que ficaram no pódio foi curta mas entre o terceiro e quarto lugar 19.43pts! Quase um fosso entre os medalhados e os restantes patinadores. Jason Brown conseguiu segurar a quarta posição final e surpreendeu muita gente por causa disso. No programa curto todos os elementos beneficiaram de grau de execução positivo. Os saltos efectuados foram o triplo axel (9.64pts), o triplo lutz (7.90pts) e uma combinação de triplo flip-triplo toe loop (9.50pts). O triplo lutz foi executado na segunda metade do programa. Nos peões ele totalizou 11.84pts. A sequência de passos foi de nível 4 (5.30pts). Nos segmentos dos componentes ele obteve 7.96 na perícia, 7.93 nas transições, 8.00 na performance, 8.00 na coreografia e 8.25 na interpretação. Nos componentes no programa livre houve um juiz que atribuiu a nota de 10.00 no segmento de transições/passos de ligação. As suas médias foram consistentes: 8.29 na perícia, 8.29 nas transições, 8.57 na performance, 8.54 na coreografia e 8.61 na interpretação. Dois elementos técnicos foram penalizados com grau de execução negativo: o triplo axel (2.20pts) pois na prática ele não completou três voltas e meia e a combinação de triplo lutz-loop-triplo salchow (11.37pts). Os seus outros saltos foram: combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.23pts), triplo lutz (7.40pts), triplo loop (6.41pts), combinação de triplo flip-triplo toe loop (11.54pts), duplo axel (4.27pts) e duplo axel (4.13pts). Brown brilhou nos peões e conseguiu um total de 13.42pts. A sequência de passos, tal como todos os peões, foi de nível 4 (5.20pts). Jason Brown é artista no gelo e tem uma expressão corporal muito boa. É como se ele fosse um bailarino. As suas linhas corporais são limpas e ele tem muita agilidade. No entanto, ele tem mesmo de estabilizar o triplo axel se quiser ser mais competitivo. Quanto ao quádruplo não há notícias que ele esteja a planear incluir pelo menos um nos seus programas. Se ele tiver pelo menos um quádruplo e o triplo axel estabilizado é com certeza atleta para ficar no pódio das grandes competições internacionais. Os atletas russos estiveram bastante abaixo das suas capacidades. Sergei Voronov tem sido afectado por uma lesão no joelho direito que o tem impedido de saltar normalmente. Kovtun simplesmente bloqueou do ponto de vista psicológico, conforme confessou à imprensa russa após a competição. Ambos tinham muitas expectativas mas apenas Kovtun conseguiu ficar no top 10. Voronov foi quarto no programa curto mas no programa livre foi apenas décimo sétimo! Kovtun foi décimo sexto no programa curto e sexto no programa livre. Já os restantes japoneses em prova também estiveram bastante abaixo do que esperavam. Takahiko Kozuka foi décimo nono classificado no programa curto e foi nono no programa livre, terminando na décima segunda posição. Takahito Mura foi vigésimo terceiro no programa curto e décimo segundo no programa livre, ficando na décima sexta posição na classificação geral final. As màs notícias para a federação do Japão é que esta conjugação de resultados os três atletas japoneses fez com que o Japão perdesse um lugar para os próximo mundiais. Isto significa que apenas dois patinadores japoneses poderão ser escalados para os mundiais de 2016. Tendo em conta os inúmeros patinadores de grande qualidade que há no Japão, os seus próximos campeonatos nacionais deverão ser emocionantes. Misha Ge fez duas provas muito boas e conseguiu a sua melhor classificação de sempre em campeonatos do mundo. Graças a ele, o Uzbequistão terá dois lugares disponíveis na categoria de homens para os próximos mundiais. No entanto, é pouco provável que a federação do Uzbequistão faça uso da segunda vaga pois todos os outros seus patinadores ainda não têm idade para competir em seniores. Nam Nguyen foi uma das estrelas no programa livre em que apenas o triplo lutz isolado foi penalizado com grau de execução negativo. Ele também deslumbrou com um quádruplo salchow bem executado. Desde de 2012 que Florent Amodio não conseguia ficar no top 10
nos campeonatos do mundo. Desta vez ficou em 9.º lugar. Ainda não se mostrou como o Amodio de outras temporadas mas pelo menos parece estar no caminho da evolução positiva. Quem sabe se na próxima época ele se apresentará em forma novamente. Michal Brezina ficou em décimo quinto lugar e isso fez com que a Rep. Checa perdesse um lugar nesta disciplina para os próximos campeonatos do mundo. Esta foi a pior classificação de Brezina nos mundiais de seniores. Relembro-vos que ele foi quarto classificado em 2010 e 2011.