Olá amigos e bem-vindos à primeira publicação da semana aqui no blogue com uma compilação de notícias do mundo da patinagem artística no gelo.
Mikhail Kolyada entrou para o clube dos casados. O simpático patinador russo casou no passado fim-de-semana com Daria Beklemisheva (atleta da categoria de pares). Felicidades aos dois :)
Mikhail & Daria estavam super felizes no seu casamento.
Fonte: Instagram de Daria Beklemisheva
O Glacier Falls Summer Classic 2019 realizou-se entre os dias 17 e 21 de Julho e contou com a presença de duas estrelas em ascensão na patinagem mundial: Stephen Gogolev e Alysa Liu.
A jovem Alysa competiu na categoria sénior e arrecadou a sua terceira vitória desta temporada.
Alysa venceu tanto o programa curto como o livre e finalizou a competição com uma nota total de 197.07pts.
Gabriella Izzo e Emmy Ma, ambas dos Estados Unidos, terminaram respectivamente na segunda e terceira posições. Destaca-se ainda a participação de Paige Rydberg que se ficou por um modesto 9.º lugar. Estiveram em prova 13 atletas na categoria feminina no escalão sénior.
Programa curto de Alysa Liu
Programa livre de Alysa Liu
O escalão sénior masculina foi vencido pelo patinador Ryan Dunk com 209.40pts. O ucraniano Yaroslav Paniot ficou a medalha de prata e o atleta da casa Sean Rabbitt ficou com o bronze.
No que diz respeito aos homens, as atenções estiveram viradas para o escalão júnior devido à presença de Stephen Gogolev.
Gogolev venceu tal como era esperado depois de ter ficado em primeiro no programa curto e em terceiro no livre.
Vídeo do programa curto de Stephen Gogolev
Vídeo do programa livre de Stephen Gogolev
No passado dia 19 de Julho cumpriu-se um ano após a trágica morte do patinador Denis Ten. A data foi assinalada no Cazaquistão com diversas homenagens públicas e também com um grande espectáculo que contou com a presença de várias estrelas da patinagem artística.
O espectáculo realizou-se em Almaty e podem consultar aqui alguns vídeos
Mao Asada
Elena Radionova
Weaver & Poje
Por agora é tudo mas em breve serão publicadas mais coisas no blogue.
A patinadora japonesa Mao Asada tornou público um comunicado onde anunciou formalmente a sua retirada da patinagem de competição. O comunicado que foi tornado público está escrito de uma forma quase tão elegante como ela. Mao agradeceu todo o apoio recebido ao longo da sua carreira e disse que está pronta para perseguir novos sonhos e obejctivos na sua vida, sem esquecer um sorriso. Mao aproveitou para explicar que o seu mau resultado nos campeonatos nacionais do Japão desta temporada fez desaparecer a sua energia para continuar. No entanto, Mao Asada vai continuar ligada à patinagem artística pois vai continuar a participar em vários espectáculos.
Mao Asada será recordada como uma das melhores patinadoras da história. Ela tem um currículo competitivo invejável, onde se encontram três títulos mundiais. Mao também o título dos Campeonatos dos 4 Continentes em três ocasiões, para além de ter vencido por quatro vezes a grande final do circuito do grande prémio. No seu rico palmarés conta-se a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Vancouver. Além disso, ela conseguiu o feito de conseguir reunir títulos em todas as competições que fazem parte do circuito do grande prémio: Skate America, Skate Canada, Taça Rostelecom, Taça da China, Troféu Eric Bompard e Troféu NHK. A sua aposta no salto triplo axel jamais será esquecida pois Mao é uma das poucas mulheres a terem conseguido apresenta-lo em competição. A rivalidade de Mao Asada com a coreana Yu-Na Kim marcou a patinagem artística durante diversas temporadas.
Mais do que títulos, Mao deixa saudades pelas várias interpretações fabulosas com que nos presenteou ao longo da sua carreira.
A competição de senhoras no grande
prémio Troféu de França 2016 foi algo atribulada. No programa curto houve
várias prestações bastante boas. No programa livre quase todas as patinadoras
cometeram erros e a impressão geral não foi nada boa. No entanto, verdade seja
dita, que a qualidade do gelo durante o programa livre estava longe de ser a
ideal e muitas patinadoras devem ter sido prejudicadas por causa disso. Havia
uma parte do rinque em que a superfície do gelo não parecia suficientemente
sólida. Estava calor a mais junto da pista e isso acabou por ser comentado por
várias pessoas.
Destaque também para a situação de
Mao Asada. Tudo aponta para que ela esteja a padecer de uma lesão num joelho
mas que a sua equipa decidiu que ela não devia desistir para que isso não fosse
encarado como uma desculpa devido a um resultado modesto no programa curto.
Evgenia Medvedeva venceu a medalha de
ouro de forma destacada confirmando todo o seu favoritismo. A jovem russa fez
um programa curto impecável que conseguiu uma excelente nota de 78.52pts.
Tecnicamente ela esteve muito bem e realizou uma combinação de triplo
flip-triplo toe loop (12.16pts), um triplo loop (7.21pts) e um duplo axel
(4.63pts). Todos os saltos foram efectuados na segunda metade do esquema o que
permitiu amealhar pontuação bónus no valor base de cada um deles. Os peões
foram todos classificados com o nível 4 e totalizaram 12.76pts. A sequência de
passos foi o segmento elemento do programa e recebeu 5.40pts para além de
também ter sido classificada com o nível 4. Nos segmentos dos componentes que
fazem parte da nota de apresentação, as médias obtidas por Evgenia foram de 8.93
na perícia, 8.89 nas transições, 9.18 na performance, 9.21 na composição e 9.25
na interpretação da música.
No programa livre, Evgenia cometeu um
erro num elemento de salto e teve de lutar por vários outros elementos. Não foi
uma prestação tão fluída como em outras ocasiões. Ela, tal como várias outras
atletas nesta fase da competição, foi prejudicada pela má qualidade do gelo. O
erro ocorreu no triplo lutz, sendo que ela caíu na recepção do salto e não
definiu claramente a entrada. Eu fiquei com a sensação que ela quis “fugir” a
uma parte do gelo que não estava em boas condições e arrastou a definição de
entrada a um ponto que não lhe permitiu realizar o salto com sucesso. Evgenia
ficou com 3.90pts no triplo lutz graças ao facto de ter completado as rotações
todas mas o elemento foi punido com grau de execução negativo. A queda foi
ainda penalizada com uma dedução automática de um ponto. Em termos de saltos,
Evgenia também nos apresentou uma combinação de triplo flip-triplo toe loop
(11.40pts), triplo loop (6.81pts), triplo flip (7.23pts), combinação de duplo
axel-duplo toe loop-duplo toe loop (6.70pts), combinação de triplo salchow-triplo
toe loop (10.87pts) e duplo axel (4.06pts). Nos peões ela conseguiu amealhar 12.49pts,
sendo que todos atingiram o nível 4. Na sequência coreográfica a nota obtida
foi de 3.30pts e a sequência de passos de nível 4 recebeu 5.30pts. As médias
fixadas nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.86 na perícia, 8.86
nas transições, 9.00 na performance, 9.11 na composição e 9.14 na interpretação
da música. Apesar do erro no lutz, Evgenia foi sem dúvida merecedora da medalha
de ouro nesta competição.
Maria Sotskova teve uma excelente
estreia no circuito sénior do grande prémio ao vencer a medalha de prata no
Troféu de França. Mesmo sendo recém-chegada ao escalão sénior, Maria Sotskova
já tem um estilo refinado. Ela faz-me lembrar Carolina Kostner quando era mais
nova. No programa curto, Maria foi terceira classificada com uma pontuação de
68.71pts. Ela iniciou o esquema com uma combinação de triplo lutz-triplo toe
loop (11.60pts), tendo deixado os restantes saltos para a segunda metade. O
triplo flip (6.53pts) e o duplo axel (4.20pts) foram bem executados. Os peões
foram todos classificados com o nível 4, totalizando 11.33pts. A sequência de
passos recebeu 4.90pts e também foi de nível 4. Nos segmentos dos componentes
as suas médias foram de 7.61 na perícia, 7.29 nas transições, 7.50 na
performance, 7.68 na composição e 7.61 na interpretação da música.
No programa livre, Maria Sotskova foi
das poucas atletas que não cometeu erros muito graves e não caiu. Esta
patinadora foi segunda classificada nesta fase da competição com uma pontuação
de 131.64pts. O único elemento punido com grau de execução negativo foi o
triplo lutz isolado pois a terceira rotação não foi efectivamente completa.
Esse elemento foi cotado com 3.92pts. Maria executou uma combinação de triplo
lutz-triplo toe loop (11.00pts), triplo flip (5.70pts), triplo loop (6.61pts),
combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow (11.42pts), combinação de
duplo axel-duplo toe loop (5.13pts) e duplo axel (3.99pts). A sequência
coreográfica rendeu-lhe 3.10pts. A sequência de passos recebeu 5.00pts e foi
classificada com o nível 4. Os peões obtiveram 11.90pts e foram todos de nível
4. As médias nos segmentos que compõem a segunda foram de 8.00 na perícia, 7.71
nas transições, 8.07 na performance, 8.07 na composição e 8.07 na interpretação
da música.
A jovem japonesa Wakaba Higuchi
conquistou a medalha de bronze e fez uma excelente recuperação do programa
curto para o livre. Ela teve uma boa carreira no escalão júnior e está a fazer
uma transição promissora para o escalão sénior. No programa curto, Higuchi
ficou com uma nota de 65.02pts. O maior erro ocorrido no esquema foi no salto
isolado. As regras mandam que no programa curto o salto isolado seja no mínimo
um triplo. Só que Higuchi apenas realizou um duplo flip. Por esse motivo, o
salto isolado foi inválido e não pôde ser pontuado. No duplo axel (4.23pts) e a
combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.53pts). Em termos de estruturação
de esquema, Higuchi arriscou colocar a combinação da segunda parte do programa.
A sequência de passos (5.30pts) e todos os peões (11.90pts) foram classificados
com o nível 4. As médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 7.89 na
perícia, 7.57 nas transições, 7.82 na performance, 7.71 na composição e 7.82 na
interpretação da música.
No programa livre a nota conquistada
por Higuchi foi de 129.46pts. A atleta japonesa cometeu dois erros: transformou
o triplo lutz isolado num salto simples (0.66pts) e na combinação de duplo
axel-triplo toe loop-duplo toe loop (8.07pts) pois a terceira rotação do toe
loop não foi efectivamente completada. Essa combinação foi punida com grau de
execução negativo. Os outros elementos de salto no esquema foram a combinação
de triplo lutz-triplo toe loop (11.80pts), triplo loop (6.40pts), triplo
salchow (5.80pts), duplo axel (4.49pts) e combinação de triplo flip-duplo toe
loop (7.96pts). A sequência de passos foi de nível 3 e obteve 4.16pts. A
pontuação atribuída à sequência coreográfica foi de 3.00pts. Os peões foram
todos de nível 4 e receberam um total de 11.25pts. Nos segmentos dos
componentes, as médias apuradas das pontuações atribuídas pelos juízes foram de
8.39 na perícia, 7.96 nas transições, 8.29 na performance, 8.21 na composição e
8.32 na interpretação da música.
A canadiana Gabrielle Daleman esteve
em excelente posição para garantir um lugar no pódio mas teve de contentar-se
com o quarto lugar final. No programa curto a sua pontuação foi de 72.70pts que
a colocou na segunda posição nessa fase da competição. Os saltos realizados
pela atleta canadiana foram a combinação de triplo toe loop-triplo toe loop
(10.70pts), um triplo lutz (7.60pts) e um duplo axel (4.63pts). Os peões foram
todos de nível 4 e receberam 12.12pts. A sequência de passos ficou com 4.30pts
e foi de nível 3. Nos segmentos dos componentes as médias fixadas foram de 8.50
na perícia, 8.07 nas transições, 8.46 na performance, 8.36 na composição e 8.29
na interpretação da música. No programa, os elementos beneficiaram de graus de
execução muito bons.
No programa livre as coisas não
correram bem e Gabrielle ficou em sexto lugar nessa fase da competição com uma
pontuação de 119.40pts. As coisas começaram mal quando ela falhou a tentativa
de combinação de triplo toe loop-triplo toe loop que estava prevista. Ela
apenas efectuou o primeiro triplo toe loop e caiu na recepção. O elemento foi
punido com grau de execução negativo e foi-lhe aplicada uma dedução automática
de um ponto. Esse triplo toe loop apenas obteve 2.20pts. Gabrielle tinha
previsto realizar um triplo flip isolado mas apenas apresentou um salto simples
(0.49pts) que acabou por ser ligeiramente punido com grau de execução negativo.
A sequência de triplo salchow com duplo axel (6.38pts) também foi punido com
grau de execução negativo. Os restantes saltos tiveram uma execução mediana.
Ela ainda apresentou um triplo lutz (6.30pts), combinação de triplo lutz-duplo
toe loop-duplo toe loop (9.86pts), triplo loop (6.31pts) e duplo axel
(3.92pts). Os peões (11.40pts) e a sequência de passos (5.20pts) atingiram o
nível 4. A sequência coreográfica amealhou 3.20pts. Os segmentos dos
componentes ficaram com 8.39 na perícia, 7.86 nas transições, 8.07 na
performance, 8.21 na composição e 8.18 na interpretação da música.
A super-estrela japonesa Mao Asada
teve uma participação discreta no programa curto onde foi oitava classificada
com uma pontuação de 61.29pts. Com os peões e a sequência de passos todos de
nível 3, ela perdeu alguns pontos no valor base desses elementos. Além disso a
combinação de triplo flip-duplo loop foi punida com grau de execução negativo
devido à terceira rotação do flip ter sido incompleta em cerca de ¼ de volta.
No programa livre, Asada foi décima classificada com apenas 100.10pts. Ela
apresentou apenas uma combinação de saltos quando deveria ter realizado três. A
única combinação realizada foi de duplo axel-triplo toe loop mas a terceira rotação
do toe loop foi incompleta, tendo o elemento sido punido com grau de execução
negativo. O único triplo isolado que ela conseguiu fazer foi o loop só que
também foi penalizado em sede de grau de execução. De resto só efectuou saltos
duplos. As notas dos componentes estiveram longe do que Mao conseguiu noutras
ocasiões.
Gracie Gold não está a atravessar uma
boa fase na sua carreira. Apesar de ter programas bem construídos nesta
temporada, a atleta parece que está sem alma. No programa curto ela teve dois
elementos de saltos inválidos: o duplo flip e o axel simples. No programa
livre, Gold teve problemas em ambas as tentativas de lutz e no flip. A
combinação de duplo axel-triplo toe loop também foi punida com grau de execução
negativo.
Alena Leonova esteve em grande
destaque no programa curto com uma coreografia diferente do habitual. Ela
também ousou no visual ao apresentar-se como uma espécie de “Harley Quinn”. No
entanto, no programa livre deitou tudo a perder. Com cinco quedas, Leonova foi
das primeiras vítimas das mudanças nas regras constantes do Código de Pontos. É
que com tantas quedas, ela levou uma penalização adicional. O total de deduções
automáticas foi de nove pontos! A sua nota técnica foi apenas de 35.56pts. Foi
uma pena.
Ashley Wagner, vice-campeã mundial
2016, era uma das principais favoritas à conquista de uma medalha neste
primeiro grande prémio da temporada 2016/2017. Wagner não deixou os seus
créditos em mãos alheias e arrecadou a medalha de ouro. O troféu Skate America
é encarado como sendo super importante para as patinadoras estado-unidenses
visto que a categoria de senhoras é a que mais atenções atrai nos Estados
Unidos. É uma prova que tem destaque na imprensa nacional e que pode chamar a
atenção do público e de patrocinadores. Também é uma prova em que se começam a
marcar posições para os campeonatos nacionais e por isso é importante conseguir
um bom resultado para ganhar algum favoritismo e confiança do ponto de vista
psicológico. No actual panorama da patinagem feminina dos Estados Unidos
fala-se da rivalidade entre Ashley Wagner e Gracie Gold. Neste grande prémio
Ashley Wagner já leva um bom avanço face à sua rival.
Ashley Wagner conquistou o público no
programa curto ao patinar ao som de um arranjo da popular música “Sweet Dreams
(Are made of these)” de Annie Lennox. A música e a coreografia assentam-lhe que
nem uma luva ao seu estilo. E se há coisa que Ashley sabe fazer é apresentar
bem uma coreografia. O programa recebeu uma excelente nota de 69.50pts. Os
peões conseguiram um total de 10.50pts e foram todos classificados com o nível
3. A sequência de passos obteve 4.51pts e também foi de nível 3. Em termos de
saltos, a combinação de triplo flip-triplo toe loop foi o elemento inicial do
programa e ficou com o valor base de 8.30pts. A maior parte dos juízes foi
condescendente com ela neste elemento pois o triplo toe loop foi claramente
incompleto, ou seja, faltou um pouco para que a terceira rotação fosse
efectivamente completa. No entanto, apenas dois juízes aplicaram -1 na escala
do grau de execução. O triplo loop (6.91pts) e o duplo axel (4.56pts) foram
realizados na segunda metade do esquema para beneficiar de pontuação bónus no
valor base. As suas médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda
nota foram muito boas: 8.68 na perícia, 8.32 nas transições, 8.82 na
performance, 8.71 na composição e 8.86 na interpretação da música.
Ashley Wagner foi segunda no programa
livre com uma pontuação de 126.94pts. Mais uma vez Ashley conseguiu cativar o público
com uma boa interpretação. No entanto, em termos técnicos ocorreram algumas
falhas em elementos de saltos. Na combinação de triplo flip-triplo toe loop
(7.90pts), a terceira rotação do toe loop não foi de facto completada e, ao
contrário do que aconteceu no curto, o elemento foi punido com grau de execução
negativo. No triplo flip isolado também faltou rotação pelo que os juízes
tiveram de aplicar grau de execução negativo. Esse elemento ficou com 3.97pts.
A combinação de triplo loop-toe loop simples (5.05pts) perdeu pontos devido a
uma recepção um pouco deficiente no primeiro salto e à segunda parte da
combinação não ter sido feita de acordo com o planeado e essa alteração ter
sido bem perceptível. Essa combinação foi punida com grau de execução negativo.
A combinação de triplo lutz-duplo toe loop (5.15pts) também foi penalizada pois
a definição de entrada do lutz foi claramente incorrecta. Os saltos que
receberam grau de execução positivo foram os dois duplo axel isolados (4.23pts
e 4.01pts respectivamente) e o triplo loop (6.81pts). Na sequência de passos de
nível 3 ela conseguiu amealhar 4.66pts. Sinceramente achei que em comparação
com a de Mao Asada, a da japonesa foi claramente melhor mas ficou exactamente
com os mesmos pontos… A sequência coreográfica rendeu-lhe3.60pts. Nos peões ela
conseguiu 11.50pts, sendo que os primeiro foi de nível 4 e os outros foram de
nível 3. No que diz respeito aos segmentos dos componentes, as suas médias
fixaram-se em 8.71 na perícia, 8.43 nas transições, 8.79 na performance, 8.82
na composição e 9.04 na interpretação da música. Apesar das falhas nos saltos,
Ashley tem uma capacidade enorme em disfarçar erros. Além disso, como ela tem
uma presença forte em pista e exibe auto confiança por todos os poros, é fácil
ter a tendência de nos concentrarmos no lado artístico e descurarmos os erros. Mesmo
assim penso que Ashley foi uma justa vencedora nesta prova.
Mariah Bell foi a grande surpresa
desta competição ao conseguir alcançar a medalha de prata. Ela foi sexta no
programa curto com 60.92pts mas não se deixou abater e venceu o programa livre
com uma nota de 130.67pts.
O programa curto de Mariah Bell teve
dois elementos punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo
lutz-triplo toe loop (8.20pts) e o triplo flip (5.63pts). O principal problema
da combinação foi que no triplo toe loop a terceira rotação não foi de facto
completada pela patinadora. O duplo axel recebeu 3.92pts. Tanto o flip como o
axel foram efectuados na segunda metade do esquema. O peão layback (3.70pts)
foi de nível 4, o peão flying sit (3.03pts) foi de nível 3 e o peão de
combinação (2.93pts) foi de nível 3. A sequência de passos obteve 3.60pts e foi
classificada com o nível 2. Nos segmentos dos componentes, as médias alcançadas
por Mariah Bell foram de 7.25 na perícia, 7.32 nas transições, 7.64 na
performance, 7.50 na composição e 7.68 na interpretação da música.
No programa livre, Bell apenas teve
um elemento punido com grau de execução negativo: foi a combinação de triplo
flip-loop simples-duplo salchow (7.50pts). A definição de entrada no triplo
lutz isolado não foi limpa mas apenas dois juízes marcaram -1 pelo que o
elemento acabou por conseguir grau de execução positivo e pontuar 6.70pts. Os
outros saltos realizados foram a combinação de triplo lutz-triplo toe loop
(11.40pts), triplo loop (5.70pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop
(5.10pts), duplo axel isolado (4.34pts) e triplo flip (6.93pts). A sequência de
passos cumpriu os critérios exigidos para o nível 3 e pontuou 4.09pts. Na
sequência coreográfica, ela obteve 3.20pts. Em termos de peões, os três
totalizaram 11.26pts, sendo que o primeiro foi de nível 4, o segundo foi de
nível 3 e o último foi de nível 2. As médias obtidas nos segmentos dos
componentes que compõem a segunda nota foram de 7.93 na perícia, 7.75 nas
transições, 8.32 na performance, 8.07 na composição e 8.21 na interpretação da
música.
A japonesa Mai Mihara pode ficar
contente com o seu resultado no Skate America. A jovem japonesa conquistou a
medalha de bronze logo na sua estreia no circuito do grande prémio sénior.
Mihara foi segunda classificada no
programa curto com uma nota de 65.75pts. Eu fiquei impressionada com a sua
prestação principalmente porque o salto isolado foi o último elemento do
programa. Começa a ser hábito para muitas patinadoras colocar o salto isolado
na segunda metade do esquema para obter um bónus no valor base mas deixá-lo
mesmo para último elemento é uma raridade. Parabéns a Mai Mihara por ter
arriscado. Ela começou por realizar uma combinação de triplo lutz-triplo toe
loop (11.40pts), a que se seguiram o peão flying sit (3.93pts) e o peão de
combinação (4.07pts) ambos de nível 4. Na segunda parte do esquema ela realizou
o duplo axel (4.42pts), o peão layback (3.27pts) de nível 4, a sequência de
passos (3.80pts) de nível 3 e o triplo flip (4.83pts). O triplo flip foi o
único elemento punido com grau de execução negativo. Nos segmentos dos
componentes houve um juiz que não se mostrou impressionado mas esteve isolado
no painel. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas: 7.71 na
perícia, 7.18 nas transições, 7.61 na performance, 7.54 na composição e 7.50 na
interpretação da música.
Mai Mihara foi terceira no programa
livre com uma nota de 123.53pts. Tecnicamente a japonesa foi superior a Ashley
Wagner mas a nota dos componentes fez toda a diferença. Houve apenas um
elemento punido com grau de execução negativo: a combinação de triplo
lutz-triplo toe loop (6.33pts) da segunda metade do esquema. É que a última
rotação do toe loop não foi efectivamente realizada. Curiosamente, Mihara jogou
com as regras e colocou duas combinações de triplo lutz-triplo toe loop. É uma
situação legal mas com esta combinação de saltos é a primeira vez que vejo. Foi
uma decisão interessante da equipa técnica dela pois é um elemento muito
valioso. A primeira combinação de triplo lutz-triplo toe loop no programa livre
correu bem e rendeu-lhe 11.60pts. Os restantes saltos apresentados no livre
foram o triplo flip (6.30pts), o duplo axel (3.87pts), combinação de duplo
axel-duplo toe loop (5.49pts), triplo loop (6.61pts) e duplo salchow (1.46pts).
Estava previsto que Mihara executasse um triplo salchow em vez de duplo mas eu
penso que lhe estavam a faltar um pouco as forças visto que esse foi o último
salto do esquema. Mihara ainda está a adaptar-se ao escalão sénior e nos juniores
os programas livres exigem menos elementos do que aqui. Os peões conquistaram
12.07pts e conseguiram todos o nível 4. A sequência de passos foi classificada
com o nível 3 e obteve 4.01pts. A sequência coreográfica pontuou 3.10pts. As
médias obtidas nos segmentos dos componentes foram de 7.96 na perícia, 7.57 nas
transições, 8.00 na performance, 7.86 na composição e 7.79 na interpretação da
música.
É sempre um gosto ver Mao Asada
patinar. A sua leveza, qualidade base de patinagem, capacidade de interpretação
da música são maravilhosas mas neste evento ela só conseguiu o sexto lugar,
tendo ficado com uma pontuação total que a deixou bem longe do pódio.
Mao Asada conseguiu uma pontuação de
64.47pts no programa curto. O primeiro elemento foi um duplo axel (4.23pts)
logo seguido da combinação de triplo flip-duplo loop (4.90pts). A combinação
foi penalizada em sede de grau de execução pois o a terceira rotação do flip
não foi completada. Faltou-lhe cerca de ¼ de volta. O terceiro elemento foi o
peão flying spin (3.77pts) que cumpriu os critérios necessários para o nível 4.
Depois foi a vez do triplo loop (5.81pts) já na segunda metade do programa.
Seguiram-se o peão layback (3.41pts) e o peão de combinação (4.50pts) ambos de
nível 4. O programa terminou com a sequência de passos de nível 3 que recebeu
4.37pts. Do que vi nesta prova pareceu-me que a sequência de passos foi mais do
que suficiente para o nível 4 e isso teria aumentado o valor base do elemento.
No entanto o controlador técnico achou que a dita sequência só chegou para o
nível 3. Nos segmentos dos componentes ela ficou com médias de 8.43 na perícia,
8.11 nas transições, 8.39 na performance, 8.43 na composição e 8.50 na
interpretação. Apesar das boas médias, houve um juiz que entendeu que o
programa só merecia 7.75 na composição e 7.75 na interpretação. 7.75 para o que
é uma das melhores coreografias vistas nesta temporada até agora e tendo em
conta o que ela apresentou nesta prova parece-me severo.
Mao Asada foi sexta classificada no
programa livre com uma nota de 112.31pts. Três dos elementos de salto foram
punidos com grau de execução negativo: o triplo lutz (3.60pts), o axel simples
(0.81pts) e o triplo salchow (1.31pts). No axel simples era suposto que ela
tivesse tentado uma combinação de duplo axel-duplo toe loop ou de duplo
axel-triplo toe loop. Pareceu-me que ela não conseguiu entrar bem no axel pois
tinha o eixo de rotação desalinhado e por isso não foi capaz de reunir o
impulso suficiente para a rotação no ar. Para evitar uma queda ela teve de
abortar o salto. Pareceu-me também que pode ter havido algum lapso de
concentração em consequência disso pois o erro no triplo salchow ocorreu logo
de seguida. Ela tinha planeado fazer um triplo flip como elemento seguinte ao
triplo salchow mas acabou apenas por efectuar um duplo flip que ficou com o
valor base de 2.09pts. Os saltos que beneficiaram de grau de execução positivo
foram o duplo axel (4.23pts), a combinação de triplo flip-duplo loop (7.90pts)
e triplo loop (6.21pts). Nos peões ela conseguiu amealhar 11.84pts, sendo que
todos alcançaram o nível 4. A sequência de passos obteve 4.66pts e foi de nível
3. Mais uma vez discordo da atribuição do nível. A mim pareceu-me que os
critérios para o nível 4 foram todos preenchidos. A sequência coreográfica
rendeu-lhe 3.70pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em
8.36 na perícia, 7.93 nas transições, 8.14 na performance, 8.43 na composição e
8.36 na interpretação da música.
Gracie Gold ficou desalentada com o
seu resultado nesta competição. Ela queria lutar por um lugar no pódio e acabou
por ficar sem medalha. O seu quinto lugar no Skate America compromete as suas
aspirações de se qualificar para a grande final que se vai realizar em
Dezembro. Além disso, este resultado foi também um rude golpe na sua reputação
pois as atenções da imprensa americana que esteve a cobrir o evento estavam
muito focadas nela. A queda no triplo flip no programa curto e mais duas quedas
no programa livre para além de outros pequenos erros acumulados não deixaram
boa impressão a muita gente. É claro que todos nós sabemos que ela tem muitas
capacidades e talento natural mas acho que é cedo demais para riscá-la da lista
de favoritas. Estamos numa fase em que as patinadoras ainda não estão no seu
pico de forma e até aos campeonatos nacionais ainda muita coisa pode acontecer.
O que mais me surpreendeu foi a atitude cabisbaixa que ela demonstrou no
decorrer da competição e a maneira como demonstrou isso quando falou com a
imprensa. Enfim… todos nós podemos ter dias maus. O que importa é reagir.
A disciplina de senhoras foi a que
mais expectativa gerou nesta competição. A presença de Mao Asada, Elizaveta
Tuktamysheve e Anna Pogorilaya fazia adivinhar uma competição intensa com
qualquer uma delas a ser candidata à medalha de ouro. No entanto, quem levou a
melhor sobre toda a concorrência foi a canadiana Kaetlyn Osmond.
Kaetlyn Osmond passou por um mau
bocado depois de uma lesão grave. Na temporada passada ela trabalhou para poder
regressar à competição e finalmente parece que está a voltar à sua melhor
forma. A sua vitória aconteceu por uma margem curta mas, tendo em conta a
concorrência que ela deixou para trás, foi uma vitória valiosa.
O programa curto de Kaetlyn obteve
uma nota de 64.73pts. O primeiro elemento do esquema foi a combinação de triplo
flip-duplo toe loop (7.30pts), a que se seguiu um triplo lutz (6.93pts). Depois
foi a vez de um peão flying camel que alcançou o nível 4 e recebeu 3.63pts. Já
na segunda metade do esquema, Kaetlyn efectuou um duplo axel (4.46pts).
Seguiram-se o peão layback (3.53pts), a sequência de passos (5.18pts) e o peão
de combinação (4.33pts) que preencheram os critérios do nível 4. As suas médias
nos segmentos dos componentes foram de 7.21 na perícia, 6.96 nas transições,
7.67 na performance, 7.38 na composição e 7.50 na interpretação da música. Esta
prestação permitiu-lhe ser terceira no programa curto.
Kaetlyn venceu a fase do programa
livre com uma pontuação de 122.54pts. O programa livre não foi limpo pois três
elementos de saltos foram punidos com grau de execução negativo. A combinação
de triplo flip-triplo toe loop perdeu 1.17 do valor base de 9.60pts, a
combinação de triplo salchow-toe loop simples-duplo loop ficou sem 1.75 do
valor base de 6.82pts e o duplo axel que foi penalizado em 1.00 no valor base
de 3.63pts. Os outros saltos realizados foram a combinação de duplo axel-duplo
toe loop (5.27pts), triplo lutz (7.17pts), triplo loop (5.61pts) e triplo flip
(6.88pts). O triplo loop ficou meramente com o valor base. Os peões foram todos
de nível 4 e totalizaram 12.28pts. A sequência coreográfica pontuou 3.28pts e a
sequência de passos de nível 3 recebeu 3.97pts. Nos segmentos dos componentes
que compõem a segunda nota, as suas médias foram as seguintes: 7.67 na perícia,
7.54 nas transições, 7.67 na performance, 7.96 na composição e 7.88 na
interpretação da música.
Mao Asada maravilhou a assistência
com a sua elegância e capacidade interpretativa. Asada ficou com a medalha de
prata depois de ter sido segunda classificada tanto no programa curto como no
livre.
O programa curto de Mao recebeu
64.87pts. Havia alguma expectativa de saber se Mao iria arriscar o triplo axel
como já fez noutras competições mas desta vez ela não arriscou. A patinadora
japonesa começou o curto com um duplo axel (3.97pts) seguido de uma combinação
de triplo flip-duplo loop (7.80pts). O peão flying camel foi o terceiro
elemento do esquema e atingiu o nível 4, tendo obtido 3.53pts. Na segunda parte
do programa, Mao realizou um triplo loop como salto isolado que foi punido com
grau de execução negativo, perdendo 0.70 do valor base de 5.61pts. Depois foi a
vez do peão layback (3.37pts) e do peão de combinação (4.50pts) que preencheram
os critérios do nível 4. O programa terminou com a sequência de passos de nível
3 que pontuou 4.47pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram as
seguintes: 8.08 na perícia, 7.79 nas transições, 8.04 na performance, 8.17 na
composição e 8.33 na interpretação da música. Houve um juiz que marcou todos os
segmentos com notas na casa de seis, atribuindo-lhe 6.75 na perícia, 6.50 nas
transições, 6.75 na performance, 6.50 na composição e 6.75 na interpretação da
música. É verdade que este juiz optou por um critério muito apertado na
atribuição das notas a todas as patinadoras mas mesmo assim não deixou de gerar
alguma estranheza ver uma patinadora com a qualidade base de patinagem de Asada
apenas receber 6.75 na perícia. Além disso também achei que a nota na
composição e interpretação da música foram baixas…
No programa livre a sua nota foi de
121.29pts. Durante todo o esquema houve apenas um elemento punido com grau de
execução negativo: o triplo lutz perdeu 0.23 do valor base de 6.00pts pois a
definição de entrada do salto não foi feita de forma clara. Houve ainda um
outro erro que ocorreu no flip isolado visto que estava previsto um triplo mas
a patinadora apenas realizou um duplo. Esse duplo flip ficou com o valor base
de 2.09pts. Os restantes saltos foram o duplo axel (4.05pts), combinação de
triplo flip-duplo loop (7.80pts), combinação de duplo axel-duplo toe loop
(5.56pts), triplo salchow (5.42pts) e triplo loop (6.31pts). Não me admirava
nada que a combinação de duplo axel-duplo toe loop venha a ser transformada em
duplo-triplo nas competições mais importantes. A escolha por este plano de
saltos pode ter sido estratégica para ganhar ritmo competitivo. O peão flying
camel (3.30pts) e o peão layback (2.98pts) foram classificados com o nível 3. O
peão de combinação (4.42pts) atingiu o nível 4. A sequência de passos de nível
3 pontuou 4.63pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe mais 3.75pts. As suas
médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.08 na perícia, 7.63
nas transições, 8.33 na performance, 8.21 na composição e 8.50 na interpretação
da música. Não posso deixar de mencionar que houve um juiz que apenas lhe
atribuiu 5.75 no segmento de transições em claro contraste com o restante
painel.
A russa Anna Pogorilaya ficou com a
medalha de bronze depois de ter sido primeira no programa curto e terceira no
livre.
O programa curto de Anna ficou com
uma excelente nota de 69.50pts. O esquema foi iniciado com a combinação de
triplo lutz-triplo toe loop (10.07pts) a que se seguiram o peão de combinação
(4.33pts) e o peão flying camel (4.12pts) ambos de nível 4. Na segunda parte do
programa foi a vez de um triplo loop (5.96pts) e do duplo axel (3.88pts). A
sequência de passos (5.53pts) e o peão layback (3.70pts) também preencheram os
critérios exigidos para o nível 4. Nos segmentos dos componentes, ela ficou com
médias de 8.00 na perícia, 7.67 nas transições, 8.13 na performance, 7.96 na
composição e 8.13 na interpretação da música.
O programa livre foi pautado por
diversos erros técnicos e ficou com uma nota de 113.30pts. Todos os elementos
de saltos foram punidos com grau de execução negativo. A combinação de triplo
lutz-triplo toe loop (8.30pts) foi afectada pelo facto da terceira rotação do
toe loop não ter sido efectivamente completa. O triplo flip (1.83pts) correu
mal logo desde o início pois a definição de entrada foi claramente incorrecta.
O duplo axel perdeu 0.50 do valor base de 3.30pts. O triplo lutz isolado ficou
sem 0.70 do valor base de 6.60pts e a combinação de triplo loop-duplo toe loop
foi penalizada em 0.12 do valor base de 7.04pts. A combinação de triplo
loop-loop simples-triplo salchow (8.64pts) perdeu pontos porque o loop simples
não foi completo e a terceira rotação do salchow não foi efectivamente
realizada. O último salto foi um axel simples que perdeu 0.13 do valor base de
1.21pts. Os peões foram todos de nível 3, tendo ficado com um total de 9.85pts.
A sequência de passos foi de nível 3 e rendeu-lhe 4.30pts enquanto a sequência
coreográfica recebeu 2.93pts. As suas médias nos componentes fixaram-se em 7.88
na perícia, 7.29 nas transições, 7.46 na performance, 7.67 na composição e 7.67
na interpretação da música.
A campeã mundial de 2015 está a
deixar-me intrigada com as suas prestações nesta temporada. Elizaveta Tuktamysheva
parece estar bem fisicamente e tem competido. Só que as coisas não lhe estão a
correr de feição. A escolha de saltos que ela tem apresentado pode ser
estratégica para esta fase da temporada mas a verdade é que do triplo axel nem
sinal. Ou ela tem uma carta na manga para apresentar nos próximos eventos ou
corre o risco de ficar novamente de fora da selecção russa para os europeus e
mundiais.
Elizaveta conseguiu uma nota de 62.99
no programa curto. O elemento inicial foi a combinação de triplo toe loop-triplo
toe loop (9.53pts) logo seguido do peão flying sit (3.02pts) e do peão layback
(2.90pts) ambos classificados com o nível 3. O quarto elemento já se incluiu na
segunda metade do esquema e tratou-se do triplo lutz (6.95pts). A sequência de
passos recebeu 3.43pts mas só chegou para cumprir os critérios do nível 2.
Seguidamente ela apresentou um duplo axel (4.13pts) e terminou com o peão de
combinação (3.50pts) de nível 3. As suas médias nos segmentos dos componentes
foram de 7.38 na perícia, 7.00 nas transições, 7.58 na performance, 7.46 na
composição e 7.50 na interpretação da música.
O programa livre de Elizaveta obteve
uma pontuação de 102.60pts. O primeiro salto do esquema foi o duplo axel
(4.05pts). Seguiu-se uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop
que foi punida com grau de execução negativo, perdendo 0.35 do valor base de
8.60pts, sendo que a segunda rotação do loop final não foi completada. O triplo
flip (2.65pts) também foi punido com grau de execução negativo e a terceira
rotação não foi efectivamente realizada. Os restantes saltos ocorreram na
segunda metade do programa. A combinação de triplo toe loop-triplo toe loop
(5.93pts) foi penalizada com grau de execução negativo e ela voltou a não
conseguir efectuar a terceira rotação do segundo toe loop. Além disso, ela caiu
nesse elemento. O triplo lutz (2.52pts) padeceu do mesmo problema na última
rotação e ela também caiu. As duas quedas fizeram com que lhes fossem aplicadas
duas deduções automáticas no total de 2.00pts. Ela ainda executou uma
combinação de triplo salchow-duplo toe loop (6.39pts) e um duplo axel
(3.71pts). Os peões foram todos de nível 3 e conseguiram um total de 9.25pts. A
sequência de passos (3.10pts) apenas serviu para o nível 2 e a sequência
coreográfica rendeu-lhe 2.35pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias
ficaram-se por 7.00 na perícia, 6.75 nas transições, 6.96 na performance, 7.25
na composição e 7.29 na interpretação da música. Analisando a escala individual
de cada juiz, verifiquei que houve um juiz que lhe atribuiu pontuações baixíssimas
nos segmentos dos componentes: 4.75 na perícia, 5.00 nas transições, 4.75 na
performance, 5.00 na composição e 5.00 na interpretação da música. Isso são notas
que seriam más até no actual escalão júnior. O segmento das transições sempre
foi o calcanhar de Aquiles dos programas de Tuktamysheva mas 4.75 na perícia
parece-me um exagero descabido. No entanto não deixa de ser um alerta para esta
patinadora.
Os campeões
mundiais Meagan Duhamel & Eric Radford foram os grandes cabeça-de-cartaz
desta competição e confirmaram o favoritismo ao vencer a medalha de ouro com
mais de 28 pontos de vantagem sobre os segundos classificados. Duhamel &
Radford lideraram tanto o programa curto como o livre e aproveitaram para
testar algumas alterações nos seus programas, em comparação com a temporada
passada. O programa curto recebeu a nota de 66.49pts e não correu tão bem como
eles esperavam. Aliás, Meagan chegou a pedir desculpa nas redes sociais devido
ao par ter cometido alguns erros. São coisas que acontecem até porque eles
ainda estão longe do seu pico de forma. Os erros aconteceram no triplo lutz
lado-a-lado e no triplo axel lançado. O lutz foi meramente cotado como simples
e isso constitui uma violação das regras pois no programa curto os pares têm de
apresentar como salto lado-a-lado um salto com pelo menos duas rotações. Por
causa desse erro eles não receberam qualquer ponto nesse elemento. O triplo
axel lançado foi afectado por uma queda e como tal foi punido com grau de
execução negativo, com -3 em toda a linha. O elemento perdeu 3 pontos do valor
base de 7.70pts. Por causa da queda foi também realizada uma dedução automática
de um ponto. O triplo twist (7.60pts) e a sequência de passos (3.97pts) foram
classificadas com o nível 3. A figura de elevação foi do grupo 5 de dificuldade
e alcançou o nível 4, tendo recebido 8.90pts. O peão (4.50pts) e a espiral da
morte (4.90pts) também foram classificados com o nível 4. Em termos técnicos
foi bom vê-los arriscar um triplo axel lançado em competição. Este é um
elemento novo para eles e com certeza que devem já ter um bom registo de
sucesso nos treinos caso contrário não o arriscariam em competição. Eles
costumavam fazer o triplo lutz lançado com consistência. Veremos se eles vão
manter esta opção para o resto da temporada. No que diz respeito aos segmentos
dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.38 na perícia, 7.92 nas
transições, 8.17 na performance, 8.42 na composição e 8.25 na interpretação da
música.
O programa livre recebeu uma
pontuação de 131.29pts mas foi minado por vários erros. Quatro elementos
técnicos foram punidos com grau de execução negativo: os dois saltos
lado-a-lado e os dois saltos lançados. O triplo lutz lado-a-lado perdeu 1.40 do
valor base de 6.00pts porque Duhamel desequilibrou-se na recepção do
salto. A sequência de triplo toe loop-toe loop-toe loop lado-a-lado não
foi de facto completada pelo que só contou o primeiro salto, tendo o elemento
perdido 1.75 do valor base de 3.44. O quádruplo salchow lançado perdeu 3.00pts
do valor base de 8.20pts devido a queda e o triplo lutz lançado foi
penalizado em 0.82 do valor base de 5.50pts. No que diz respeito às figuras de
elevação, todas foram classificadas com o nível 4 e permitiram-lhe amealhar
23.30pts. As duas primeiras figuras de elevação foram do grupo 5 de
dificuldade. A terceira figura de elevação foi do grupo 3 de dificuldade. O
peão em paralelo (4.25pts) e o peão de par (5.25pts) foram ambos de nível 4. O
triplo twist (7.48pts) foi de nível 3 e a espiral da morte (5.78pts) foi de
nível 4. Na sequência coreográfica eles receberam 3.05pts. Na segunda nota, as
suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.42 na perícia, 8.21 nas
transições, 8.29 na performance, 8.50 na composição e 8.46 na interpretação da
música. Há também que assinalar que a queda sofrida durante o programa fez com
que lhes fosse aplicada uma dedução automática de um ponto.
Kristina
Astakhova e Alexei Rogonov ficaram com a medalha de prata. Eles foram segundos
quer no programa curto como no livre. Astakhova & Rogonov não têm o nível
técnico de Duhamel & Radford mas são um par interessante principalmente na
parte artística.
O
programa curto recebeu uma nota de 57.26pts e foi afectado por dois erros
graves. No peão em paralelo eles não obtiveram qualquer ponto pois o elemento
foi considerado inválido. Como salto lado-a-lado eles queriam apresentar um
triplo loop mas não conseguiram. Rogonov apenas realizou um duplo e Astakhova
caíu na recepção do salto. Em resultado, o elemento foi cotado como duplo e foi
punido com grau de execução negativo, tendo perdido 0.90 do valor base de 1.80.
A queda fez com que fosse aplicada uma dedução automática de um ponto. O triplo
flip lançado ficou meramente com o valor base de 5.50pts. O triplo twist foi de
nível 1 e pontuou 5.98pts. A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade
(7.62pts), a espiral da morte (4.43pts) e a sequência de passos (4.83pts)
cumpriram os critérios do nível 4. Nos segmentos dos componentes do programa as
suas médias foram de 7.33 na perícia, 7.00 nas transições, 7.17 na performance,
7.42 na composição e 7.33 na performance.
O
programa livre obteve uma nota de 111.84pts. Em termos de qualidade de execução
dos elementos as coisas podiam ter corrido bem melhor. É que a sua nota técnica
de partida foi de 58.10pts mas devido às penalizações ficaram com uma nota
técnica final de 56.17pts. Astakhova e Rogonov tiveram cinco elementos punidos
com grau de execução negativo. O triplo loop lado-a-lado perdeu 2.10pts do
valor base de 5.10pts. Devido a queda na recepção foi-lhes aplicada uma dedução
automática de um ponto. A combinação de triplo salchow-duplo toe loop-duplo toe
loop lado-a-lado perdeu 0.70 do valor base de 6.60pts devido ao facto do último
toe loop ter sido incompleto. O triplo loop lançado perdeu 1.17 do valor base
de 5.00pts. Para além destes erros em saltos, Astakhova & Rogonov tiveram
algumas falhas nas figuras de elevação. A segunda figura de elevação do grupo 5
de dificuldade foi de nível 2 e perdeu 0.08 do valor base de 5.50pts. A
terceira figura de elevação foi do grupo 3 de dificuldade e atingiu o nível 3,
tendo perdido 0.42 do valor base de 4.00pts. Já o triplo flip lançado ficou
meramente com o valor base de 5.50pts, tal como o peão de par (4.00pts) de
nível 3. Os restantes elementos conseguiram grau de execução positivo. O triplo
twist foi de nível 1 e pontuou 5.63pts. A primeira figura de elevação foi do grupo
5 de dificuldade e atingiu o nível 4, recebendo 8.43pts. A sequência
coreográfica rendeu-lhes 2.70pts. A espiral da morte (4.35pts) foi de nível 3.
O peão em paralelo cumpriu os critérios do nível 4 e conseguiu 3.83pts. Eles
têm grande margem para melhorar o programa nomeadamente no que diz respeito aos
níveis dos elementos e na execução. Fiquei surpreendida por este par ter
efectuado alguns erros nas figuras de elevação pois costuma ser um dos seus
pontos mais fortes a nível técnico. Nos segmentos dos componentes as suas
médias fixaram-se em 7.00 na perícia, 6.88 nas transições, 6.83 na performance,
7.42 na composição e 7.29 na interpretação da música.
O
resto da competição de pares foi um pouco modesta sendo que os alemães Vartmann
& Blommaert seguraram a medalha de bronze. Foi interessante ver que o par
Cain & Leduc dos Estados Unidos impuseram-se aos seus compatriotas Kayne
& O’Shea que são muito mais experientes. Ashley Cain costumava competir na
categoria individual e têm-se adaptado bem a esta disciplina com ajuda do seu
parceiro Timothy Leduc.
A categoria de dança foi ganha pelo
par russo Alexandra Stepanova & Ivan Bukin. Eles conseguiram o primeiro
lugar tanto na dança curta como na dança livre.
A nota que o par russo alcançou na
dança curta foi de 69.63pts. A nota técnica de partida foi de 29.10pts e foi
melhorada para 35.78pts graças à acumulação de graus de execução positivos. A
figura de elevação (5.70pts) e os twizzles (7.80pts) cumpriram os critérios
exigidos para o nível 4. A sequência parcial de passos (8.38pts) e a sequência
de passos em que os patinadores não se tocam (9.30pts) foram de nível 3. Os
passos obrigatórios (4.60pts) ficaram-se pelo nível 2. Nos segmentos dos
componentes as suas médias foram de 8.46 na perícia, 8.21 nas transições, 8.54
na performance, 8.42 na composição e 8.67 na interpretação da música/timing.
Stepanova & Bukin conseguiram uma
nota de 103.20pts na dança livre. A nota técnica de partida foi de 39.30pts e
terminou em 51.04pts devido aos graus de execução positivos em todos os
elementos técnicos. Os twizzles (7.80pts) e o peão (7.00pts) foram
classificados com o nível 4. No que diz respeito às figuras de elevação, as
duas primeiras foram de nível 4 e a terceira foi de nível 3, tendo conseguido
um total de 15.80pts. A sequência de passos em círculo foi de nível 2 e obteve
7.43pts. A sequência de passos na diagonal foi de nível 3 e recebeu 8.93pts.
Como elementos coreográficos eles optaram por um peão (1.98pts) e uma figura de
elevação (2.10pts). Estes elementos coreográficos foram respectivamente o
quinto e o nono elemento. Nos segmentos dos componentes que compõem a segunda
nota, as suas médias foram fixadas em 8.58 na perícia, 8.42 nas transições,
8.75 na performance, 8.83 na composição e 8.88 na interpretação da
música/timing. Apesar da qualidade do programa, este par não se livrou de uma
advertência relativamente às regras sobre a música. É um ponto que têm de
corrigir para as competições futuras.
Os estado-unidenses Hubbell &
Donohue foram segundos classificados tanto na dança curta como na livre e foram
para casa com a medalha de prata.
Na dança curta a nota de Hubbell
& Donohue foi de 65.31pts. A sua nota podia ter sido melhor não tivesse
sido o caso de três dos cinco elementos técnicos apenas terem cumprido os
critérios exigidos para o nível 2. Isso fez-lhes baixar o valor base desses
elementos. Mesmo assim eles tentaram compensar com a soma de graus de execução
positivos. Os elementos de nível 2 foram os passos obrigatórios (4.60pts), a
sequência parcial de passos (6.88pts) e a sequência de passos em que os
patinadores não se tocam (7.80pts). Os twizzles (7.20pts) e a figura de
elevação (5.60pts) atingiram o nível 4. Nos segmentos dos componentes do
programa, Hubbell & Donohue conseguiram médias de 8.33 na perícia, 8.13 nas
transições, 8.42 na performance, 8.29 na composição e 8.38 na interpretação da
música/timing.
Na dança livre este par alcançou uma
nota de 100.45pts. O peão (6.70pts) e todas as figuras de elevação conseguiram
preencher os critérios exigidos para o nível 4. Nas figuras de elevação eles
totalizaram 17.40pts. Os twizzles (6.00pts) e a sequência de passos na diagonal
(8.20pts) foram de nível 3. A sequência de passos em círculo foi de nível 2 e recebeu
7.25pts. Os elementos coreográficos foram deixados para o final do esquema.
Este par optou por apresentar um twizzle (1.75pts) e uma figura de elevação
(2.10pts). As suas médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes:
8.46 na perícia, 8.29 nas transições, 8.50 na performance, 8.58 na composição e
8.71 na interpretação da música/timing.
Tiffany Zahorski e Jonathan Guerreiro
continuam a evoluir favoravelmente. Desta vez conseguiram segurar a medalha de
bronze.
Zahorski & Guerreiro obtiveram uma
nota de 62.27pts na dança curta. Os passos obrigatórios (4.30pts) e a sequência
parcial de passos (6.52pts) ficaram-se pelo nível 2 mas não tiveram um grau de
execução tão bom como o do par Hubbell & Donohue. A sequência de passos em
que os patinadores não se tocam foi classificada com o nível 3 e recebeu
8.38pts. Os twizzles (7.40pts) e a figura de elevação (5.60pts) alcançaram o
nível 4. Na parte dos segmentos dos componentes houve dois juízes que, em
vários segmentos, lhes marcaram notas inferiores às atribuídas pelo restante
painel. Mesmo assim as suas médias não foram nada más com 7.50 na perícia, 7.21
nas transições, 7.63 na performance, 7.58 na composição e 7.67 na interpretação
da música/timing.
A dança livre de Zahorski &
Guerreiro recebeu 90.73pts. Desta vez as discrepâncias nas notas marcadas nos
segmentos dos componentes não foram tão vincadas como na dança curta mas
aconteceram na atribuição dos graus de execução. No peão coreográfico, por
exemplo, houve um juiz que lhes atribuiu -1 no grau de execução em contraste
com os dois juízes que aplicaram +1 e com os três juízes que marcaram +2. Na
figura de elevação em curva, dois juízes marcaram o elemento com -1 no grau de
execução em manifesto desacordo com o restante painel onde se destacou uma maioria
de +2. É por circunstâncias como estas que devia acabar o anonimato na
atribuição de notas… Os twizzles (7.70pts), o peão (6.40pts), a primeira figura
de elevação (5.60pts) e a figura de elevação em curva (5.22pts) foram
classificados com o nível 4. As duas sequências de passos foram meramente de
nível 2 e totalizaram 13.40pts. A segunda figura de elevação chegou apenas para
o nível 1 (básico) e só recebeu 2.80pts apesar dos bons graus de execução. O
sexto elemento foi o peão coreográfico que obteve 1.40pts. O último elemento
foi a figura de elevação coreográfica que lhes rendeu 1.40pts. As suas médias
nos segmentos dos componentes foram de 7.71 na perícia, 7.50 nas transições,
7.92 na performance, 7.88 na composição e 8.00 na interpretação da música/timing.
Eles levaram uma advertência devido a violação das regras que impõe restrições
coreográficas. Possivelmente terão de apurar o porquê de terem recebido essa
advertência para alterar esse aspecto do programa para competições futuras.
O patinador americano Nathan Chen
surpreendeu a concorrência e venceu a medalha de ouro no Troféu Finlândia 2016.
O jovem Chen apresentou dois programas muito ambiciosos nesta competição e,
apesar de ter cometido alguns erros em termos de execução, conseguiu garantir valores
base muito elevados, o que lhe permitiu impor-se nesta competição.
No programa curto, Chen obteve uma
pontuação de 87.50pts. O primeiro elemento do esquema foi muito arriscado. Ele
efectuou uma combinação de quádruplo lutz-triplo toe loop (18.57pts). Como
segundo elemento ele tentou um quádruplo flip. O salto não correu bem e Chen
caiu. O elemento teve de ser punido com grau de execução negativo, tendo
perdido 4.00pts do valor base de 12.30pts. Mesmo com o erro, ele ainda garantiu
8.30pts nesse elemento. Devido à queda foi-lhe aplicada uma dedução automática
de um ponto. Depois foi a vez do peão flying sit (2.85pts) que foi classificado
com o nível 3. Já depois de ultrapassada a marca para a segunda metade do
esquema, Chen realizou um triplo axel que ficou com o valor base de 9.35pts.
Seguiram-se o peão change camel (3.13pts) de nível 3, a sequência de passos
(5.30pts) de nível 4 e o peão de combinação (3.25pts) de nível 3. As médias
obtidas nos segmentos dos componentes foram de 7.58 na perícia, 7.25 nas
transições, 7.54 na performance, 7.71 na composição e 7.67 na interpretação da
música.
O jovem Nathan Chen, que está a
estrear-se no escalão sénior, venceu o programa livre com uma nota de
168.94pts, tendo realizado cinco saltos quádruplos no esquema! A sua nota
técnica de partida foi astronómica: nada mais nada menos do que 104.45pts! No
entanto, durante o esquema houve vários elementos punidos com grau de execução
negativo e a sua nota técnica final foi de 96.08pts. No que diz respeito a
quádruplos, Chen apresentou uma combinação de quádruplo lutz-triplo toe loop
(16.50pts), quádruplo flip (11.10pts), quádruplo toe loop (6.30pts) e na
segunda metade do esquema realizou uma combinação de quádruplo toe loop-duplo
toe loop-duplo loop (15.57pts) e um quádruplo salchow (7.55pts). Ele sofreu
duas quedas no programa: uma no quádruplo toe loop isolado e outra no quádruplo
salchow. Isso implicou que esses elementos fossem punidos com grau de execução
negativo e lhe fossem aplicadas duas deduções automáticas de um ponto para cada
uma das quedas. A combinação de quádruplo lutz-triplo toe loop, o quádruplo
flip e o triplo axel (7.50pts) também foram punidos com grau de execução
negativo. A combinação de triplo flip-triplo toe loop apresentada na segunda
metade do esquema ficou com o valor base de 10.56pts. Ele também efectuou um
triplo lutz (6.72pts). A sequência de passos (3.10pts) ficou-se pelo nível 2 e
na sequência coreográfica ele recebeu 2.70pts. O primeiro peão (2.20pts) foi de
nível 1, o segundo peão (3.28pts) foi de nível 4 e o terceiro peão (3.00pts)
foi de nível 2. Como médias nos segmentos dos componentes, ele obteve 7.71 na
perícia, 7.17 nas transições, 7.46 na performance, 7.63 na composição e 7.46 na
interpretação da música.
No início da temporada ficámos todos
surpreendidos com a notícia que dava conta que a treinadora Kathy Johnson tinha
dispensado o patinador Patrick Chan. Mais surpreendidos ficámos quando não foi
dada a indicação de quem seriam os novos treinadores de Patrick Chan. O
mistério só foi desfeito aqui no Troféu Finlândia. Patrick Chan tem estado a
ser orientado por Marina Zoueva e Oleg Epstein em Canton (Estados Unidos).
Curiosamente, a dupla Zoueva / Epstein também é responsável por Nathan Chen.
No programa curto Chan conseguiu uma
nota de 84.59pts, tendo sido terceiro classificado nesta fase da competição. O
primeiro elemento foi o quádruplo toe loop (6.30pts) que perdeu 4.00pts do
valor base de 10.30pts. Seguiu-se o triplo axel que foi penalizado em 2.33pts,
tendo ficado com 6.17pts. Depois foi a vez de um peão (4.00pts) e da sequência
de passos (5.42pts), ambos de nível 4. A combinação de triplo lutz-triplo toe
loop (11.56pts) foi colocada na segunda metade do programa. O esquema foi
finalizado com um peão (3.47pts) de nível 3 e outro peão (4.75pts) de nível 4. Nos
segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota, as suas médias
fixaram-se em 8.63 na perícia, 8.54 nas transições, 8.33 na performance, 8.67
na composição e 8.75 na interpretação da música.
Patrick Chan foi segundo no programa livre com
uma nota de 164.14pts. Ele realizou três elementos de salto que foram punidos
com grau de execução negativo: o quádruplo toe loop (9.90pts), o quádruplo toe
loop que era suposto ter sido colocado em combinação (2.16pts) e o triplo lutz
(5.90pts). Chan caiu no segundo quádruplo toe loop e por causa disso foi-lhe
aplicada uma dedução automática de um ponto. A combinação de duplo flip-duplo
toe loop-loop simples ficou meramente com o valor base de 4.07pts. Os outros
saltos apresentados foram os seguintes: triplo axel (9.67pts), o triplo salchow
(5.45pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.95pts) e triplo loop
(6.66pts). O primeiro peão foi de nível 3 e os outros dois foram de nível 4,
tendo totalizado 12.14pts. A sequência de passos de nível 4 permitiu-lhe
acrescentar 5.53pts na nota técnica. Na sequência coreográfica ele amealhou
3.63pts. Nos segmentos dos componentes do programa ele ficou com médias de 8.83
na perícia, 8.58 nas transições, 8.67 na performance, 8.96 na composição e 9.00
na interpretação da música.
Maxim Kovtun ficou com a medalha de
bronze depois de ter sido primeiro no programa curto e quarto no livre.
O programa curto de Kovtun recebeu
88.26pts. Os seus elementos de saltos foram os seguintes: combinação de
quádruplo salchow-triplo toe loop (16.97pts), quádruplo toe loop (6.57pts) e
triplo axel (10.35pts). O quádruplo toe loop foi punido com grau de execução
negativo e perdeu 3.73pts do valor base de 10.30pts. O triplo axel foi
realizado na segunda metade do esquema. Os peões foram todos classificados com
o nível 4, tendo totalizado 10.95pts. A sequência de passos também cumpriu os critérios
do nível 4 e recebeu 4.83pts. Nos segmentos dos componentes Kovtun obteve 7.88
na perícia, 7.38 nas transições, 7.83 na performance, 7.71 na composição e 7.79
na interpretação da música.
Kovtun ficou com uma pontuação de
141.31pts no programa livre. O patinador russo cometeu vários erros técnicos e
deixou imensos pontos para trás devido a ter faltado primor na execução dos
elementos. Ele começou por falhar a intenção de realizar um quádruplo salchow
no início do programa. Esse plano de quádruplo foi transformado em triplo que
acabou por ser punido com grau de execução negativo, ficando apenas com
2.53pts. Seguiram-se um quádruplo toe loop (10.97pts) e um triplo loop
(5.92pts). Os restantes saltos foram colocados na segunda metade do esquema:
uma combinação de triplo axel –loop simples-triplo salchow (15.57pts), um
triplo axel (10.68pts), uma combinação de triplo salchow-duplo toe loop
(0.19pts), lutz simples (0.59pts) e duplo axel (3.63pts). A combinação de
triplo salchow-duplo toe loop ficou com uma nota muito baixinha porque Kovtun
distraiu-se na contagem dos elementos. Ou seja, ele já tinha realizado dois
triplos salchow. Por esse motivo o triplo salchow colocado em combinação com o
duplo toe loop foi considerado inválido e não recebeu qualquer ponto. O duplo
toe loop dessa combinação também não foi bom pois faltou-lhe 2/4 de volta. O
lutz era suposto ter sido um triplo mas Kovtun apenas fez um salto simples. O
duplo axel ficou meramente com o valor base. O primeiro peão foi de nível 4 e
os outros dois foram de nível 3, totalizando 9.65pts. A sequência de passos foi
de nível 2 e recebeu 2.93pts. Na sequência coreográfica ele recebeu 2.23pts. As
suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 7.79 na perícia, 7.29
nas transições, 7.63 na performance, 7.75 na composição e 7.75 na interpretação
da música.