Bem-vindos de volta ao blogue para ficarem a par de notícias do mundo da patinagem.
A imprensa francesa noticiou que Brian Joubert, campeão mundial em 2007 e tricampeão da Europa, está a ser investigado pela federação francesa e também pela justiça. Brian trabalha como treinador há vários anos mas agora está no olho do furacão devido a vários episódios com os seus alunos. A federação francesa está a investigar situações de crises de cólera, gestos violentos e palavras inapropriadas nos treinos. Uma outra situação que está a ser investigada tem que ver com um alegado relacionamento entre Brian Joubert e uma patinadora menor de idade. Brian Joubert negou todas as acusações.
Correm rumores que Alexandra Trusova não vai participar em competições na temporada 2023/2024. Parece que Alexandra não está motivada para treinar programas de competição porque não há possibilidade participar em competições internacionais. Alexandra está interessada em patinar em espectáculos (que são muito mais lucrativos para ela) bem como participar em eventos. Boa sorte para ela nesta nova fase da carreira.
A dança russa foi apanhada completamente de surpresa com o anúncio da separação do par Kaganovskaya & Angelopol. Parece que os problemas começaram em Julho e agora foi mesmo o ponto final. Kaganovskaya tentou salvar a parceria e a treinadora Anjelika Krylova fez o possível para mantê-los juntos mas não foi suficiente. O caso parece uma telenovela, com rumores que Angelopol prefere patinar com a namorada e que a separação foi provocada por isso. No entanto, Kaganovskaya disse nas redes sociais que Angelopol queria que ela assinasse um contrato a responsabilizar-se pelos custos financeiros sozinha. Segundo a patinadora, ele deu-lhe o prazo para assinar o contrato até 1 de Setembro e ela recusou-se a patinar com ele nessas condições. A notícia da separação deste par provocou muita tristeza na sua enorme legião de fãs. Este par era dos mais promissores na categoria de dança.
Por agora é tudo mas vamos publicar mais coisas durante todo o mês de Setembro.
No dia 3 de Outubro de 2015 realizou-se em Saitama mais uma edição da competição Open do Japão. Esta prova apenas conta com duas disciplinas: senhoras e homens. Os patinadores são divididos por três equipas: Japão, América do Norte e Europa. Cada equipa tem dois elementos por disciplina, sendo que cada um deles só pode executar um programa longo.
Composição das equipas: Japão: Shoma Uno, Daisuke Murakami, Mao Asada e Satoko Miyahara América do Norte: Patrick Chan, Jeremy Abbott, Gracie Gold, Ashley Wagner Europa: Javier Fernandez, Brian Joubert, Elizaveta Tuktamysheva, Adelina Sotnikova
RESULTADO POR EQUIPAS
1.º - Japão - 607.62 pontos
2.º - América do Norte - 545.23 pontos
3.º - Europa - 528.90 pontos
RESULTADO EM HOMENS
Esta competição foi marcada pela presença do campeão mundial 2015 Javier Fernandez e pelo retorno do patinador canadiano Patrick Chan. Todos esperavam um duelo entre esses dois patinadores mas no final quem venceu foi o jovem japonês Shoma Uno.
Shoma Uno teve uma prestação em que nenhum dos seus elementos sofreu penalizações com grau de execução negativo. O seu esquema técnico foi bastante ambicioso nomeadamente com a colocação de uma combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop na segunda metade do esquema. Os plano de saltos efectuados foi o seguinte: quádruplo toe loop (10.41pts), triplo axel (10.50pts), combinação de triplo axel-triplo toe loop (14.51pts), triplo loop (6.91pts), triplo salchow (5.74pts), combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop (14.19pts), triplo lutz (6.80pts) e combinação de duplo axel-loop simples-triplo flip (10.71pts). Impressionante! Todos os peões foram classificados de nível 4. A sequência de passos foi de nível 3. Nos componentes Uno obteve um total de 86.00pts. Vai ser interessante acompanhar a sua evolução durante a temporada para ver se ele consegue se apresentar a este nível em outras competições nomeadamente no circuito do grande prémio.
O campeão do mundo 2015 Javier Fernandez teve de se contentar com o segundo lugar. O seu total nos componentes foi 90.64pts, ou seja, superior ao de Uno. Tecnicamente, Fernandez cometeu alguns erros: ele falhou a entrada no que era suposto ser um triplo axel e não conseguiu realizar nem sequer uma volta pelo que não recebeu qualquer ponto e caiu na tentativa de quádruplo salchow isolado (8.01pts). Os seus outros saltos foram o quádruplo toe loop (12.30pts), combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (17.09pts), combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow (11.82pts), triplo toe loop (5.43pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop (8.13pts) e triplo loop (6.71pts). A sequência de passos de nível 4, o primeiro peão foi de nível 3 e os dois últimos peões foram de nível 2. Se ele conseguir no futuro patinar este programa sem erros vai ser muito difícil derrotá-lo. É uma programa muito ambicioso.
O canadiano Patrick Chan decidiu regressar à competição esta temporada e demonstrou neste evento que ainda não perdeu a sua maravilhosa qualidade base de patinagem. No que diz respeito à parte técnica ainda há alguns ajustes a fazer mas o programa é bonito. Os seus saltos foram o triplo toe loop (5.10pts), o triplo axel (7.07pts com grau de execução negativo), triplo lutz (7.30pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop (6.83pts com grau de execução negativo), combinação de triplo flip-duplo toe loop-duplo loop (10.34pts), triplo loop (5.91pts), triplo salchow (4.14pts com grau de execução negativo) e duplo flip (2.22pts). A sequência de passos e o primeiro peão foram de nível 4. Os outros dois peões foram de nível 3. Nos componentes ele ficou com um total de 89.58pts.
Quanto aos outros patinadores foi bom rever Jeremy Abbott e Brian Joubert por estas andanças. Joubert já abandonou a competição mas ainda vai participando em eventos por convites. O patinador francês tem trabalhado em várias digressões e espectáculos e continua a ser muito popular. Abbott anunciou que não participará nas principais competições desta temporada mas ainda não está descartada a hipótese de voltar a ser atleta a tempo inteiro.
O japonês Daisuke Murakami teve aqui uma boa oportunidade de se mostrar à federação japonesa e testar o seu programa livre para as competições futuras. Murakami cometeu alguns erros técnicos que o fizeram ficar fora da disputa dos primeiros lugares mas o seu programa tem potencial.
1.º - Shoma Uno (Japão) - 185.48 pontos
2.º - Javier Fernandez (Espanha) - 176.24 pontos
3.º - Patrick Chan (Canadá) - 159.14 pontos
4.º - Jeremy Abbott (Estados Unidos) - 153.72 pontos
5.º - Daisuke Murakami (Japão) - 145.77 pontos
6.º - Brian Joubert (França) - 105.51 pontos
RESULTADO EM SENHORAS
Uma das maiores atracções do Open do Japão 2015 foi a patinadora Mao Asada devido ao seu aguardado regresso à competição. A vice campeã olímpica de 2010 e detentora de três títulos mundiais não desapontou os fãs, correspondendo às melhores expectativas. A sua forma física está bastante boa para esta fase da temporada e ela aguentou bem o programa livre. Tecnicamente, todos os peões e a sequência de passos alcançaram o nível 4. Em termos de saltos, Asada efectuou por esta ordem: um triplo axel (9.50pts), uma combinação de triplo flip-duplo toe loop (7.80pts), um triplo lutz (5.90pts após aplicação de grau de execução negativo por causa da definição de entrada no salto), uma combinação de duplo axel-triplo toe loop (8.90pts), um triplo salchow (5.74pts), uma combinação de triplo flip-loop simples (6.58pts) e um triplo loop (6.71pts). A sua nota nos componentes do programa foi de 69.82pts.
Os fãs japoneses devem ter ficado bastante contentes pois, para além do excelente regresso de Asada, puderam celebrar a boa prestação de Satoko Miyahara. A jovem de 17 anos, medalha de prata nos mundiais de 2015, terminou em segundo lugar. Todos os elementos técnicos que ela apresentou neste programa beneficiaram de grau de execução positivo. Os peões e a sequência de passos conseguiram todos o nível 4. Os saltos por si efectuados foram uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.10pts), triplo loop (6.00pts), triplo flip (5.70pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (10.41pts), combinação de duplo axel-triplo toe loop (9.26pts), triplo salchow (5.34pts) e duplo axel (4.06pts). Nos componentes ela obteve uma nota de 62.97pts.
A campeã mundial 2015 Elizaveta Tuktamysheva desta vez teve de se contentar com o terceiro lugar. Ela começou o seu programa com um triplo axel (5.50pts) mas caiu na recepção tendo o elemento sido punido com grau de execução negativo. Para além do ponto de dedução automática pela queda no axel, Tuktamysheva foi penalizada com outro ponto de dedução devido a uma queda caricata quando preparava a entrada no peão de combinação final. Em termos de saltos, para além do triplo axel, Tuktamysheva executou uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (10.20pts), um triplo flip (5.60pts), uma combinação de triplo toe loop-duplo toe loop (6.36pts), um triplo lutz isolado (7.60pts), uma sequência de triplo salchow-duplo axel (7.88pts) e um duplo axel (4.27pts). A sequência de passos foi de nível 4, o peão layback e o peão de combinação foram de nível 3. O primeiro peão foi de nível 2. Nos componentes Tuktamysheva ficou com uma nota de 65.73pts.
Quem também está oficialmente de regresso à competição é a campeã olímpica de 2014 Adelina Sotnikova. Ainda há muito trabalho a fazer para voltar à sua melhor forma mas este foi um passo importante no seu regresso. No que diz respeito a saltos Sotnikova apresentou um triplo lutz (6.20pts mas com dúvidas sobre a definição na entrada), um triplo flip (6.60pts), um loop simples (0.36pts com aplicação de grau de execução negativo), combinação de duplo axel-duplo toe loop (4.20pts com grau de execução negativo), um triplo toe loop (5.63pts), uma combinação de triplo salchow-duplo toe loop (6.27pts) e um duplo axel (3.84pts). O primeiro e o último peão foram de nível 4 e o peão layback foi de nível 3. A sequência de passos também foi de nível 3. Nos componentes do programa a sua nota total foi de 66.11pts. Ashley Wagner dos Estados Unidos decidiu manter o mesmo programa livre que apresentou na temporada passada. A sua bonita presença em pista e carisma fazem dela a patinadora americana mais popular mas neste evento ela acabou por cometer alguns erros técnicos que a fizeram ficar na quinta posição. O seu plano de saltos foi o seguinte: duplo axel (3.80pts), combinação de triplo flip-triplo toe loop (7.80pts com grau de execução negativo), combinação de duplo axel-duplo toe loop (4.60pts), combinação de triplo loop-loop simples-triplo salchow (7.47pts com queda e grau de execução negativo), triplo flip (6.43pts), triplo loop (5.61pts) e triplo lutz (5.40pts com má definição de entrada e grau de execução negativo). O primeiro peão foi de nivel 3 e os outros dois foram de nível 2. A sequência de passos foi de nível 3. O seu total nos componentes do programa foi de 62.67pts. Gracie Gold dos Estados Unidos terminou na sexta e última posição. Pelos videos e imagens que vi desta patinadora no Open do Japão, deu-me a sensação que ela não estava concentrada a 100% nesta prova. Foi como se tivesse ido só cumprir calendário. No que diz respeito à sua prestação técnica, Gold caiu na combinação inicial de triplo lutz-triplo toe loop (6.90pts) e na combinação de duplo axel-triplo toe loop (6.26pts). Essas duas combinações foram punidas com grau de execução negativo. Os seus outros saltos foram o triplo loop (6.10pts), o duplo axel (3.94pts), flip simples (0.51pts com grau de execução negativo), triplo lutz (7.00pts) e duplo salchow (1.43pts). O peões foram todos de nível 3 e a sequência de passo foi de nível 4. A sua nota total nos componentes do programa foi de 64.96pts.
1.º - Mao Asada (Japão) - 141.70 pontos
2.º - Satoko Miyahara (Japão) - 134.67 pontos
3.º - Elizaveta Tuktamysheva (Rússia) - 128.34 pontos
4.º - Adelina Sotnikova (Rússia) - 118.81 pontos
5.º - Ashley Wagner (Estados Unidos) 117.84 pontos
6.º - Gracie Gold (Estados Unidos) - 114.53 pontos
O patinador francês Romain Ponsart já não é treinado por Annick Dumont. Ele anunciou que passará a trabalhar sob a orientação de Brian Joubert e de Nikolai Morozov. Morozov é um treinador muito experiente mas o aparecimento do nome de Joubert na equipa técnica é uma surpresa. Joubert tem estado muito ocupado com participações em espectáculos e parece ter abandonado a ideia de se aventurar na disciplina de pares. Enquanto ainda competia, Joubert construiu uma excelente reputação quanto à sua qualidade técnica nos saltos e pode revelar-se uma excelente ajuda para Ponsart.
Brian Joubert, Roman Ponsart e Nikolai Morozov Fonte: Instagram
A disciplina de pares anda agitada na Rússia. No final do mês de Abril de 2015, Alexander Enbert decidiu colocar um ponto final na sua parceria com Vasilisa Davankova. A sua parceria apenas durou um ano pois eles juntaram-se em Abril de 2014. Davankova foi apanhada de surpresa mas já prestou declarações à imprensa russa e disse que pretende continuar a sua carreira pelo que vai procurar um novo parceiro. De momento Davankova afirmou estar concentrada nos seus estudos universitários. Parece é que Alexander Enbert tinha as coisas planeadas. É que ele não perdeu tempo e encontra-se em fase de testes com Natalia Zabijako. Oficialmente Zabijako ainda é parceira de Yuri Larionov. Sabe-se que Larionov está lesionado. Zabijako e Larionov também estão juntos à cerca de um ano. Como se devem recordar, Larionov patinava com Vera Bazarova mas ele tomou a iniciativa de terminar esta parceria. Se Zabijako não quiser esperar pela recuperação de Larionov e se juntar a Enbert, não deixa de existir aqui alguma ironia. É que Larionov terminou a parceria com Vera Bazarova depois de ela ter sacrificado 18 meses da sua carreira para esperar pelo regresso de Larionov quando ele esteve suspenso. A Federação russa queria ter-lhe dado um novo parceiro nessa altura mas ela manteve-se ao lado de Larionov. Ele optou por patinar com Zabijako por achar que Bazarova estava atrasar a sua evolução e agora que está lesionado Zabijako já tem outro parceiro em vista. Vera Bazarova continua a treinar com Andrei Deputat (o antigo parceiro de Vasilisa Davankova). Tanto Zabijako & Larionov como Davankova & Enbert estavam à responsabilidade da treinadora Nina Mozer. Katarina Gerboldt (que tinha sido "abandonada" por Enbert quando ele formou parceria com Davankova) tinha um compromisso com o francês Brian Joubert. O antigo campeão mundial na categoria de individuais masculinos queria passar a competir na disciplina de pares. Oleg Vasiliev estava para ser o treinador do par Gerboldt & Joubert. Este par acabou por participar em espectáculos mas Joubert estava a adiar indefinidamente a passagem para os treinos tendo em vista a competição. Em resultado Gerboldt fartou-se de esperar e está de momento à procura de um novo parceiro. Quanto a Antipova & Maisuradze ainda não há qualquer certeza de que vamos voltar a vê-los patinar juntos. Antipova está a recuperar do seu problema de anorexia mas as suas mais recentes declarações públicas dão a entender que ela não quer patinar mais com Maisuradze e não quer ser treinada por Artur Dmitriev ou Natalia Pavlova. Nodari Maisuradze tem estado ocupado a patinar no espectáculo organizado por Evgeny Plushenko chamado "Snow King". Anastasia Martiusheva, antiga parceira de Alexei Rogonov, também tem andado a patinar em espectáculos mas ainda não desistiu da ideia de voltar à competição. Kristina Astakhova & Alexei Rogonov já escolheram a música e a coreografia para o seu novo programa curto. O tema do seu novo programa curto é proveniente da banda sonora do filme "O Artista". Tatiana Volosozhar e Maxim Trankov estão a gozar um período de férias nos Estados Unidos mas estarão prontos para regressar à competição em Setembro de 2015 no Troféu Nebelhorn (Alemanha). A música para o seu novo programa livre é uma combinação de temas das bandas sonoras dos filmes "Drácula" e "Van Helsing". O programa curto será patinado ao som de um tema indiano.
Vasilisa Davankova & Alexander Enbert (foto encontrada por pesquisa no google; desconheço o autor)
É a notícia sensação do mês de Julho. Brian Joubert vai continuar a sua carreira na patinagem de competição mas vai mudar de categoria. O antigo campeão do mundo irá juntar forças com a patinadora Katerina Gerboldt, que recentemente ficou sem parceiro, para competir na disciplina de pares. O duo vai ser treinado por Oleg Vasiliev em Moscovo. Joubert vai ter agora de ultrapassar diversas questões burocráticas visto que o par pretende representar a Rússia e não a França. Joubert já havia manifestado por diversas vezes a sua intenção de tentar a sorte na categoria de pares mas a maior parte das pessoas sempre comentou o assunto como se ele estivesse a brincar. Pelos vistos é mesmo a sério.
Brian Joubert will carry on in competitive skating. Nevertheless he will switch disciplines. Joubert has teamed up with Katarina Gerboldt. They will be coached by Oleg Vasiliev and intend to represent Russia.
Esta foi uma competição um pouco estranha. Praticamente todos os patinadores fizeram erros incluindo os primeiros classificados. Após ver o programa livre a sensação com que fiquei foi que os nervos e a tensão se apoderaram de quase todos os patinadores. Outra impressão com que fiquei foi que se Plushenko não tivesse sido forçado a desistir devido a lesão muito provavelmente teria ganho, tendo em conta a forma como ele patinou na competição por equipas.
Yuzuru Hanyu tornou-se o primeiro japonês a vencer a medalha de ouro na patinagem artística. Denis Ten tornou-se o primeiro patinador do Cazaquistão a ficar no pódio olímpico em patinagem artística. Javier Fernandez atingiu o melhor resultado de sempre de um patinador espanhol em Jogos Olímpicos. Jason Brown conseguiu ficar no top 10 logo na sua primeira participação olímpica, sendo este o seu primeiro ano sénior.
O Japão conseguiu colocar os seus três patinadores no top 6. Já os Estados Unidos ficaram com o seu pior resultado desde 1936 (9.º e 12.º lugares).
Estes Jogos Olímpicos também marcaram o adeus a alguns atletas: Evgeny Plushenko, Brian Joubert e Tomas Verner colocaram um ponto final na sua carreira competitiva.
Um dos momentos decisivos do programa curto masculino foi aquele em que Evgeny Plushenko foi falar com a juiz-árbitro para comunicar a sua desistência da prova. Após a prova por equipas, onde Plushenko esteve muito bem e ajudou a Rússia a conquistar a medalha de ouro, ficámos com a sensação que ele estava em condições de lutar por uma medalha na prova individual. Infelizmente, durante o aquecimento Plushenko tentou um triplo axel mas a recepção do salto foi má e agravou-lhe a lesão nas costas. Ele não teve alternativa senão desistir. Os problemas físicos de Plushenko não são novidade e no ano passado ele foi submetido a uma delicada operação às costas. A desistência de Plushenko foi sem dúvida um dos momentos marcantes destes Jogos Olímpicos. Parece também que a sua retirada da competição é agora uma certeza.
Depois da infelicidade de Plushenko houve um momento fantástico de patinagem no programa curto de Yuzuru Hanyu. Este jovem japonês é uma verdadeira estrela e patinou com nervo e muita qualidade. Penso que esta foi a primeira vez que um patinador conseguiu ultrapassar a barreira dos 100 pontos num programa curto em competição oficial. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. Hanyu executou um quadruplo toe loop (13.16pts), um triplo axel (11.49pts) e uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.61pts). A sequência de passos foi de nível 4 (5.70pts). Nos peões ele totalizou 11.88pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 9.36 na perícia, 9.00 nas transições/passos de ligação, 9.50 na performance/execução, 9.39 na coreografia/composição e 9.36 na interpretação. Houve um juiz que na sua escala individual lhe atribuiu 10.00 na performance/execução. O actual campeão do mundo Patrick Chan tem um programa curto fantástico mas teve um ligeiro problema na recepção do triplo axel e isso foi o suficiente para que o salto fosse punido com grau de execução negativo. Ele ficou com 7.50pts no triplo axel. A combinação de quadruplo toe-triplo toe loop foi execelente (16.40pts) assim como o triplo lutz (8.20pts). O seu primeiro peão foi de nível 3 (3.80pts) e os restantes foram de nível 4 (4.00pts+4.64pts). A sequência de passos também foi de nível 4 (5.80pts). Nos segmentos dos componentes, ele ficou com 9.43 na perícia, 9.32 nas transições/passos de ligação, 9.32 na performance/execução, 9.54 na coreografia/composição e 9.57 na interpretação. Na escala individual dos juízes, um juiz atribuiu-lhe 10.00 na coreografia/composição e um outro juiz atribuiu-lhe 10.00 na interpretação. Javier Fernandez partiu para esta competição como um dos favoritos à conquista de uma medalha. Não sei se o patinador espanhol acusou a pressão mas a verdade é que ele cometeu erros em dois dos três elementos de saltos. Ele tentou executar um quadruplo salchow cujo valor base foi de 10.50pts. Como o grau de execução foi negativo ele perdeu 1.29pts, tendo ficado com 9.21pts. A combinação de triplo lutz com triplo toe loop também foi punida com grau de execução negativo. Fernandez ficou com 9.81pts nesse elemento. O triplo axel correu bem (9.36pts). Todos os seus peões foram classificados com o nível 4 e permitiram-lhe amealhar 11.33pts. A sequência de passos foi de nível 3 4.16pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.54 na perícia, 8.39 nas transições/passos deligação, 8.61 na performance/execução, 8.75 na coreografia/composição e 8.82 na interpretação. Daisuke Takahashi fez um programa praticamente limpo mas perdeu imensos pontos na tentativa de quadruplo toe loop. O quadruplo era um elemento que lhe fazia muita falta mas ele não conseguiu completar a quarta volta, tendo o salto sido cotado como triplo. Além disso, ele fez a recepção do salto com os dois pés. Em consequência o elementos foi punido com grau de execução negativo, ficando apenas com 2.00pts válidos. Takahashi conquistou 10.21pts no triplo axel e 11.71pts na combinação de triplo lutz-triplo toe loop. Todos os peões (12.13pts) e a sequência de passos (5.70pts) foram de nível 4. Nos componentes, ele obteve 8.86 na perícia, 8.61 nas transições/passos de ligação, 9.04 na performance/execução, 9.00 na coreografia/composição e 9.14 na interpretação. Peter Liebers foi um dos atletas que surpreendeu pela positiva. Antes da prova se iniciar ninguém ousaria sequer em colocar o nome de Liebers na luta por uma medalha. A verdade é que o seu programa curto foi bom. O primeiro elemento técnico do programa foi uma boa combinação de quadruplo toe loop-triplo toe loop (15.69pts). No triplo axel ele conseguiu garantir 9.93pts e o triplo lutz rendeu-lhe 7.90pts. A sequência de passos (3.87pts) e os dois últimos peões foram de nível 3 (3.01pts+3.43pts). O primeiro peão foi de nível 4 (3.43pts). A sua nota técnica até foi superior à de Javier Fernandez e à de Daisuke Takahashi mas Liebers teve médias mais fracas nos segmentos dos componentes: 7.71 na perícia, 7.50 nas transições/passos de ligação, 7.86 na performance/execução, 7.96 na coreografia/composição e 7.75 na interpretação. No segmento de performance/execução, eu concordo com os juízes que na sua escala individual lhe atribuíram 8.00. Infelizmente houve um juiz que nesse segmento apenas lhe deu 6.75!!! Jason Brown está apenas a cumprir a sua primeira época sénior e, como tal, nunca havia participado nos Jogos Olímpicos. A sua estreia foi auspiciosa. Brown não tem quádruplos no seu arsenal de saltos mas é capaz de ser bom executante e tem um lado artístico super cativante. Ele é um atleta carismático. As suas médias nos componentes foram de 7.96 na perícia, 7.82 nas transições/passos de ligação, 8.18 na performance/execução, 8.29 na coreografia/composição e 8.36 na interpretação. No que toca a saltos Brown realizou com sucesso um triplo axel (9.36pts), uma combinação de triplo flip-triplo toe loop (10.70pts) e um triplo lutz (8.10pts). A sequência de passos (5.50pts) e o segundo e o terceiro peões (3.64pts+4.50pts) foram de nível 4. O primeiro peão foi de nível 3 (3.59pts). O veterano Brian Joubert estava à procura de terminar a participação em Jogos Olímpicos com melhores memórias. É que a sua participação nos Jogos de Vancouver em 2010 foi para esquecer. O programa curto correu-lhe bem e deixou-o com a possibilidade de ainda sonhar com a medalha de bronze. Ele executou uma combinação de quadruplo toe loop-triplo toe loop (14.69pts), um triplo axel (8.64pts) e um triplo lutz (7.50pts). O primeiro e o terceiro peões foram classificados de nível 4 (3.50pts+4.21pts) mas o segundo foi de nível 3 (2.97pts). Lamentavelmente a sua sequência de passos foi apenas de nível 2 (3.60pts). Nos componentes, os juízes atribuíram-lhe 8.18pts na perícia, 7.61 nas transições/passos de ligação, 8.54 na performance/execução, 8.11 na coreografia/composição e 8.29 na interpretação. O vice-campeão do mundo em 2013 teve dois erros no programa curto. Denis Ten caíu na tentativa de quadruplo toe loop (7.73pts) e fez uma combinação de triplo flip-duplo toe loop (7.86pts) embora o seu objectivo fosse alcançar uma combinação de triplo-triplo. O triplo axel foi execelente (10.36pts). Todos os peões e a sequência de passos (5.70pts) foram de nível 4. Os seus peões valeram-lhe 11.84pts. A queda causou uma dedução automática de um ponto. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.46 na perícia, 7.93 nas transições/passos de ligação, 8.36 na performance/execução, 8.39 na coreografia/composição e 8.43 na interpretação. O campeão norte-americano Jeremy Abbott protagonizou um dos momentos da noite ao cair estrondosamente na tentativa de quadruplo toe loop. Ele ainda ficou algum tempo estendido no gelo mas conseguiu levantar-se e completar o resto do programa. Os segundos em que ele ficou caído no gelo pareceram uma eternidade. No geral foi uma competição bastante agradável de se seguir embora se notasse que a tensão estava alta e que os nervos estavam a afectar muitos atletas.