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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

GP Skate Canada 2016 - Dança

Skate Canada 2016


Em Mississauga (Canadá)

Entre os dias 27 e 30 de Outubro




Análise




A categoria de dança foi emocionante do início ao fim. Houve quem não gostasse do ajuizamento da competição mas é inegável que vimos várias performances com muita qualidade.

Tessa Virtue & Scott Moir continuam a trilhar o seu regresso à patinagem de competição e mais parece que eles nem sequer estiveram ausentes. Esta foi a sua segunda prova da temporada e já contam com duas medalhas de ouro e com o estatuto de líderes recuperado.

A dança curta foi excelente. Patinada ao som de músicas de Prince, esta dança curta tem todos os ingredientes que fizeram com que os fãs se apaixonassem por Virtue & Moir. Excelente coreografia e interpretação bem como os elementos técnicos bem encadeados no esquema. A sua nota na dança curta foi estrondosa: 77.23pts que lhes permitiu vencer esta fase da competição. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo, com diversos +2 e +3. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (10.40pts), a sequência parcial de passos (9.30pts) e os passos obrigatórios (5.60pts) foram classificados com o nível 3. Os twizzles (7.97pts) e a figura de elevação (6.30pts) preencheram os critérios exigidos para o nível 4. As suas notas nos segmentos dos componentes foram magníficas, o que lhes permitiu obter médias de 9.32 na perícia, 9.18 nas transições, 9.50 na performance, 9.50 na composição e 9.57 na interpretação da música/timing. No que diz respeito à escala de cada juiz, a juiz canadiana atribui-lhes a nota de 10.00 nos segmentos da performance e da composição. Na minha modesta opinião, o programa resultou muito melhor aqui no Skate Canada no que no Autumn Classic.

A dança livre recebeu uma pontuação de 111.83pts e isso fez com que eles ficassem em segundo lugar nesta fase da competição. Todos os elementos técnicos conseguiram obter grau de execução positivo embora tivesse havido um elemento onde isso foi discutível mas já lá vamos. Em primeiro lugar as críticas… Lamento mas vou ter que ser um pouco mazinha. A sua dança livre é bonita mas parece que já vimos isto 500 vezes e não se destaca em nada comparando com o que já apresentaram na sua carreira. Este par já foi capaz de apresentar uma Carmen audaciosa e danças arrebatadoras como a da temporada 2010/2011. Esta dança livre parece uma zona de conforto semelhante à da temporada 2013/2014. Simplesmente jogar pelo seguro. Tessa e Scott são fantásticos e têm capacidade interpretativa para abordar qualquer tema. Ambos estão numa fase em que não precisam de provar nada a ninguém pois têm um palmarés invejável. Porquê esta abordagem tão conservadora? Outro problema com este programa é que eles passam muito tempo com os quatro apoios, ou seja, ambos os patinadores com os dois pés no gelo. O deslizar pode ser belo à mesma mas torna as coisas mais fáceis entre elementos. Além disso é menos cansativo. Notei também que a entrada nas duas sequências de passos foi muito aberta. Claro que isto pode ser uma coisa a ser alterada no decurso da época. Estas circunstâncias teriam de ser reflectidas nas notas da perícia e das transições mas este painel de juízes assobiou para o lado. Eles não tiveram uma única nota abaixo de nove em todos os segmentos dos componentes.

Analisando em detalhe as notas referentes aos elementos técnicos, começo pelas duas sequências de passos. A sequência de passos em círculo recebeu 9.61pts e a sequência de passos na diagonal obteve 9.46pts. Ambas foram classificadas com o nível 3. O peão foi de nível 4 e permitiu-lhes amealhar 7.14pts. No que toca a figuras de elevação, eles conseguiram um total de 17.89pts, sendo que a primeira e a segunda cumpriram os critérios para o nível 4 e a terceira foi de nível 3. Os elementos coreográficos foram o twizzle (2.30pts) e uma figura de elevação (2.70pts), correspondentes respectivamente ao sétimo e nono elementos do esquema. E os twizzles? Bem, os twizzles foram classificados com o nível 3, tendo um valor base 5.60pts. Os twizzles acumularam 0.51 ao valor base graças aos graus de execução positivo. Só que Tessa cometeu um erro bem visível na primeira sequência dos twizzles. A sua qualidade e experiência fizeram com que ela conseguisse recuperar para as sequências seguintes mas o erro já estava feito e não passou despercebido. No entanto, apenas a juiz coreana Chihee Rhee marcou os twizzles com -1 na escala do grau de execução. Tivesse este elemento sido punido com grau de execução negativo, os vencedores da competição seriam os estado-unidenses Chock & Bates. É que a diferença entre a medalha de ouro e medalha de prata foi meramente de 0.82pts…

Nos segmentos dos componentes, Tessa e Scott obtiveram médias de 9.39 na perícia, 9.29 nas transições, 9.46 na performance, 9.50 na composição e 9.54 na interpretação da música/timing. A juiz russa Lolita Labunskaya atribuiu-lhes a nota 10.00 nos segmentos de composição e interpretação.

Madison Chock e Evan Bates venceram a medalha de prata mas por pouco não tinham levado o ouro para casa. Chock & Bates foram segundos classificados na dança curta mas venceram a dança livre.

A pontuação da dança curta de Chock & Bates foi de 76.21pts. Eles já mostraram esta dança curta em duas competições anteriores mas aqui no Skate Canada resultou muito melhor. Na minha opinião Evan melhorou bastante em relação às competições que já realizaram nesta temporada pois das outras vezes parecia que só Madison se destacava. Este é um sinal positivo de evolução. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (11.43pts), os passos obrigatórios (6.03pts), os twizzles (8.06pts) e a figura de elevação (5.79pts) foram todos classificados com o nível 4. A sequência parcial de passos (9.30pts) foi de nível 3. A sua nota técnica de partida foi de 31.80 e foi melhorada para 40.61pts devido à acumulação de graus de execução positivos. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.86 na perícia, 8.71 nas transições, 8.93 na performance, 9.00 na composição e 9.00 na interpretação da música/timing. Em termos de escala de cada juiz foi curioso ver que o juiz canadiano apenas marcou 7.75 no segmento das transições e não lhe atribuiu nenhuma nota acima de 8.75. Houve também dois juízes que sugeriram que fosse aplicada uma dedução por violação das regras sobre coreografia mas a sugestão foi indeferida pelo painel do controlo técnico.

Na dança livre eles obtiveram a pontuação de 112.03pts. Arrisco a dizer que esta é a melhor dança livre da sua carreira. O tema escolhido é um arranjo da famosa música “Under Pressure” que foi celebrizada por Freddie Mercury e David Bowie. O responsável pela coreografia foi o campeão olímpico de 1984 Christopher Dean. A coreografia é bem difícil mas Madison e Evan estão já em excelente forma física e deram mais do que conta do recado. Apenas a primeira sequência de passos foi de nível 3 (9.30pts). A segunda sequência de passos (10.80pts), os twizzles (7.89pts), o peão (7.31pts) e as figuras de elevação (total de 17.44pts) atingiram o nível 4. Os elementos coreográficos foram o peão (2.30pts) e uma figura de elevação (2.40pts). A nota técnica de partida foi de 42.80pts que acabou com um total de 57.44pts devido aos graus de execução positivos acumulados. Quanto à segunda nota, as médias obtidas nos componentes foram de 8.96 na perícia, 8.96 nas transições, 9.14 na performance, 9.25 na composição e 9.18 na interpretação da música/interpretação. O juiz canadiano voltou a destoar do resto do painel e não hesitou em atribuir-lhe apenas 7.75 no segmento de perícia e a mais alta que lhes deu foi de 8.50. Esse mesmo juiz esteve em discrepância com os restantes também na atribuição dos graus de execução. Enquanto os outros juízes marcaram +3 no grau de execução de vários elementos, o juiz canadiano marcou +2 em três elementos e meramente +1 nos restantes, incluindo nos twizzles.

Pipper Gilles & Paul Poirier venceram a medalha de bronze com 2.22pts de vantagem sobre o par italiano Cappellini & Lanotte que ficaram em quarto lugar.

O juiz canadiano que já mencionei em cima continuou a fazer das suas e, pela sua escala individual, colocou o par Gilles & Poirier acima de Chock & Bates, tanto nos componentes como na execução… A nota obtida na dança curta por este simpático par foi de 72.12pts. A sequência parcial de passos (9.14pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.83pts) foram classificadas com o nível 3 enquanto os twizzles (7.71pts), a figura de elevação (5.70pts) e os passos obrigatórios (6.20pts) preencheram os critérios do nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 8.46 na perícia, 8.43 nas transições, 8.71 na performance, 8.82 na composição e 8.75 na interpretação da música/timing.

A nota de Gilles & Poirier na dança livre foi de 110.45pts. O juiz canadiano continuou a sua saga marcando-lhe os graus de execução com +2 e +3 distribuídos por todos os elementos e, apesar dos 8.75 na perícia, deu-lhe notas de 9.00 ou mais nos restantes segmentos. Pela escala individual do juiz canadiano Gilles & Poirier ficariam à frente de Chock & Bates… Enfim. A sua coreografia para um tema de tango foi muito bem apresentada por ambos os patinadores. A composição, interpretação e performance são os pontos fortes deste par juntamente com as figuras de elevação. As duas sequências de passos receberam um total de 19.07pts e foram as ambas classificadas com o nível 3. O peão (6.97pts), os twizzles (8.14pts) e as figuras de elevação (17.87pts) atingiram o nível 4. Como elementos coreográficos, Gilles & Poirier optaram por um peão (2.10pts) e por uma figura de elevação (2.00pts). O peão coreográfico foi o quarto elemento e a figura de elevação coreográfica foi o último elemento. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.86 na perícia, 8.89 nas transições, 9.14 na performance, 9.11 na composição e 9.25 na interpretação da música/timing.

Anna Cappellini & Luca Lanotte terminaram a competição fora do pódio e este resultado pode ter comprometido as suas aspirações à qualificação para a grande final do circuito do grande prémio que se vai realizar em Dezembro.

Na dança curta, Cappellini & Lanotte receberam uma nota de 71.08pts. Os twizzles (7.80pts), os passos obrigatórios (6.03pts) e a figura de elevação (5.79pts) cumpriram com os critérios exigidos para o nível 4. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi de nível 3 e obteve 10.09pts. O seu maior problema ocorreu na sequência parcial de passos foi apenas foi classificada com o nível 1 e isso baixou-lhes o valor base do elemento. O grau de execução foi bom mas apenas lhes permitiu ficar com 5.30pts. Por causa do valor base na  sequência parcial de passos eles ficaram logo com cerca de 3 ou 4 pontos de desvantagem face aos seus rivais mais directos. Nos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.96 na perícia, 8.86 nas transições, 9.07 na performance, 9.07 na composição e 9.11 na interpretação da música/timing.

Na dança livre, o par italiano ficou com 109.27pts. O elemento que mais os prejudicou foi a sequência de passos na diagonal (7.96pts) pois foi classificada com o nível 2 e, por causa disso, ficou com um valor base mais baixo do que aquilo que eles estavam à espera. No entanto, o grau de execução do elemento foi positivo. O problema foi mesmo em relação ao valor base. Os twizzles (8.31pts), o peão (6.63pts) e as figuras de elevação (17.44pts) preencheram os critérios necessários para o nível 4. A sequência de passos na circular (9.46pts) foi de nível 3. Os elementos coreográficos foram deixados para o final do esquema e foram um peão (2.10pts) e uma figura de elevação (2.80pts). As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 9.00 na perícia, 8.82 nas transições, 9.18 na performance, 9.18 na composição e 9.29 na interpretação da música/timing.

Alexandra Stepanova & Andrei Bukin ficaram na quinta posição. Apesar de terem mostrado evolução e alguns elementos originais, a verdade é que tecnicamente eles têm de melhorar os níveis nas sequências de passos sob pena de perderam muitos pontos face aos seus adversários, tal como ocorreu aqui. A figura de elevação coreográfica na dança livre também devia ser revista para competições futuras. No que diz respeito à execução dos elementos, eles estiveram bem.


Vídeos

Virtue & Moir
Dança curta


Dança livre
Os vídeos que encontrei tinham o áudio bloqueado por causa dos direitos sobre a música.



Chock & Bates
Dança curta




Dança livre



Gilles & Poirier
Dança curta


Dança livre



Cappellini & Lanotte
Dança curta


Dança livre


Stepanova & Bukin
Dança curta


Dança livre



Hawayek & Baker
Dança curta


Dança livre



Fournier-Beaudry & Sorensen
Dança curta


Dança livre



Paul & Islam
Dança curta


Dança livre



Wang & Liu
Dança curta


Dança livre



Torn & Partanen
Dança curta


Dança livre


Resultado Final

domingo, 30 de outubro de 2016

GP Skate Canada 2016 - Homens

Skate Canada 2016



Em Mississauga (Canadá)

Entre os dias 27 e 30 de Outubro





Análise

A categoria de homens contou com o duelo entre dois dos maiores patinadores da actualidade. Patrick Chan levou a melhor sobre o campeão olímpico Yuzuru Hanyu. Kevin Reynolds conseguiu garantir a medalha de bronze. O público canadiano deve ter ficado bem contente com as duas medalhas conquistadas pelos seus compatriotas. O japonês Takahito Mura foi segundo classificado no programa curto mas deitou tudo a perder no livre ao terminar apenas em nono nessa fase da competição. Michal Brezina protagonizou uma remontada. Brezina foi nono no programa curto mas no livre ascendeu à quarta posição. O chinês Han Yan prometia muito e era apontado como alguém que poderia discutir uma medalha. No entanto, o jovem chinês teve uma participação bem discreta para o seu nível e não foi além do décimo lugar final.
Patrick Chan ficou em primeiro lugar no programa curto com uma nota de 90.56pts. Ele iniciou o programa com uma grande combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop que obteve 16.60pts. No entanto, ele caiu no triplo axel. Esse elemento teve de ser punido com grau de execução negativo e perdeu 3.00 do valor base de 8.50pts. Além disso, a sua nota também foi afectada pela dedução automática de um ponto devido à queda. O triplo lutz foi colocado na segunda metade do esquema e beneficiou de pontuação bónus no valor base por causa disso. O lutz recebeu 6.90pts. A sequência de passos (4.73pts) e o peão de combinação (4.21pts) foram classificados com o nível 3. O peão flying sit (4.21pts) e o peão camel com mudança de pé (3.91pts) atingiram o nível 4. As médias apuradas nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram excelentes e fixaram-se em 9.14 na perícia, 8.93 nas transições, 9.00 na performance, 9.18 na composição e 9.25 na interpretação da música.
No programa livre, Patrick Chan ficou em segundo lugar depois de garantir uma nota de 176.39pts. Chan reuniu imensos pontos nos dois primeiros elementos. Ele realizou uma combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (17.60pts) e um triplo axel (10.64pts). No entanto, Chan caiu no quádruplo salchow (6.50pts) que ficou sem 4.00 no valor base de 10.50pts devido à punição em sede de grau de execução. Foi também aplicada uma dedução automática de um ponto. Os restantes elementos de salto foram colocados na segunda metade do esquema mas ocorreram erros. Ele tinha planeado apresentar um quádruplo toe loop mas apenas efectuou um triplo (6.03pts). A combinação de triplo axel-duplo toe loop (9.92pts) foi punida com grau de execução negativo. O triplo flip foi transformado em duplo (2.22pts). Era suposto que ele tivesse apresentado uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop mas Chan apenas realizou duplo lutz-duplo toe loop-loop simples (4.42pts). O único salto da segunda metade do esquema que correu como previsto foi o triplo loop (6.91pts). Todos os peões foram classificados com o nível 4 e totalizaram 12.63pts. A sequência coreográfica de nível 4 pontuou 5.60pts e a sequência coreográfica recebeu 3.80pts. No que diz respeito aos segmentos dos componentes, as médias de Chan voltaram a ser excelentes: 9.21 na perícia, 9.00 nas transições, 8.96 na performance, 9.18 na composição e 9.21 na interpretação da música.
Yuzuru Hanyu ficou em quarto lugar no programa curto com uma nota de 79.65pts. Os dois elementos iniciais do esquema foram punidos com grau de execução negativo: o quádruplo loop (3.00pts) e o triplo salchow (3.20pts). No loop faltaram 2/4 de volta para que a quarta rotação fosse completada. O salchow era suposto ter sido quádruplo. Com esta situação, Yuzuru ficou sem combinação e isso prejudicou imenso a sua nota técnica. O triplo axel (12.06pts) foi colocado na segunda metade do programa e, por esse motivo, recebeu bónus no valor base. Yuzuru conseguiu amealhar 2.71pts no axel só em grau de execução! Isso foi notável. O peão flying camel (3.23pts) foi classificado com o nível 3, o peão em baixo com mudança de pé (3.79pts) foi de nível 4 assim como o peão de combinação (4.50pts). A sequência de passos recebeu 5.70pts e foi de nível 4. As médias apuradas nos segmentos dos componentes ficaram aquém do que Yuzuru já recebeu noutras competições. Desta vez ele ficou com 8.93 na perícia, 8.71 nas transições, 8.71 na performance, 8.93 na composição e 8.89 na interpretação da música.
O patinador japonês venceu o programa livre com uma pontuação de 183.41pts. Ao quádruplo loop (3.00pts) inicial faltaram 2/4 de volta para que o salto fosse efectivamente completo. Além disso o patinador caiu na recepção do salto e foi aplicada uma dedução automática de um ponto. Esse acabou por ser o único elemento punido com grau de execução negativo em todo o esquema. Houve um outro erro no programa que ocorreu na combinação de duplo salchow-triplo toe loop (6.66pts). Essa combinação obteve grau de execução positivo mas não era isso que estava planeado. Yuzuru pretendia que o primeiro salto dessa combinação fosse um quádruplo salchow. Os restantes saltos foram os seguintes: quádruplo salchow isolado (12.50pts), triplo flip (6.00pts), quádruplo toe loop (11.76pts), combinação de triplo axel-duplo toe loop (12.64pts), combinação de triplo axel-loop simples-triplo salchow (16.03pts) e triplo lutz (7.90pts). Os peões foram todos classificados com o nível 4 e totalizaram 12.07pts. A sequência de passos foi de nível 3 e recebeu 4.23pts enquanto a sequência coreográfica obteve 3.50pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 8.96 na perícia, 8.64 nas transições, 8.64 na performance, 8.93 na composição e 8.89 na interpretação da música. De salientar que o juiz n.º 8 limitou-se a atribuir 7.75 nos segmentos de performance e composição, o que não deixou de ser surpreendente.
O regresso do canadiano Kevin Reynolds aos grandes palcos da patinagem pautou-se por um terceiro lugar no programa curto com uma pontuação de 80.57pts. Ele colocou todos os elementos de salto na primeira metade do esquema: a combinação de quádruplo salchow-triplo toe loop (10.86pts), quádruplo toe loop (9.10pts) e triplo axel (8.79pts). A combinação perdeu 1.54pts do valor base devido ao grau de execução negativo visto que a última rotação do quádruplo salchow não foi efectivamente completado. Já o quádruplo toe loop ficou sem 1.20pts do valor base. No que diz respeito aos peões, o peão camel com mudança de pé (2.29pts) foi de nível 3 mas foi penalizado em sede de grau de execução. O peão flying upright atingiu o nível 4 e recebeu 2.97pts e apenas conseguiu grau de execução positivo por uma unha negra. O peão de combinação com mudança de pé foi de nível 3 e obteve 3.43pts. A sequência de passos alcançou o nível 4 e amealhou 5.20pts. As médias apuradas nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram de 7.50 na perícia, 7.32 nas transições, 7.75 na performance, 7.68 na composição e 7.68 na interpretação da música. No entanto verificaram-se algumas discrepâncias. No segmentos de perícia houve notas entre 6.75 e 8.25! No segmento de transições as notas balizaram-se entre 6.50 e 8.00!

No programa livre Reynolds ficou em terceiro lugar com uma nota de 164.49pts. Os saltos apresentados que receberam grau de execução positivo foram o quádruplo salchow (10.76pts), o quádruplo toe loop (11.73pts), o triplo axel (10.64pts), combinação de triplo lutz-duplo toe loop (8.13pts), combinação de triplo flip-duplo toe loop (8.01pts) e triplo salchow (5.14pts). A combinação de quádruplo toe loop-triplo toe loop (14.26pts) e o quádruplo salchow (1.67pts), que era suposto ter sido colocado em combinação, foram punidos com grau de execução negativo. No salchow quádruplo ele perdeu 4.00pts do valor base e sofreu também uma dedução automática de um ponto devido à queda sofrida. A sequência de passos (3.87pts) e os peões (total de 10.16pts) foram todos classificados com o nível 3. A sequência coreográfica rendeu-lhe 2.70pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias fixaram-se em 7.82 na perícia, 7.50 nas transições, 8.07 na performance, 7.86 na composição e 7.96 na interpretação da música. 


Vídeos

Patrick Chan
Programa curto

Programa livre


Yuzuru Hanyu
Programa curto

Programa livre


Kevin Reynolds
Programa curto

Programa livre


Michal Brezina
Programa curto

Programa livre



Daniel Samohin
Programa curto


Programa livre



Misha Ge
Programa curto


Programa livre



Alexander Petrov
Programa curto

Programa livre



Takahito Mura
Programa curto


Programa livre



Liam Firus
Programa curto


Programa livre



Han Yan
Programa curto


Programa livre



Grant Hochstein
Programa curto


Programa livre



Ross Miner


Programa livre





Resultado final

GP Skate Canada 2016 - Pares

Skate Canada 2016


Em Mississauga (Canadá)

Entre os dias 27 e 30 de Outubro



Análise




Meagan Duhamel e Eric Radford eram os favoritos para conquistar a medalha de ouro nesta competição devido ao facto de serem detentores de dois títulos mundiais e de estarem a jogar em casa. Meagan e Eric confirmaram todo o favoritismo e arrecadaram a medalha de ouro. O par chinês Xiaoyu Yu & Hao Zhang, recém-formado, era uma incógnita mas deram excelentes indicações ao levar a medalha de prata para casa. Liubov Iliushechkina & Dylan Moscovitch (Canadá) fecharam o pódio com a medalha de bronze embora as coisas tenham tremido um pouco no programa livre. Os russos Yuko Kavaguti & Alexander Smirnov eram apontados como grandes candidatos às medalhas mas terminaram a prova bem longe do pódio.


Apesar de terem tido dois elementos punidos com grau de execução negativo, Meagan e Eric alcançaram a liderança do programa curto com uma pontuação de 78.39pts. O triplo twist (7.50pts) foi classificado com o nível 3 mas a figura de elevação (8.80pts), o peão (4.43pts), a sequência de passos (5.10pts) e a espiral da morte (4.90pts) cumpriram os critérios estabelecidos para o nível 4 que é o mais elevado. Já se sabe que quanto maior foi o nível maior será também o valor base do elemento. Os problemas neste programa ocorreram no triplo lutz lado-a-lado (5.90pts) e no triplo axel lançado (7.27pts). Esses foram os dois elementos punidos com grau de execução negativo. O lutz perdeu 0.10 e o axel perdeu 0.43. Não é habitual ver um par a tentar um triplo axel lançado mas deu a sensação que Meagan e Eric quiseram dar resposta a todo o entusiasmo gerado em torno do par alemão Aliona Savchenko & Bruno Massot. É que Aliona e Bruno avisaram bem cedo que iriam tentar o triplo axel lançado e que queriam a fasquia da dificuldade bem elevada. Os alemães não competiram nesta prova mas o desafio foi lançado. Nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota, as médias alcançadas por Meagan e Eric foram consistentes e fixaram-se em 8.61 na perícia, 8.36 nas transições, 8.75 na performance, 8.75 na composição e 8.64 na interpretação da música.


No programa livre, Meagan e Eric ficaram em primeiro lugar com uma pontuação de 139.91pts. O triplo twist de nível 3 foi o elemento de abertura e conquistou 7.40pts. Seguiram-se dois elementos punidos com grau de execução negativo: o triplo lutz lado-a-lado (5.30pts) e o quádruplo salchow lançado (5.20pts). A queda no quádruplo salchow lançado levou a que tivesse de ser aplicada uma dedução automática de um ponto. Mesmo assim, a aposta no risco compensou. É que esses dois elementos têm valores base elevados e, apesar da aplicação de grau de execução negativo, ainda pontuaram bastante. Houve um outro elemento no programa que foi penalizado em sede de grau de execução. Tratou-se da combinação de triplo toe loop-duplo toe loop-duplo toe loop (6.10pts) que ficou sem 0.80 no valor base. O segundo salto lançado apresentado por este par foi o triplo flip que lhes valeu mais 6.20pts. As figuras de elevação (total de 23.47pts), os peões (total de 9.58pts) e a espiral da morte (5.90pts) foram classificados com o nível 4. Na sequência coreográfica, eles conseguiram amealhar mais 3.20pts. Em termos técnicos há que destacar que o painel de juízes não esteve de acordo quanto à marcação do grau de execução no triplo twist. O juiz n.º 6 marcou -3 mas o juiz n.º 2 marcou +3, ou seja, foram de um extremo ao outro… Na construção da nota de apresentação, as médias conquistadas nos segmentos dos componentes foram de 8.64 na perícia, 8.46 nas transições, 8.61 na performance, 8.64 na composição e 8.50 na interpretação da música.


Muitos fãs estavam relutantes sobre a parceria de Xiaoyu Yu e Hao Zhang mas eles demonstraram que têm potencial. No programa curto eles ficaram em segundo lugar com uma pontuação de 69.43pts. Apenas um elemento foi punido com grau de execução negativo. O elemento penalizado foi o peão (3.33pts). O peão cumpriu os critérios para alcançar o nível 4 mas a execução deixou um pouco a desejar, tendo perdido 0.17 no valor base. O triplo twist (8.10pts), a figura de elevação (8.50pts), a sequência de passos (4.50pts) e a espiral da morte (4.40pts) atingiram o nível 4. Como salto lado-a-lado eles apresentaram um triplo toe loop que ficou com 4.60pts. O salto lançado efectuado foi o triplo loop (6.40pts). As médias nos segmentos dos componentes foram promissoras para um par que está junto à pouco tempo: 7.64 na perícia, 7.18 nas transições, 7.36 na performance, 7.54 na composição e 7.29 na interpretação da música. Neste último segmento, o juiz n.º 9 apenas marcou 5.75 o que me parece que foi um pouco severo.


No programa livre, Yu e Zhang garantiram o segundo lugar com uma nota de 132.65pts. Desta vez eles tiveram dois elementos punidos com grau de execução negativo: o duplo axel lado-a-lado (3.09pts) e o peão em paralelo (2.20pts). Se há elementos em que este par chinês tem de melhorar são os peões. O peão em paralelo apenas chegou para o nível 2 e o peão de par (3.21pts) foi meramente de nível 1. Como sabem o valor base dos peões é determinado pelo nível. Quanto mais baixo for o nível mais baixo será o valor base. O triplo twist (8.70pts), a espiral da morte (5.90pts) e todas as figuras de elevação (total de 22.50pts) atingiram todos o nível 4. A combinação de saltos lado-a-lado foi de triplo toe loop-duplo toe loop (5.80pts). Os saltos lançados realizados foram o triplo loop (7.00pts) e o triplo salchow (5.90pts). Na sequência coreográfica eles amealharam 3.10pts. As médias apuradas nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota foram de 8.32 na perícia, 7.93 nas transições, 8.21 na performance, 8.14 na composição e 8.18 na interpretação da música. Em termos de escala individual de cada juiz nos segmentos dos componentes, o juiz n.º 4 foi o único que destoou um pouco dos seus colegas de painel ao atribuir apenas 6.75 nas transições e na composição.


Lubov Iliushechkina & Dylan Moscovitch ficaram em terceiro lugar quer no programa curto (67.53pts) como no programa livre (122.69pts).


No programa curto, Lubov e Dylan falharam no salto lado-a-lado. Eles tinham previsto realizar um triplo toe loop mas o elemento apenas foi cotado como duplo e não foi bom em termos de execução. O duplo toe loop ficou apenas com 0.73pts. No triplo lutz lançado eles receberam 6.70pts. O triplo twist (6.90pts) foi de nível 2 e a espiral da morte (4.20pts) foi de nível 3. A figura de elevação (8.70pts), o peão (4.07pts) e a sequência de passos (5.10pts) foram classificados com o nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas e fixaram-se em 7.71 na perícia, 7.54 nas transições, 7.89 na performance, 7.89 na composição e 7.89 na interpretação da música.


No programa livre, Lubov e Dylan tiveram três elementos punidos com grau de execução negativo e sofreram dois pontos de dedução automática devido a quedas. Os problemas ocorreram no triplo lutz lançado (3.50pts), na combinação que foi meramente cotada como triplo toe loop (0.90pts) e no duplo salchow lado-a-lado (0.93pts). A patinadora caiu na recepção do triplo lutz lançado e por isso não havia maneira desse elemento escapar da penalização. Na combinação de saltos, a patinadora caiu na recepção do triplo toe loop, que ainda por cima foi incompleto em termos de rotação. Devido a essa queda, Lubov não teve possibilidades de efectuar o segundo salto da combinação. Como tal, apesar de Dylan ter realizado o segundo salto, o código de pontos só permite que seja valorado o primeiro salto nestas situações. Quanto ao salchow lado-a-lado, se verificarem o vídeo da prestação deles podem reparar que Lubov apenas realizou um salto duplo. O triplo twist (7.40pts) foi de nível 2 e a espiral da morte (5.20pts) foi de nível 3. As figuras de elevação totalizaram 23.20pts e atingiram todas o nível 4. Os peões foram ambos classificados com o nível 4 e contribuíram com mais 9.22pts para a nota técnica. O segundo salto lançado do esquema foi o triplo loop que recebeu 5.80pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 3.40pts. Na segunda nota, as médias apuradas nos segmentos dos componentes foram de 8.14 na perícia, 7.93 nas transições, 8.11 na performance, 8.21 na composição e 8.32 na interpretação da música.


Yuko Kavaguti e Alexander Smirnov não têm tido sorte com as lesões graves que os têm afectado a ambos. Os antigos campeões da Europa estiveram longe da sua melhor forma física nesta competição e terminaram bem longe da medalha de ouro – que era o seu objectivo.


Yuko e Alexander ficaram em quinto lugar no programa curto com uma nota de 64.40pts. Houve dois elementos no esquema que foram punidos com grau de execução negativo: o triplo toe loop lado-a-lado (2.20pts) e o peão (2.61pts). Para além de perderem pontos em sede de grau de execução no salto lado-a-lado, também houve lugar à aplicação de um ponto de dedução devido a queda. O triplo twist (6.60pts) e o peão foram classificados com o nível 3. A figura de elevação (8.80pts) e a sequência de passos (4.70pts) atingiram o nível 4. No entanto, a espiral da morte foi meramente de nível 1, que é o básico, e eles apenas receberam 3.30pts nesse elemento. No triplo loop lançado eles conseguiram arrecadar 6.00pts. Nos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 7.96 na perícia, 7.75 nas transições, 7.64 na performance, 7.96 na composição e 7.68 na interpretação da música.


No programa livre Yuko e Alexander obtiveram uma nota de 118.35pts. Os saltos lado-a-lado correram mal e tiveram de ser penalizados em sede de grau de execução. O triplo toe loop ficou apenas com 0.70pts, tendo ainda havido lugar à aplicação de uma dedução automática de um ponto devido a queda. Era suposto que este par tivesse realizado uma sequência de duplo axel-duplo axel mas ela apenas pôde ser cotada como axel simples-duplo axel (2.95pts). O triplo twist foi de nível 2 e conseguiu 6.20pts. Apesar de ter obtido grau de execução positivo, quatro juízes do painel não ficaram nada convencidos e três marcaram 0 enquanto outro marcou -2. O peão de par (2.39pts) apenas cumpriu os requisitos mínimos e ficou com o nível 1. O peão lado-a-lado foi de nível 4 e recebeu 4.00pts. Como saltos lançados, Yuko e Alexander apresentaram um triplo salchow (4.90pts) e um triplo loop (6.00pts). A espiral da morte obteve 3.60pts e foi de nível 3. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4 e totalizaram 21.63pts. A sequência coreográfica rendeu-lhes 3.10pts. Nos segmentos dos componentes as médias apuradas foram as seguintes: 7.86 na perícia, 8.14 nas transições, 7.82 na performance, 8.29 na composição e 7.82 na interpretação da música.





Vídeos

Duhamel & Radford
Programa curto

Programa livre


Yu & Zhang
Programa curto

Programa livre


Iliushechkina & Moscovitch
Programa curto

Programa livre


Denney & Frazier
Programa curto

Programa livre


Kavaguti & Smirnov
Programa curto

Programa livre


Della Monica & Guarise
Programa curto

Programa livre


Jones & Reagan
Programa curto

Programa livre



Resultado final





GP Skate Canada 2016 - Senhoras

Skate Canada 2016



Em Mississauga (Canadá)


Entre os dias 28 e 29 de Outubro




Análise




A competição de senhoras ficou marcada pela presença de várias patinadoras consagradas e foi de muito bom nível.


A russa Evgenia Medvedeva, campeã mundial 2016, demonstrou que se mantém em alta. Evgenia teve uma estreia retumbante no escalão sénior durante a temporada passada e ganhou os principais títulos em disputa de forma categórica. Houve quem levantasse dúvidas sobre a capacidade de Evgenia em lidar com o todo o sucesso que ela teve, achando que ela seria incapaz de repetir o mesmo calibre de programas. Evgenia provou que tem continuado a trabalhar com afinco e apresentou-se no Skate Canada numa forma física acima da média para a fase da época em que nos encontramos. Esta temporada, ela já participou no Open do Japão mas esta foi a grande estreia em termos de competições mais relevantes. 


Evgenia começou a sua participação em grande com um recorde pessoal no programa curto onde obteve a nota de 76.24pts. E o programa que ela patinou valeu bem todos os pontinhos que recebeu. O esquema foi desenhado de modo a que todos os saltos fossem realizados na segunda metade do programa de modo a beneficiar de pontuação bónus no valor base. E foi precisamente isso que ela fez. A combinação de triplo flip-triplo toe recebeu 11.96pts, o triplo loop ficou com 6.61pts e o duplo axel pontuou 4.56pts. Os peões foram todos classificados com o nível máximo que é o 4 e totalizaram 12.69pts. A sequência de passos também foi de nível 4 e ficou com 5.40pts. Nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota, Evgenia ficou com médias de 8.68 na perícia, 8.43 nas transições, 8.96 na performance, 8.71 na composição e 9.00 na interpretação da música. Na minha opinião, a coreografia deste programa é lindíssima e Evgenia interpretou-a lindamente. Quase de certeza que este programa entrará na lista dos melhores momentos da temporada.


O programa livre de Evgenia recebeu 144.41pts. O esquema foi iniciado com uma combinação de triplo flip-triplo toe loop (11.20pts), a que se seguiu um triplo lutz (6.60pts). O lutz levou uma advertência devido ao facto da definição de entrada não ter sido clara. O terceiro elemento foi o peão flying camel (4.50pts) e depois foi a vez da sequência de passos (5.40pts). Quando a sequência de passos terminou, já tinha sido ultrapassada a marca de tempo para a segunda metade do programa. Evgenia fez um triplo loop (6.81pts), um triplo flip (7.33pts), uma combinação de duplo axel-duplo toe loop-duplo toe loop (7.06pts), uma combinação de triplo salchow-triplo toe loop (9.97pts) e um duplo axel (2.03pts). Nestes últimos elementos de saltos ela oscilou um pouco na recepção. O duplo axel foi mesmo o único elemento do esquema a ser penalizado em sede de grau de execução até porque faltou cerca de ¼ de volta para ser efectivamente completado. O décimo elemento foi a sequência coreográfica que lhe permitiu amealhar mais 3.40pts para a nota técnica. O peão de combinação (4.43pts) e o peão layback (4.13pts) encerraram o programa. As suas médias nos segmentos dos componentes que fazem parte da segunda nota foram as seguintes: 8.86 na perícia, 8.71 nas transições, 9.04 na performance, 9.04 na composição e 9.07 na interpretação da música.


Os dois programas de Evgenia foram coreografados por Ilya Averbukh (campeão mundial de dança em 2002 e vice-campeão olímpico no mesmo ano). Ilya foi também o criador do programa livre que Evgenia apresentou durante toda a temporada passada bem como do famosíssimo programa livre que Julia Lipnitskaya patinou durante a temporada 2013/2014. Ele é um excelente coreógrafo e sabe trabalhar com patinadoras mais jovens. Há uma certa sensibilidade que ele consegue transmitir nos programas que cria para estas jovens atletas. Só que desta vez Ilya conseguiu irritar muitos fãs dos Estados Unidos. É que o programa livre de Evgenia tem como base uma homenagem às vítimas do atentado ocorrido em 11/09/2001. Isso é um tópico sensível para os estado-unidenses e as críticas não se fizeram esperar em vários fóruns. Coisas desde “ela não tem idade para patinar isto” como “ela não é americana e isto é uma afronta” fizeram parte de vários comentários. Claro que, na sequência, Ilya foi acusado de insensibilidade quanto a esta matéria. Eu pergunto o porquê desta indignação. Ainda na temporada passada o par italiano Guignard & Fabbri patinou uma dança livre sobre o holocausto. E quanto à idade? Por essa ordem de ideias ninguém podia inspirar-se num tema histórico porque não viveu nessa época... Na minha opinião o programa é bom, está bem construído e tem tudo para ser um sucesso.


A canadiana Kaetlyn Osmond passou um mau bocado devido a uma lesão que lhe provocou uma paragem prolongada. Depois de um excelente resultado no Troféu Finlândia em que ficou à frente de Mao Asada e de Anna Pogorilaya, Kaetlyn ficou com a medalha de prata no Skate Canada. É caso para dizer que está a ter uma excelente fase inicial de temporada.


Kaetlyn brilhou no programa curto e recebeu uma nota de 74.33pts. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. Ela entrou a matar com uma combinação de triplo flip-triplo toe loop (11.20pts), a que se seguiu um triplo lutz (7.30pts). O terceiro elemento foi um peão flying camel (4.06pts). O duplo axel foi colocado na segunda metade do programa e pontuou 4.70pts. Seguiram-se o peão layback (3.77pts), a sequência de passos (5.40pts) e o peão de combinação (4.50pts). Todos os peões e a sequência de passos foram classificados com o nível 4. Na segunda nota, as médias obtidas por esta patinadora nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 8.07 nas transições, 8.68 na performance, 8.29 na composição e 8.54 na interpretação da música. A coreografia do programa curto é muito gira e Kaetlyn consegue interpretá-la com muito estilo. A jovem canadiana tem uma presença forte em pista e é muito carismática. Penso que este programa serve quase como um cartão de apresentação da sua carreira pois demonstra bem todas as qualidades de Kaetlyn.


O programa livre não teve o mesmo impacto que o curto. Kaetlyn cometeu alguns erros e ficou com uma pontuação de 132.12pts. O erro mais grave ocorreu no triplo loop pois a terceira rotação foi incompleta e a patinadora caiu na recepção. Todos os juízes marcaram -3 no grau de execução desse elemento. O triplo loop terminou com 1.86pts. Na prática, ela ficou meramente com 0.86pts pois foi-lhe ainda aplicada uma dedução automática de um ponto devido à queda. O triplo lutz perdeu 0.20pt em sede de grau de execução e ficou com 5.80pts. A definição de entrada desse salto não foi feita com precisão e clareza pelo que isso prejudicou a avaliação do salto. A combinação de duplo axel-duplo toe loop (4.31pts) também foi punida com grau de execução negativo. Os restantes elementos conseguiram grau de execução positivo. A combinação de triplo flip-triplo toe loop foi o elemento mais valioso ao receber 11.20pts. O triplo flip isolado ficou com 6.93pts. A combinação de triplo salchow-duplo toe loop-duplo loop recebeu 9.15pts e o duplo axel isolado pontuou 4.49pts. Os peões alcançaram todos o nível 4 e totalizaram 12.63pts. A sequência de passos atingiu o nível 4 e obteve 5.50pts. Na sequência coreográfica foram-lhe atribuídos 3.50pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram fixadas em 8.39 na perícia, 8.32 nas transições, 8.46 na performance, 8.54 na composição e 8.64 na interpretação da música.


A medalha de prata conquistada por Kaetlyn Osmond gerou alguma polémica em alguns fóruns pois vários fãs acharam que a japonesa Satoko Miyahara foi prejudicada pelo ajuizamento.


Realmente houve uma coisa surpreendente no ajuizamento do programa livre de Satoko Miyahara. É que a sequência de passos foi completamente invalidada. Por esse motivo, ela não pôde receber qualquer ponto nesse elemento. E por que é que essa sequência de passos foi invalidada? Boa pergunta… A única explicação que eu considero possível é que o painel técnico deve ter entendido que Satoko não cumpriu o critério de ter estendido a sequência de passos por toda a pista. No entanto isso podia ter sido avaliado em sede de grau de execução. Quando vi o programa pela primeira vez não me apercebi de qualquer problema grave com esse elemento que justificasse essa circunstância. Isso implicou que ela perdesse cerca de 5.00/5.50 pontos. Mas essa não foi a única coisa que afectou o seu resultado. Foram três os elementos de salto punidos com grau de execução negativo no programa livre. O triplo flip isolado (4.80pts) perdeu pontos devido ao facto da definição de entrada não ter sido clara. A combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (6.68pts) foi penalizada com grau de execução negativo pois a última rotação do lutz e a segunda rotação do loop não foram efectivamente completadas. O triplo salchow (2.81pts) perdeu 0.60 do valor base porque a terceira rotação não foi realmente efectuada. No que diz respeito à combinação de duplo axel-triplo toe loop, esta foi apresentada na segunda metade do esquema e ficou meramente com o valor base de 8.36pts. Os restantes saltos beneficiaram de grau de execução positivo e foram um triplo loop (6.00pts), uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.20pts) e um duplo axel (3.84pts). O peão layback foi um dos momentos altos do programa e recebeu sete marcações de +3 na escala do grau de execução. Os peões foram todos classificados com o nível 4 e totalizaram 12.33pts. A sequência coreográfica rendeu-lhe 3.40pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram consistentes e fixaram-se em 8.46 na perícia, 8.21 nas transições, 8.39 na performance, 8.46 na composição e 8.61 na interpretação da música. Destaque para o juiz n.º 8 que marcou a nota de 9.25 na interpretação da música e não me pareceu nada exagerado tendo em conta a magnifica prestação artística no trabalho do tema.


No programa curto, a Satoko ficou em quinto lugar com uma pontuação de 65.24pts. A sua nota não foi melhor devido ao facto de dois elementos de salto terem sido punidos com grau de execução negativo. Foi o que ocorreu na combinação de triplo lutz-triplo toe loop (9.30pts) e no triplo flip (2.22pts). Na combinação, a terceira rotação do toe loop não foi efectivamente completada. A definição de entrada no triplo flip foi feita com a lâmina posicionada de forma claramente errada para além de ter faltado cerca de ¼ de volta para que a terceira rotação fosse completa. O único salto que não teve problemas foi o duplo axel inicial que pontuou 4.01pts. O peão layback voltou a estar em destaque e fez o pleno em sede de grau de execução com o +3 a ser marcado por todos os juízes. Os peões totalizaram 12.26pts e atingiram todos o nível 4. A sequência de passos foi classificada com o nível 3 e recebeu 4.30pts. Nos segmentos dos componentes que fazem parte da nota de apresentação, as médias apuradas foram de 8.32 na perícia, 8.07 nas transições, 8.29 na performance, 8.32 na composição e 8.43 na interpretação da música.


Elizaveta Tuktamysheva, campeã mundial em 2015, teve de contentar-se com o quarto lugar. Elizaveta apareceu nesta competição com uma abordagem conservadora e nem sequer esboçou a tentativa de arriscar o triplo axel, como fez em provas passadas. Depois de dar uma espreitadela pelos fóruns em língua inglesa, verifiquei que a maior parte dos fãs que se manifestaram não se mostraram convencidos com a escolha de programas feita por este atleta. Na minha opinião faltou um pouco de chama do ponto de vista artístico e em termos técnicos era necessário ir buscar mais pontos nos graus de execução.


Elizaveta foi terceira classificada no programa curto com uma nota de 66.79pts. Ela começou o programa com uma combinação de triplo toe loop-triplo toe loop (10.00pts). O triplo lutz (6.90pts) e o duplo axel (4.56pts) foram realizados na segunda metade do esquema para beneficiarem de bónus no valor base. A sequência de passos foi classificada com o nível 3 e pontuou 4.01pts. Os peões atingiram todos o nível 4 e garantiram-lhe 10.62pts. As médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota fixaram-se em 7.82 na perícia, 7.36 nas transições, 7.79 na performance, 7.57 na composição e 7.82 na interpretação da música. Apesar das médias parecerem razoáveis, Elizaveta não convenceu todos os juízes. Dois juízes marcaram-lhe apenas 6.75 no segmento da composição e 6.50 nas transições. Estes são sinais de alerta para melhorar.


No programa livre, Elizaveta desceu para o quinto lugar com uma nota de 121.20pts. Era suposto que esta patinadora tivesse iniciado o esquema com uma combinação de triplo toe loop-triplo toe loop mas apenas realizou um triplo toe loop (4.00pts) que acabou punido com grau de execução negativo. O décimo elemento deveria ter sido um duplo axel mas ela apenas realizou um axel simples que terminou meramente com o valor base de 1.21pts. Os outros saltos efectuados foram uma combinação de triplo lutz-duplo toe loop-duplo loop (10.00pts), combinação de triplo flip-duplo toe loop (6.80pts), triplo loop (6.00pts), triplo lutz (7.70pts) e sequência de triplo salchow-duplo axel (7.88pts). O peão flying sit e o peão de combinação cumpriram os critérios para a classificação de nível 4 mas o peão layback foi de nível 3. A pontuação total dos peões foi de 10.05pts. A sequência de passos foi de nível 3 e obteve 3.94pts. A sequência coreográfica permitiu-lhe amealhar mais 2.60pts. Nos segmentos dos componentes as médias apuradas foram de 7.89 na perícia, 7.32 nas transições, 7.54 na performance, 7.68 na composição e 7.71 na interpretação da música. No segmento de transições ela teve notas entre 6.00 e 8.00, sendo que não me parece que o que ela apresentou aqui tivesse chegado para a marca de 8.00. No segmento de composição ela teve notas balizadas entre 6.75 e 8.50. Estas discrepâncias são significativas e Elizaveta tem mesmo de fazer algo em relação à construção dos seus programas pois a sua prestação neste grande prémio apenas dá a sensação de que ela regrediu.

Vídeos

Evgenia Medvedeva
Programa curto

Programa livre


Kaetlyn Osmond
Programa curto

Programa livre




Satoko Miyahara
Programa curto

Programa livre


Elizaveta Tuktamysheva
Programa curto

Programa livre


Alaine Chartrand
Programa curto

Programa livre


Rika Hongo
Programa curto

Programa livre


Dabin Choi
Programa curto

Programa livre


Nahyun Kim
Programa curto

Programa livre


Mirai Nagasu
Programa curto

Programa livre


Joshi Helgesson
Programa curto

Programa livre


Yuka Nagai
Programa curto

Programa livre


Resultado Final