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domingo, 23 de abril de 2017

Notícias - Kanako Murakami

A simpática patinadora japonesa Kanako Murakami anunciou formalmente a sua retirada da patinagem de competição. Numa bonita cerimónia decorrida no Japão durante o World Team Trophy 2017, Kanako teve a oportunidade de patinar perante os fãs e concluir este ciclo da sua carreira. Ela planeia continuar ligada à patinagem mas apenas em galas/espectáculos e exibições.





sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Senhoras (curto)

Taça Rostelecom 2016


Programa curto feminino

Em Moscovo (Rússia)

No dia 04-11-2016









Análise




O programa curto na categoria de individuais femininos no grande prémio Taça Rostelecom 2016 foi muito agradável e pudemos assistir a diversos programas com qualidade. Os três primeiros lugares foram ocupados pelas atletas da casa. Anna Pogorilaya, Elena Radionova e Julia Lipnitskaya deixaram-nos aqui uma amostra do alto calibre da patinagem feminina na Rússia que, de momento, só tem o Japão como rival em termos de quantidade de atletas com excelente nível. Aliás, o que se passou em pista já deixou água na boca para o que irá acontecer nos campeonatos nacionais da Rússia que se realizarão em Dezembro, por altura do Natal.

E sabem quem é que estava nas bancadas a assistir ao programa curto? Nada mais nada menos que a campeã mundial 2016 Evgenia Medvedeva que na semana anterior conquistou o grande prémio Skate Canada.

Em termos de resultados, Anna Pogorilaya levou a melhor e venceu o programa curto com uma pontuação de 73.93pts. Este é o melhor programa curto da carreira de Anna até agora. O responsável por esta coreografia foi o patinador Misha Ge (Uzbequistão). Misha fez um excelente trabalho e Anna soube valorizar e interpretar o material que lhe foi dado. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas com 8.61 na perícia, 8.43 nas transições, 8.71 na performance, 8.79 na composição e 8.82 na interpretação da música. Assim que Anna acabou de patinar eu pensei que ela conseguiria notas ainda melhores nos segmentos de performance, composição e interpretação mas alguns juízes decidiram ser poupadinhos… J Anna também esteve bem tecnicamente conseguindo amealhar graus de execução positivos em todos os elementos. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.30pts) foi o elemento inicial. Seguiram-se o peão de combinação (4.50pts) classificado com o nível 4 e o peão flying camel (3.51pts) de nível 3. Com a entrada na segunda metade do esquema, Anna realizou um triplo loop (6.21pts), um duplo axel (4.42pts), uma sequência de passos (5.60pts) e o peão layback (3.70pts). A sequência de passos e o peão layback preencheram os requisitos exigidos para o nível 4. No seu todo foi um programa muito bom e com potencial para chegar quase aos oitenta pontos. Mas se ela conseguir manter a consistência durante várias provas com a mesma qualidade que demonstrou aqui com certeza que os juízes irão considerar dar-lhe ainda mais pontos nos segmentos que compõem a segunda nota.

Elena Radionova foi segunda classificada no programa curto com uma nota de 71.93pts não ficando muito longe da sua compatriota Anna Pogorilaya e ficando tudo em aberto para o programa livre. A nota final podia tê-las deixado praticamente empatadas não tivesse sido o caso de Elena ter cometido um erro na recepção do duplo axel (2.70pts). O duplo axel acabou por ser punido em 0.93 em sede de grau de execução negativo. O resto do programa correu bem e permitiu-lhe acumular graus de execução positivos nos outros elementos. Para além do duplo axel, Elena também efectuou uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts) e um triplo loop (6.41pts). Este loop foi executado na segunda metade do programa tal como o axel. O peão flying camel (3.70pts), o peão layback (4.06pts) e a sequência de passos (5.80pts) atingiram o nível 4. O peão de combinação foi de nível 3 e recebeu 3.43pts. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 8.54 na perícia, 8.39 nas transições, 8.61 na performance, 8.71 na composição e 8.79 na interpretação da música. Olhando para o protocolo que mostra a pontuação atribuída por cada juiz, verifiquei que houve um juiz que lhe atribuiu apenas 7.75 na performance e outro que lhe marcou 7.75 na composição. Eu gostei imenso da coreografia e acho que Elena a conseguiu interpretar bem. Acho que este programa mostrou que Elena tem crescido do ponto de vista artístico. Ela já é uma senhorita e não apenas uma garota e por isso é natural que comece a interpretar temas um pouco mais complexos ou mais desenvolvidos. Eu achei que a coreografia esteve cheia de óptimos detalhes e que Elena esteve à altura do desafio.

Julia Lipnitskaya não tem feito parte da selecção nacional russa para os principais eventos do calendário internacional e essa fase assemelhou-se a uma “travessia do deserto”. Desde 2014, o ano em que teve mais sucesso no escalão sénior, que Julia já fez muitas mudanças na sua vida. Ela mudou-se de Moscovo para Sochi e alterou a sua equipa técnica e de coreógrafos. Nesta temporada Julia já participou no Troféu Ondrej Nepela onde arrecadou a medalha de prata mas teve de desistir do grande prémio Skate America devido a lesão. As coisas correram-lhe de feição neste programa curto na Taça Rostelecom. Confesso que estava preocupada com a forma como ela lidaria com a pressão de estar a patinar perante os seus compatriotas numa prova que é muito mediática. Mas Julia deu conta do recado e ofereceu-nos uma boa prestação. O seu programa curto recebeu 69.25pts. Em relação às suas compatriotas, ela ficou em desvantagem pontual devido à escolha da combinação. Enquanto Anna e Elena optaram por triplo lutz-triplo toe loop com um valor base de 10.30pts, Julia apresentou uma combinação de triplo toe loop-triplo toe loop que parte de um valor base de 8.60pts. Mesmo com grau de execução positivo, a combinação ficou com 10.00pts. Só aí ela ficou logo com 1.30 de desvantagem. A sequência de passos foi outro elemento que a fez ficar atrás das suas compatriotas. A sequência de passos realizada por Julia foi classificada com o nível 3, o que faz com que o elemento fique com um valor base de 3.30pts enquanto as de Anna e de Elena atingiram o nível 4, passando o elemento a ter um valor base de 3.90pts. Estes pormenores acabam por fazer muita diferença. A sequência de passos acumulou graus de execução positivos e obteve 4.23pts. O peão flying camel também foi de nível 3 e pontuou 3.66pts. O peão de combinação (4.71pts) e o peão layback (3.70pts) foram ambos de nível 4. O duplo axel (4.13pts) e o triplo flip (6.03pts) foram efectuados na segunda metade do esquema. No entanto, o triplo flip levou uma advertência pois a definição de entrada no salto não foi muito clara. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 7.89 nas transições, 8.36 na performance, 8.18 na composição e 8.39 na interpretação da música. O painel de juízes não foi unânime na atribuição de notas nos segmentos dos componentes. No segmento de transições, a juiz canadiana marcou-lhe apenas 6.75 enquanto a juiz estado-unidense lhe atribuiu a nota de 9.00. A juiz canadiana também lhe atribuiu 6.75 no segmento de composição. O juiz italiano atribuiu-lhe 7.50 na perícia, na composição e na interpretação. O mesmo juiz italiano marcou-lhe a nota de 7.00 nos segmentos de transições e performance. Na minha modesta opinião o programa foi sublime e muito bem interpretado. Os peões foram sem dúvida um dos pontos mais altos não só da sua prova individual mas ainda de toda a competição.

Quanto a graus de execução positivos, Anna acumulou 6.8pts, Elena amealhou 5.16pts e Julia arrecadou 6.10pts.

Elizabet Tursynbaeva do Cazaquistão deu nas vistas e conseguiu o quarto lugar no programa curto com uma pontuação de 64.31pts. Esta jovem patinadora treina do grupo de Brian Orser junto a Javier Fernandez e a Yuzuru Hanyu. Nada mau J Apesar dela ter cometido um erro grave, o programa deixou uma boa impressão geral. No seu esquema houve dois elementos punidos com grau de execução negativo: o duplo axel e o peão flying camel. Elizabet caiu na recepção do duplo axel embora parecesse que ela ia conseguir segurar o salto com sucesso. Foi uma pena. Os juízes não puderam ignorar esse erro e o duplo axel acabou por perder 1.43 do seu valor base. No peão flying camel foi-lhe retirado 0.90 do valor base. Os outros elementos obtiveram grau de execução positivo. A sequência de passos (5.00pts), o peão de combinação (4.36pts) e o peão layback (3.56pts) atingiram o nível 4. O peão flying camel foi de nível 3. A combinação de saltos foi constituída por um triplo lutz-triplo toe loop (11.20pts) e o salto isolado foi um triplo loop (6.31pts). Nos segmentos dos componentes, as suas médias terminaram fixadas em 7.54 na perícia, 7.32 nas transições, 7.43 na performance, 7.50 na composição e 7.68 na interpretação da música. É de salientar que por causa da queda no duplo axel lhe foi aplicada uma dedução automática de um ponto.






A chinesa Zijun Li e a estado-unidense Courtney Hicks também fizeram bons programas e têm pouquíssima margem pontual entre si. Nesta altura não será descabido pensar que elas ainda têm uma hipótese de se bater pela medalha de bronze.

Kanako Murakami voltou a desapontar e não foi além do décimo lugar. Ela voltou a demonstrar problemas na rotação dos saltos, tendo-lhe faltado ¼ de volta para completar o triplo flip e o segundo toe loop triplo da combinação que apresentou.

Nicole Rajicova e Anastasia Galustyan também estiveram bem.






Vídeos

Anna Pogorilaya


Elena Radionova


Julia Lipnitskaya


Elizabet Tursynbaeva


Zijun Li


Courtney Hicks


Yura Matsuda


Nicole Rajicova


Anastasia Galustyan


Kanako Murakami


Angelina Kuchvalska


Roberta Rodeghiero



Resultado do programa curto

domingo, 23 de outubro de 2016

GP Skate America 2016 - Senhoras

GP Troféu Skate America 2016


Em Chicago (Estados Unidos)

Nos dias 21 e 22 de Outubro de 2016




Análise




Ashley Wagner, vice-campeã mundial 2016, era uma das principais favoritas à conquista de uma medalha neste primeiro grande prémio da temporada 2016/2017. Wagner não deixou os seus créditos em mãos alheias e arrecadou a medalha de ouro. O troféu Skate America é encarado como sendo super importante para as patinadoras estado-unidenses visto que a categoria de senhoras é a que mais atenções atrai nos Estados Unidos. É uma prova que tem destaque na imprensa nacional e que pode chamar a atenção do público e de patrocinadores. Também é uma prova em que se começam a marcar posições para os campeonatos nacionais e por isso é importante conseguir um bom resultado para ganhar algum favoritismo e confiança do ponto de vista psicológico. No actual panorama da patinagem feminina dos Estados Unidos fala-se da rivalidade entre Ashley Wagner e Gracie Gold. Neste grande prémio Ashley Wagner já leva um bom avanço face à sua rival.


Ashley Wagner conquistou o público no programa curto ao patinar ao som de um arranjo da popular música “Sweet Dreams (Are made of these)” de Annie Lennox. A música e a coreografia assentam-lhe que nem uma luva ao seu estilo. E se há coisa que Ashley sabe fazer é apresentar bem uma coreografia. O programa recebeu uma excelente nota de 69.50pts. Os peões conseguiram um total de 10.50pts e foram todos classificados com o nível 3. A sequência de passos obteve 4.51pts e também foi de nível 3. Em termos de saltos, a combinação de triplo flip-triplo toe loop foi o elemento inicial do programa e ficou com o valor base de 8.30pts. A maior parte dos juízes foi condescendente com ela neste elemento pois o triplo toe loop foi claramente incompleto, ou seja, faltou um pouco para que a terceira rotação fosse efectivamente completa. No entanto, apenas dois juízes aplicaram -1 na escala do grau de execução. O triplo loop (6.91pts) e o duplo axel (4.56pts) foram realizados na segunda metade do esquema para beneficiar de pontuação bónus no valor base. As suas médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram muito boas: 8.68 na perícia, 8.32 nas transições, 8.82 na performance, 8.71 na composição e 8.86 na interpretação da música.


Ashley Wagner foi segunda no programa livre com uma pontuação de 126.94pts. Mais uma vez Ashley conseguiu cativar o público com uma boa interpretação. No entanto, em termos técnicos ocorreram algumas falhas em elementos de saltos. Na combinação de triplo flip-triplo toe loop (7.90pts), a terceira rotação do toe loop não foi de facto completada e, ao contrário do que aconteceu no curto, o elemento foi punido com grau de execução negativo. No triplo flip isolado também faltou rotação pelo que os juízes tiveram de aplicar grau de execução negativo. Esse elemento ficou com 3.97pts. A combinação de triplo loop-toe loop simples (5.05pts) perdeu pontos devido a uma recepção um pouco deficiente no primeiro salto e à segunda parte da combinação não ter sido feita de acordo com o planeado e essa alteração ter sido bem perceptível. Essa combinação foi punida com grau de execução negativo. A combinação de triplo lutz-duplo toe loop (5.15pts) também foi penalizada pois a definição de entrada do lutz foi claramente incorrecta. Os saltos que receberam grau de execução positivo foram os dois duplo axel isolados (4.23pts e 4.01pts respectivamente) e o triplo loop (6.81pts). Na sequência de passos de nível 3 ela conseguiu amealhar 4.66pts. Sinceramente achei que em comparação com a de Mao Asada, a da japonesa foi claramente melhor mas ficou exactamente com os mesmos pontos… A sequência coreográfica rendeu-lhe3.60pts. Nos peões ela conseguiu 11.50pts, sendo que os primeiro foi de nível 4 e os outros foram de nível 3. No que diz respeito aos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.71 na perícia, 8.43 nas transições, 8.79 na performance, 8.82 na composição e 9.04 na interpretação da música. Apesar das falhas nos saltos, Ashley tem uma capacidade enorme em disfarçar erros. Além disso, como ela tem uma presença forte em pista e exibe auto confiança por todos os poros, é fácil ter a tendência de nos concentrarmos no lado artístico e descurarmos os erros. Mesmo assim penso que Ashley foi uma justa vencedora nesta prova.


Mariah Bell foi a grande surpresa desta competição ao conseguir alcançar a medalha de prata. Ela foi sexta no programa curto com 60.92pts mas não se deixou abater e venceu o programa livre com uma nota de 130.67pts.


O programa curto de Mariah Bell teve dois elementos punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (8.20pts) e o triplo flip (5.63pts). O principal problema da combinação foi que no triplo toe loop a terceira rotação não foi de facto completada pela patinadora. O duplo axel recebeu 3.92pts. Tanto o flip como o axel foram efectuados na segunda metade do esquema. O peão layback (3.70pts) foi de nível 4, o peão flying sit (3.03pts) foi de nível 3 e o peão de combinação (2.93pts) foi de nível 3. A sequência de passos obteve 3.60pts e foi classificada com o nível 2. Nos segmentos dos componentes, as médias alcançadas por Mariah Bell foram de 7.25 na perícia, 7.32 nas transições, 7.64 na performance, 7.50 na composição e 7.68 na interpretação da música.


No programa livre, Bell apenas teve um elemento punido com grau de execução negativo: foi a combinação de triplo flip-loop simples-duplo salchow (7.50pts). A definição de entrada no triplo lutz isolado não foi limpa mas apenas dois juízes marcaram -1 pelo que o elemento acabou por conseguir grau de execução positivo e pontuar 6.70pts. Os outros saltos realizados foram a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts), triplo loop (5.70pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.10pts), duplo axel isolado (4.34pts) e triplo flip (6.93pts). A sequência de passos cumpriu os critérios exigidos para o nível 3 e pontuou 4.09pts. Na sequência coreográfica, ela obteve 3.20pts. Em termos de peões, os três totalizaram 11.26pts, sendo que o primeiro foi de nível 4, o segundo foi de nível 3 e o último foi de nível 2. As médias obtidas nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram de 7.93 na perícia, 7.75 nas transições, 8.32 na performance, 8.07 na composição e 8.21 na interpretação da música.


A japonesa Mai Mihara pode ficar contente com o seu resultado no Skate America. A jovem japonesa conquistou a medalha de bronze logo na sua estreia no circuito do grande prémio sénior.


Mihara foi segunda classificada no programa curto com uma nota de 65.75pts. Eu fiquei impressionada com a sua prestação principalmente porque o salto isolado foi o último elemento do programa. Começa a ser hábito para muitas patinadoras colocar o salto isolado na segunda metade do esquema para obter um bónus no valor base mas deixá-lo mesmo para último elemento é uma raridade. Parabéns a Mai Mihara por ter arriscado. Ela começou por realizar uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts), a que se seguiram o peão flying sit (3.93pts) e o peão de combinação (4.07pts) ambos de nível 4. Na segunda parte do esquema ela realizou o duplo axel (4.42pts), o peão layback (3.27pts) de nível 4, a sequência de passos (3.80pts) de nível 3 e o triplo flip (4.83pts). O triplo flip foi o único elemento punido com grau de execução negativo. Nos segmentos dos componentes houve um juiz que não se mostrou impressionado mas esteve isolado no painel. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas: 7.71 na perícia, 7.18 nas transições, 7.61 na performance, 7.54 na composição e 7.50 na interpretação da música.


Mai Mihara foi terceira no programa livre com uma nota de 123.53pts. Tecnicamente a japonesa foi superior a Ashley Wagner mas a nota dos componentes fez toda a diferença. Houve apenas um elemento punido com grau de execução negativo: a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (6.33pts) da segunda metade do esquema. É que a última rotação do toe loop não foi efectivamente realizada. Curiosamente, Mihara jogou com as regras e colocou duas combinações de triplo lutz-triplo toe loop. É uma situação legal mas com esta combinação de saltos é a primeira vez que vejo. Foi uma decisão interessante da equipa técnica dela pois é um elemento muito valioso. A primeira combinação de triplo lutz-triplo toe loop no programa livre correu bem e rendeu-lhe 11.60pts. Os restantes saltos apresentados no livre foram o triplo flip (6.30pts), o duplo axel (3.87pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.49pts), triplo loop (6.61pts) e duplo salchow (1.46pts). Estava previsto que Mihara executasse um triplo salchow em vez de duplo mas eu penso que lhe estavam a faltar um pouco as forças visto que esse foi o último salto do esquema. Mihara ainda está a adaptar-se ao escalão sénior e nos juniores os programas livres exigem menos elementos do que aqui. Os peões conquistaram 12.07pts e conseguiram todos o nível 4. A sequência de passos foi classificada com o nível 3 e obteve 4.01pts. A sequência coreográfica pontuou 3.10pts. As médias obtidas nos segmentos dos componentes foram de 7.96 na perícia, 7.57 nas transições, 8.00 na performance, 7.86 na composição e 7.79 na interpretação da música.


É sempre um gosto ver Mao Asada patinar. A sua leveza, qualidade base de patinagem, capacidade de interpretação da música são maravilhosas mas neste evento ela só conseguiu o sexto lugar, tendo ficado com uma pontuação total que a deixou bem longe do pódio.


Mao Asada conseguiu uma pontuação de 64.47pts no programa curto. O primeiro elemento foi um duplo axel (4.23pts) logo seguido da combinação de triplo flip-duplo loop (4.90pts). A combinação foi penalizada em sede de grau de execução pois o a terceira rotação do flip não foi completada. Faltou-lhe cerca de ¼ de volta. O terceiro elemento foi o peão flying spin (3.77pts) que cumpriu os critérios necessários para o nível 4. Depois foi a vez do triplo loop (5.81pts) já na segunda metade do programa. Seguiram-se o peão layback (3.41pts) e o peão de combinação (4.50pts) ambos de nível 4. O programa terminou com a sequência de passos de nível 3 que recebeu 4.37pts. Do que vi nesta prova pareceu-me que a sequência de passos foi mais do que suficiente para o nível 4 e isso teria aumentado o valor base do elemento. No entanto o controlador técnico achou que a dita sequência só chegou para o nível 3. Nos segmentos dos componentes ela ficou com médias de 8.43 na perícia, 8.11 nas transições, 8.39 na performance, 8.43 na composição e 8.50 na interpretação. Apesar das boas médias, houve um juiz que entendeu que o programa só merecia 7.75 na composição e 7.75 na interpretação. 7.75 para o que é uma das melhores coreografias vistas nesta temporada até agora e tendo em conta o que ela apresentou nesta prova parece-me severo.


Mao Asada foi sexta classificada no programa livre com uma nota de 112.31pts. Três dos elementos de salto foram punidos com grau de execução negativo: o triplo lutz (3.60pts), o axel simples (0.81pts) e o triplo salchow (1.31pts). No axel simples era suposto que ela tivesse tentado uma combinação de duplo axel-duplo toe loop ou de duplo axel-triplo toe loop. Pareceu-me que ela não conseguiu entrar bem no axel pois tinha o eixo de rotação desalinhado e por isso não foi capaz de reunir o impulso suficiente para a rotação no ar. Para evitar uma queda ela teve de abortar o salto. Pareceu-me também que pode ter havido algum lapso de concentração em consequência disso pois o erro no triplo salchow ocorreu logo de seguida. Ela tinha planeado fazer um triplo flip como elemento seguinte ao triplo salchow mas acabou apenas por efectuar um duplo flip que ficou com o valor base de 2.09pts. Os saltos que beneficiaram de grau de execução positivo foram o duplo axel (4.23pts), a combinação de triplo flip-duplo loop (7.90pts) e triplo loop (6.21pts). Nos peões ela conseguiu amealhar 11.84pts, sendo que todos alcançaram o nível 4. A sequência de passos obteve 4.66pts e foi de nível 3. Mais uma vez discordo da atribuição do nível. A mim pareceu-me que os critérios para o nível 4 foram todos preenchidos. A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.70pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 8.36 na perícia, 7.93 nas transições, 8.14 na performance, 8.43 na composição e 8.36 na interpretação da música.


Gracie Gold ficou desalentada com o seu resultado nesta competição. Ela queria lutar por um lugar no pódio e acabou por ficar sem medalha. O seu quinto lugar no Skate America compromete as suas aspirações de se qualificar para a grande final que se vai realizar em Dezembro. Além disso, este resultado foi também um rude golpe na sua reputação pois as atenções da imprensa americana que esteve a cobrir o evento estavam muito focadas nela. A queda no triplo flip no programa curto e mais duas quedas no programa livre para além de outros pequenos erros acumulados não deixaram boa impressão a muita gente. É claro que todos nós sabemos que ela tem muitas capacidades e talento natural mas acho que é cedo demais para riscá-la da lista de favoritas. Estamos numa fase em que as patinadoras ainda não estão no seu pico de forma e até aos campeonatos nacionais ainda muita coisa pode acontecer. O que mais me surpreendeu foi a atitude cabisbaixa que ela demonstrou no decorrer da competição e a maneira como demonstrou isso quando falou com a imprensa. Enfim… todos nós podemos ter dias maus. O que importa é reagir.








Vídeos

Ashley Wagner
Programa curto

Programa livre


Mariah Bell
Programa curto

Programa livre


Mai Mihara
Programa curto

Programa livre


Gabrielle Daleman
Programa curto

Programa livre


Gracie Gold
Programa curto

Programa livre


Mao Asada
Programa curto

Programa livre







Resultado final



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Challenger Series 2016/2017 - Troféu da Lombardia

Troféu da Lombardia 2016


Challenger Series 2016/2017 - Etapa 1

Entre os dias 8 e 11 de Setembro

Em Bergamo (Itália)






Categoria de Homens




A categoria masculina foi a que mais expectativas gerou nesta competição e a presença de Shoma Uno e Jason Brown muito contribuiu para isso. Estes dois patinadores são muito carismáticos e são dos mais populares a nível internacional. Por isso havia muita curiosidade em vê-los competir nesta fase inicial da temporada. O japonês Uno acabou por levar a melhor e conseguir garantir a medalha de ouro com um total de 258.93pts, apenas com mais 2.44pts do que o estado-unidense Brown.


Como sabem os atletas chegam ao local das competições com alguma antecedência e há quase sempre lugar a alguma sessão de treino aberta. Esta competição não foi excepção. Ainda antes do programa curto se iniciar já corria a notícia de que Shoma Uno tinha sido visto a efectuar quádruplos flip nas sessões de treino em Bergamo. E com sucesso… Isso fez aumentar as expectativas sobre a prestação de Shoma Uno. Ele realmente tentou esse salto tanto no programa curto como no programa livre embora sem sucesso absoluto como nos treinos. Seja como for este foi um bom teste para Uno e com certeza isto deu para sacudir a pressão de fazê-lo em competição pela primeira vez. O valor base do quádruplo flip é de 12.30pts e por isso é uma mais-valia para qualquer programa.


No que toca a Jason Brown foi com satisfação que o vimos tentar elevar a fasquia nos seus programas e tentar o quádruplo toe loop quer no programa curto como no programa livre. Ele tentou mas não teve sucesso. No entanto isto já é um passo significativo para tentar introduzir um salto quádruplo em todos os seus programas competitivos. Este é um passo muito importante para que ele possa recuperar um lugar na selecção nacional dos Estados Unidos para as principais competições da temporada, nomeadamente os mundiais.




Resultado final


1.º
Shoma Uno
Japão
258.93pts


2.º
Jason Brown
Estados Unidos
256.49pts


3.º
Max Aaron
Estados Unidos
218.73pts


4.º
Stephane Walker
Suíça
207.81pts


5.º
Grant Hochstein
Estados Unidos
198.77pts


6.º
Jin Seo Kim
Coreia do Sul
184.58pts


7.º
Graham Newberry
Grã-Bretanha
166.91pts


8.º
Ondrej Spiegl
Suécia
166.56pts


9.º
Simon Hocquaux
França
147.03pts


10.º
Conor Stakelum
Rep. Irlanda
144.52pts


11.º
Jaeseok Kyeong
Coreia do Sul
132.13pts


12.º
Alessandro Fadini
Itália
123.09pts


13.º
Lap Kan Yuen
Hong Kong
99.04pts




Categoria de Senhoras




A categoria feminina contou com a participação de várias atletas interessantes. Inicialmente, olhando apenas para os nomes e os respectivos palmarés, era fácil apontar a japonesa Kanako Murakami como a grande favorita à vitória. Mas isso não esteve nem sequer perto de acontecer. Murakami terminou a competição na sexta posição com uma pontuação que a deixou muito longe das medalhas. Outrora um dos seus pontos fortes, nesta competição, alguns juízes, na sua escala individual, não hesitaram em aplicar-lhe notas tão baixas como 5.25 em alguns segmentos dos componentes. Isto é um sinal que tem de ser levado a sério pela sua equipa técnica pois demonstra que alguns juízes já não estão sequer dispostos a dar-lhe o benefício da dúvida. É que nestas andanças a reputação conquistada por cada patinador também conta… Quanto à parte técnica, um dos seus principais problemas  foi o de ter apresentado diversos saltos cuja rotação se revelou incompleta.


Wakaba Higuchi, estreante no escalão sénior, arrecadou a medalha de ouro por uma unha negra. A jovem japonesa conseguiu apenas 1.59 de vantagem sobre a coreana Na Hyun Kim e só 2.00pts de vantagem sobre a estado-unidense Mirai Nagasu. Foi um resultado mesmo renhido. Higuchi segurou a medalha de ouro graças à sua prestação no programa curto pois no livre foi apenas terceira.


A luta entre as duas patinadoras coreanas também foi interessante. So Youn Park tem muito mais estatuto internacional do que Na Hyun Kim mas foi Kim que teve uma melhor prestação e conseguiu arrecadar uma medalha. Estes duelos nacionais assumem particular importância em vésperas de uma temporada olímpica. Isso assume relevância para os países que apenas têm um ou dois lugares disponíveis para competições como os mundiais e os jogos olímpicos. Se isto voltar a suceder é bem possível que o estatuto de coreana n.º 1 que Park detém actualmente seja posto em causa.


Mirai Nagasu era outra das favoritas juntamente com Murakami atendendo ao seu palmarés. Mas ao contrário da simpática japonesa, Nagasu esteve na luta pela medalha de ouro. Este resultado também é importante para Nagasu pela tal luta interna por um lugar na selecção nacional. Claro que Gracie Gold e Ashley Wagner são as principais patinadoras dos Estados Unidos mas se Nagasu continuar a ter bons resultados internacionais isso pode pesar na escolha da federação americana para competições mais importantes como é o caso dos campeonatos dos 4 Continentes.


Das atletas europeia, a melhor de todas foi a italiana Roberta Rodeghiero que ficou em quarto lugar, embora com uma pontuação que a deixou ainda muito longe da medalha de bronze.  




Resultado final


1.º
Wakaba Higuchi
Japão
178.86pts


2.º
Na Hyun Kim
Coreia do Sul
177.27pts


3.º
Mirai Nagasu
Estados Unidos
176.86pts


4.º
Roberta Rodeghiero
Itália
164.82pts


5.º
So Youn Park
Coreia do Sul
156.85pts


6.º
Kanako Murakami
Japão
151.27pts


7.º
Lutricia Bock
Alemanha
149.08pts


8.º
Nathalie Weinzierl
Alemanha
144.96pts


9.º
Nicole Schott
Alemanha
144.17pts


10.º
Micol Cristini
Itália
142.92pts


11.º
Viveca Lindfors
Finlândia
140.95pts


12.º
Kristen Spours
Grã-Bretanha
135.21pts


13.º
Helery Helvin
Estónia
133.56pts


14.º
Fruzsina Medgyesi
Hungria
126.36pts


15.º
Tanja Odermatt
Suíça
124.84pts


16.º
Liubov Efimenko
Finlândia
115.38pts


17.º
Antonina Dubinina
Sérvia
113.57pts


18.º
Se Bin Park
Coreia do Sul
112.95pts


19.º
Anna Duskova
Rep. Checa
111.53pts


20.º
Gerli Liinamae
Estónia
108.28pts


21.º
Aleksandra Golovkina
Lituânia
108.19pts


Categoria de Dança




Na categoria de dança havia a esperança que os italianos Cappellini & Lanotte competissem aqui para mostrar os seus novos programas. No entanto, tal acabou por não acontecer e os seus compatriotas Guignard & Fabbri ficaram com o estatuto de cabeças-de-cartaz para esta disciplina.
Guignard & Fabbri dominaram completamente a competição. Na dança curta, todos os seus elementos beneficiaram de grau de execução positivo. No entanto, eles não se livraram de duas advertências referentes a violação das regras para as músicas da dança curta e também por violação de regras referentes a restrições coreográficas. Fica o aviso para mudarem esses aspectos antes de iniciarem a sua participação no circuito sénior do grande prémio. No que toca à dança livre eles não sofreram grandes percalços. Todos os elementos conseguiram grau de execução positivo e bons níveis. Não obstante, este par recebeu uma advertência quanto a violação de regras sobre as músicas para o programa. A estreia foi boa mas com estas chamadas de atenção já têm trabalho de casa para fazer antes da próxima competição.  




Resultado final


1.º
Charlene Guignard & Marco Fabbri
Itália
162.12pts


2.º
Lilah Fear & Lewis Gibson
Grã-Bretanha
139.60pts


3.º
Cecilia Torn & Jussiville Partanen
Finlândia
130.76pts


4.º
Julia Biechler & Damian Dodge
Estados Unidos
127.76pts


5.º
Jasmine Tessari & Francesco Fioretti
Itália
122.14pts


6.º
Justyna Plutowska & Jeremie Flemin
Polónia
114.34pts


7.º
Mina Zdravkova & Christopher M. Davis
Bulgária
86.10pts


Categoria de Pares




Valentina Marchei e Ondrej Hotarek são dos atletas mais populares na categoria de pares. Quase toda a gente gosta deles e torce para que as coisas lhe corram bem. Antes da competição se iniciar, muita gente expressou a ideia de que Marchei & Hotarek eram os favoritos à vitória. Por muitas previsões que se façam, o gelo pode sempre pregar partidas. Na realidade Marchei & Hotarek tiveram de contentar-se com a medalha de prata. O carisma só não chega e há muito trabalho pela frente para que Valentina se adapte aos elementos típicos e exclusivos da categoria de pares. O twist continua a ser um problema para eles. O triplo lutz lançado também não resultou desta vez nem no curto nem no livre.


Della Monica & Guarise saíram de Bergamo na condição de vitoriosos e com uma prestação bastante sólida a nível de pontuação no programa livre. No livre, o único elemento punido com grau de execução negativo foi a combinação cotada como duplo toe loop-duplo toe loop que deveria ter sido triplo-duplo. De resto obtiveram bons níveis e médias acima de 7.00 nos segmentos dos componentes do programa livre.




Resultado final


1.º
Nicole Della Monica & Matteo Guarise
Itália
185.18pts


2.º
Valentina Marchei & Ondrej Hotarek
Itália
179.56pts


3.º
Rebecca Ghilardi & Filippo Ambrosini
Itália
144.70pts


4.º
Jessica Pfund & Joshua Santillan
Estados Unidos
138.94pts


5.º
Goda Butkute & Nikita Ermolaev
Lituânia
126.84pts


6.º
Minji Ji & Themistocles Leftheris
Coreia do Sul
124.14pts

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Campeonatos dos 4 Continentes 2016 - Senhoras

Campeonatos dos 4 Continentes 2016

Taipei City

Entre os dias 16 e 21 de Fevereiro



Satoko Miyahara (Japão) dominou a edição dos campeonatos dos 4 Continentes 2016, conquistando a medalha de ouro sem margem para dúvidas. Esta é terceira medalha que Satoko conquistou nestes campeonatos, juntando esta medalha de ouro às duas medalhas de prata (2014 e 2015) que já tinha no currículo. Satoko foi primeira classificada no programa curto com uma nota de 72.48pts. O seu esquema iniciou-se com uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.00pts) a que se seguiu o peão layback (3.91pts) e o peão com entrada saltada (4.06pts). A sequência de passos foi o quarto elemento técnico e rendeu-lhe 5.50pts. Na segunda metade do esquema, Satoko apresentou o triplo flip (6.63pts) e o duplo axel (4.42pts). O último elemento foi o peão de combinação (4.36pts). Todos os elementos obtiveram o nível 4 e grau de execução positivo. No que diz respeito aos items que fazem parte da segunda nota, esta patinadora conseguiu as seguintes médias: 8.14 na perícia, 7.86 nas transições/passos de ligação, 8.32 na performance/execução, 8.21 na coreografia/composição e 8.21 na interpretação. 
O programa livre de Satoko conseguiu uma nota de 142.43pts, tendo todos os elementos logrado obter grau de execução positivo e o nível 4. Os saltos realizados na primeira metade do programa foram uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (9.60pts), triplo loop (5.90pts) e triplo flip (6.10pts). Na segunda metade do esquema ela efectuou um triplo lutz isolado (7.40pts), uma combinação de duplo axel-triplo toe loop (9.76pts), um triplo salchow (5.74pts) e outra combinação de duplo axel-triplo toe loop (9.76pts). Esta opção de colocar duas combinações de saltos exactamente iguais no mesmo programa não deixa de ser curiosa. No entanto, Satoko tem-se saído bem nesta escolha e neste programa livre as duas combinações de duplo axel-triplo toe loop ficaram com a mesma nota: 9.76pts. A sequência de passos permitiu-lhe juntar mais 4.90pts à nota técnica. A sequência coreográfica pontuou 3.40pts. O peão de combinação rendeu-lhe 4.14pts. O peão com entrada saltada e o peão layback permitiram-lhe amealhar 3.99pts e 4.20pts respectivamente. As suas médias nos segmentos dos componentes foram equilibradas, tendo-se fixado em 8.39 na perícia, 8.18 nas transições/passos de ligação, 8.54 na performance/execução, 8.54 na coreografia/composição, 8.57 na interpretação. 
Mirai Nagasu (Estados Unidos) conseguiu fazer nesta prova uma das suas melhores prestações a nível internacional destas últimas temporadas, tendo terminado aqui com a medalha de prata. Ela foi a melhor patinadora americana nesta competição. Ironicamente, Mirai nem sequer foi uma primeira escolha da selecção americana para estes campeonatos. Polina Edmunds, a campeã dos 4 Continentes na temporada passada, e Ashley Wagner, campeã dos 4 Continentes em 2012, abdicaram do seu lugar na selecção para esta prova. Foi por isso que Mirai conseguiu o lugar. No entanto, a principal aposta dos Estados Unidos foi Gracie Gold que acabou por desiludir. Mirai foi terceira classificada no programa curto com uma nota de 66.06pts. O triplo loop (4.40pts) foi o único elemento punido com grau de execução negativo. Esse loop perdeu 0.70 do valor base de 5.10pts. Os restantes elementos conseguiram grau de execução positivo. A combinação de triplo flip-triplo toe loop (10.90pts) foi o primeiro elemento do esquema e o duplo axel (4.63pts) foi colocado na segunda metade do programa beneficiando de pontuação bónus no valor base. O peão de combinação (3.64pts) e a sequência de passos (3.94pts) alcançaram o nível 3. O peão com entrada saltada (3.70pts) e o peão layback (3.84pts) foram de nível 4. Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias foram de 7.75 na perícia, 7.61 nas transições/passos de ligação, 7.86 na performance/execução, 7.75 na coreografia/composição e 7.79 na interpretação. No programa livre, Mirai foi segunda classificada com uma pontuação de 127.80pts. Esta prestação foi uma grande vitória para ela pois conseguiu completar todas as rotações nos saltos que efectuou. É que Mirai tinha um problema crónico: na maioria das vezes faltava-lhe um quarto de volta para completar os saltos que queria, principalmente nos triplos. Desta vez, o único salto punido com grau de execução negativo foi o triplo lutz (3.00pts) devido ao facto de ela não ter definido correctamente a entrada no salto. Foi-lhe retirado 1.20 do valor base de 4.20pts. Os três primeiros elementos do esquema foram a combinação de triplo flip-triplo toe loop (10.30pts), o tal triplo lutz e o triplo salchow (5.10pts). Os restantes saltos foram colocados na segunda metade do programa: combinação de duplo axel-triplo toe loop-duplo toe loop (10.89pts), triplo loop (6.41pts), triplo loop-duplo toe loop (7.74pts) e duplo axel (4.06pts). O peão com entrada saltada (3.70pts), o peão de combinação (4.00pts) e o peão layback (3.91pts) alcançaram o nível 4. A sequência de passos (3.80pts) foi de nível 3. A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.10pts. Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias fixaram-se em 7.68 na perícia, 7.50 nas transições/passos de ligação, 7.86 na performance/execução, 7.86 na coreografia/composição e 7.71 na interpretação.
Rika Hongo (Japão) ficou com a medalha de bronze. Ela foi quarta classificada no programa curto com uma nota de 64.27pts. A combinação de triplo flip-triplo toe loop (7.60pts) foi o único elemento com punido com grau de execução negativo, perdendo 0.70 do valor base de 8.30pts. É que a terceira rotação no triplo toe loop não foi efectivamente completa. O triplo lutz (6.80pts) e o duplo axel (4.42pts) foram ambos colocados na segunda metade do esquema. A sequência de passos (5.30pts) foi de nível 4. O peão com entrada saltada (3.70pts), o peão layback (2.99pts) e o peão de combinação (4.00pts) alcançaram todos o nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes do programa ficaram em 7.43 na perícia, 7.11 nas transições/passos de ligação, 7.32 na performance/execução, 7.43 na coreografia/composição e 7.54 na interpretação. No programa livre a pontuação de Rika foi de 117.51pts, deixando-a no quinto lugar nessa fase da competição. Três dos elementos de saltos foram punidos com grau de execução negativo. Na combinação de triplo flip-triplo toe loop (4.50pts) foram-lhe retirados 2.10pts do valor base de 6.60pts, pois a terceira rotação do toe loop foi incompleta e a patinadora caiu na recepção do segundo salto. A queda também lhe custou uma dedução automática de um ponto. No triplo lutz (2.90pts) foram-lhe retirados 1.30 do valor base de 4.20pts pois a definição de entrada no salto foi feita de forma incorrecta. O triplo flip isolado (5.63pts) ela perdeu 0.20 do valor base de 5.83pts. Os outros saltos efectuados por esta patinadora foram o triplo salchow (5.30pts), combinação de duplo axel-triplo toe loop-duplo toe loop (10.19pts), triplo loop (6.01pts) e combinação de duplo axel-duplo toe loop (5.56pts). O peão com entrada saltada (3.27pts), o peão de combinação (3.64pts) e o peão de combinação com entrada saltada (3.93pts) alcançaram o nível 4. A sequência de passos (3.87pts) foi de nível 3 e a sequência coreográfica rendeu-lhe 3.20pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 7.43 na perícia, 7.32 nas transições/passos de ligação, 7.57 na performance/execução, 7.82 na coreografia/composição e 7.68 na interpretação. Rika beneficiou da conjugação de resultados e das oscilações na tabela para ficar no pódio.
So Youn Park (Coreia do Sul) conseguiu o seu melhor resultado da carreira até agora nos 4 Continentes, ao terminar a competição na quarta posição. Park foi quinta classificada no curto e sétima no livre mas tal como Rika Hongo beneficiou com os erros cometidos por outras patinadoras. No programa curto a sua nota foi de 62.49pts. Todos os seus elementos alcançaram grau de execução positivo, com uma maioria de +1 nas classificações dos juízes. Os seus saltos foram os seguintes: triplo lutz (6.80pts), combinação de triplo salchow-triplo toe loop (9.50pts) e duplo axel (4.34pts). O axel foi colocado na segunda metade do esquema. O peão com entrada saltada (3.63pts), o peão layback (3.20pts) e o peão de combinação (4.14pts) chegaram ao nível 4. A sequência de passos foi de nível 3 (3.87pts). Na construção da nota dos componentes, as suas médias nos segmentos foram de 6.79 na perícia, 6.50 nas transições/passos de ligação, 6.86 na performance/execução, 6.75 na coreografia/composição e 6.86 na interpretação. No programa livre, So-Youn obteve uma nota de 116.43pts. A sua nota técnica de partida foi de 59.23pts e a final ela conseguiu 60.69pts. Isto dá ideia de como os seus graus de execução não foram nada de especial. Quatro dos elementos de saltos foram penalizados com grau de execução negativo: o triplo lutz (4.90pts), o triplo flip (3.20pts), a combinação de triplo salchow-duplo toe loop-duplo loop (8.05pts) e a segunda combinação de duplo axel-triplo toe loop (6.50pts). Como ela caiu no triplo flip também foi aplicada uma dedução automática de um ponto. Os saltos que tiveram sucesso foram a primeira combinação de duplo axel-triplo toe loop (8.80pts), o triplo loop (6.11pts) e o triplo salchow (5.54pts). O peão com entrada saltada (3.56pts), o peão layback (3.20pts) e o peão de combinação (4.29pts) alcançaram o nível 4. A sequência de passos (3.94pts) foi de nível 3 e a sequência coreográfica permitiu-lhe amealhar mais 2.60pts. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 7.11 na perícia, 6.89 nas transições/passos de ligação, 7.18 na performance/execução, 7.07 na coreografia/composição e 7.21 na interpretação.
Gracie Gold (Estados Unidos) partiu para esta competição como a líder da selecção americana e uma das principais favoritas à vitória. No entanto ela terminou apenas na quinta posição, tendo ficado a uma grande distância pontual da vencedora Satoko Miyhara. No programa curto ela foi nona classificada e no programa livre foi terceira. Essa recuperação no livre não foi suficiente. No programa curto Gracie sofreu duas quedas, ficou sem combinação de saltos e definiu mal a entrada no flip. Foram erros a mais que a penalizaram imenso na nota técnica. No programa livre, Gracie apenas fez duas combinações de saltos em vez das três que tinha previsto executar. Mesmo assim, a segunda combinação foi de triplo lutz-toe loop simples. Ela também voltou a errar na definição de entrada do flip, tendo o elemento sido punido com grau de execução negativo.
Kaetlyn Osmond (Canadá) revelou mais uma vez que é uma lutadora. Kaetlyn foi 11.ª no programa curto e foi 4.ª no programa livre, terminando em sexto lugar na classificação final.
Kanako Murakami (Japão) foi segunda classificada no programa curto mas no livre foi meramente décima terceira, acabando na sétima posição final. Murakami não tinha previsto estar presente nesta competição pois Mao Asada é que havia sido escalada para competir aqui. No entanto, Asada optou por abdicar da sua posição na selecção nacional e Murakami foi a sua substituta. Com esta prestação Murakami fragilizou a sua posição na equipa japonesa pois, de momento, estão a passar para a categoria sénior umas quantas patinadoras mais novas e com muita qualidade.
Destaque ainda para o facto das três patinadores coreanas em prova terem conseguido ficar no top 10.

Tabela com o resultado final


Vídeos da competição

Satoko Miyhara
Programa curto
Programa livre

Mirai Nagasu
Curto
Livre 

Rika Hongo
Curto
Livre 

So Youn Park
Curto
Livre 

Gracie Gold
Curto
Livre 

Kaetlyn Osmond
Curto
Livre 

Kanako Murakami
Curto
Livre 

Da Bin Choi
Curto