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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ainda a propósito do filme "Lyod"...

Olá a todos e bem-vindos ao blogue  :)


No dia 16 de Maio disponibilizei um post a recomendar o filme russo "Lyod" pois a patinagem artística no gelo é um elemento fulcral da história. 

Podem ver este post aqui: http://magiageladapatinagememportugues.blogspot.pt/2018/05/lyod-um-novo-filme-destacar-patinagem.html

"Lyod" tem feito muito sucesso na Rússia e entretanto têm sido transmitidas várias reportagens sobre o filme. 

Reportagem 

Neste vídeo podem ver alguns momentos da chegada de público a salas de cinema para ver o filme mas há mais. Um dos aspectos mais interessantes desta reportagem tem a ver com as declarações do realizador Oleg Trofim. Ele referiu que uma das inspirações para o filme foram as lesões que ocorrem na disciplina de pares. A partir do minuto 5:49 são mostradas imagens de um dos acidentes mais marcantes da categoria de pares durante uma competição: a queda de Tatiana Totmianina e Maxim Marinin durante uma figura de elevação no programa livre do GP Skate America 2004. A este propósito, o jornalista foi entrevistar Tatiana Totmianina pois ela conseguiu ultrapassar esta lesão e chegou ao título olímpico em 2006 com o seu parceiro Maxim Marinin. Maxim passou por um mau bocado porque ficou muito afectado psicologicamente com o sucedido e demorou muito tempo a recuperar a confiança. Este evento real encontrou paralelismo neste filme. 

Vídeo do acidente de Totmianina & Marinin no GP Skate America 2004

Nesta reportagem dá para ver outro momento que é reminiscente da vida real. A partir do minuto 2:00 da reportagem podem ver-se os fatos utilizados pelos protagonistas em cenas do filme. Esse fatos fazem lembrar as roupas usadas pelo par Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov para o programa curto na temporada 2013/2014 que os consagrou como campeões olímpicos em Sochi.

Programa curto de Volosozhar & Trankov em Sochi 2014

A partir do minuto 6:24 da reportagem é possível ver algumas grandes estrelas que marcaram a patinagem artística a nível mundial: Julia Lipnitskaya, Alexey Yagudin e Irina Slutskaya.
Para quem não sabe, Julia tem abraçado o papel de comentadora no canal Telesport e têm-se saído muito bem. 
Esta é uma boa desculpa para rever programas destes patinadores. 

Programa livre de Julia Lipnitskaya nos campeonatos da Europa 2014 

Exibição de Alexey Yagudin nos Jogos Olímpicos 2002

Programa curto de Irina Slutskaya nos Jogos Olímpicos 2006

Tanto Lipnitskaya, Yagudin como Slutskaya tiveram de lidar com problemas graves de saúde durante a sua carreira mas lutaram para ultrapassá-los. 

No post anterior mencionei uma sequência do filme que muita gente associou ao clube Sambo 70 onde se destaca a treinadora Eteri Tutberidze (responsável pelo desenvolvimento de Julia Lipnitskaya, Evgenia Medvedeva e Alina Zagitova). No vídeo da reportagem não falta a referência a este clube. Podem vê-la a partir do minuto 4:44. 

Espero que tenham gostado deste post. Se entretanto tiverem oportunidade de ver o filme, não se esqueçam de deixar aqui um comentário sobre se gostaram. 

Até à próxima! 







quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tradução de entrevista de Julia Lipnitskaya


Julia Lipnitskaya

Julia Lipnitskaya começou a dar nas vistas no escalão júnior onde chegou a conquistar o título mundial. A pequena russa conquistou imediatamente o coração de milhares de fãs em todo o mundo. Nem aqueles que conhecem pouco sobre a patinagem artística ficaram indiferentes às capacidades de Julia. Quando ascendeu ao escalão sénior, Julia impôs-se imediatamente, tendo alcançado resultados muito importantes como a medalha de ouro olímpica por equipas nos Jogos que decorreram em Sochi, o título europeu em 2014 e a medalha de prata nos mundiais do mesmo ano. Esperavam-se muitos mais feitos por parte de Julia mas as coisas começaram a não correr bem e ela foi ficando de fora da selecção russa para as competições mais importantes. Um grande sinal de alerta ocorreu quando Julia decidiu abandonar o grupo de Eteri Tutberidze que era a sua treinadora de longa data. Na altura não faltaram rumores sobre o porquê dessa separação ter ocorrido. Falou-se que Julia não gostava de dividir a atenção da sua treinadora com a jovem em ascensão Evgenia Medvedeva. Foi dito que Julia sentiu que Tutberidze preferia focar mais a sua atenção em Medvedeva. Também se falou da hipótese da ruptura ter sido provocada pelo plano alimentar que Tutberidze obrigava Julia a cumprir. Talvez tudo isso afinal seja verdade ou talvez seja tudo mentira. Os rumores sobre o facto de Julia sofrer de anorexia desde que estava no grupo de Tutberidze é que parecem ser todos verdadeiros. A própria Julia acabou por confirmar isso nesta entrevista concedida à jornalista russa Olga Ermolina.

Desde a Primavera que havia muita expectativa sobre se Julia iria patinar nos testes da federação russa que foram marcados para o início de Setembro. Entretanto, Julia anunciou a sua retirada da patinagem artística. Essa notícia deixou muitos fãs entristecidos mas temos de compreender que a saúde desta jovem está em primeiro lugar. Resta-nos desejar que tudo corra bem a Julia no futuro e desfrutar dos vídeos dos programas magníficos com que ela nos brindou na sua curta mas intensa carreira.

Nesta entrevista, Julia não se esquivou de falar sobre um assunto pessoal incómodo pois houve um homem que foi entrevistado por vários órgãos de comunicação social na Rússia e que afirmou ser o pai de Julia. Esse assunto fez correr muita tinta mas Julia fez agora questão de denunciá-lo publicamente como um impostor.

O link original da entrevista pode ser visto aqui: http://www.fsrussia.ru/intervyu/3126-yuliya-lipnitskaya-stranitsa-perevernuta-u-menya-novaya-zhizn-i-novye-plany.html

 

Tradução de entrevista

Jornalista – Julia, quão bem ponderada foi a tua decisão de te retirares?

Julia – Desta vez foi a 100%. Eu não passei um mês ou dois ou três a pensar sobre isso, eu demorei algum tempo, levando em consideração todos os prós e contras. Durante o Inverno, quando eu fui para o hospital, e estive lá algum tempo, foi o suficiente para reconsiderar. Foi muito difícil decidir afastar-me. A sério, todos os dias eu ia dormir e acordava com um pensamento: e agora? Quando eu estive lá trabalhámos muito com psiquiatras, e eles têm uns muito bons, eles ajudaram-me a estabelecer correctamente as prioridades para a minha vida. Eu tive de pensar sobre muitas coisas porque eu estava segura de que eu iria recuperar e voltar a patinar. Eu estava segura. Todos estávamos – a minha mãe, o treinador… Nas minhas primeiras semanas no hospital em Israel, o meu telefone foi roubado e a comunicação com o mundo exterior foi cortada. Foi completamente ao acaso mas como resultado eu fiquei algum tempo offline. Só agora é que compreendo o motivo. Eu pude realmente pensar sobre o que se estava a passar na minha vida. Isso foi de uma enorme importância. Sim, eu poderia simplesmente ter comprado outro telefone, mas eu decidi que se isso aconteceu então foi por uma razão. Então eu estava noutro país, onde toda a gente fala uma língua estrangeira que nem sequer é inglês, sem conexão com o mundo exterior. Eu só me lembrava do número de telefone da minha mãe. Eu acabei por comprar um telefone barato para poder telefonar à minha mãe e aos meus parentes. E foi isto. Então o que é que eu podia fazer lá senão curar-me e pensar no que faria de seguida.

Jornalista – Qual foi a coisa mais assustadora?

Julia – O desconhecido. Compreender o que vem a seguir. Eu sair do hospital e depois o quê? Especialmente quando eu comecei a perceber que estava 99,9% acabada para a patinagem. Eu estava em pânico com o desconhecido. Foi um pesadelo. Quando eu regressei a casa, eu passei a primeira semana a pensar ‘e agora’? O que é que eu devo fazer agora? O desconhecido é uma coisa terrível. Em falei com a minha mãe e ela compreendeu-me. Nós decidimos que é uma nova vida. Então eu tive de ir à Federação Russa de Patinagem Artística assinar a minha retirada, explicar o que aconteceu e foi o que eu fiz. Eu fiz um acordo com a federação para que todos nós esperássemos até Setembro e que durante os testes anunciaríamos a minha retirada. Foi isto. Então eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que me apoiaram e aos fãs por esperarem.

Jornalista – A Federação Russa de Patinagem Artística pediu-te para repensares porque és uma patinadora de topo e não podes ser dispensada facilmente?

Julia – Claro, em Abril perguntaram-me se era uma decisão espontânea e emocional. Mas tu não podes pensar por tanto tempo e acabar com uma decisão emocional. Então sim, foi-me dado tempo para pensar até aos testes. Mas eu já tinha decidido.

Jornalista – Achas que alcançaste tudo o que podias no desporto?

Julia – Claro que não. Havia muitas coisas que eu queria alcançar e fazer, melhorar. Mas as coisas são o que são. Depois dos jogos de Sochi eu queria experimentar a dança no gelo. Eu pensei nisso durante alguns anos mas havia tanta gente contra que essa ideia foi deixada.

Jornalista – O que é que te impediu de alcançar tudo o que querias?

Julia – 99% foram as lesões. O resto foi resultado disso. Depois de eu ter tido um diagnóstico, eu recebi muitas questões sobre o porquê de tê-lo feito. Mas se eu não tivesse anunciado a decisão por mim própria, a informação acabaria por saber-se à mesma. A anorexia é a doença do século XXI. Não é uma raridade. Infelizmente nem todas conseguem ultrapassá-la. Eu decidi que não seria nada de mais se eu a revelasse. A única coisa de que eu me arrependo é de não ter falado sobre isso mais cedo. Isto prolongou-se não por um ano ou dois ou três. Depois da Taça da Rússia, eu fui para casa, coloquei os patins no roupeiro e não os voltei a ver desde então. Eu fui hospitalizada em Janeiro. Esta é a história toda.

Jornalista – Depois dos Jogos Olímpicos de Sochi foste atingida pela fama – isso foi uma coisa que te deu motivação para continuar ou foi um fardo que tiveste de carregar?

Julia – Foi desgastante. Eu não tinha força para mais nada, foi muito duro. Eu não sou uma “pessoa pública”. Nunca fui. Sou uma introvertida desde a minha infância. Eu tinha de fazer um esforço enorme para falar com alguém que não me fosse familiar. Agora é mais fácil comunicar, eu tornei-me mais aberta. Mas eu desenvolvi algumas habilidades, hábitos e estereótipos e eu sigo-os. Eu não acho que tenha de estar em todos os jornais, todos os programas de televisão para onde sou convidada. Eu não gosto disso e provavelmente nunca gostarei. Eu prefiro ir directa ao assunto e simplesmente dizer o que precisa ser dito; especialmente depois do meu prolongado silêncio houve muitas especulações, de repente apareceram tantas pessoas que foram entrevistadas, incluindo pessoas que eu nem sequer conheço. Inicialmente até era engraçado mas depois tornou-se insano. Houve tantos factos falsos que eu gostaria de explicar. O motivo principal foi um programa no Canal 1 em que tudo foi falso. Quando eu perguntei aos editores “como é que isto foi exibido”, foi-me respondido “mas tu nunca disseste pessoalmente que era uma mentira, então podia ser verdade”, portanto parece que agora tenho de dizê-lo.

Jornalista – OK, então começa a falar.

Julia – Vamos começar pelo programa de televisão depois do qual a minha mãe ficou com cabelos brancos, eu provavelmente também ganhei alguns cabelos brancos, mas os produtores de tv conseguiram as suas audiências. Eles falaram com uma pessoa chamada Zanozin. Essa pessoa disse que eu fui aceite na Universidade de Moscovo e isso é uma certeza. Eu estava somente a planear frequentar a Universidade e será óptimo se resultar. Eu só planeio candidatar-me e fazer os exames dentro de um ano. Eu gostaria de tornar-me numa manager desportiva. É interessante e estaria relacionado com a minha vida antiga. Em segundo lugar, há uma pessoa que vai de programa de tv em programa de tv e ousa dizer que é meu pai. Uma pergunta: como é que os editores permitem uma coisa destas? Esta pessoa é falsa. Mesmo que ele tenha o mesmo sobrenome não tirem conclusões precipitadas. Essa pessoa não me é nada. O que ele disse sobre mim – eu quis silenciá-lo fisicamente. É impossível de ouvir!  Quanto ao meu verdadeiro pai, eu sei muito bem quem é ele e onde vive. Portanto deixa-me dar um aviso: se esses casos continuarem e os meus “pais” ou “familiares” forem a programas de televisão com vontade de obter alguma fama às minhas custas, nós vamos encontrar-nos em tribunal. Um dos jornais publicou um artigo. Enquanto eu estava a lê-lo, eu pensei que era uma piada. As únicas coisas verdadeiras eram os nomes Julia e Lipnitskaya. Só isso. Eles inventaram um jovem que supostamente teria influenciado a minha decisão de retirar-me? Foram apresentadas algumas declarações de alguns familiares que preferiram manter-se anónimos. Eu não tenho familiares ou amigos que pudessem fazer uma coisa dessas. Todo o artigo é uma fantasia do jornalista. Ó autor, nota alta pela história!

Jornalista – É óptimo que consigas manter o sentido de humor nessa situação. O que é que sonhas agora?

Julia – Sonhar? Eu gostaria de encontrar algo que eu pudesse fazer para o resto da minha vida. Agora estou numa encruzilhada porque tenho muitas ofertas, opções e projectos. Mas eu não vou e não quero ir para um lugar e simplesmente ficar lá como “Julia Lipnitskaya”. Eu quero participar, eu quero fazer alguma coisa interessante e isso não acontecerá sem educação. Então isso é a primeira coisa na minha lista. Eu estudo inglês com um tutor. Num futuro próximo, eu ficarei completamente focada nos meus estudos e depois logo se vê. Simultaneamente, é claro que eu experimentarei algumas coisas novas e tentarei encontrar o meu caminho. Eu tenho sido questionada sobre se participarei em espectáculos. De momento eu não posso e não quero apesar de haver propostas. Talvez com o tempo as coisas mudem e eu possa querer regressar ao gelo. Vamos ver. Uma coisa é certa: eu não serei treinadora. Tornar-me numa profissional do desporto é uma coisa diferente. Mas eu preciso de estudar. Uma passatempo é um passatempo mas uma profissão precisa de educação.

Jornalista – Tu viraste a página e todos os teus sonhos e planos são para o futuro?

Julia – Sim, eu tenho uma nova vida e novos planos. O desporto deixou-me o hábito de ser organizada, de ter um horário rigoroso. Quando eu tenho tempo livre, e agora tenho muito mais, começo a pensar “como é que eu posso preenche-lo?”, eu tenho um planeamento para não ficar ociosamente sentada. Quando o dia está todo preenchido, eu sinto-me óptima e tento fazer tudo. Eu passo os meus dias livre na casa de campo. Toda a gente sabe que eu sempre adorei cavalos. Agora eu tenho um. Em Moscovo. Não muito longe da casa de campo há um estábulo privado e eu posso fazer desporto aí, montar a cavalo por 30-40Km. É um dos meus hábitos favoritos e eu não me importo de gastar tanto tempo com isso porque eu adoro fazê-lo. O nome do cavalo é Dakota. É alto, giro e calmo. Um sonho.

Jornalista – Isso é óptimo! Há mais alguma coisa que gostasses de acrescentar?

Julia – Eu gostaria de agradecer à federação e a todos os que me ajudaram e apoiaram. Um agradecimento especial ao agora meu ex-treinador Alexey Urmanov, que durante o nosso tempo juntos trabalhou muito duro e reagiu imediatamente a todos os problemas e resolveu-os com rapidez. Eu estive confortável a trabalhar em Sochi embora a vida lá seja tão diferente. A equipa em Sochi é óptima, todos são muito encorajadores. Teria ficado muito feliz se tivéssemos alcançado alguns resultados com aquela equipa e tenha muita pena que isso não tenha acontecido. Mas mais uma vez, foi excelente trabalhar com pessoas assim. Eu gostaria de agradecer aos fãs pelo seu amor, fé, compreensão e paciência. Esta foi a forma como as coisas tiveram de ser feitas. Para mim e não só. Agora eu recebo tantas mensagens. Eu às vezes tento responder porque algumas pessoas escrevem do fundo do seu coração e quando eu leio essas mensagens eu não consigo evitar as lágrimas mas na maior parte das vezes elas fazem-me sorrir. É muito bom saber que as pessoas gostam tanto de mim. Eu também gostaria de agradecer àqueles que me espicaçaram e até aos “haters” pois, algumas vezes, eles fizeram-me pensar e seguir em frente. Simplesmente agradecer a toda a gente!

Jornalista – Obrigado Julia.

Este foi o lindíssimo programa curto que Julia patinou na Taça Rostelecom 2016

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Notícias - Julia Lipnitskaya diz adeus

Parece que a jovem patinadora russa Julia Lipnitskaya decidiu dizer adeus à patinagem de competição. No dia 28 de Agosto de 2017 surgiu uma catadupa de artigos na imprensa russa dando conta que Julia teve de se submeter a um período de tratamento devido a anorexia e que agora já está melhor de saúde. No entanto, ela não planeia regressar à patinagem de competição.
Julia ganhou uma imensa legião de fãs ainda no escalão júnior e maravilhou o mundo com o programa livre patinado ao som da banda sonora "A Lista de Schindler". Na temporada 2013/2014, Julia tornou-se campeã olímpica por equipas em Sochi, campeã da Europa e vice-campeã do mundo. Na sua curta carreira, Julia tocou o coração de muita gente e dificilmente será esquecida.





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Notícias da Rússia - A caminho da semana de testes

A semana de testes na Rússia é um dos momentos mais aguardados do início de temporada e este ano não é excepção.
Durante a semana de testes, os patinadores que fazem parte do grupo de elite e os que são os principais candidatos a um lugar na selecção nacional do país tem de apresentar-se perante os responsáveis da federação russa e de um conceituado grupo de especialistas. Os testes de 2017 irão realizar-se na cidade de Sochi. Aí, os patinadores terão a oportunidade de mostrar os programas que pensam patinar para a temporada 2017/2018. Todos os programas são sujeitos a avaliação. Consoante a avaliação, os patinadores e as suas respectivas equipas técnicas terão um prazo para realizar melhorias nos programas antes de poderem competir em competições internacionais. Na semana de testes, os patinadores também terão a hipótese de apresentar algum elemento novo em que tenham trabalhado durante a época baixa.
Entretanto já se sabe que o par Ksenia Stolbova & Fedor Klimov não irão apresentar-se na semana de testes. Fedor foi submetido a uma operação cirúrgica há cerca de um mês e ainda está em recuperação, sendo que há certos elementos que ele ainda nem sequer pode arriscar, nomeadamente o twist e as figuras de elevação. Como Ksenia e Fedor têm uma justificação médica para a falta de comparência nestes testes, é possível que sejam avaliados em privado assim que for possível. Consta que este par planeia iniciar o seu calendário competitivo no Troféu Finlândia.

Fedor Klimov está a braços com mais uma lesão complicada


Quem também ficará de fora da semana de testes é o famoso par Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov. Tatiana e Maxim têm estado a patinar no espectáculo “Romeu e Julieta” produzido pela companhia de Ilya Averbukh e duvido que tenham tido tempo de preparar novas coreografias. Além disso, esta falta de comparência na semana de testes parece indicar uma coisa que já muitos suspeitam: Tatiana e Maxim não voltarão ao circuito competitivo.

Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov


Adelina Sotnikova e Julia Lipnitskaya foram figuras maiores no Jogos Olímpicos de Sochi e arrebataram corações. Quem estava à espera de vê-las na semana de testes desengane-se. Julia e Adelina não irão marcar presença. No caso de Julia, tudo aponta para o final de carreira na patinagem de competição (pelo menos como individual). Adelina continua a trabalhar sob a orientação de Evgeny Plushenko mas é possível que ainda não esteja pronta para regressar.


Adelina Sotnikova


Na categoria masculina destaca-se a ausência de Artur Dmitriev Jr. pois a própria federação impediu a sua participação! Não sei qual é a justificação para este impedimento mas espero que não seja uma punição disciplinar.


Na categoria de dança aguarda-se com alguma ansiedade a confirmação da presença de Elena Ilinykh e Anton Shibnev. 

Elena Ilinykh & Anton Shibnev
(Fonte: Instagram)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tradução de entrevista de Tatiana Tarasova

A lendária treinadora Tatiana Tarasova concedeu uma entrevista a uma jornalista russa Elena Sobol em que respondeu às questões com a sua habitual frontalidade. Tarasova não se coibiu de demonstrar a sua falta de esperança em Adelina Sotnikova e Julia Lipnitskaya, para além de apontar o dedo a Maxim Kovtun e Mikhail Kolyada. Podem ler a tradução aqui em baixo e espero que gostem do trabalho.



Elena Sobol – Tatiana Anatolievna, o que é que tem feito durante o interregno entre temporadas?

Tatiana Tarasova – Estou de férias até ao meio de Julho e depois tratarei de coisas referentes ao meu trabalho como comentadora. Eu vou aprender coisas novas para poder comentar no futuro – as regras vão ser um pouco modificadas. Eu também estarei presente em alguns seminários para juízes para obter a informação correcta que depois vou processar e projectar para os telespectadores. Os telespectadores são diferentes. Agradeço-lhes por me adorarem como comentadora. Eles enviaram-me tantas mensagens que eu senti-me apoiada e amada.

Elena Sobol – E com razão.

Tatiana Tarasova – Eu tenho de corresponder então estou a planear reunir nova informação antes dos Jogos Olímpicos. Eu planeio ir aos rinques em Julho, ver os testes. Os testes dos juniores em Agosto e os testes dos seniores em Setembro em Sochi. Eu penso que o tempo antes da temporada começar vai passar muito depressa.

Elena Sobol – Algum patinador pediu a sua ajuda antes da temporada Olímpica?

Tatiana Tarasova – Não. Os nossos patinadores estão acompanhados e eu nem sequer estou a considerar os pedidos de patinadores estrangeiros, apesar de terem havido alguns.

Elena Sobol – Porque é a época Olímpica?

Tatiana Tarasova – Porque eu decidi assim.

Elena Sobol – E que é que vai apoiar?

Tatiana Tarasova – Eu já apoiei quem tinha de apoiar.

Elena Sobol – O que é que a fez feliz e o que é que a chateou na temporada passada?

Tatiana Tarasova – A época acabou e não vale a pena discutir. Todos estão a descansar. Vai haver uma época nova e um novo frenesim. O meu falecido pai costumava dizer “Olha para a frente. Vai em frente”.

Elena Sobol – E o que há em frente?

Tatiana Tarasova – Os Jogos Olímpicos. Eu espero uma luta para entrar na selecção. Os 30mx60m vão decidir. A nova temporada vai começar e os patinadores irão alcançar novos objectivos.




Elena Sobol - Você pensa que Medvedeva vai conseguir? Ela vai ter de provar que ela é a líder.

Tatiana Tarasova – Nós vamos ter de esperar e estar agradecidos pelo que ela e a Eteri Tutberidze têm feito a cada ano. Eu vou debater isso.

Elena Sobol – Você gosta da Medvedeva?

Tatiana Tarasova – Como não posso gostar? Ela é bicampeã mundial.

Elena Sobol – Você acredita que Adelina Sotnikova, campeã olímpica em 2014, irá regressar ao seu nível anterior?

Tatiana Tarasova – Não.

Elena Sobol – Você acredita no Plushenko como treinador?

Tatiana Tarasova – Quando ele der provas então eu acreditarei.




Elena Sobol – A Alina Zagitova está prestes a começar a sua carreira sénior. Ela e a treinadora vão decidir se ela irá tornar-se sénior nesta temporada.
Tatiana Tarasova – Eu falei nisso desde que vi a Alina. Eu disse que aquela menina, estando a patinar e a progredir como tem feito, pode vencer os Jogos Olímpicos. Ela é muito interessante e tem um potencial enorme.

Elena Sobol – Ela deve precipitar as coisas?

Tatiana Tarasova – Ela tem uma boa treinadora que deve responder a essa pergunta. Guardar-se como aconteceu com Stolbova & Klimov nunca devia ser feito. 

Elena Sobol – A Elena Radionova mudou-se para o grupo de Elena Buyanova. Esta vai ser uma relação de trabalho interessante?

Tatiana Tarasova – Sim. A Buyanova sabe como trabalhar com raparigas; resulta bem para ela. Elas já têm programas interessantes, um deles foi feito pelo Peter Tchernyshev. No que diz respeito à parte técnica isso é da responsabilidade da treinadora.

Elena Sobol – Será que iremos ver a Julia Lipnitskaya novamente?
Tatiana Tarasova – Eu penso que não. Ela é uma estrela que brilhou no seu tempo e agradecemos-lhe isso. A Julia foi uma pérola dos Jogos Olímpicos de Sochi. Ela jamais será esquecida – a menina do vestido vermelho. O grande Spillberg enviou-lhe uma carta. Tu alguma vez recebeste uma carta dessas? Não. Eu também não. Mas ela recebeu. Ela foi totalmente reconhecida. Foi o caminho dela. Um novo caminho se abrirá para ela.




Elena Sobol – Os estado da nossa patinagem masculina está longe de ser alegre. O que você nos pode dizer sobre Kovtun? Ele conseguiu medalhas nos Europeus e no World Team Trophy deste ano. Ele progrediu?

Tatiana Tarasova – O progresso às vezes não tem a ver com classificações pois não está relacionado. Há uns tempos ele foi o primeiro a incluir dois quádruplos no programa curto. Agora já não faz isso. Ele costumava arriscar 3 quádruplos no programa livre e já não o faz. De que progresso é que eu posso falar? Ele foi 4.º nos mundiais e agora é 10.º. É um retrocesso. Eu gosto do Maxim mas ele pensou que tinha todo o tempo do mundo. O tempo tem os seus limites. Ele devia trabalhar muito duro. O que é que eu posso dizer sobre o Kovtun ou até sobre o Kolyada? Eles têm de chegar lá e patinar. Ter um “enorme potencial”… Talvez eu seja demasiado exigente. Mas eu não sei ser de outra forma – o meu pai costumava dizer que se era despedido por ter a medalha de prata. Para mim o único lugar que existe é o primeiro. Eles têm o que é preciso para se tornarem primeiros, ou pelo menos conseguir uma medalha, mas eles mal conseguem chegar ao top 10. Ninguém os proíbe de nada. Eles deviam reconsiderar o seu sistema de preparação juntamente com os seus treinadores. Há qualquer coisa que não está a funcionar. E dizer “nós estamos a aprender”… Tu fazes o que fazes. Houve patinadores que integraram novos quádruplos durante a temporada. Então por agora eu não posso responder nada sobre o progresso de Kovtun e de Kolyada. Eu posso afirmar com confiança que não existe progresso.

Elena Sobol – Falando de quádruplos – as senhoras começaram a apresentá-los nos treinos. Esta é uma direcção interessante?

Tatiana Tarasova – Eu gosto.

Elena Sobol – Você acha que Volosozhar & Trankov deviam continuar a competir?

Tatiana Tarasova – Cada um precisa encontrar a sua motivação e a sua força. Essa é que é a questão. Um ponto importante para eles.

Elena Sobol – E Kavaguti & Smirnov?

Tatiana Tarasova – Eu não posso falar por eles mas se tivesse no seu lugar eu não voltaria. São demasiadas lesões. Além disso parece que o Alexander quer tornar-se treinador. Para já ele tem uma professora com quem aprender – a Tamara Nikolaevna Moskvina. Não é comum que os grandes atletas queiram tornar-se treinadores e isso é de apreciar.

Elena Sobol – Você imagina o Trankov como treinador?

Tatiana Tarasova – No passado eu sei que ele quis. Não falei com ele recentemente. O caminho de um treinador é longo. É toda uma vida. Por exemplo, a Nina Mozer tem sido treinadora desde muito jovem, enquanto a sua mãe ainda era treinadora. No entanto, os seus primeiros Jogos Olímpicos foram os de Sochi, quando o público se apercebeu dela.

Elena Sobol – O que é que você pode dizer sobre Tarasova & Morozov?

Tatiana Tarasova – Eles estiveram muito bem este ano. A Tarasova é uma heroína.

Elena Sobol – Eles têm estado na sombra de Stolbova & Klimov?

Tatiana Tarasova – Isso não é verdade. Deixem Stolbova & Klimov em paz, deixem o seu talento em paz. Se eles se recuperarem serão a nossa grande alegria. O ano passado eles foram fuzilados logo à partida…

Elena Sobol – Os dançarinos Bobrova & Soloviev tornaram-se 5.ºs e Stepanova & Bukin 10.ºs.

Tatiana Tarasova – É o melhor resultado que eles podiam ter esperado.

Elena Sobol – É um resultado objectivo?

Tatiana Tarasova – Tu achas que eles foram rebaixados nas notas?

Elena Sobol – Existiram opiniões nesse sentido depois dos mundiais em Helsínquia.

Tatiana Tarasova – Os que dizem isso deviam realmente abrir os olhos e ver quem patinou de que maneira. A Katia e o Dima, que perderam duas temporadas, estiveram muito bem para o seu nível. O que é que nós podemos tentar na categoria de dança? Estes patinadores estão em quinto. Eles devem ficar em quinto nos Jogos Olímpicos se trabalharem no duro e prepararem novos programas interessantes. Já seria um grande resultado.

Elena Sobol – Quantas medalhas é que nós devemos esperar obter nos Jogos Olímpicos?

Tatiana Tarasova – Seria excelente se as meninas conseguissem duas medalhas. Há a hipótese de uma medalha nos pares mas depende de qual. Para alguns a medalha de bronze é muito boa, para outros é um falhanço. Vamos fazer o nosso melhor. Afinal nós não fazíamos ideia que iríamos estar tão bem em Sochi. Mas correu bem. Eu desejo que todos estejam saudáveis e sem dores. Que Stolbova & Klimov recuperem das suas lesões que evitaram que eles estivessem no seu melhor. Que a Evgenia Medvedeva encontre o seu estilo. Que todos melhorem. Brevemente veremos os resultados. Nós temos de ser pacientes.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Senhoras (Livre)

Taça Rostelecom 2016


Programa livre feminino

Em Moscovo (Rússia)

No dia 05 de Novembro




Análise




No programa livre feminino na Taça Rostelecom 2016 não faltaram motivos de interesse. O nível geral da competição foi bastante bom e Anna Pogorilaya levou a melhor sobre toda a concorrência, ganhando a medalha de ouro de forma categórica.

Julia Lipnitskaya foi uma das grandes protagonistas do dia e a estado-unidense Courtney Hicks foi uma das patinadoras que se destacou de forma inesperada.

Depois do programa curto, as três patinadoras russas dominavam a classificação com Anna Pogorilaya, Elena Radionova e Julia Lipnitskaya a lutar pelas medalhas. Tudo parecia encaminhado para que os três primeiros lugares fossem ocupados por elas. No entanto, as coisas não correram de feição a Lipnitskaya para desespero dos seus muitos fãs.

Julia Lipnitskaya fez um programa curto muito bom e, no geral, foi do melhor que vimos dela nas duas últimas temporadas. Mas no programa livre ela foi afectada por um problema físico reminiscente da lesão que a fez desistir da participação no GP Skate America 2016. Durante o período de aquecimento no gelo antes do livre, ela foi vista junto às barreiras com o seu treinador a queixar-se de uma perna. No início do programa livre ela mudou o primeiro elemento previsto. Era suposto que ela tivesse apresentado uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop mas efectuou um triplo lutz-duplo toe loop. A qualidade de execução foi acima do mediano e ela recebeu 8.00pts nessa combinação. De seguida ela fez um triplo loop (5.70pts) e um duplo axel (3.80pts). Até aqui parecia que o programa ia correr bem e ela parecia lançada para uma boa prestação. O quarto elemento foi um triplo flip (2.80pts) que foi punido com grau de execução negativo devido ao facto da terceira volta não ter sido efectivamente completa e a definição de entrada não ter sido clara. A partir daí foi tudo por água abaixo. Notou-se que no peão flying camel (2.54pts) ela saiu do elemento prematuramente. O peão ficou meramente com o nível 2 e só conseguiu 0.24 de grau de execução positivo. O problema físico manifestou-se durante a execução do peão. Para além das dores no joelho, Julia disse mais tarde que ficou com a perna dormente e teve de interromper o programa. Depois houve um período de confusão pois não se percebia se ela ia continuar ou não. Julia ainda se aproximou do seu treinador e decidiu continuar. Só que ela perdeu vários elementos: duas combinações, o segundo axel, a sequência coreográfica e o peão layback. Como calculam, Julia perdeu imensos pontos. Ela chegou a marcar o lutz simples (0.39pts) que, ainda por cima, foi punido com grau de execução negativo. A sequência de passos foi de nível 2 e recebeu 3.10pts mas a patinadora não conseguiu realizar tudo o que tinha planeado. Ela ainda tentou realizar outro duplo axel (1.80pts) mas caiu na recepção. O esquema foi terminado com um peão de combinação de nível 3 que obteve 3.43pts. A sua nota técnica foi apenas de 31.56pts. Nos componentes, as suas médias nos segmentos fixaram-se em 7.46 na perícia, 6.79 nas transições, 5.93 na performance, 6.46 na composição e 6.68 na interpretação da música. Em termos de deduções automáticas, Julia foi penalizada em 6.00 pontos: um ponto devido à queda e cinco referentes à paragem durante o programa. O que aconteceu a Julia foi uma pena pois no programa curto a sua prestação foi muito promissora. O importante agora é que ela consiga recuperar fisicamente pois os seus programas desta temporada são muito bons e têm tudo para resultar. Espero que aquando dos Campeonatos Nacionais da Rússia ela esteja pronta para competir e possa lutar por um lugar na selecção nacional para as competições mais importantes da época. Julia foi última classificada no programa livre e na classificação geral final.

Elena Radionova arrecadou a medalha de prata mas esta não foi de todo a sua melhor prestação num programa livre, tendo cometido alguns erros incaracterísticos. Em termos de execução, ela apenas conseguiu acrescentar 0.89 à nota técnica de partida que foi de 57.03pts. O triplo lutz inicial ficou meramente com o valor base de 6.00pts e a combinação de triplo flip-triplo toe loop também só conseguiu receber o valor base de 9.60pts. Seguiram-se o peão de combinação de nível 3 (3.50pts) e a sequência de passos de nível 2 (3.60pts). O quinto elemento técnico foi a sequência coreográfica que lhe rendeu 3.00pts. Na segunda metade do esquema, ela colocou uma combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.39pts), triplo loop (4.71pts), duplo axel (3.70pts), outro triplo loop (0.67pts) e outro duplo axel (3.92pts). Os elementos de salto realizados na segunda metade do programa beneficiam de um bónus sobre a pontuação base. No entanto, o primeiro loop perdeu 0.90pts do valor base devido a grau de execução negativo. O segundo loop deveria ter sido colocado em combinação mas Elena caiu na recepção. Esse loop perdeu 2.10pts do valor base e por causa da queda foi aplicada uma dedução automática de um ponto. O esquema foi terminado com um peão flying camel (4.07pts) e um peão layback (2.76pts), ambos com o nível 4. Elena não executou o peão layback tão bem como em outras ocasiões e só teve 0.06 de grau de execução positivo. Esses problemas reflectiram-se na performance e as notas com que ficou nos componentes podiam ter sido melhores. As suas médias nos segmentos foram de 8.46 na perícia, 8.21 nas transições, 8.25 na performance, 8.36 na composição e 8.43 na interpretação da música. Elena patinou o seu programa livre logo a seguir ao que sucedeu a Julia Lipnitskaya e isso pode ter afectado a sua concentração. Com esta medalha de prata, Elena Radionova mantem a esperança de se qualificar para a grande final a decorrer em Dezembro.

A luta pela medalha de bronze foi renhida entre Courtney Hicks, Elizabet Tursynbaeva e Zijun Li. A estado-unidense Courtney Hicks levou a melhor devido à sua prestação no programa livre. No esquema de Hicks houve apenas dois elementos punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo flip-duplo toe loop (5.90pts) e a combinação de triplo loop-toe loop simples (5.95pts). Os outros saltos apresentados no esquema foram o triplo salchow (4.70pts), o duplo axel (3.51pts), triplo lutz (7.30pts), sequência de triplo loop-duplo axel (7.79pts) e triplo flip (6.43pts). A sequência de passos (3.80pts) e o peão de combinação (3.50pts) foram classificados com o nível 3. O peão flying camel (3.91pts) e o peão flying camel em combinação (4.00pts) atingiram o nível 4. A sequência coreográfica recebeu 3.20pts. O painel de juízes foi muito consistente na atribuição de notas nos segmentos dos componentes e Hicks ficou com médias de 7.50 na perícia, 7.32 nas transições, 7.43 na performance, 7.39 na composição e 7.43 na interpretação da música.

A chinesa Zijun Li até conseguiu uma nota dos componentes superior à de Courtney Hicks mas ficou com cerca de dois pontos de desvantagem na nota técnica. Desta forma, Li terminou na quarta posição final. Do que me recordo da carreira desta patinadora chinesa, este seu programa livre foi dos mais interessantes que ela já apresentou. Em termos de saltos, ela realizou uma combinação de duplo axel-loop simples-triplo salchow (8.70pts), combinação de duplo axel-triplo toe loop (8.40pts), duplo lutz (2.10pts), triplo loop (6.21pts), combinação de triplo flip-duplo toe loop (6.12pts), triplo flip (6.33pts) e triplo salchow (2.71pts). A combinação de triplo flip-duplo toe loop foi punida com grau de execução negativo devido a ter faltado cerca de ¼ de volta no duplo toe loop. O triplo salchow foi punido com grau de execução negativo devido à terceira volta não ter sido efectivamente completa. Na sequência coreográfica ela recebeu 2.90pts e na sequência de passos de nível 2 obteve 3.24pts. Os peões atingiram todos o nível 4 e totalizaram 11.19pts. Nos segmentos dos componentes, Li ficou com médias de 7.54 na perícia, 7.21 nas transições, 7.57 na performance, 7.57 na composição e 7.64 na interpretação da música.

Neste grande prémio deu para perceber que os rumores que têm circulado nas redes sociais chinesas sobre os treinos de Li são fundamentados. Quem esteve a orientar a jovem Zijun Li durante toda a semana foi o treinador russo Alexei Mishin. No entanto, ele não foi anunciado oficialmente como seu treinador. 

A jovem atleta Elizabet Tursynbaeva também conseguiu uma nota dos componentes superior à de Courtney Hicks mas ficou em desvantagem na nota técnica. Elizabet esteve muito bem e esta sua prestação deixou uma excelente impressão geral. Ela consegue patinar com imensa velocidade e isso ajuda a dar mais interesse ao programa e à forma como os elementos são executados. Os saltos que Elizabet realizou foram os seguintes: uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.10pts), um triplo lutz (3.50pts), um triplo flip (5.93pts), uma combinação de triplo salchow-duplo toe loop (6.57pts), triplo loop (4.21pts), uma combinação de duplo axel-duplo toe loop (4.56pts) e duplo axel (3.84pts). O triplo lutz isolado, o triplo loop e a combinação de duplo axel-duplo toe loop foram punidos com grau de execução negativo. O peão de combinação (3.29pts) e a sequência de passos (3.80pts) foram classificados com o nível 3. O peão flying camel (2.66pts) foi de nível 2 e o peão flying camel em combinação (4.21pts) atingiu o nível 4. Ela também recebeu 3.00pts na sequência coreográfica. Nos segmentos dos componentes, as suas médias resultaram em 7.64 na perícia, 7.43 nas transições, 7.54 na performance, 7.57 na composição e 7.54 na interpretação da música. A pupila de Brian Orser terminou na quinta posição final.

E para finalizar este post não posso deixar de falar na russa Anna Pogorilaya que fez um excelente programa livre e garantiu a medalha de ouro. Em termos coreográficos, este é o seu melhor programa livre da carreira até agora. Anna pareceu confortável com a música e com a coreografia e demonstrou não se deixar afectar pela pressão de estar a patinar perante os seus compatriotas. Na parte técnica, o único elemento punido com grau de execução negativo foi o triplo flip pois a lâmina do patim do pé de apoio estava colocada numa forma errada na altura da definição de entrada do salto. Ainda por cima isso foi bem visível mesmo em tempo real. O triplo flip ficou com 3.70pts. Esse flip foi realizado na primeira metade do esquema bem como a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.70pts) e o primeiro duplo axel (3.87pts). Na segunda metade do programa, Anna efectuou uma combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.39pts), combinação de triplo loop-duplo toe loop (7.54pts), triplo loop (6.91pts) e um duplo axel (4.49pts). A sequência de passos (5.30pts), o peão flying camel em combinação (4.50pts) e o peão de combinação (4.36pts) atingiram todos o nível 4. O peão layback foi de nível 3 e ficou com 3.40pts. Na sequência coreográfica, ela recebeu mais 3.20pts. Nos segmentos dos componentes, Anna conseguiu boas notas por parte de todos os juízes e ficou com médias de 8.79 na perícia, 8.57 nas transições, 9.04 na performance, 8.86 na composição e 8.82 na interpretação da música.





Vídeos do programa livre

Anna Pogorilaya


Elena Radionova


Courtney Hicks


Zijun Li


Elizabet Tursynbaeva


Yura Matsuda


Nicole Rajicova


Roberta Rodeghiero


Anastasia Galustyan


Angelina Kuchvalska


Kanako Murakami


Julia Lipnitskaya



Resultado final




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Senhoras (curto)

Taça Rostelecom 2016


Programa curto feminino

Em Moscovo (Rússia)

No dia 04-11-2016









Análise




O programa curto na categoria de individuais femininos no grande prémio Taça Rostelecom 2016 foi muito agradável e pudemos assistir a diversos programas com qualidade. Os três primeiros lugares foram ocupados pelas atletas da casa. Anna Pogorilaya, Elena Radionova e Julia Lipnitskaya deixaram-nos aqui uma amostra do alto calibre da patinagem feminina na Rússia que, de momento, só tem o Japão como rival em termos de quantidade de atletas com excelente nível. Aliás, o que se passou em pista já deixou água na boca para o que irá acontecer nos campeonatos nacionais da Rússia que se realizarão em Dezembro, por altura do Natal.

E sabem quem é que estava nas bancadas a assistir ao programa curto? Nada mais nada menos que a campeã mundial 2016 Evgenia Medvedeva que na semana anterior conquistou o grande prémio Skate Canada.

Em termos de resultados, Anna Pogorilaya levou a melhor e venceu o programa curto com uma pontuação de 73.93pts. Este é o melhor programa curto da carreira de Anna até agora. O responsável por esta coreografia foi o patinador Misha Ge (Uzbequistão). Misha fez um excelente trabalho e Anna soube valorizar e interpretar o material que lhe foi dado. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas com 8.61 na perícia, 8.43 nas transições, 8.71 na performance, 8.79 na composição e 8.82 na interpretação da música. Assim que Anna acabou de patinar eu pensei que ela conseguiria notas ainda melhores nos segmentos de performance, composição e interpretação mas alguns juízes decidiram ser poupadinhos… J Anna também esteve bem tecnicamente conseguindo amealhar graus de execução positivos em todos os elementos. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.30pts) foi o elemento inicial. Seguiram-se o peão de combinação (4.50pts) classificado com o nível 4 e o peão flying camel (3.51pts) de nível 3. Com a entrada na segunda metade do esquema, Anna realizou um triplo loop (6.21pts), um duplo axel (4.42pts), uma sequência de passos (5.60pts) e o peão layback (3.70pts). A sequência de passos e o peão layback preencheram os requisitos exigidos para o nível 4. No seu todo foi um programa muito bom e com potencial para chegar quase aos oitenta pontos. Mas se ela conseguir manter a consistência durante várias provas com a mesma qualidade que demonstrou aqui com certeza que os juízes irão considerar dar-lhe ainda mais pontos nos segmentos que compõem a segunda nota.

Elena Radionova foi segunda classificada no programa curto com uma nota de 71.93pts não ficando muito longe da sua compatriota Anna Pogorilaya e ficando tudo em aberto para o programa livre. A nota final podia tê-las deixado praticamente empatadas não tivesse sido o caso de Elena ter cometido um erro na recepção do duplo axel (2.70pts). O duplo axel acabou por ser punido em 0.93 em sede de grau de execução negativo. O resto do programa correu bem e permitiu-lhe acumular graus de execução positivos nos outros elementos. Para além do duplo axel, Elena também efectuou uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts) e um triplo loop (6.41pts). Este loop foi executado na segunda metade do programa tal como o axel. O peão flying camel (3.70pts), o peão layback (4.06pts) e a sequência de passos (5.80pts) atingiram o nível 4. O peão de combinação foi de nível 3 e recebeu 3.43pts. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 8.54 na perícia, 8.39 nas transições, 8.61 na performance, 8.71 na composição e 8.79 na interpretação da música. Olhando para o protocolo que mostra a pontuação atribuída por cada juiz, verifiquei que houve um juiz que lhe atribuiu apenas 7.75 na performance e outro que lhe marcou 7.75 na composição. Eu gostei imenso da coreografia e acho que Elena a conseguiu interpretar bem. Acho que este programa mostrou que Elena tem crescido do ponto de vista artístico. Ela já é uma senhorita e não apenas uma garota e por isso é natural que comece a interpretar temas um pouco mais complexos ou mais desenvolvidos. Eu achei que a coreografia esteve cheia de óptimos detalhes e que Elena esteve à altura do desafio.

Julia Lipnitskaya não tem feito parte da selecção nacional russa para os principais eventos do calendário internacional e essa fase assemelhou-se a uma “travessia do deserto”. Desde 2014, o ano em que teve mais sucesso no escalão sénior, que Julia já fez muitas mudanças na sua vida. Ela mudou-se de Moscovo para Sochi e alterou a sua equipa técnica e de coreógrafos. Nesta temporada Julia já participou no Troféu Ondrej Nepela onde arrecadou a medalha de prata mas teve de desistir do grande prémio Skate America devido a lesão. As coisas correram-lhe de feição neste programa curto na Taça Rostelecom. Confesso que estava preocupada com a forma como ela lidaria com a pressão de estar a patinar perante os seus compatriotas numa prova que é muito mediática. Mas Julia deu conta do recado e ofereceu-nos uma boa prestação. O seu programa curto recebeu 69.25pts. Em relação às suas compatriotas, ela ficou em desvantagem pontual devido à escolha da combinação. Enquanto Anna e Elena optaram por triplo lutz-triplo toe loop com um valor base de 10.30pts, Julia apresentou uma combinação de triplo toe loop-triplo toe loop que parte de um valor base de 8.60pts. Mesmo com grau de execução positivo, a combinação ficou com 10.00pts. Só aí ela ficou logo com 1.30 de desvantagem. A sequência de passos foi outro elemento que a fez ficar atrás das suas compatriotas. A sequência de passos realizada por Julia foi classificada com o nível 3, o que faz com que o elemento fique com um valor base de 3.30pts enquanto as de Anna e de Elena atingiram o nível 4, passando o elemento a ter um valor base de 3.90pts. Estes pormenores acabam por fazer muita diferença. A sequência de passos acumulou graus de execução positivos e obteve 4.23pts. O peão flying camel também foi de nível 3 e pontuou 3.66pts. O peão de combinação (4.71pts) e o peão layback (3.70pts) foram ambos de nível 4. O duplo axel (4.13pts) e o triplo flip (6.03pts) foram efectuados na segunda metade do esquema. No entanto, o triplo flip levou uma advertência pois a definição de entrada no salto não foi muito clara. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 7.89 nas transições, 8.36 na performance, 8.18 na composição e 8.39 na interpretação da música. O painel de juízes não foi unânime na atribuição de notas nos segmentos dos componentes. No segmento de transições, a juiz canadiana marcou-lhe apenas 6.75 enquanto a juiz estado-unidense lhe atribuiu a nota de 9.00. A juiz canadiana também lhe atribuiu 6.75 no segmento de composição. O juiz italiano atribuiu-lhe 7.50 na perícia, na composição e na interpretação. O mesmo juiz italiano marcou-lhe a nota de 7.00 nos segmentos de transições e performance. Na minha modesta opinião o programa foi sublime e muito bem interpretado. Os peões foram sem dúvida um dos pontos mais altos não só da sua prova individual mas ainda de toda a competição.

Quanto a graus de execução positivos, Anna acumulou 6.8pts, Elena amealhou 5.16pts e Julia arrecadou 6.10pts.

Elizabet Tursynbaeva do Cazaquistão deu nas vistas e conseguiu o quarto lugar no programa curto com uma pontuação de 64.31pts. Esta jovem patinadora treina do grupo de Brian Orser junto a Javier Fernandez e a Yuzuru Hanyu. Nada mau J Apesar dela ter cometido um erro grave, o programa deixou uma boa impressão geral. No seu esquema houve dois elementos punidos com grau de execução negativo: o duplo axel e o peão flying camel. Elizabet caiu na recepção do duplo axel embora parecesse que ela ia conseguir segurar o salto com sucesso. Foi uma pena. Os juízes não puderam ignorar esse erro e o duplo axel acabou por perder 1.43 do seu valor base. No peão flying camel foi-lhe retirado 0.90 do valor base. Os outros elementos obtiveram grau de execução positivo. A sequência de passos (5.00pts), o peão de combinação (4.36pts) e o peão layback (3.56pts) atingiram o nível 4. O peão flying camel foi de nível 3. A combinação de saltos foi constituída por um triplo lutz-triplo toe loop (11.20pts) e o salto isolado foi um triplo loop (6.31pts). Nos segmentos dos componentes, as suas médias terminaram fixadas em 7.54 na perícia, 7.32 nas transições, 7.43 na performance, 7.50 na composição e 7.68 na interpretação da música. É de salientar que por causa da queda no duplo axel lhe foi aplicada uma dedução automática de um ponto.






A chinesa Zijun Li e a estado-unidense Courtney Hicks também fizeram bons programas e têm pouquíssima margem pontual entre si. Nesta altura não será descabido pensar que elas ainda têm uma hipótese de se bater pela medalha de bronze.

Kanako Murakami voltou a desapontar e não foi além do décimo lugar. Ela voltou a demonstrar problemas na rotação dos saltos, tendo-lhe faltado ¼ de volta para completar o triplo flip e o segundo toe loop triplo da combinação que apresentou.

Nicole Rajicova e Anastasia Galustyan também estiveram bem.






Vídeos

Anna Pogorilaya


Elena Radionova


Julia Lipnitskaya


Elizabet Tursynbaeva


Zijun Li


Courtney Hicks


Yura Matsuda


Nicole Rajicova


Anastasia Galustyan


Kanako Murakami


Angelina Kuchvalska


Roberta Rodeghiero



Resultado do programa curto