A competição correu bem aos atletas
dos Estados Unidos pois conseguiram a medalha de prata e a medalha de bronze
perante o seu público. Jason Brown e Adam Rippon fizeram as delícias da sua
vasta legião de fãs e patinaram de maneira que superou as expectativas. O
vencedor acabou por ser o japonês Shoma Uno que conquistou a medalha de ouro de
forma categórica. Um dos favoritos a um lugar no pódio era o chinês Boyang Jin
pois ele venceu a medalha de bronze nos mundiais da temporada passada. Só que
Jin teve de contentar-se com o quinto lugar. Na disputa interna na equipa
russa, Sergei Voronov levou a melhor sobre o seu compatriota Maxim Kovtun.
Shoma Uno foi primeiro classificado
tanto no programa curto como no programa livre. Uno patinou e encantou.
No programa curto, Uno obteve uma
nota de 89.15pts. A sua nota podia ter sido melhor não tivesse sido o caso de
todos os saltos terem sido penalizados em sede de grau de execução. O quádruplo
flip perdeu 0.51 do valor base de 12.30, a combinação de quádruplo toe
loop-triplo toe loop perdeu 4.00pts do valor base de 13.30pts e o triplo axel
perdeu 0.14 do valor base de 9.35pts. Como podem reparar, o esquema de saltos
deste patinador é super ambicioso. Além disso ele é o único patinador que está
a apresentar o quádruplo flip. Apesar dessas penalizações o programa curto não
foi nenhum desastre. O erro mais grave ocorreu na combinação pois ele caiu.
Essa queda fez com que fosse aplicada uma dedução automática de um ponto. O
peões foram todos classificados com o nível 4 e receberam um total de 12.34pts.
A sequência de passos foi de nível 3 e obteve 4.23pts. Quanto aos segmentos que
fazem parte da nota dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.75 na
perícia, 8.39 nas transições, 8.68 na performance, 8.71 na composição e 8.75 na
interpretação da música.
O programa livre correu muito melhor
e recebeu uma nota de 190.19pts. Shoma Uno, apesar de ser um patinador que
passou ao escalão sénior há pouco tempo, tem uma presença fantástica e é muito
carismático. Espero que vejam o vídeo do programa livre dele porque vale mesmo
a pena. E digam lá se ele não tem alguns movimentos que fazem lembrar o saudoso
Daisuke Takahashi? Em termos técnicos houve apenas um elemento punido com grau
de execução negativo. Isso ocorreu no triplo axel isolado apresentado na
segunda metade do esquema visto que o patinador caiu na recepção do salto. Esse
triplo axel ficou com uma pontuação de 3.49pts. A queda fez com que tivesse de
ser aplicada uma dedução automática de um ponto. Os outros saltos realizados no
programa tiveram sucesso: quádruplo flip (13.73pts), quádruplo toe loop
(12.59pts), triplo loop (6.10pts), combinação de triplo axel-triplo toe loop
(16.51pts), combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop (14.19pts), triplo
lutz (7.30pts) e triplo salchow (5.54pts). É um esquema de saltos
impressionante. O quádruplo flip e a combinação de triplo axel-triplo toe loop
foram os grandes destaques do programa na minha opinião. Os peões alcançaram
todos o nível 4 e obtiveram um total de 12.77pts. A sequência de passos
rendeu-lhe 4.59pts e a sequência coreográfica permitiu-lhe amealhar mais
3.30pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 9.11 na
perícia, 8.86 nas transições, 9.21 na performance, 9.11 na composição e 9.25 na
interpretação da música. Mesmo com o erro no triplo axel isolado, esta foi uma
prestação de encher o olho.
Jason Brown conquistou a medalha de
prata e também encantou. Ele é um dos melhores patinadores da actualidade no
que diz respeito a qualidade base de patinagem, peões, transições e
interpretação. Brown esteve parado durante algum tempo devido a lesão mas
parece que conseguiu recuperar a sua melhor forma.
No programa curto Jason Brown foi
terceiro classificado com uma nota de 85.75pts. Este patinador arriscou um
quádruplo toe loop que ainda é um elemento novo para ele. Desta vez não teve
sucesso e caiu. Por causa da queda foi necessário aplicar um ponto de dedução
de forma automática. O salto foi punido com grau de execução negativo e ficou
com 6.30pts. Ele conseguiu amealhar 10.50pts no triplo axel e recebeu 12.33pts
na combinação de triplo lutz-triplo toe que foi realizada na segunda metade do
esquema. O maior problema no seu programa curto, para além da queda no
quádruplo, aconteceu no segundo peão pois o controlador técnico determinou que
o elemento foi inválido. Brown falhou na transição entre posições durante o
peão, penso que na passagem da primeira para a segunda, e ficou com 0.00 nesse
elemento. O peão flying sit e o peão de combinação atingiram o nível 4 e
receberam 8.29pts. A sequência de passos também foi de nível 4 e obteve
5.90pts. Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias foram as
seguintes: 8.50 na perícia, 8.57 nas transições, 8.71 na performance, 8.79 na
composição e 8.86 na interpretação da música.
Jason Brown foi segundo classificado
no programa livre com 182.63pts. Apesar de não ter sido uma prestação isenta de
erros, o programa foi espantoso. Os erros aconteceram no quádruplo toe loop e
na combinação de triplo flip-triplo toe loop. O quádruplo toe loop perdeu 1.03
do valor base de 8.00pts pois faltou ¼ de volta para que a quarta rotação fosse
efectivamente completada. A combinação de triplo flip-triplo toe loop,
efectuada na segunda metade do esquema, foi penalizada em 0.10 no valor base de
10.56pts pois a definição de entrada no flip não foi realizada de forma clara. Os
outros saltos efectuados no esquema foram uma combinação de triplo axel-duplo
toe loop (11.37pts), triplo axel (9.78pts), triplo lutz (7.80pts), duplo axel
(4.13pts), triplo loop (6.41pts) e uma maravilhosa combinação de triplo lutz-loop
simples-triplo salchow (13.19pts). O primeiro peão recebeu 4.70pts e o segundo
peão obteve 4.50pts, sendo que ambos foram classificados com o nível 4. O
terceiro peão foi de nível 3 e ficou com 4.00pts. Na sequência de passos de
nível 4 e na sequência coreográfica, ele obteve 5.60pts e 3.70pts
respectivamente. Nos segmentos dos componentes do programa as suas médias foram
as seguintes: 8.89 na perícia, 8.79 nas transições, 9.11 na performance, 9.04
na composição e 9.18 na interpretação da música.
Adam Rippon tem imensos fãs
espalhados por todo o mundo e nestas últimas temporadas tem-se tornado numa
espécie de ícone gay do nosso amado desporto. O seu novo programa curto vem um
pouco nesta sequência e resultou às mil maravilhas junto do público que
assistiu ao vivo ao Skate America.
No programa curto a nota de Rippon
foi de 87.32pts permitiu-lhe ficar em segundo lugar nessa fase da competição.
Esquema foi iniciado com uma combinação de triplo flip-triplo toe loop
(10.50pts) a que se seguiu um triplo axel (9.79pts). O terceiro elemento foi um
peão de combinação que atingiu o nível 4 e recebeu 4.57pts. Já na segunda
metade do esquema ele efectuou um triplo lutz (7.60pts). O peão flying camel
(3.99pts) também foi de nível 4. A sequência de passos (4.44pts) e o último
peão (3.53pts) foram de nível 3. As médias obtidas por este patinador nos
segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.43 na perícia, 8.18 nas
transições, 8.79 na performance, 8.61 na composição e 8.89 na interpretação da
música.
Adam Rippon foi terceiro classificado
no programa livre com uma nota de 174.11pts. O único elemento punido com grau
de execução negativo foi a tentativa de quádruplo toe loop pois Rippon caiu na
recepção do salto. O quádruplo perdeu 4.00pts do valor base de 6.30pts. A queda
também teve como consequência a aplicação de uma dedução automática de um
ponto. Em várias ocasiões passadas, Rippon tentou o quádruplo lutz mas desta
vez decidiu atacar o toe loop. Talvez seja uma boa opção estratégica para ele.
O restante esquema de saltos foi o seguinte: combinação de triplo flip-triplo
toe loop (10.50pts), triplo salchow (4.70pts), combinação de triplo axel-duplo
toe loop (12.21pts), triplo axel (10.64pts), combinação de triplo lutz-duplo
toe loop-duplo loop (10.11pts), triplo loop (6.31pts) e triplo lutz (8.10pts).
O primeiro peão (3.51pts) e a sequência de passos (4.16pts) foram classificados
com o nível 3. Os outros peões foram de nível 4 e receberam 9.21pts. A
sequência coreográfica obteve 3.50pts. As suas médias nos segmentos dos
componentes fixaram-se em 8.50 na perícia, 8.21 nas transições, 8.75 na
performance, 8.68 na composição e 8.79 na interpretação da música.
O russo Sergei Voronov foi quinto
classificado tanto no programa curto como no livre e parece ter voltado a
ganhar confiança em si mesmo. Comparado com o que ele passou na temporada
passada, a mudança de treinadora parece ter sido uma boa opção. Voronov está
agora integrado no grupo de Inna Goncharenko e treina ao lado de Elena
Radionova e Maxim Kovtun.
No programa curto Voronov recebeu uma
pontuação de 78.68pts. Ele começou o programa com um quádruplo toe loop mas
caiu na recepção. O elemento foi penalizado em 4.00 em sede de grau de execução
e ficou com 6.30pts. Esse quádruplo era suposto ter sido parte da combinação
mas por causa da queda ele teve de improvisar uma solução. Ficar sem combinação
no programa curto é um erro muito grave. Voronov não perdeu a calma e
transformou o salto isolado na combinação. Assim ele fez um triplo loop-triplo
toe loop (10.64pts) na segunda metade do esquema. O triplo axel (10.35pts)
também foi efectuado na segunda metade do programa. O quádruplo toe loop ficou
então cotado como o salto isolado. Os peões foram todos classificados com o
nível 4 e totalizaram 11.06pts. A sequência de passos foi de nível 3 e
permitiu-lhe amealhar 3.73pts. Nos segmentos dos componentes as médias apuradas
foram de 7.71 na perícia, 7.18 nas transições, 7.57 na performance, 7.57 na
composição e 7.57 na interpretação da música.
O programa livre de Voronov recebeu
166.60pts. O primeiro elemento foi um quádruplo toe loop impressionante que
pontuou 12.30pts. A combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.23pts) também
foi bem executada. Ele apresentou uma combinação de triplo toe loop-triplo toe
loop (9.80pts). Eu penso que com o evoluir da temporada não será descabido considerar
o plano de transformar esta combinação em quádruplo-toe loop. Na segunda metade
do esquema, Voronov executou um triplo axel (10.07pts), um triplo flip
(3.27pts), um triplo lutz (7.40pts), uma combinação de triplo loop-duplo toe
loop-duplo loop (9.92pts) e um duplo axel (4.13pts). O triplo flip foi o único
elemento punido com grau de execução negativo devido ao facto da definição de
entrada ter sido incorrecta. Os peões totalizaram 10.92pts e atingiram todos o
nível 4. A sequência de passos foi de nível 3 e recebeu 4.16pts. A sequência
coreográfica ficou com 2.80pts. As suas médias nos segmentos dos componentes
foram de 8.18 na perícia, 7.54 nas transições, 8.36 na performance, 8.11 na
composição e 8.11 na interpretação da música. Apesar de não ter conseguido
conquistar uma medalha, eu penso que este foi um bom resultado para Voronov
tendo em consideração o que se passou na época passada.
Quanto ao chinês Boyang Jin, eu
fiquei com a impressão que ele está em fase de maturação. Na temporada passada
ele deslumbrou por causa dos saltos mas houve muita gente que o criticou devido
aos componentes. Esta época parece que ele está focado em desenvolver os
aspectos referentes à performance, à composição e à interpretação da música.
Talvez devido a ainda se estar a habituar a coreografias mais exigentes, desta
vez ele cometeu diversos erros nos saltos.
Maxim Kovtun tem talento e tem muitas
capacidades mas voltou a falhar num evento internacional mesmo tendo bons
programas para mostrar. Tal como Voronov, Kovtun também mudou de treinadora no
final da temporada passada mas talvez lhe fizesse falta ser acompanhado por um
psicólogo desportivo. É que nos treinos ele parece excelente e depois chega a
certas competições e erra sem se perceber muito bem porquê. No passado, atletas
como Alexei Yagudin recorreram ao auxílio de um psicólogo desportivo e as
coisas mudaram para melhor. Quem sabe se Kovtun precisa de uma solução igual
para poder desbloquear.
O patinador canadiano Nam Nguyen deixou de ser treinado por Brian Orser. Nguyen vai mudar-se para a Califórnia (Estados Unidos) onde será treinado por David Glynn. Este patinador foi campeão mundial de júniores na temporada 2013/2014 e foi quinto classificado nos mundiais seniores na época 2014/2015. Nesta temporada, ele não conseguiu ficar no pódio em nenhuma das provas do circuito do grande prémio e terminou os mundiais na 27.ª posição. Consta que houve uma certa cisão entre Nguyen e Brian Orser durante toda a temporada, sendo que a família do patinador tentou interferir nos planos de treinos. A versão oficial é de que foi uma rescisão amigável mas parece que foi o próprio Orser que convidou o patinador a sair do seu grupo de trabalho. David Glynn é mais conhecido pelo seu trabalho com a patinadora americana Polina Edmunds (de quem Ngyuen é amigo). Veremos se as coisas lhe correm melhor no futuro.
O programa curto masculino proporcionou uma surpresa: o jovem russo Adian Pitkeev conseguiu ficar em primeiro lugar com 87.54pts, relegando o super-favorito Javier Fernandez para segundo com uma nota de 86.99pts. A diferença pontual não foi nada de especial mas o resultado causou sensação e falatório, principalmente na rede social twitter. Pitkeev começou o programa curto com uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (15.46pts), tendo avançado de seguida para dois peões de nível 4 (3.70pts + 3.43pts). Na segunda metade do esquema Pitkeev apresentou o triplo axel (10.78pts) e um triplo lutz (7.20pts). O peão de combinação (3.93pts) e a sequência de passos (4.90pts) também alcançaram o nível 4. As médias que Pitkeev obteve nos segmentos dos componentes foram de 7.75 na perícia, 7.25 nas transições/passos de ligação, 7.79 na performance/execução, 7.71 na coreografia/composição e 7.64 na interpretação. Os juízes estiveram algo em desacordo quanto às notas nos componentes. Por exemplo, no segmento das transições/passos de ligação as suas notas balizaram-se entre 6.75 e 8.50. Ainda é uma margem grande de diferença. Javier Fernandez ficou em segundo lugar no programa curto. A sua nota técnica foi de 42.21pts enquanto que a de Pitkeev foi de 49.40pts. No entanto, a nota dos componentes de Fernandez foi bastante superior à de Pitkeev: 44.78pts contra 38.14pts. Fernandez começou o seu esquema com um triplo salchow (4.50pts), realizando logo de seguida uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (9.40pts) que foi punida com grau de execução negativo. O terceiro elemento de salto foi o triplo axel (11.64pts) que foi executado na segunda metade do programa. Os dois primeiros peões foram de nível 4 e o terceiro foi de nível 3, totalizando 11.07pts. A sequência de passos foi o último elemento do programa curto, tendo alcançado 5.60pts e o nível 4. No que diz respeito aos componentes, Fernandez recebeu duas notas de 10.00 nas escalas individuais de juízes (um para a coreografia/composição e outro para a interpretação). As suas médias finais nos componentes foram de 8.82 na perícia, 8.82 nas transições/passos de ligação, 8.89 na performance/execução, 9.11 na coreografia/composição e 9.14 na interpretação. O patinador Ross Miner surpreendeu toda a gente ao ficar em terceiro lugar no programa curto. Miner apresentou um programa menos ambicioso tecnicamente em termos de saltos mas conseguiu grau de execução positivo em todos os elementos. Os saltos que ele efectuou foram os seguintes: triplo flip (5.70pts), triplo axel (10.21pts) e combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.53pts). O triplo flip foi alvo de chamada de atenção por causa da definição de entrada do salto não ter sido completamente clara e a combinação foi efectuada na segunda metade do esquema beneficiando de pontuação bónus. Todos os peões (12.13pts) e a sequência de passos (5.00pts) foram todos classificados de nível 4. As suas médias nos componentes foram muito consistentes e as suas médias ficaram-se por 7.82 na perícia, 7.82 nas transições/passos de ligação, 8.04 na performance/execução, 8.04 na coreografia/composição e 8.07 na interpretação. Sergei Voronov foi quarto classificado no programa curto com uma nota de 84.17pts. Ele começou com uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (13.74pts) que foi punido com grau de execução negativo. Os seus outros saltos foram o triplo axel (9.21pts) e o triplo loop (6.01pts) que foram executados na segunda metade do programa. O triplo axel foi punido com grau de execução negativo. Todos os peões (10.77pts) e a sequência de passos (4.90pts) foram classificados com o nível 4. Os graus de execução foram medianos em praticamente todos os elementos e por isso ele apenas conseguiu melhorar a nota técnica de base de 43.16pts para 44.63pts. Nos componentes as suas médias foram de 8.00 na perícia, 7.50 nas transições/passos de ligação, 7.96 na performance/execução, 8.04 na coreografia/composição e 8.04 na interpretação. No programa livre, Javier Fernandez mostrou toda a sua superioridade apesar de não ter feito um esquema inteiramente isento de erros. Ele deixou toda a concorrência a grande distância. Fernandez começou o programa livre cheio de ambição com um quádruplo toe loop (12.44pts) e uma combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (17.37pts). Essa combinação conseguiu uma das pontuações mais elevadas de sempre para um elemento técnico. Depois foi a vez de um triplo axel isolado (10.21pts). Depois deste arranque avassalador deleitou-nos com uma sequência de passos de nível 4 que lhe rendeu 5.60pts. O quinto elemento técnico foi o primeiro peão que foi classificado de nível 4 e conquistou 3.79pts. Os elementos seguintes foram ambos punidos com grau de execução negativo: o duplo salchow (0.83pts) e a combinação de triplo flip-loop simples-triplo salchow (10.72pts). A queda aparatosa no duplo salchow fez com que lhe fosse automaticamente aplicado um ponto de dedução. Na combinação flip-loop-salchow o grau de execução negativo deveu-se à má recepção no último salto. Apesar destes dois percalços, Fernandez não perdeu a concentração apresentou ainda um triplo toe loop (5.73pts) e uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop (9.03pts), a que se seguiu a sequência coreográfica (3.40pts). O triplo loop foi o último salto do esquema e permitiu-lhe amealhar mais 7.01pts. O programa foi finalizado com dois peões: um de nível 3 (2.71pts) e outro de nível 4 (3.86pts). As suas médias nos segmentos dos componentes foram excelentes: 9.04 na perícia, 9.04 nas transições/passos de ligação, 9.36 na performance/execução, 9.43 na coreografia/composição e 9.50 na interpretação. Olhando para a escala individual de cada juiz vimos que Fernandez recebeu quatro notas de 10.00: dois na coreografia/composição e outros dois na interpretação. O jovem Adian Pitkeev ficou em quinto lugar no programa livre mas conseguiu segurar a medalha de prata devido à diferença pontual que trazia do curto. O seu programa livre foi iniciado com a execução de um quádruplo toe loop (11.16pts), a que se seguiu uma combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.51pts). O terceiro elemento foi um triplo axel (5.64pts) que foi punido com grau de execução negativo devido a queda na recepção. Esta queda custou-lhe um ponto automático de dedução. Os elementos seguintes foram uma sequência de passos de nível 3 (4.09pts) e um peão de nível 4 (3.64pts). Já na segunda metade do esquema, Pitkeev efectuou quatro elementos de salto de seguida: uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.33pts), um triplo salchow (5.54pts), um triplo lutz isolado (7.70pts) e um triplo loop (5.71pts). O décimo elemento foi um peão com entrada saltada que foi classificado com o nível 4 (3.44pts). Seguiu-se uma combinação de duplo axel-duplo toe loop-duplo loop (7.54pts) e a sequência coreográfica (2.70pts). O último elemento foi um peão de combinação de nível 4 (4.07pts). As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.11 na perícia, 7.71 nas transições/passos de ligação, 8.00 na performance/execução, 8.11 na coreografia/composição e 8.00 na interpretação. Houve um juiz que, na sua escala individual, se entusiasmou um pouco e atribuiu um 9.25 a Pitkeev no segmento de perícia. A mim parece-me que isso foi um exagero mas acabou por não ter influência na nota final. A luta pela medalha de bronze foi renhida. Ross Miner conseguiu ficar em terceiro lugar na classificação final com 0.29pts de vantagem sobre o seu compatriota Adam Rippon. O russo Mikhail Kolyada também não ficou longe. A desvantagem de Kolyada foi de 0.95pts. Ross Miner teve três elementos penalizados com grau de execução negativo: o quádruplo salchow (6.50pts), o triplo axel isolado (8.21pts) e o triplo flip (3.07pts). A queda no quádruplo salchow também lhe custou a aplicação de uma dedução automática de um ponto. Os saltos que obtiveram grau de execução positivo foram os seguintes: combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.94pts), combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.80pts), combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (13.09pts), duplo axel (3.84pts) e o triplo loop (5.61pts). A sequência de passos (5.20pts) e todos os peões (12.00pts) foram todos de nível 4. Miner ainda obteve mais 3.00pts devido à sequência coreográfica. Nos segmentos dos componentes, as médias obtidas por este elegante patinador dos Estados Unidos foram de 8.18 na perícia, 7.79 nas transições/passos de ligação, 8.21 na performance/execução, 8.11 na coreografia/composição e 8.36 na interpretação. No entanto, Miner não teve hipótese de celebrar a sua conquista imediatamente. A incerteza quanto a quem é que tinha ganho a medalha de bronze prolongou-se mesmo por vários momentos após a competição ter terminado. Inicialmente muita gente ficou convencida de que Adam Rippon tinha conseguido ficar no pódio e os resultados oficiais apontavam para isso. Mas sucedeu que o controlador técnico fez uma revisão do nível atribuído ao último peão executado por Ross Miner no programa livre. Esse tal peão passou do nível 3 para o nível 4 e, consequentemente, o valor base foi aumentado. Isso fez com que a nota técnica de Miner subisse cerca de 0.50pts, o que lhe permitiu arrecadar a medalha de bronze, levando a melhor sobre o seu compatriota. Na foto em baixo podem ver o documento oficial que determinou este resultado.
Adam Rippon foi sexto no programa curto e no livre foi segundo, terminando em quarto lugar na classificação geral. No seu programa livre, apenas o triplo lutz isolado (5.30pts) foi punido com grau de execução negativo. Os seus outros saltos foram: duplo axel (3.87pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (10.80pts), triplo axel isolado (10.64pts), combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.33pts), triplo loop (6.51pts), combinação de triplo flip-duplo toe loop-duplo loop (10.14pts) e triplo salchow (5.04pts). A sequência de passos (5.20pts) e todos os peões (13.35pts) foram classificados de nível 4. Na sequência coreográfica ele garantiu mais 3.40pts. Nos componentes do programa, Rippon recebeu médias de 8.14 na perícia, 8.07 nas transições/passos de ligação, 8.54 na performance/execução, 8.39 na coreografia/composição e 8.50 na interpretação. Mikhail Kolyada foi quinto classificado no programa curto e terceiro no livre, tendo ficado à beira da medalha de bronze. O seu programa livre foi um dos mais apreciados desta prova e Kolyada deu nas vistas artisticamente. O único elemento do programa livre punido com grau de execução negativo foi o quádruplo toe loop (8.41pts). Os outros saltos executados foram uma combinação de triplo axel-triplo toe loop (14.94pts), um triplo axel isolado (10.64pts), um triplo lutz (6.90pts), um triplo loop (5.80pts), uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo toe loop (10.36pts), uma sequência de duplo axel-duplo axel (6.24pts) e um triplo salchow (5.44pts). Kolyada obteve um total de 11.87pts nos peões, sendo que os dois primeiros foram de nível 4 e o último foi de nível 3. A sequência de passos (4.01pts) foi de nível 3 e na sequência coreográfica ele amealhou mais 3.10pts. As suas médias nos segmentos dos componentes do programa foram de 8.21 na perícia, 7.82 nas transições/passos de ligação, 8.14 na performance/execução, 8.07 na coreografia/composição e 8.07 na interpretação. Sergei Voronov não foi além do sétimo lugar no programa livre e ficou a 4.32pts da medalha de bronze. Tendo em conta que ele perdeu 4.79pts em graus de execução negativos divididos por quatro elementos de salto, percebe-se que lhe bastaria ter feito um programa limpo com graus de execução medianos para ficar no pódio nesta competição. Mas isto faz parte pois todos os atletas têm dias melhores do que outros e todos os pormenores fazem a diferença. A matemática do código de pontos não perdoa... O alemão Peter Liebers anunciou a sua desistência desta prova na manhã do dia do programa curto devido a lesão.
Videos da competição Programa curto Pitkeev - 87.54pts
Entre os dias 29 de Outubro e 1 de Novembro de 2015, realizou-se em Lethbrige mais uma edição do prestigiado troféu Skate Canada, correspondente ao segundo grande prémio da temporada 2015/2016. A categoria de individuais masculinos ficou marcada pelo regresso oficial de Patrick Chan à patinagem de competição depois de algum tempo de interregno, embora já tivesse participado no Open do Japão. Este regresso não lhe poderia ter corrido melhor pois venceu a medalha de ouro e colocou-se em boa posição para se qualificar para a final do grande prémio. Vamos então analisar detalhadamente a prestação do patinador canadiano no Skate Canada 2015. Chan iniciou o programa curto com uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (15.31pts). Logo de seguida ele tentou o triplo axel (5.50pts) mas caiu na recepção pois não conseguiu fixar o patim do pé de apoio. Em resultado disso ele perdeu 3pts do valor base do elemento que foi de 8.50pts, por causa do grau de execução negativo. Devido à queda foi aplicado um ponto automático de dedução. Depois foi a vez do peão com entrada saltada que alcançou o nível 4 e lhe rendeu 3.64pts. Já na segunda metade do esquema era suposto que Chan executasse um triplo lutz mas ele acabou por realizar apenas um duplo e isso fez com o elemento fosse inválido. Dessa forma não recebeu qualquer ponto no lutz. No programa curto masculino é obrigatório que o salto isolado seja um triplo ou quádruplo. Ele terminou o programa curto com um peão de nível 3 (3.44pts), uma sequência de passos de nível 4 (5.40pts) e um peão de combinação também de nível 4 (4.14pts). Nos segmentos dos componentes do programa, Patrick Chan ficou com 8.96 na perícia, 8.82 nas transições/passos de ligação, 8.50 na performance/execução, 9.14 na coreografia/composição e 8.96 na interpretação. Algumas pessoas comentaram que Chan recebeu notas altas demais no programa curto no segmento de performance/execução referindo-se aos três juízes que lhe atribuíram a marca de 9.00 na sua escala individual, tendo em conta que Chan sofreu uma queda e falhou um elemento obrigatório. O próprio Evgeni Plushenko partilhou dessa opinião e manifestou que achava exagerado que um patinador conseguisse uma nota de 80.81pts num programa curto tendo claramente falhado em dois elementos obrigatórios. Já não é a primeira vez que há reclamações sobre as notas dos componentes recebidas por este patinador canadiano em várias competições. Chan foi segundo no programa curto. No programa livre, Patrick Chan patinou como se nunca tivesse estado ausente da competição, com todos os elementos técnicos a serem galardoados com grau de execução positivo. A sua nota técnica de partida foi de 76.92 e ele conseguiu melhorá-la para 95.17pts. Os saltos que Chan efectuou foram os seguintes, por esta ordem: combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (16.89pts), triplo axel isolado (10.64pts), triplo toe loop (5.70pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop (9.23pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (11.21pts), triplo loop (6.51pts), triplo salchow (6.04pts) e triplo flip (7.23pts). A sequência de passos (6.00pts), o peão com entrada saltada (3.86pts) e o peão de combinação (4.43pts) alcançaram o nível 4. O primeiro peão foi de nível 3 e rendeu-lhe 3.73pts. Na sequência coreográfica ele ficou com 3.70pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram excelentes: 9.57 na perícia, 9.29 nas transições/passos de ligação, 9.61 na performance/execução, 9.50 na coreografia/composição e 9.61 na interpretação. Ele recebeu oito notas de 10.00 na escala individual de alguns dos juízes: dois na perícia, três na performance/execução, um na coreografia/composição e dois na interpretação. Metade dessas notas de 10.00 foram atribuídas pelo mesmo juiz. O campeão olímpico 2014 Yuzuru Hanyu cometeu dois erros graves no programa curto que acabaram por ser considerados elementos inválidos e isso colocou-o em grande desvantagem pontual, tendo sido sexto nessa fase da competição. Mesmo assim, o patinador japonês conseguiu fazer uma boa recuperação no programa livre e terminou esta competição com a medalha de prata e boas perspectivas de conseguir a qualificação para a grande final. Yuzuru Hanyu iniciou o programa curto com um excelente triplo axel (11.50pts), a que se seguiram dois peões de nível 4 (3.93pts + 4.06pts). Tudo parecia estar a correr bem até que ele transformou o salto que era suposto ser um quádruplo toe loop em apenas um duplo. Esse elemento não recebeu qualquer ponto visto ter sido considerado inválido. Foi uma violação da mesma regra que mencionei mais acima sobre o programa curto de Patrick Chan. Logo após este erro, Hanyu teve outro elemento invalidado. Tratou-se da combinação de triplo lutz-duplo toe loop. A explicação para a anulação deste elemento tem a ver com o facto do duplo toe loop ser considerado um elemento repetido devido ao salto isolado também ter sido um duplo toe loop. Em comparação com o que se passou no primeiro grande prémio da temporada, há um certo paralelo com o programa curto de Jason Brown em que o segundo salto da combinação foi considerado inválido. No entanto, a combinação de Brown no programa curto no Skate America 2015 recebeu pontos à mesma. Aqui no Skate Canada, o segundo salto da combinação de Yuzuru foi inválido e apagaram o elemento inteiro. Era conveniente que a ISU melhorasse esta regra no próximo congresso para evitar dualidade de critérios na aplicação das normas. Voltando ao programa curto de Yuzuru, ele ainda realizou uma sequência de passos de nível 3 (4.44pts) e um peão de combinação de nível 4 (4.50pts). Nos segmentos dos componentes do programa, as suas médias foram de 9.00 na perícia, 8.68 nas transições/passos de ligação, 8.79 na performance/execução, 9.21 na coreografia/composição e 9.14 na interpretação. No segmento de performance/execução houve dois juízes que se entusiasmaram um pouquinho pois marcaram o valor de 9.00 e 9.50... Com dois elementos inválidos em sete possíveis, não me parece bem. No programa livre, Yuzuru Hanyu demonstrou novamente o seu espírito guerreiro e demonstrou que está cheio de ambição para esta temporada. O seu plano de saltos foi o seguinte: quádruplo salchow (12.21pts), quádruplo toe loop (11.73pts), triplo flip (6.70pts), combinação de quádruplo toe loop-duplo toe loop (12.07pts), combinação de triplo axel-toe loop simples (9.93pts), combinação de triplo axel-loop simples-triplo salchow (15.74pts), triplo loop (6.31pts) e triplo lutz (4.50pts). A combinação de quadruplo toe loop-duplo toe loop tinha um valor base de 12.76pts mas perdeu 0.69 devido ao grau de execução negativo. O triplo lutz também foi punido com grau de execução negativo pois Hanyu não segurou a saída e caiu na recepção. Por causa disso foi-lhe também aplicado uma dedução automática de um ponto. A sequência de passos (4.30pts) foi de nível 3. Na sequência coreográfica ele obteve mais 3.40pts. O primeiro e o último peões foram de nível 4 (4.29pts + 4.14pts) e o segundo peão foi de nível 3 (3.03pts). As suas médias nos componentes do programa foram de 8.93 na perícia, 8.50 nas transições/passos de ligação, 8.86 na performance/execução, 9.14 na coreografia/composição e 9.04 na interpretação. Daisuke Murakami sabia que tinha uma concorrência de peso mas aguentou bem a pressão acabando por completar o pódio com a medalha de bronze. Ele liderou o programa curto com uma nota de 80.88pts. Os saltos que Murakami efectuou no programa curto foram o quádruplo salchow (7.19pts), um triplo axel (9.79pts) e uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (12.41pts). O quádruplo foi punido com grau de execução negativo e perdeu 3.31pts do valor base de 10.50pts. A sequência de passos foi de nível 2 (3.31pts). Nos peões ele totalizou 9.47pts, sendo que o primeiro e o último foram de nível 3 e o segundo foi de nível 4. Infelizmente para ele, não lhe foi possível obter muitos pontos provenientes de grau de execução. A sua nota técnica de partida foi de 42.11 e ficou-se por um total final de 42.17pts. Nos componentes, as suas médias foram de 7.96 na perícia, 7.39 nas transições/passos de ligação, 7.68 na performance/execução, 7.89 na coreografia/composição e 7.79 na interpretação. Murakami esteve bem no programa livre mas não foi o suficiente para fazer frente aos colossos Chan e Hanyu. Em termos de saltos este patinador japonês realizou um fantástico quádruplo salchow (12.50pts), uma combinação de quádruplo salchow-duplo toe loop (13.37pts), uma combinação de triplo axel-duplo toe loop (11.23pts), triplo axel isolado (9.64pts), triplo flip (6.53pts), combinação de triplo lutz-loop simples-duplo salchow (8.38pts), triplo loop (6.51pts) e triplo salchow (5.34pts). A combinação de triplo lutz-loop simples-duplo salchow foi o único elemento do esquema a ser punido com grau de execução negativo. Os dois primeiros peões foram de nível 4 (3.50pts+3.91pts) e o último peão foi de nível 2 (2.86pts). A sequência de passos (3.10pts) foi de nível 2 e a sequência coreográfica rendeu-lhe 2.50pts. Nos segmentos dos componentes, Murakami obteve 8.36 na perícia, 7.71 nas transições/passos de ligação, 8.54 na performance/execução, 8.25 na coreografia/composição e 8.14 na interpretação. Michal Brezina (Rep. Checa) teve um resultado modesto neste grande prémio e terminou na oitava posição, com uma pontuação final bastante longe da luta pelas medalhas.