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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tradução de entrevista do treinador Alexander Zhulin


O prestigiado treinador e coreógrafo Alexander Zhulin concedeu uma entrevista a um órgão de comunicação social da Rússia onde falou sobre os mais recentes desenvolvimentos no seu grupo de trabalho. O principal destaque vai para as palavras sobre o par Sinitsina & Katsalapov.

A publicação original da entrevista pode ser encontrada neste link: http://rsport.ru/interview/20170530/1121152014.HTML




Tradução de entrevista

Alexander Zhulin – A dança livre de Bobrova & Soloviev está pronta; temos de patiná-la para limar as arestas e depois Poklitaru (*coreógrafo russo) vai visitar-nos algumas vezes para dar os retoques finais. Nós tivemos uma colaboração criativa muito boa; eu gostei.

Entrevistador – Tu tens preocupações em trabalhar com um coreógrafo tão extraordinário na temporada olímpica, que esta experiência venha a ser demasiado difícil de compreender?

Alexander Zhulin – Nem por isso. Eu também trabalho nestes programas e tenho o controlo para garantir que não há desvios da patinagem artística, que o “trabalho de pés” continua difícil apesar da coreografia. Eu vejo que tudo vai ficar bem. Nós escolhemos um tipo de música que eu não quero começar a explicar antes de mostrarmos o programa.

Entrevistador – Mas isto vai ser a Bobrova & Soloviev que nós todos conhecemos e amamos, patinando com o coração?

Alexander Zhulin – Espero que a ideia seja compreendida. O estilo contemporâneo que o Radu (*referência a Poklitaru) apregoa assenta à Katia e ao Dima (*diminuitivos de Ekaterina e Dmitry). Nós trabalhamos neste caminho.

Entrevistador – Não haverá nenhuma auto - flagelação no gelo?

Alexander Zhulin – Não.

Entrevistador: Vai nos fazer recordar a dança dos passados Jogos Olímpicos?

Alexander Zhulin – Não, é uma dança completamente diferente.

Entrevistador – Em que condição se encontravam Sinitsina & Katsalapov quando os recebeste?

Alexander Zhulin – Boa. O mais importante é que o Nikita disse que todas as suas lesões estão curadas e que nada lhe dói. O ombro de Victoria está um pouco dorido mas isso é porque ela se lesionou enquanto praticava novas figuras de elevação. Felizmente não existem lesões. Os atletas estão esfomeados por trabalho e até agora eu estou satisfeito com tudo.

Entrevistador – Então podes dizer que eles não desperdiçaram a época passada que foi dura para eles?

Alexander Zhulin – Eu penso que o problema estava na sua luta com a natureza. Eu refiro-me à técnica diferente em muitos elementos. O meu objectivo reconciliar as diferenças na técnica deles o mais rapidamente possível. Depois eles já não terão dificuldades nos elementos, irão sentir-se mais confortáveis no gelo e terão mais tempo para a coreografia e emoções. Agora existem algumas pequenas dificuldades técnicas que aparecem no caminho deles. Eu estou certo de que eles ainda nem sequer realizaram 30% do seu potencial.

Entrevistador – Eu vejo que eles estão com bom espirito.

Alexander Zhulin – Sim e eu vejo que ter aqui tanto Bobrova & Soloviev como Sinitsina & Katsalapov, coisa que estava a preocupar muitas pessoas… Até agora, eu não quero agoirar mas eu não vejo quaisquer problemas.

Entrevistador – Falando dos problemas técnicos que tu mencionaste, isso significa que os treinadores anteriores – Marina Zoueva, Oleg Volkov, Elena Tchaikovskaya – foram incapazes de resolvê-los?

Alexander Zhulin – Eu nunca falo sobre os meus colegas.

Entrevistador – Ok, então esta incompatibilidade técnica continuou na mesma desde que eles formaram parceria?

Alexander Zhulin – Eu não posso dizer nada porque não trabalhei com eles nessa altura. Agora que os tenho, eu vejo as nuances e tento ajudar. Se eu tiver sucesso.

Entrevistador – Que imagens é que a Victoria e o Nikita nos vão mostrar nesta temporada?

Alexander Zhulin – A dança curta é latina, (*aqui não consegui perceber algumas palavras), mas eu penso que nós encontrámos música fora do vulgar que deverá resultar para eles. É uma dança latina muito fora do vulgar. E, inesperadamente, nós tivemos a mesma ideia para a dança livre. Eu vi-os a patinar em grande, com amplitude, e pensei que Rachmaninoff seria mesmo uma óptima escolha para eles. Eles vieram até mim e a primeira coisa que eles disseram foi “Sasha, o que é que tu pensas sobre Rachmaninoff?” Foi uma escolha mútua. Os meus favoritos são o “Concerto n.º 2” e “Vocalise”, então nós fizemos uma combinação dos dois para o livre.

Entrevistador – Vocês vão incluir a abertura do “Concerto n.º 2”?

Alexander Zhulin – Sem dúvida. Vamos começar a dança com essa parte.

Entrevistador – Este duo trabalha bem temas russos. O programa deve ser um sucesso?

Alexander Zhulin – Eu penso que esta é a equipa que pode mostrar todo o tipo de temas no gelo. Eles ouvem a música, eles são musicais por natureza.

Entrevistador – Então a Vika (*diminuitivo deVictoria) não é apenas uma clássica beleza russa, melódica e a patinar com amplitude?

Alexander Zhulin – Eu espero que ela brilhe. Nos últimos três anos em que eu os tenho visto, ela melhorou significativamente em termos de projecção. Ela começou a transformar-se de uma beleza russa para uma patinadora com uma variedade de emoções. Mas isso necessita de desenvolvimento para termos a certeza que existe um carisma unificado, química, esta ligação mágica entre os patinadores. Que eles não projectem só por si mas como um par.

Entrevistador – A nossa entrevista passada foi intitulada “Ilinykh precisa de Katsalapov”.

Alexander Zhulin – Bem, como treinador penso que sim mas o Nikita tomou uma decisão definitiva sobre a sua parceira e ele não queria ouvir mais nada. Parece que ele se sente confortável patinando e trabalhando com Viktoria. Está tudo bem, eles ainda são uma equipa jovem apesar dele já ser campeão olímpico. Eu penso que eles ainda vão patinar juntos pelo menos por mais cinco anos.

Entrevistador - Houve alguma pressão no Nikita para que ele voltasse a patinar com a sua anterior parceira?

Alexander Zhulin – Não faço ideia.

Entrevistador – Houve um rumor de que eles até chegaram a fazer um teste neste final de temporada.

Alexander Zhulin – Talvez. Eu não sei. Ele e a Vika vieram ter comigo e pediram-me que reunisse com eles e no dia seguinte eles estavam na pista de gelo.

Entrevistador – Tu conheces todos os patinadores de que falamos. Há informação não oficial de que Ruslan Zhiganshin, parceiro de Ilinykh, terminou a carreira competitiva. Tu tens alguns pensamentos na tua mente de que teoricamente pode existir uma situação de passar pelo mesmo rio duas vezes?

Alexander Zhulin – Eu penso que se um casal passar por um divórcio as coisas dificilmente voltarão a ser as mesmas. A patinagem artística é assim. Eles separaram-se e eu não penso que voltarão a estar juntos novamente.

Entrevistador – É o mesmo de quando tu deixaste a Maya Usova pela Oksana Grishuk que depois tentou voltar para o seu anterior parceiro Evgeny Platov com quem venceu duas medalhas de ouro olímpicas?

Alexander Zhulin – Sim, é parecido com isso.

Entrevistador – Então realmente não há problemas com a competição dentro do teu grupo? Porque a nossa mentalidade é assim: há uma nova equipa forte; isto significa que o treinador mudou as suas prioridades?

Alexander Zhulin – O treinador principal tem de ter uma atitude muito simples: ele deve trabalhar honestamente com todas as equipas. Eu gosto de observar o Brian Orser, a Eteri Tutberidze, a Marie-France Dubreuil e o Patrice Lauzon. É um trabalho muito sincero e todos os patinadores têm tudo o que lhes permite patinar e manter o seu destino nas suas próprias mãos. Os mais fracos podem ser deixados para trás mas os fortes prevalecem. Se tu fores forte, tu vais beneficiar de ter competição. Se tu fores fraco, o que é que há para falar?

Entrevistador – Isso é possível aqui?

Alexander Zhulin – Porque não? Quando eu patinava, nós tínhamos um grupo forte: Marina Klimova & Sergei Ponomarenko, Usova & Zhulin, Grishuk & Platov. Resultado: ganhámos todos os lugares no pódio nos mundiais de 1992. Não existam discussões, não havia problemas, todos trabalhavam no duro. A Natalia Dubova (*grande treinadora nessa época) podia afastar-se da pista de gelo. Nós puxávamos uns pelos outros e isso fez-nos crescer.

Entrevistador – Mas provavelmente tu tiveste à mesma de pensar nas palavras certas para dizer à Katya e ao Dima sobre a Vika e o Nikita.

Alexander Zhulin – Nós discutimos esta situação no ano passado. Eu disse-lhes que seria muito bom para eles terem parceiros de treino fortes. A competição não é suficiente, patinadores de elite como Bobrova & Soloviev, precisam de um empurrão adicional em todos os treinos. Se eles forem para o gelo e verem quão bons são Sinitsina & Katsalapov, logicamente que no dia seguinte eles terão de ir patinar o seu melhor. Esta é a minha abordagem. Pessoalmente era o que eu faria. Quando eu via a Marina Klimova e o Sergei Ponomarenko, eu nem sequer podia imaginar que não patinaria o meu programa. Depois quando nós íamos a competições estávamos todos numa forma fantástica. Outro exemplo de grandes parceiros de treinos: Virtue & Moir e Davis & White. Olhando para eles, eu sinto que eles se respeitavam mutuamente, apesar de uma equipa ter relegado a outra para segundo lugar, e quatro anos depois, eles terem trocado de lugar. Existe respeito mas é difícil ganhá-lo. Tu tens de querer ganhar.

Entrevistador – Parece-me que Sinitsina & Katsalapov e Bobrova & Soloviev se respeitam mutuamente.

Alexander Zhulin – Nós só começámos agora. Tudo tem funcionado bem até agora, veremos como vai correr. Eu espero que tudo vá correr bem.

Entrevistador – Na teoria tudo parece bem mas quando tu contaste à Katya e ao Dima que a Vika e o Nikita vinham treinar para o teu grupo, eles questionaram-te?

Alexander Zhulin – Não, eles não fizeram isso. Mas eu vi os seus olhares de preocupação. Ainda ninguém sabia como ia ser. Mas depois de algumas sessões de treinos tudo se acalmou.

Entrevistador – O Katsalapov é famoso por ser emocional no processo de treinamento.

Alexander Zhulin – Há atletas diferentes, alguns são super emocionais, outros são mais calmos. O objectivo do Nikita é manter as suas emoções em ordem, o meu objectivo enquanto treinador é o de controlar a situação. Talvez em algumas ocasiões deixá-lo sair mais cedo do treino, noutras ocasiões encontrar as palavras certas. É difícil treinar um campeão. Tu achas que era fácil com o Roman Kostomarov? Longe disso.

Nota: Roman Kostomarov venceu o título olímpico em dança com Tatiana Navka em 2006.

Entrevistador – Mas, como tu disseste, ele e a Tatiana Navka conseguiam voltar a juntar-se ao fim de cinco minutos.

Alexander Zhulin – Eles eram capazes porque eles queriam vencer. Isso ultrapassa as dificuldades pessoais. Se Sinitsina & Katsalapov não sofrerem com variações emocionais, eles têm um grande potencial. Senão, teremos de conversar, tentar explicar e lidar com eles. Mas agora isso são tudo teorias. Nós estamos a trabalhar na coreografia; o processo de treino ainda não começou exactamente. E eu vou recordar-te que o Nikita e a Lena trabalharam comigo durante quatro anos.

Entrevistador – Eu lembro-me.

Alexander Zhulin – Não foi fácil mas houve resultados e eles foram bons.

Entrevistador – Por outro lado, o Nikita sem as suas emoções não será ele mesmo, não é?

Alexander Zhulin – Com certeza. Tu não podes mudar a pessoa, tu apenas podes mudar a direcção. A maior parte depende do Nikita pois ele já não tem 17 anos. Ele tem de começar a pensar e a compreender o que é que ele quer alcançar.

Entrevistador – Tu disseste que lhes faltava paixão. Disseste que era belo, melódico mas que faltava energia.

Alexander Zhulin – Eu concordo; eu disse isso. Vou tentar resolver essas questões.

Entrevistador – Tu sabes como descontrair a Victoria?

Alexander Zhulin – Eu observo-a e estou a pensar nisso.

Entrevistador – Ela é lacónica, reservada e aparentemente só se abre para o Nikita.

Alexander Zhulin – Para mim, o mais importante é que eles tenham novas cores nos seus programas. Não há o suficiente. Eu preciso adicionar cor à sua patinagem. Para isso eu tenho o Sergei Pethukov, um coreógrafo experiente, que passa muito tempo a explicar o que é que nós estamos a patinar. Se eles aprenderem com ele, ou melhor, se eles quiserem aprender com ele, eles terão um novo visual.

Nota: eu sei que esta última frase está horrível em termos de escrita mas foi o que ele disse.

Entrevistador – Tu tens uma excelente atitude mas parece que as nossas equipas não podem esperar por um lugar superior a quinto nos próximos Jogos Olímpicos.

Alexander Zhulin – Porquê? Bobrova & Soloviev terminaram em terceiro na dança livre deste ano (*referência aos mundiais). Se a nota técnica tivesse sido um pouco diferente na dança curta, nós podíamos ter vencido o bronze. Os Jogos Olímpicos são um assunto diferente pois existe o desporto e existe política mas ninguém pode ignorar a patinagem – o factor de ter um grande programa. Os nossos opositores são muito fortes mas nós vamos tentar lutar.

Entrevistador – Tiffany Zahorski e Jonathan Guerreiro deixaram o teu grupo e mudaram-se para a Elena Kustarova. Parece que eles eram como filhos para ti, que tu cuidavas deles e acreditavas neles.

Alexander Zhulin – Bem… como podes ver, são coisas que acontecem. Alguma coisa deve ter corrido mal.

Entrevistador – Foi ideia deles?

Alexander Zhulin – Sim, claro.

Entrevistador - Eles não queriam ser os n.º 3?

Alexander Zhulin – Essa foi provavelmente a razão principal.

Entrevistador – Tu achas que eles teriam sido capazes de progredir no teu grupo com os membros novos ou isso os teria destruído?

Alexander Zhulin – Eu penso que teria sido difícil para eles. Eles não são o tipo de patinadores que fossem trabalhar duas vezes mais do que as outras duas equipas (Bobrova & Soloviev e Sinitsina & Katsalapov) para provar ao treinador que eles devem ser o par n.º 1. Mesmo em teoria. Eles não estavam prontos para isso.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Notícias da Rússia

O par composto por Tiffany Zahorski e Jonathan Guerreiro decidiu abandonar o grupo liderado pelo treinador Alexander Zhulin. Tiffany e Jonathan vão passar a ser treinados por Elena Kustarova. Esta foi uma mudança que se adivinhava devido à chegada de Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov ao grupo de Zhulin. Sendo que este treinador já tem sob sua responsabilidade Ekaterina Bobrova e Dmitri Soloviev bem como Sara Hurtado & Kirill Khaliavin, sobrava pouco espaço para Tiffany e Jonathan.


Tiffany Zahorski e Jonathan Guerreiro




Esta mudança de Tiffany e Jonathan para o grupo de Kustarova gerou logo uma onda de alerta nos fãs de Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin. Como se devem recordar, Elena e Ruslan voltaram para o grupo de Kustarova na temporada passada. Entretanto, os rumores de que Elena e Ruslan terminaram a sua parceira estão cada vez mais persistentes. Se os rumores se revelarem verdadeiros, Tiffany e Jonathan serão o principal par nesse grupo e não terão de dividir as atenções da sua treinadora com outro par de topo.
Quanto a Elena e Ruslan, consta que ele tem lidado com uma lesão crónica que o poderá obrigar a terminar a carreira. O silêncio de ambos nas redes sociais tem contribuído para alimentar os rumores pois Elena era bastante activa e estava sempre a partilhar fotos. Se realmente esta parceria terminar será mais um revés para a disciplina de dança na Rússia.

sábado, 29 de outubro de 2016

GP Skate America 2016 - Dança

Skate America 2016



Em Chicago (Estados Unidos)

Entre os dias 21 e 23 de Outubro













Análise




A categoria de dança esteve recheada de motivos de interesse. Em primeiro lugar, os irmãos Maia e Alex Shibutani foram desde logo apontados como os principais favoritos à vitória, principalmente depois do excelente resultado que obtiveram nos mundiais 2016. Aqui também se arrisca no jogo da reputação internacional e os irmãos Shibutani estão a consolidar-se como a equipa n.º 1 nos Estados Unidos, ultrapassando Chock & Bates. Havia ainda muita curiosidade em perceber a dinâmica dos pares russos presentes nesta competição. Elena Ilinykh e Ruslan Zhiganshin estão a trilhar um novo caminho depois da mudança de equipa de treinadores após a temporada passada. Ekaterina Bobrova e Dmitri Soloviev estão de regresso à competição internacional depois de terem passado uma fase turbulenta devido a lesões e a um período de suspensão aplicado à patinadora que se veio a revelar injustificado. No meio de isto tudo ainda tivemos a estreia de Elliana Pogrebinsky e Alex Benoit no circuito sénior do grande prémio e a curiosidade sobre a evolução dos italianos Guignard & Fabbri, dos israelitas Tobias & Tkachenko e dos estado-unidenses Hubbell & Donohue.


Em termos de dança curta ocorreu uma situação curiosa: nenhum par conseguiu realizar uma sequência de passos em que os patinadores não se tocam que chegasse para cumprir os critérios exigidos para o nível 4, que é o nível máximo. O par italiano Guignard & Fabbri foi o que apresentou a sequência de passos em que os patinadores não se tocam com o grau de dificuldade mais elevado e que chegou para o nível 3. Todos os outros pares se ficaram pelo nível 2, incluindo os pares com mais prestígio e experiência internacional. Alguns pares tentaram antes apostar na qualidade de execução em vez da maior dificuldade dos passos. No entanto, não deixa de ser uma surpresa.


Maia e Alex Shibutani não deixaram os seus créditos por mãos alheias e venceram a medalha de ouro destacadamente. A sua vitória começou a ser cimentada com uma excelente nota de 73.04pts na dança curta. Todos os elementos técnicos beneficiaram excelentes graus de execução positivos, com uma maioria de +3. Os twizzles (8.31pts) e os passos obrigatórios (6.20pts) alcançaram o nível 4. A figura de elevação foi de nível 3 e recebeu 5.63pts. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.27pts) e a sequência parcial de passos (7.80pts) foram apenas de nível 2. As suas notas nos segmentos foram excelentes e as suas médias fixaram-se em 9.14 na perícia, 9.00 nas transições, 9.36 na performance, 9.18 na composição e 9.36 na interpretação da música/timing. Quase todos os juízes lhe atribuíram notas acima de 9.00 em todos os segmentos. A coreografia da dança curta resultou muito bem e é das melhores que eu já vi nesta temporada. A combinação de gestos e movimentos de vários estilos de dança que à partida são muito diferentes resultou harmoniosa e isso deixou uma excelente impressão.


Na dança livre, os irmãos Shibutani obtiveram uma excelente nota de 112.71pts. Se na dança curta a coreografia deu nas vistas, na livre achei que eles se limitaram a juntar coisas que já fizeram em temporadas anteriores. Gostei muito mais da coreografia e da música da temporada passada. Talvez não fosse má ideia deixar este par trabalhar novamente com o coreógrafo Peter Tchernyshev. Dito isto a prestação deles não deixou de ser boa à mesma. Os twizzles foram o grande elemento de destaque. Tecnicamente, eles foram buscar muitos pontos graças aos graus de execução positivos acumulados em todos os elementos. A sua nota técnica de partida foi de 41.30pts e foi melhorada para 56.95pts! Eles conseguiram +2 e +3 em todos os elementos e por parte de todos os juízes. As duas sequências de passos foram classificadas com o nível 3 e totalizaram 18.60pts. O peão (7.31pts) e os twizzles (8.40pts) foram ambos de nível 4. As figuras de elevação também conseguiram todas o nível 4 e conseguiram um total de 18.04pts. Os elementos coreográficos foram deixados para o fim e os eleitos foram uma elevação (2.10pts) e um twizzle (2.50pts). As suas médias nos segmentos que fazem parte da segunda nota foram de 9.29 na perícia, 9.11 nas transições, 9.43 na performance, 9.32 na composição e 9.32 na interpretação da música/timing.


Madison Hubbell & Zachary Donohue levaram a medalha de prata para casa por uma unha negra. Sinceramente pareceu-me que eles beneficiaram de estar a patinar em casa pois alguns juízes inflacionaram-lhe as notas em alguns segmentos dos componentes.


Hubbell & Donohue obtiveram uma pontuação de 68.78pts na dança curta, onde foram terceiros classificados. A sequência de passos obrigatórios (6.11pts), os twizzles (7.71pts) e a figura de elevação (5.70pts) alcançaram o nível 4. A sequência parcial de passos foi de nível 3 e recebeu 8.51pts. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam ficou com o nível 2 e pontuou 7.49pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram fixadas em 8.29 na perícia, 8.11 nas transições, 8.39 na performance, 8.36 na composição e 8.43 na interpretação da música/timing. Não concordo de todo com o juiz que lhes atribuiu 9.00 no segmento de perícia e muito menos com o 9.25 na interpretação da música/timing. Aliás, a amálgama de músicas usadas na dança curta prejudicou a percepção do timing. Acho que o juiz que lhes atribuiu 7.75 na interpretação da música/timing esteve mais certeiro.


Na dança livre, Hubbell & Donohue conseguiram uma nota de 106.99pts. Todos os elementos técnicos obtiveram grau de execução positivo. As duas sequências de passos foram classificadas com o nível 3 e receberam um total de 18.29pts. As figuras de elevação (total de 17.35pts), os twizzles (7.97pts) e o peão (6.89pts) preencheram os critérios exigidos para o nível 4. O twizzle coreográfico (1.90pts) e a figura de elevação coreográfica (2.10pts) foram os dois últimos elementos do esquema. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.64 na perícia, 8.50 nas transições, 8.89 na performance, 8.82 na composição e 8.89 na interpretação da música/timing. Cinco juízes marcaram notas na casa dos oito pontos enquanto quatro juízes atribuíram-lhe notas de 9.00 ou mais em cada segmento. Lamento mas do que conheço do código de pontos não me parece que o demonstrado por Hubbell & Donohue neste programa merecesse uma nota de 9.25 na perícia.


Ekaterina Bobrova & Dmitry Soloviev ficaram com a medalha de bronze com menos um ponto do que Hubbell & Donohue. Acho que eles podem ficar contentes com este resultado e já é um bom incentivo para competições futuras depois do tempo de paragem forçada que os afectou.


A dança curta de Bobrova & Soloviev ficou com uma nota de 68.92pts. Os twizzles (7.97pts) e a figura de elevação (5.70pts) foram os únicos elementos que alcançaram o nível 4. A sequência de passos obrigatórios (5.00pts), a sequência parcial de passos (7.01pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (7.64pts) ficaram-se pelo nível 2. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo. No que toca à segunda nota, as suas médias nos segmentos foram de 8.86 na perícia, 8.64 nas transições, 9.00 na performance, 9.00 na composição e 9.00 na interpretação da música/timing.


Na dança livre, Bobrova & Soloviev obtiveram uma pontuação de 105.85pts. O elemento determinante neste programa e que influenciou o resultado final foi a figura de elevação em curva pois ultrapassou o tempo limite permitido pelas regras e por isso teve de ser aplicada uma dedução automática de um ponto. Essa figura de elevação recebeu grau de execução positivo mas na minha opinião o elemento devido ter sido marcado com 0 ou -1. Apenas um juiz marcou -1. A maioria dos juízes marcou o elemento com +2 no grau de execução. As três figuras de elevação cumpriram os critérios exigidos para o nível 4 e receberam um total de 17.78pts. Os twizzles (7.80pts) e o peão (6.71pts) também foram de nível 4. A sequência de passos em círculo (9.14pts) foi de nível 3 mas a sequência de passos na diagonal (7.49pts) foi de nível 2. Os elementos coreográficos foram um peão (2.00pts) e uma figura de elevação (2.10pts) e foram realizados mesmo no final do esquema. Nos segmentos dos componentes obtiveram médias de 9.04 na perícia, 8.71 nas transições, 9.04 na performance, 8.96 na composição e 9.11 na interpretação da música/timing.


Os italianos Charlene Guignard & Marco Fabbri conseguiram um bom resultado e têm-se mostrado mais confiantes e mais consistentes nas suas prestações internacionais. Tem sido um caminho percorrido com paciência mas tem dado bons frutos.


Na dança curta, Guignard & Fabbri foram quintos classificados com uma nota de 64.79pts. Como eu já referi no início da análise, este foi o único par que conseguiu realizar uma sequência de passos em que os patinadores não se tocam (5.00pts) que chegou ao nível 3. No entanto a sua sequência parcial de passos (4.87pts) foi meramente de nível 1, o que lhes prejudicou o valor base do elemento. Os passos obrigatórios chegaram para o nível 3 e receberam 5.00pts. Os twizzles (7.80pts) e a figura de elevação (5.44pts) alcançaram o nível 4. Nos segmentos dos componentes as notas que lhe foram atribuídas permitiram-lhes ficar com médias de 8.07 na perícia, 7.93 nas transições, 8.25 na performance, 8.18 na composição e 8.25 na interpretação da música/timing.


Guignard & Fabbri surpreenderam na dança livre ao ficarem à frente dos russos Ilinykh & Zhiganshin. A nota dos italianos nesta fase da prova foi de 100.65pts. Os elementos técnicos beneficiaram todos de grau de execução positivo. As duas sequências de passos foram de nível 3 e o seu total de pontos nestes elementos foi de 17.34pts. Os twizzles (7.71pts), o peão (6.80pts) e as figuras de elevação (total de 16.33pts) conseguiram alcançar o nível 4. Uma figura de elevação (1.90pts) e um twizzle (1.40pts) foram os elementos escolhidos como coreográficos e foram realizados no fim do esquema. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 7.93 nas transições, 8.36 na performance, 8.21 na composição e 8.29 na interpretação da música/timing.


Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin prometeram muito na sua primeira temporada juntos e pareciam que estavam cheios de fogo para provar a sua qualidade. No entanto, as coisas parece que estagnaram. Depois da mudança para o grupo liderado pelo treinador Igor Shpilband esperava-se muito deste par. Talvez seja necessário ter paciência e ver a sua evolução no decorrer da temporada mas pelo que foi visto nesta prova eles ainda estão muitos furos abaixo de Bobrova & Soloviev e também de Stepanova & Bukin (que esta época já venceram o Troféu Finlândia). Relembro que a Rússia apenas tem dois lugares disponíveis na selecção nacional para os próximos mundiais. Portanto, Ilinykh e Zhiganshin vão ter de lutar.


Na dança curta, Ilinykh & Zhiganshin obtiveram uma pontuação de 66.60pts. A sequência parcial de passos (7.33pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (7.17pts) foram apenas de nível 2. Os passos obrigatórios (5.86pts), os twizzles (7.46pts) e a figura de elevação (5.70pts) alcançaram o nível 4. O painel de juízes foi muito coerente na atribuição de notas a este par no que diz respeito aos segmentos dos componentes. As suas médias foram as seguintes: 8.25 na perícia, 7.96 nas transições, 8.43 na performance, 8.32 na composição e 8.39 na interpretação da música/timing. Este par foi quarto classificado na dança curta.


Na dança livre, a pontuação obtida por Ilinykh & Zhiganshin foi de 98.56pts. Em termos de plano de inclusão de elementos no programa, gostei de ver que eles encaixaram verdadeiramente os elementos coreográficos na coreografia sem deixar os dois apenas para o fim como fez a maioria dos outros pares. Em termos de sequências de passos, a primeira foi de nível 3 e recebeu 9.14pts. A segunda sequência de passos foi de nível 2 e ficou com 6.54pts. As figuras de elevação (15.98pts), os twizzles (7.63pts) e o peão (6.03pts) alcançaram o nível 4. O twizzle coreográfico foi o quinto elemento do esquema e recebeu 1.60pts. A figura de elevação coreográfica foi o nono elemento e ficou com 1.80pts. Todos os elementos receberam grau de execução positivo mas não em valores tão altos como os pares acima referidos. Talvez quando o seu estado de forma esteja melhor a qualidade de programa e da coreografia possam ser realçados. Em sede de segmentos dos componentes as suas médias foram as seguintes: 8.36 na perícia, 8.00 nas transições, 8.39 na performance, 8.39 na performance e 8.39 na interpretação da música/timing.


O meu destaque final vai para o par coreano Min & Gamelin pois utilizaram música na sua dança livre que foi cantada pela portuguesa Dulce Pontes.




Vídeos


Shibutani & Shibutani
Dança curta


Dança livre




Hubbell & Donohue
Dança curta




Dança livre




Bobrova & Soloviev
Dança curta


Dança livre




Guignard & Fabbri
Dança curta


Dança livre




Ilinykh & Zhiganshin
Dança curta


Dança livre




Tobias & Tkachenko
Dança curta


Dança livre




Pogrebinsky & Benoit
Dança curta


Dança livre




Muramoto & Reed
Dança curta


Dança livre



Agafonova & Ucar
Dança curta


Dança livre




Min & Gamelin
Dança curta


Dança livre





Resultado final




domingo, 16 de agosto de 2015

Tradução de entrevista de Ilinykh & Zhiganshin

O par Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin concedeu uma entrevista à prestigiada jornalista Elena Vaitsekhovskaya. Nessa entrevista eles falaram dos novos programas para a temporada 2015/2016. Eu arrisquei-me a fazer a tradução do conteúdo para português e espero que gostem. 
A entrevista foi publicada neste link http://www.sport-express.ru/figure-skating/reviews/907372/
Não se esqueçam de clicar nesse link para ver as fotos de Elena e Ruslan Zhiganshin. 

Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin
TRADUÇÃO DE ENTREVISTA DE ELENA ILINYKH E RUSLAN ZHIGANSHIN

Pergunta (P) - No meio da temporada passada tu disseste-me o que querias fazer durante este Verão e que tinhas muitos planos. O que é que conseguiste fazer?
Elena - Nós queríamos fazer muitas coisas. Ir para os Estados Unidos e dançar na Broadway e experimentar coisas novas que podiam ser boas para nós. Mas assim que começámos a treinar descobrimos que algumas das viagens que tínhamos planeado fazer se tornaram desnecessárias. Por exemplo, nós pensávamos que tínhamos de ir a Espanha para poder trabalhar com António Najarro mas ele teve tempo para vir ter connosco. Quanto a Oleg Ushakov, que trabalha connosco no que respeita às figuras de elevação, no meio da temporada passada nós fizemos planos para ir ter com ele porque ele teve problemas em obter a documentação para vir à Rússia. Nós presumimos que teríamos de ir ter com ele aos Estados Unidos, onde ele reside, para trabalhar nas figuras de elevação mas os problemas foram solucionados portanto tudo o que precisávamos fazer fora acabou por ser feito na Letónia e na Rússia. 

P - Quais foram os teus sentimentos no final da temporada passada?
Elena - Quando nós patinámos a nossa dança livre pela última vez no Japão, o único sentimento era de cansaço. E alívio de não termos de patinar novamente essa dança. Desde Janeiro que as nossas cabeças já estavam a pensar na dança nova. Eu estava a "vivê-la". Até pensei em falar com as treinadoras para mudar a dança livre durante a temporada. Sabes, quando nós começámos a trabalhar nessa dança livre (aqui ela está a referir-se à dança livre 2014/2015) nós ainda estávamos muito limitados nas nossas capacidades. Nós queríamos muito mais. Para mim é importante patinar um programa que me arrebate emocionalmente. "Frida" é um programa assim. Eu gosto do herói principal. Há cerca de 3 anos eu vi o filme e pensei que adoraria dançar isto - a música emocionou-me até às lágrimas. Por diversas razões não usámos essa música (Penso que ela se está a referir ainda aos tempos em que patinava com Nikita Katsalapov). No Inverno passado, quando começámos a falar com os treinadores sobre os nossos programas futuros, eu sugeri "Frida" mesmo sem esperar que apoiassem a escolha. No entanto todos apoiaram. Claro que o meu maior medo é que "Frida" possa ser vista como uma repetição de "Carmen". 

P - Esse medo não é só teu. Outra vez Najarro, outra vez um tema espanhol...
Elena - Quando nós começámos a trabalhar eu tive mais uma prova de que António Najarro é o "meu" coreógrafo. Ele sente-me a 100%. Nós não discutimos, nós nos entendemos completamente. O trabalho flui de maneira diferente: a coreografia no chão faz-se rapidamente, transformá-la para o gelo é fácil. É raro. Nós enviámos a música para Najarro com antecedência. Eu sabia que ele gostou a mixagem da música que nós fizemos. Eu até pensei que podia imaginar como é que a coreografia ia ser. Quando o António chegou e criou a pose inicial eu senti arrepios. Foi exactamente como eu tinha imaginado. Mesmo os gestos mais pequenos. É como se eu tivesse esses gestos dentro de mim toda a minha vida. 

P - Esta dança livre é muito mais complexa do que a da temporada anterior. Quão difícil foi trabalhar na nova personagem e nos elementos ao mesmo tempo?
Elena - Quando tu gostas do programa parece que ele te leva - independentemente do teu estado de espírito. Isso aconteceu com "Carmen". Antes dos campeonatos da Europa eu sofri uma intoxicação e não consegui dormir nada na noite antes da dança curta. Eu arrastei-me da cama e fui para a pista e a sessão de treinos matinal foi um desastre. Quando chegou a altura de competir eu ouvi a música e tudo desapareceu, incluindo eu quase a desmaiar. Agora é a mesma coisa. Claro que é difícil controlar todos os elementos enquanto a dança ainda não está terminada mas nós adorámos trabalhar neste programa.

P - Tu disseste que Najarro é o teu coreógrafo. Isso significa que de agora em diante ele fará todos os vossos programas?
Elena - Claro que não. A treinadora Elena Kustarova trabalha muito connosco. A dança curta foi feita pelo Alexei Arapov - que é um grande especialista em danças de salão contemporâneas e que foi da Letónia para Moscovo para trabalhar na valsa connosco durante 3 dias. Foi muito interessante. Não é uma tarefa fácil combinar coreografia contemporânea com valsa e depois transportar isso para o gelo. Nesse aspecto a dança curta foi muito mais difícil do que a dança livre. 

P - Na temporada passada, quando começaste a trabalhar com Ruslan, notava-se que vocês se estavam a tentar ajustar-se um ao outro, a agradar um ao outro. Suponho que agora vocês estão mais acostumados um ao outro e que o sentimento de novidade desapareceu. Já se tornou mais fácil? Ou o vosso trabalho já é mais como uma rotina?
Elena - Não posso dizer que nós tivéssemos tentado muito agradar um ao outro. Eu penso que ambos percebemos que queríamos que o público gostasse de nós. E não tivemos muito tempo para isso. Nós trabalhámos o mais que pudemos em todos os treinos. Quando estávamos a coreografar os programas nós não estávamos a pensar sobre o que podíamos fazer mas sim sobre o que tínhamos que fazer se queríamos tentar algo. Quanto ao Ruslan ele melhorou imenso nesse ano como parceiro e como artista. 
Actualmente é mais fácil trabalhar. Nós compreendemos que no ano passado nos perdoaram alguns erros mas isso não vai acontecer agora. Nós sabemos exactamente o que temos de fazer, como fazê-lo e, mais importante, nós estamos totalmente envolvidos nesse processo. O principal ainda é o treino. As nossas treinadoras e os nossos coreógrafos fizeram um enorme trabalho com os programas e com os elementos. Eu e o Ruslan agora temos de patinar esses programas. 

Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin


P - Ruslan, podes comparar o ano passado com este ano? O que mudou?
Ruslan - Eu penso que até sabes melhor. O ano passado foi recheado de nervos. Relembrando a nossa primeira competição na China, nós não fazíamos ideia de como seríamos recebidos e, por isso, estávamos muito nervosos. Agora é um pouco mais fácil. 

P - A Elena chamou a Najarro o "seu" coreógrafo mas olhando ao teu trabalho com o espanhol no ano passado, eu diria que tu também ganhaste muito.
Ruslan - Eu concordo com a Elena pois trabalhar com o Najarro é muito confortável. Tu não precisas de estar a pensar como combinar os braços com as pernas: o António oferece uma interpretação em que tudo resulta. Eu costumava pensar que a especialidade dele eram as danças espanholas mas uma vez ele pediu-nos para lhe mostrarmos a dança curta e imediatamente ofereceu-se para mudar alguns movimentos que alteraram o programa. 

P - As escolhas musicais para a dança curta e para a dança livre foram boas para ti?
Ruslan - Eu fiquei positivamente surpreendido com as treinadoras por terem dado o seu OK. No passado elas preferiam clássicos. 

P - No meio da temporada passada pareceu que tu e a Elena tinham perdido o fôlego.
Ruslan - Em que ponto?

P - Depois dos campeonatos nacionais em Dezembro. Por que é que estás a sorrir?
Ruslan - Sabes, nós sentimos isso no início de Dezembro, depois em Janeiro, depois em Março. Depois de cada competição, nós tínhamos de fazer mais para melhorar os programas e realmente perdemos o fôlego. Nós queríamos ter um intervalo, respirar, descansar mas em vez disso nós tivemos de trabalhar, trabalhar e trabalhar.

P - Lembras-te do que sentiste no Japão quando a época finalmente terminou?
Ruslan - Sim. Em sei como colocá-lo em palavras. Eu penso que fiquei feliz que tivesse terminado mas já nem tinha sentimentos. Nem mesmo alívio. Eu fiquei sentado no vestiário durante 15 ou 20 minutos a pensar que deveria descalçar os patins mas nem tinha energia para isso. Ao mesmo tempo estava radiante por ter tido a possibilidade de competir ali. Foi a segunda vez que a Elena esteve numa competição por equipas mas foi a primeira vez para mim e adorei. Consegue-se sentir o espírito de equipa nessa prova. Antes da competição nós estávamos todos a pensar "meh, a temporada terminou, pode-se patinar qualquer coisa" mas assim que a competição começou nós todos demos o que tínhamos. Ninguém ousou deixar os outros ficarem mal. Não outra competição em que os patinadores se apoiem tanto uns aos outros. 

Nota: Esta resposta é uma referência ao World Team Trophy que é uma competição por equipas. Ou seja, os patinadores estão em representação do grupo e não só de si próprios.

P - As sessões de treino com público são cada vez mais populares. Estás preparado para ter jornalistas e fãs a ver os treinos e a colocarem as fotos e os vídeos na internet logo de seguida?
Ruslan - Honestamente eu ainda não quero mostrar nada. Brevemente estaremos na semana de testes. Vejam-nos lá.


Nota: A semana de testes é um evento que decorre na Rússia onde os patinadores vão apresentar os seus programas novos perante especialistas da federação que fazer uma avaliação de qualidade e também fazem sugestões.

P - Elena, a ideia para a dança curta também é tua, certo?
Elena - A canção "Something to Love" dos Queen estava no meu leitor de mp3 e eu ouvi-a várias vezes quando estávamos a fazer o aquecimento. Uma vez estava a conduzir e comecei a ouvir o ritmo percebendo que era uma valsa. Comecei a pensar sobre que marcha podia combinar com ela e lembrei-me da música "We will rock you". Quando regressarmos do World Team Trophy no Japão eu apresentei a ideia à Elena Kustarova cautelosamente. Ela surpreendeu-me com "Queen? Freddy Mercury? Eu adoro-o. Vai ser muito fixe". E claro que eu também odiei a ideia de ir para o gelo usando um vestido de valsa e fazendo aqueles tolos movimentos de braços da valsa como é costume ser feito. Eu costumava associar a valsa a "sorrir e acenar". Não é o meu tipo de dança preferido. Mas desta vez o programa é muito interessante e fora do vulgar. E esperem só para ver como o Ruslan vai aparecer! 


P - Viste o programa "Dança com as Estrelas" onde Adelina Sotnikova participou?
Elena - Sim

P - Imaginas-te a participar nesse programa?
Elena - Se eu me tornar campeã olímpica por que não?

P - Não era isso a que me estava a referir. Eu refiro-me à possibilidade de experimentares dançar estilos diferentes.
Elena - Geralmente eu adoro dançar. Eu adorei frequentar a escola de dança da Broadway quando estivemos a trabalhar nos Estados Unidos. Agora frequento a escola de dança contemporânea em Moscovo. Isso ajuda-me a desenvolver e a libertar-me de toda a energia negativa acumulada durante o trabalho árduo nos treinos. 

P - Tu discutes com o Ruslan durante os treinos?
Elena - É impossível discutir com ele. Primeiro porque ele faz sempre tudo bem. Segundo porque ele me apoia aconteça o que acontecer e consegue acalmar-me. Portanto sinto-me muito estúpida se tiver algum ataque de fúria. Então eu penso: tenho este parceiro maravilhoso por que raio estou a gritar? 

P - Quando tudo corre mal, quando te sentes em baixo e queres alguém que seja agradável contigo e te acalme, vais ter com as treinadoras, a tua mãe ou o Ruslan?
Elena - Com o Ruslan é claro.

P - Quando começaram a patinar juntos, imaginavas que o público ia gostar tanto de vocês?
Elena - Honestamente ainda nem acredito. Nunca tinha recebido tantos presentes na minha vida. As fotos, os livros, decorações de Natal com as nossas imagens. Nós até recebemos um certificado de iniciação - chama-se Ruslena! Nós temos fãs extraordinários. Os melhores do mundo!

P - Deixa-me fazer-te a mesma pergunta que fiz ao Ruslan: estás pronta para mostrar os programas como eles estão agora?
Elena - Digo que não. Uma coisa é querer mostrar os programas ou ouvir o ponto de vista de alguém. Mas mudar o nosso plano de treinos só para satisfazer a curiosidade de alguém - Para quê? Nós temos trabalho a fazer.

P - Gostarias de saber o que é que os teus rivais vão patinar?
Elena - Não. O que é que isso interessa? O resultado depende da forma como eu o Ruslan vamos patinar. 


P - E se mais alguém usar o tema "Frida"?
Elena - Então que façam a sua própria interpretação. Não há ninguém que possa tirar a minha "Frida" de mim! 

Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Notícias da Rússia

No final do mês de Maio de 2015 começaram a surgir fortes rumores que o par júnior Maria Vygalova & Egor Zakroev estava à beira da separação. Entretanto os rumores foram confirmados. A principal razão invocada para a separação foi a diferença de idades pois Zakroev já ultrapassou o limite para poder participar nas competições juniores e Vygalova é muito jovem para poder subir ao escalão sénior. Zakroev mudou-se para o grupo de Natalia Pavlova e já está em fase de testes com Anastasia Martyusheva para formar nova parceria. Martyusheva era a anterior parceira de Alexei Rogonov. Maria Vygalova também pretende manter-se na patinagem de competição e está à procura de parceiro. 
O presidente da federação russa de patinagem confirmou que Natalia Zabijako e Alexander Enbert ultrapassaram a fase de testes com sucesso e passaram a ser oficialmente um par. 
O patinador Yuri Larionov está a tentar recuperar da lesão que o tem afectado mas ainda não tem conseguido uma evolução favorável. 
Elizaveta Tuktamysheva, campeã do mundo em 2015, esteve a trabalhar nos seus novos programas com o auxílio do popular Stephane Lambiel. Parece que ela já escolheu as duas provas em que quer participar no circuito do grande prémio da temporada 2015/2016. Consta que as provas eleitas serão o troféu Skate Canada e o Troféu Eric Bompard. 
Anna Pogorilaya regressará aos treinos a partir de 15 de Junho e manterá Anna Tsareva como treinadora. 
Julia Lipnitskaya esteve nos Estados Unidos onde contou com a colaboração de Marina Zoueva para arranjar as coreografias dos seus próximos programas. 
Quanto à disciplina de dança, Ekaterina Bobrova e Dmitri Soloviev estão a preparar o seu regresso à competição depois de terem sido obrigados a ficar de fora durante a temporada 2014/2015 devido a lesão. A sua dança curta será patinada ao som de um medley que incluirá trechos de "Romeu & Julieta" de Prokofiev e também de "Masquerade Waltz". A escolha musical para a dança livre recaiu sobre a banda sonora do filme "Anna Karenina". 
Elena Ilinykh & Ruslan Zhiganshin também já escolheram os temas para os seus novos programas. Este par esteve a trabalhar com o coreógrafo Antonio Najarro na sua dança livre. O tema da sua dança livre será baseado na banda sonora do filme "Frida". Eles não quiseram revelar a sua escolha para a dança curta.
Os campeões mundiais de juniores Anna Yanovskaya & Sergey Mozgov irão utilizar a música "My sweet and tender beast" para a dança curta e na dança livre patinarão ao som de um medley da banda sonora do filme "O Grande Gatsby".