sábado, 12 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Pares

GP Taça Rostelecom 2016


Em Moscovo (Rússia)

Nos dias 04 e 05 de Novembro


Análise



Aliona Savchenko & Bruno Massot venceram a medalha de ouro com cerca de dez pontos de vantagem sobre o par Natalia Zabiiako & Alexander Enbert que terminaram na segunda posição. A medalha de bronze acabou nas mãos de Kristina Astakhova & Alexey Rogonov. Os italianos Valentina Marchei & Ondrej Hotarek tiveram uma boa prestação apesar de alguns erros. Julianne Séguin & Charlie Bilodeau ficaram uns furos abaixo do esperado. Toda a gente estava na expectativa deles ficarem com uma medalha mas isso não aconteceu. A competição também ficou marcada pela ausência dos vice-campeões olímpicos Ksenia Stolbova & Fedor Klimov que tiveram de desistir antecipadamente devido a lesão.

Aliona Savchenko & Bruno Massot entraram na competição como os grandes favoritos à vitória mas no programa curto tiveram de contentar-se com a segunda posição e uma nota de 69.51pts. Não é que seja uma má nota só que eles estavam à espera de muito mais. O principal erro cometido durante o esquema ocorreu no triplo salchow lado-a-lado em que ambos caíram na recepção. As quedas foram imediatamente punidas com duas deduções automáticas no valor de dois pontos. O elemento também foi penalizado em sede de grau de execução e só conseguiu 2.30pts. As quedas podem ter sido provocadas pelo mau eixo de rotação nos saltos mas o caricato é que ambos iam em sintonia com o eixo de rotação inclinado demais. Até nesse erro eles estavam em sintonia. O outro erro que os prejudicou ocorreu na tentativa de triplo axel lançado (6.13pts) que foi penalizado com grau de execução negativo. Na figura de elevação (6.40pts) do grupo 5 de dificuldade não lhes rendeu tantos pontos como eles estariam à espera pois foi marcada com um B, que é equivalente a básico. Isto fez com que o valor base desse elemento fosse mais baixo em cerca de dois pontos do que uma figura do mesmo grupo de dificuldade mas de nível 4. A sequência de passos (5.20pts) e o peão (4.50pts) foram classificados com o nível 4 que é o máximo. A espiral da morte (4.50pts) foi de nível 3 e o triplo twist (7.70pts) foi de nível 2. O triplo twist é feito por este par de uma maneira espetacular. Ela parece que fica a flutuar no ar antes de ser apanhada por Bruno. É um elemento deveras impressionante. Os erros afectaram um pouco as suas médias nos componentes que se fixaram em 8.71 na perícia, 8.61 nas transições, 8.61 na performance, 8.79 na composição e 8.75 na interpretação da música/timing.

No programa livre, Aliona e Bruno conquistaram uma nota de 138.38pts e ficaram na primeira posição. O programa é impressionante e tem imenso potencial mas aqui na Taça Rostelecom eles tiveram alguns problemas com a execução de certos elementos. A combinação de triplo salchow-duplo toe loop-toe loop simples perdeu 1.30pts do valor base de 6.10pts. O plano era de fazer triplo-duplo-duplo. O axel lançado era suposto ter sido triplo mas ficou-se pelas duas voltas e meia, tendo sido penalizado em 1.30pts do valor base de 4.00pts. A maior erro ocorreu mesmo no final do programa quando Aliona caiu na recepção do quádruplo salchow lançado (5.20pts). A queda custou-lhes uma dedução automática de um ponto. Os restantes elementos conseguiram grau de execução positivo. A espiral da morte (5.60pts), os peões (9.72pts) e as figuras de elevação (23.74pts) atingiram o nível 4. O triplo twist foi de nível 2 e recebeu 7.90pts. O triplo toe loop lado-a-lado ficou com 5.40pts. Na sequência coreográfica eles amealharam 3.40pts. No que diz respeito aos segmentos que compõem a segunda nota, as suas médias foram as seguintes: 8.96 na perícia, 8.75 nas transições, 8.68 na performance, 9.00 na composição e 8.93 na interpretação da música.

Natalia Zabiiako & Alexander Enbert surpreenderam muita gente com a sua prestação nesta competição. O par russo passou um mau bocado devido a uma lesão que afectou Natalia mas agora parecem estar bem e em forma.

No programa curto, Zabiiako e Enbert conquistaram a liderança com 69.76pts. Com um visual a fazer lembrar personagens de contos de fadas, eles deram nas vistas com as linhas limpas e bem definidas. O triplo toe loop lado-a-lado foi pontuado com 4.60pts. O triplo loop lançado recebeu 5.70pts. O peão (3.79pts), a sequência de passos (4.80pts) e a figura de elevação do grupo 5 de dificuldade (8.50pts) preencheram os requisitos necessários para o nível 4. A espiral da morte (4.00pts) foi de nível 3 e o triplo twist (6.90pts) foi de nível 2. As médias obtidas por este par nos segmentos dos componentes foram de 7.96 na perícia, 7.61 nas transições, 8.07 na performance, 7.86 na composição e 7.82 na interpretação da música.

O programa livre de Zabiiako & Enbert ficou com 128.01pts. Eles não tiveram nenhum elemento punido com grau de execução negativo mas ficaram sem um elemento. O suposto triplo salchow lado-a-lado não lhes correu bem. Alexander fez uma má recepção no salto que foi marcada como queda e punida com uma dedução automática de um ponto. Natalia apenas efectuou um salto simples pelo que o elemento não foi considerado. Quanto aos restantes elementos as coisas até correram bem. Na combinação de triplo toe loop-duplo toe loop-duplo loop recebeu 8.00pts. Como saltos lançados eles realizaram um duplo axel (4.60pts) e um triplo loop (6.40pts). O peão em paralelo foi de nível 4 e obteve 4.00pts enquanto o peão de par foi de nível 3 e ficou com 4.36pts. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4 e totalizaram 22.47pts. O triplo twist (7.20pts) e a espiral da morte (4.20pts) foram de nível 2. Na sequência coreográfica obtiveram 2.70pts. Como médias nos segmentos dos componentes, os valores foram de 8.25 na perícia, 7.96 nas transições, 8.11 na performance, 8.21 na composição e 8.14 na interpretação da música.

Kristina Astakhova e Alexey Rogonov são um bom par mas têm que resolver rapidamente o problema dos saltos lado-a-lado. Eles têm andado a testar alternativas mas está na hora de estabilizar. No programa curto eles ficaram em quarto lugar com uma nota de 65.51pts. O triplo salchow lado-a-lado foi o único elemento punido com grau de execução negativo. O triplo flip lançado recebeu 6.40pts. A figura de elevação do grupo 5 de dificuldade (8.70pts), a espiral da morte (4.70pts) e o peão (3.93pts) preencheram os critérios necessários para o nível 4. O triplo twist (6.80pts) e a sequência de passos (3.17pts) foram meramente de nível 2. O painel de juízes foi muito consistente nas notas que lhes marcaram em todos os segmentos e as suas médias acabaram por ficar em 7.64 na perícia, 7.36 nas transições, 7.71 na performance, 7.71 na composição e 7.71 na interpretação da música.

No programa livre Kristina e Alexey ficaram em terceiro lugar com uma pontuação de 123.23pts. Os saltos lado-a-lado voltaram a ser um problema e foram ambos punidos com grau de execução negativo. Os saltos deles foram cotados como triplo loop (3.70pts) e combinação de duplo salchow-duplo toe loop (2.29pts). Como saltos lançados, este par realizou um triplo flip (6.40pts) e um triplo loop (6.00pts). O triplo twist (7.00pts) e a espiral da morte (4.40pts) foram classificados com o nível 3. Os dois peões atingiram o nível 4 e totalizaram 8.42pts. A primeira e a segunda figuras de elevação foram do grupo 5 de dificuldade e foram classificadas com o nível 4. A terceira figura de elevação perdeu o nível 4 quando a patinadora não conseguiu agarrar a lâmina do patim durante a execução da figura. Isso fez com que a figura acabasse por ficar com nível 3. Ao não conseguir agarrar o patim é como se a figura que foi proposta apresentar não tivesse tantas variações pelo que isso afectou o nível mas não necessariamente a execução. O total obtido nas figuras de elevação foi de 19.64pts. Na sequência coreográfica arrecadaram 3.10pts. Nos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 7.71 na perícia, 7.50 nas transições, 7.86 na performance, 7.96 na composição e 7.89 na interpretação da música.



Os italianos Marchei & Hotarek desperdiçaram a hipótese de ficar no pódio devido aos erros cometidos no início do programa livre, nomeadamente com uma queda na saída do triplo twist.

Séguin & Bilodeau hipotecaram as suas hipóteses logo no programa curto com erros no salto lançado e no salto lado-a-lado.



Vídeos

Savchenko & Massot
Programa curto

Programa livre


Zabiiako & Enbert
Programa curto

Programa livre


Astakhova & Rogonov
Programa curto

Programa livre


Marchei & Hotarek
Programa curto

Programa livre


Séguin & Bilodeau
Programa curto

Programa livre


Ruest & Wolfe
Programa curto

Programa livre


Efimova & Korovin
Programa curto

Programa livre


Butkute & Ermolaev
Programa curto

Programa livre


Resultado final



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Dança

GP Taça Rostelecom 2016


Em Moscovo (Rússia)

Nos dias 04 e 05 de Novembro




Análise




A categoria de dança prometeu uma boa disputa pelo primeiro lugar do pódio e cumpriu. Três nomes grandes da categoria de dança estiveram presentes: Chock & Bates, Weaver & Poje e Bobrova & Soloviev.


Ekaterina Bobrova & Dmitri Soloviev venceram a Taça Rostelecom 2016 com uma pontuação final de 186.68pts. Das competições em que já participaram esta temporada, esta foi a sua melhor prestação até ao momento. O facto de estarem a patinar perante o seu público poderá tê-los galvanizado. Na dança curta, Ekaterina e Dmitri receberam 74.92pts. Os twizzles (7.97pts), a figura de elevação (5.70pts) e os passos obrigatórios (6.11pts) foram classificados com o nível 4. A sequência parcial de passos (9.30pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.83pts) foram de nível 3. A sua nota técnica de partida foi de 30.30pts que foi melhorada para 37.91pts devido à acumulação de graus de execução positivos em todos os elementos. Nos segmentos dos componentes eles conseguiram médias de 9.25 na perícia, 9.04 nas transições, 9.36 na performance, 9.29 na composição e 9.32 na interpretação da música.


Na dança livre, Ekaterina e Dmitri ficaram com uma nota de 111.76pts. Os twizzles (8.23pts), o peão (6.80pts) e todas as figuras de elevação atingiram o nível 4. O total de pontos obtido nas figuras de elevação foi de 17.78pts. As duas sequências de passos foram de nível 3 com um total de 18.60pts. Como elementos coreográficos, este par apresentou um peão (1.90pts) e uma elevação (2.30pts). As médias conseguidas nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota fixaram-se em 9.36 na perícia, 9.07 nas transições, 9.50 na performance, 9.43 na composição e 9.43 na interpretação da música/timing. Na dança livre, a juiz do Canadá fez das suas. A juíza do Canadá Leslie Keen não hesitou em atribuir-lhes apenas 8.25 nas transições, 8.75 na composição e 8.75 na interpretação da música/timing, em claro contraste com o restante painel de juízes… Leslie Keen fez-lhes o mesmo na dança curta. Já não é a primeira vez que um juiz do Canadá entra em conflito com o restante painel nesta temporada, para tentar marcar os patinadores do seu país com notas superiores. Basta ver o que se passou no GP Skate Canada.


Madison Chock & Evan Bates tinham tudo para vencer este grande prémio mas tiveram de contentar-se com a medalha de prata. Chock & Bates venceram a parte da dança curta com uma nota de 75.04pts. A sua nota técnica de partida foi exactamente igual à de Bobrova & Soloviev com 30.30pts. Madison e Evan conseguiram melhorar a nota técnica de partida em cerca de oito pontos devido a todos os elementos terem obtido grau de execução positivo. A figura de elevação (5.70pts), os passos obrigatórios (6.11pts) e os twizzles (7.63pts) foram classificados com o nível 4. A sequência de passos parcial (9.30pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.61pts) foram de nível 3. Nos segmentos dos componentes as suas médias situaram-se em 9.04 na perícia, 8.93 nas transições, 9.32 na performance, 9.21 na composição e 9.36 na interpretação da música/timing. Leslie Keen voltou a fazer das suas marcando Madison e Evan com 8.50 na perícia e 8.50 nas transições em contraste com o restante painel.


Madison e Evan estavam bem lançados para lutar pelo primeiro lugar na dança livre. No entanto, eles foram segundos nesta fase da competição com uma nota de 107.09pts. O elemento determinante para o apuramento do resultado final foram os twizzles. É que Evan cometeu um erro nos twizzles. Como consequência os twizzles efectuados apenas chegaram para cumprir os critérios do nível 2, o que fez baixar o valor base, e tiveram de ser punidos com grau de execução negativo. Os twizzles pontuaram 4.03pts. O programa livre deles tem muita qualidade mas em competição estas coisas acontecem. As duas sequências de passos foram de nível 3 e totalizaram 18.60pts. Nas figuras de elevação, eles conseguiram um total de 17.45pts. As figuras de elevação atingiram todas o nível 4. O peão (7.31pts) também foi de nível 4. Os elementos coreográficos realizados foram um peão (2.10pts) e uma elevação (2.30pts). Nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota, as médias obtidas foram de 9.18 na perícia, 9.07 nas transições, 9.29 na performance, 9.29 na composição e 9.25 na interpretação da música/timing. É preciso dizer o que fez Leslie Keen? A juíz do Canadá atribuiu-lhes 8.25 na perícia, 8.00 nas transições, 8.75 na performance, composição e interpretação/timing. Em contraste o juiz espanhol marcou a nota 10.00 no segmento de composição.


Kaitlyn Weaver & Andrew Poje estrearam-se no circuito do grande prémio da temporada 2016/2017 com a medalha de bronze na Taça Rostelecom 2016. Apesar de serem um par que é sempre agradável de acompanhar, na minha opinião não estiveram no seu melhor durante esta competição. A sua pontuação na dança curta foi de 69.81pts que lhes permitiu ficar na terceira posição. Os passos obrigatórios (5.17pts), a sequência de passos parcial (8.99pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (9.14pts) foram classificados com o nível 3. Os twizzles foram meramente de nível 2 e ficaram com 5.11pts. A figura de elevação foi o único elemento a atingir o nível 4 e ficou com 5.70pts. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.89 na perícia, 8.64 nas transições, 9.00 na performance, 8.96 na composição e 9.14 na interpretação da música/timing. Como já devem estar a adivinhar, Leslie Keen atribuiu-lhes notas de 9.00 ou mais em todos os segmentos. Os juízes da Lituânia e de Israel foram os mais cépticos no painel. Eu gosto muito de ver Kaitlyn e Andrew pois são dos pares que mais facilmente conseguem cativar o público e são carismáticos. No entanto, esta dança curta precisa de mais rodagem.


Na dança livre, Kaitlyn e Andrew foram segundos classificados com uma nota de 108.76pts. Eu penso que a dança livre lhe correu melhor do que a curta mas mesmo assim fiquei com a sensação que faltou qualquer coisa principalmente no que respeita à execução dos twizzles. O elemento mais espetacular deste programa foi a primeira figura de elevação. Para além de ser uma figura lindíssima foi lindamente executada. Todas as figuras de elevação cumpriram os critérios exigidos para serem classificadas com o nível 4 e totalizaram 17.87pts. Os twizzles (7.29pts) e o peão (6.80pts) também foram de nível 4. As duas sequências de passos foram ambas de nível 3 e obtiveram 18.44pts. Os elementos coreográficos escolhidos foram o peão (1.70pts) e uma elevação (2.40pts). As suas médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota foram as seguintes: 8.96 na perícia, 8.86 nas transições, 9.29 na performance, 9.11 na composição e 9.00 na interpretação da música/timing.  



Os italianos Charlene Guignard & Marco Fabbri continuam a evoluir de forma estável. Neste grande prémio, Charlene e Marco estiveram bem quer na dança curta como na dança livre, tendo ficado em quarto lugar em ambas as fases da competição.

Charlene e Marco conquistaram 67.72pts na dança curta. Em termos de elementos técnicos, a sequência parcial de passos (7.01pts) foi classificada com o nível 2 enquanto a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.83pts) foi de nível 3. Os twizzles (7.89pts), os passos obrigatórios (5.86pts) e a figura de elevação (5.27pts) atingiram o nível 4. Nos segmentos, as suas médias foram de 8.29 na perícia, 7.89 nas transições, 8.29 na performance, 8.29 na composição e 8.32 na interpretação da música/timing.

Na dança livre, Charlene e Marco conseguiram uma nota de 102.73pts. Os twizzles (8.31pts) e o peão (6.71pts) classificados com o nível 4. Em termos de figuras de elevação, a elevação em curva foi de nível 3 e as outras foram de nível 4. O total de pontos obtido pelos italianos nas figuras de elevação foi de 16.34pts. As duas sequências de passos foram de nível 3 e conseguiram 17.66pts. Os elementos coreográficos apresentados foram um twizzle (1.80pts) e uma elevação (1.90pts). As suas médias nos segmentos dos componentes que compõem a segunda nota fixaram-se em 8.32 na perícia, 8.11 nas transições, 8.50 na performance, 8.46 na composição e 8.29 na interpretação da música/timing.


Tiffany Zahorski & Jonathan Guerreiro finalmente tiveram a oportunidade de se estrear no circuito do grande prémio sénior. Depois de tanto tempo fora da competição devido às dificuldades que a federação francesa levantou à cedência de Tiffany à federação russa, eles mereceram esta hipótese pois não deixaram de trabalhar afincadamente. Eles foram quintos classificados tanto na dança curta como na livre.


Na dança curta Tiffany e Jonathan receberam 64.28pts. A sequência parcial de passos (6.86pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (6.86pts) apenas cumpriram com os critérios para o nível 2. Os  twizzles (7.80pts), os passos obrigatórios (5.69pts) e a figura de elevação (5.70pts) atingiram o nível 4. Nos segmentos dos componentes ficaram com médias de 7.89 na perícia, 7.57 nas transições, 8.00 na performance, 7.89 na composição e 7.86 na interpretação da música/timing.


Na dança livre, Tiffany e Jonathan conseguiram 92.67pts. O peão de nível 3 foi o único elemento punido com grau de execução negativo, tendo perdido 0.14 do valor de 4.60pts. As duas sequências de passos ficaram-se pelo nível 2 e totalizaram 12.93pts. Os twizzles (7.71pts) e as figuras de elevação (total de 16.50pts) atingiram o nível 4. O peão coreográfico recebeu 1.70pts e a elevação coreográfica obteve 1.50pts. As suas médias nos segmentos dos componentes foram as seguintes: 8.00 na perícia, 7.71 nas transições, 8.00 na performance, 8.18 na composição e 8.00 na interpretação da música/timing.





Vídeos

Bobrova & Soloviev
Dança curta

Dança livre


Chock & Bates
Dança curta

Dança livre


Weaver & Poje
Dança curta

Dança livre


Guignard & Fabbri
Dança curta

Dança livre


Zahorski & Guerreiro
Dança curta

Dança livre


Pogrebinsky & Benoit
Dança curta

Dança livre


Fournier-Beaudry & Sorensen
Dança curta

Dança livre


Agafonova & Ucar
Dança curta

Dança livre


Evdokimova & Bazin
Dança curta

Dança livre



Resultado final



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Senhoras (Livre)

Taça Rostelecom 2016


Programa livre feminino

Em Moscovo (Rússia)

No dia 05 de Novembro




Análise




No programa livre feminino na Taça Rostelecom 2016 não faltaram motivos de interesse. O nível geral da competição foi bastante bom e Anna Pogorilaya levou a melhor sobre toda a concorrência, ganhando a medalha de ouro de forma categórica.

Julia Lipnitskaya foi uma das grandes protagonistas do dia e a estado-unidense Courtney Hicks foi uma das patinadoras que se destacou de forma inesperada.

Depois do programa curto, as três patinadoras russas dominavam a classificação com Anna Pogorilaya, Elena Radionova e Julia Lipnitskaya a lutar pelas medalhas. Tudo parecia encaminhado para que os três primeiros lugares fossem ocupados por elas. No entanto, as coisas não correram de feição a Lipnitskaya para desespero dos seus muitos fãs.

Julia Lipnitskaya fez um programa curto muito bom e, no geral, foi do melhor que vimos dela nas duas últimas temporadas. Mas no programa livre ela foi afectada por um problema físico reminiscente da lesão que a fez desistir da participação no GP Skate America 2016. Durante o período de aquecimento no gelo antes do livre, ela foi vista junto às barreiras com o seu treinador a queixar-se de uma perna. No início do programa livre ela mudou o primeiro elemento previsto. Era suposto que ela tivesse apresentado uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop mas efectuou um triplo lutz-duplo toe loop. A qualidade de execução foi acima do mediano e ela recebeu 8.00pts nessa combinação. De seguida ela fez um triplo loop (5.70pts) e um duplo axel (3.80pts). Até aqui parecia que o programa ia correr bem e ela parecia lançada para uma boa prestação. O quarto elemento foi um triplo flip (2.80pts) que foi punido com grau de execução negativo devido ao facto da terceira volta não ter sido efectivamente completa e a definição de entrada não ter sido clara. A partir daí foi tudo por água abaixo. Notou-se que no peão flying camel (2.54pts) ela saiu do elemento prematuramente. O peão ficou meramente com o nível 2 e só conseguiu 0.24 de grau de execução positivo. O problema físico manifestou-se durante a execução do peão. Para além das dores no joelho, Julia disse mais tarde que ficou com a perna dormente e teve de interromper o programa. Depois houve um período de confusão pois não se percebia se ela ia continuar ou não. Julia ainda se aproximou do seu treinador e decidiu continuar. Só que ela perdeu vários elementos: duas combinações, o segundo axel, a sequência coreográfica e o peão layback. Como calculam, Julia perdeu imensos pontos. Ela chegou a marcar o lutz simples (0.39pts) que, ainda por cima, foi punido com grau de execução negativo. A sequência de passos foi de nível 2 e recebeu 3.10pts mas a patinadora não conseguiu realizar tudo o que tinha planeado. Ela ainda tentou realizar outro duplo axel (1.80pts) mas caiu na recepção. O esquema foi terminado com um peão de combinação de nível 3 que obteve 3.43pts. A sua nota técnica foi apenas de 31.56pts. Nos componentes, as suas médias nos segmentos fixaram-se em 7.46 na perícia, 6.79 nas transições, 5.93 na performance, 6.46 na composição e 6.68 na interpretação da música. Em termos de deduções automáticas, Julia foi penalizada em 6.00 pontos: um ponto devido à queda e cinco referentes à paragem durante o programa. O que aconteceu a Julia foi uma pena pois no programa curto a sua prestação foi muito promissora. O importante agora é que ela consiga recuperar fisicamente pois os seus programas desta temporada são muito bons e têm tudo para resultar. Espero que aquando dos Campeonatos Nacionais da Rússia ela esteja pronta para competir e possa lutar por um lugar na selecção nacional para as competições mais importantes da época. Julia foi última classificada no programa livre e na classificação geral final.

Elena Radionova arrecadou a medalha de prata mas esta não foi de todo a sua melhor prestação num programa livre, tendo cometido alguns erros incaracterísticos. Em termos de execução, ela apenas conseguiu acrescentar 0.89 à nota técnica de partida que foi de 57.03pts. O triplo lutz inicial ficou meramente com o valor base de 6.00pts e a combinação de triplo flip-triplo toe loop também só conseguiu receber o valor base de 9.60pts. Seguiram-se o peão de combinação de nível 3 (3.50pts) e a sequência de passos de nível 2 (3.60pts). O quinto elemento técnico foi a sequência coreográfica que lhe rendeu 3.00pts. Na segunda metade do esquema, ela colocou uma combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.39pts), triplo loop (4.71pts), duplo axel (3.70pts), outro triplo loop (0.67pts) e outro duplo axel (3.92pts). Os elementos de salto realizados na segunda metade do programa beneficiam de um bónus sobre a pontuação base. No entanto, o primeiro loop perdeu 0.90pts do valor base devido a grau de execução negativo. O segundo loop deveria ter sido colocado em combinação mas Elena caiu na recepção. Esse loop perdeu 2.10pts do valor base e por causa da queda foi aplicada uma dedução automática de um ponto. O esquema foi terminado com um peão flying camel (4.07pts) e um peão layback (2.76pts), ambos com o nível 4. Elena não executou o peão layback tão bem como em outras ocasiões e só teve 0.06 de grau de execução positivo. Esses problemas reflectiram-se na performance e as notas com que ficou nos componentes podiam ter sido melhores. As suas médias nos segmentos foram de 8.46 na perícia, 8.21 nas transições, 8.25 na performance, 8.36 na composição e 8.43 na interpretação da música. Elena patinou o seu programa livre logo a seguir ao que sucedeu a Julia Lipnitskaya e isso pode ter afectado a sua concentração. Com esta medalha de prata, Elena Radionova mantem a esperança de se qualificar para a grande final a decorrer em Dezembro.

A luta pela medalha de bronze foi renhida entre Courtney Hicks, Elizabet Tursynbaeva e Zijun Li. A estado-unidense Courtney Hicks levou a melhor devido à sua prestação no programa livre. No esquema de Hicks houve apenas dois elementos punidos com grau de execução negativo: a combinação de triplo flip-duplo toe loop (5.90pts) e a combinação de triplo loop-toe loop simples (5.95pts). Os outros saltos apresentados no esquema foram o triplo salchow (4.70pts), o duplo axel (3.51pts), triplo lutz (7.30pts), sequência de triplo loop-duplo axel (7.79pts) e triplo flip (6.43pts). A sequência de passos (3.80pts) e o peão de combinação (3.50pts) foram classificados com o nível 3. O peão flying camel (3.91pts) e o peão flying camel em combinação (4.00pts) atingiram o nível 4. A sequência coreográfica recebeu 3.20pts. O painel de juízes foi muito consistente na atribuição de notas nos segmentos dos componentes e Hicks ficou com médias de 7.50 na perícia, 7.32 nas transições, 7.43 na performance, 7.39 na composição e 7.43 na interpretação da música.

A chinesa Zijun Li até conseguiu uma nota dos componentes superior à de Courtney Hicks mas ficou com cerca de dois pontos de desvantagem na nota técnica. Desta forma, Li terminou na quarta posição final. Do que me recordo da carreira desta patinadora chinesa, este seu programa livre foi dos mais interessantes que ela já apresentou. Em termos de saltos, ela realizou uma combinação de duplo axel-loop simples-triplo salchow (8.70pts), combinação de duplo axel-triplo toe loop (8.40pts), duplo lutz (2.10pts), triplo loop (6.21pts), combinação de triplo flip-duplo toe loop (6.12pts), triplo flip (6.33pts) e triplo salchow (2.71pts). A combinação de triplo flip-duplo toe loop foi punida com grau de execução negativo devido a ter faltado cerca de ¼ de volta no duplo toe loop. O triplo salchow foi punido com grau de execução negativo devido à terceira volta não ter sido efectivamente completa. Na sequência coreográfica ela recebeu 2.90pts e na sequência de passos de nível 2 obteve 3.24pts. Os peões atingiram todos o nível 4 e totalizaram 11.19pts. Nos segmentos dos componentes, Li ficou com médias de 7.54 na perícia, 7.21 nas transições, 7.57 na performance, 7.57 na composição e 7.64 na interpretação da música.

Neste grande prémio deu para perceber que os rumores que têm circulado nas redes sociais chinesas sobre os treinos de Li são fundamentados. Quem esteve a orientar a jovem Zijun Li durante toda a semana foi o treinador russo Alexei Mishin. No entanto, ele não foi anunciado oficialmente como seu treinador. 

A jovem atleta Elizabet Tursynbaeva também conseguiu uma nota dos componentes superior à de Courtney Hicks mas ficou em desvantagem na nota técnica. Elizabet esteve muito bem e esta sua prestação deixou uma excelente impressão geral. Ela consegue patinar com imensa velocidade e isso ajuda a dar mais interesse ao programa e à forma como os elementos são executados. Os saltos que Elizabet realizou foram os seguintes: uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.10pts), um triplo lutz (3.50pts), um triplo flip (5.93pts), uma combinação de triplo salchow-duplo toe loop (6.57pts), triplo loop (4.21pts), uma combinação de duplo axel-duplo toe loop (4.56pts) e duplo axel (3.84pts). O triplo lutz isolado, o triplo loop e a combinação de duplo axel-duplo toe loop foram punidos com grau de execução negativo. O peão de combinação (3.29pts) e a sequência de passos (3.80pts) foram classificados com o nível 3. O peão flying camel (2.66pts) foi de nível 2 e o peão flying camel em combinação (4.21pts) atingiu o nível 4. Ela também recebeu 3.00pts na sequência coreográfica. Nos segmentos dos componentes, as suas médias resultaram em 7.64 na perícia, 7.43 nas transições, 7.54 na performance, 7.57 na composição e 7.54 na interpretação da música. A pupila de Brian Orser terminou na quinta posição final.

E para finalizar este post não posso deixar de falar na russa Anna Pogorilaya que fez um excelente programa livre e garantiu a medalha de ouro. Em termos coreográficos, este é o seu melhor programa livre da carreira até agora. Anna pareceu confortável com a música e com a coreografia e demonstrou não se deixar afectar pela pressão de estar a patinar perante os seus compatriotas. Na parte técnica, o único elemento punido com grau de execução negativo foi o triplo flip pois a lâmina do patim do pé de apoio estava colocada numa forma errada na altura da definição de entrada do salto. Ainda por cima isso foi bem visível mesmo em tempo real. O triplo flip ficou com 3.70pts. Esse flip foi realizado na primeira metade do esquema bem como a combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.70pts) e o primeiro duplo axel (3.87pts). Na segunda metade do programa, Anna efectuou uma combinação de triplo lutz-loop simples-triplo salchow (12.39pts), combinação de triplo loop-duplo toe loop (7.54pts), triplo loop (6.91pts) e um duplo axel (4.49pts). A sequência de passos (5.30pts), o peão flying camel em combinação (4.50pts) e o peão de combinação (4.36pts) atingiram todos o nível 4. O peão layback foi de nível 3 e ficou com 3.40pts. Na sequência coreográfica, ela recebeu mais 3.20pts. Nos segmentos dos componentes, Anna conseguiu boas notas por parte de todos os juízes e ficou com médias de 8.79 na perícia, 8.57 nas transições, 9.04 na performance, 8.86 na composição e 8.82 na interpretação da música.





Vídeos do programa livre

Anna Pogorilaya


Elena Radionova


Courtney Hicks


Zijun Li


Elizabet Tursynbaeva


Yura Matsuda


Nicole Rajicova


Roberta Rodeghiero


Anastasia Galustyan


Angelina Kuchvalska


Kanako Murakami


Julia Lipnitskaya



Resultado final




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GP Taça Rostelecom 2016 - Senhoras (curto)

Taça Rostelecom 2016


Programa curto feminino

Em Moscovo (Rússia)

No dia 04-11-2016









Análise




O programa curto na categoria de individuais femininos no grande prémio Taça Rostelecom 2016 foi muito agradável e pudemos assistir a diversos programas com qualidade. Os três primeiros lugares foram ocupados pelas atletas da casa. Anna Pogorilaya, Elena Radionova e Julia Lipnitskaya deixaram-nos aqui uma amostra do alto calibre da patinagem feminina na Rússia que, de momento, só tem o Japão como rival em termos de quantidade de atletas com excelente nível. Aliás, o que se passou em pista já deixou água na boca para o que irá acontecer nos campeonatos nacionais da Rússia que se realizarão em Dezembro, por altura do Natal.

E sabem quem é que estava nas bancadas a assistir ao programa curto? Nada mais nada menos que a campeã mundial 2016 Evgenia Medvedeva que na semana anterior conquistou o grande prémio Skate Canada.

Em termos de resultados, Anna Pogorilaya levou a melhor e venceu o programa curto com uma pontuação de 73.93pts. Este é o melhor programa curto da carreira de Anna até agora. O responsável por esta coreografia foi o patinador Misha Ge (Uzbequistão). Misha fez um excelente trabalho e Anna soube valorizar e interpretar o material que lhe foi dado. As suas médias nos segmentos dos componentes foram boas com 8.61 na perícia, 8.43 nas transições, 8.71 na performance, 8.79 na composição e 8.82 na interpretação da música. Assim que Anna acabou de patinar eu pensei que ela conseguiria notas ainda melhores nos segmentos de performance, composição e interpretação mas alguns juízes decidiram ser poupadinhos… J Anna também esteve bem tecnicamente conseguindo amealhar graus de execução positivos em todos os elementos. A combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.30pts) foi o elemento inicial. Seguiram-se o peão de combinação (4.50pts) classificado com o nível 4 e o peão flying camel (3.51pts) de nível 3. Com a entrada na segunda metade do esquema, Anna realizou um triplo loop (6.21pts), um duplo axel (4.42pts), uma sequência de passos (5.60pts) e o peão layback (3.70pts). A sequência de passos e o peão layback preencheram os requisitos exigidos para o nível 4. No seu todo foi um programa muito bom e com potencial para chegar quase aos oitenta pontos. Mas se ela conseguir manter a consistência durante várias provas com a mesma qualidade que demonstrou aqui com certeza que os juízes irão considerar dar-lhe ainda mais pontos nos segmentos que compõem a segunda nota.

Elena Radionova foi segunda classificada no programa curto com uma nota de 71.93pts não ficando muito longe da sua compatriota Anna Pogorilaya e ficando tudo em aberto para o programa livre. A nota final podia tê-las deixado praticamente empatadas não tivesse sido o caso de Elena ter cometido um erro na recepção do duplo axel (2.70pts). O duplo axel acabou por ser punido em 0.93 em sede de grau de execução negativo. O resto do programa correu bem e permitiu-lhe acumular graus de execução positivos nos outros elementos. Para além do duplo axel, Elena também efectuou uma combinação de triplo lutz-triplo toe loop (11.40pts) e um triplo loop (6.41pts). Este loop foi executado na segunda metade do programa tal como o axel. O peão flying camel (3.70pts), o peão layback (4.06pts) e a sequência de passos (5.80pts) atingiram o nível 4. O peão de combinação foi de nível 3 e recebeu 3.43pts. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 8.54 na perícia, 8.39 nas transições, 8.61 na performance, 8.71 na composição e 8.79 na interpretação da música. Olhando para o protocolo que mostra a pontuação atribuída por cada juiz, verifiquei que houve um juiz que lhe atribuiu apenas 7.75 na performance e outro que lhe marcou 7.75 na composição. Eu gostei imenso da coreografia e acho que Elena a conseguiu interpretar bem. Acho que este programa mostrou que Elena tem crescido do ponto de vista artístico. Ela já é uma senhorita e não apenas uma garota e por isso é natural que comece a interpretar temas um pouco mais complexos ou mais desenvolvidos. Eu achei que a coreografia esteve cheia de óptimos detalhes e que Elena esteve à altura do desafio.

Julia Lipnitskaya não tem feito parte da selecção nacional russa para os principais eventos do calendário internacional e essa fase assemelhou-se a uma “travessia do deserto”. Desde 2014, o ano em que teve mais sucesso no escalão sénior, que Julia já fez muitas mudanças na sua vida. Ela mudou-se de Moscovo para Sochi e alterou a sua equipa técnica e de coreógrafos. Nesta temporada Julia já participou no Troféu Ondrej Nepela onde arrecadou a medalha de prata mas teve de desistir do grande prémio Skate America devido a lesão. As coisas correram-lhe de feição neste programa curto na Taça Rostelecom. Confesso que estava preocupada com a forma como ela lidaria com a pressão de estar a patinar perante os seus compatriotas numa prova que é muito mediática. Mas Julia deu conta do recado e ofereceu-nos uma boa prestação. O seu programa curto recebeu 69.25pts. Em relação às suas compatriotas, ela ficou em desvantagem pontual devido à escolha da combinação. Enquanto Anna e Elena optaram por triplo lutz-triplo toe loop com um valor base de 10.30pts, Julia apresentou uma combinação de triplo toe loop-triplo toe loop que parte de um valor base de 8.60pts. Mesmo com grau de execução positivo, a combinação ficou com 10.00pts. Só aí ela ficou logo com 1.30 de desvantagem. A sequência de passos foi outro elemento que a fez ficar atrás das suas compatriotas. A sequência de passos realizada por Julia foi classificada com o nível 3, o que faz com que o elemento fique com um valor base de 3.30pts enquanto as de Anna e de Elena atingiram o nível 4, passando o elemento a ter um valor base de 3.90pts. Estes pormenores acabam por fazer muita diferença. A sequência de passos acumulou graus de execução positivos e obteve 4.23pts. O peão flying camel também foi de nível 3 e pontuou 3.66pts. O peão de combinação (4.71pts) e o peão layback (3.70pts) foram ambos de nível 4. O duplo axel (4.13pts) e o triplo flip (6.03pts) foram efectuados na segunda metade do esquema. No entanto, o triplo flip levou uma advertência pois a definição de entrada no salto não foi muito clara. As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 8.18 na perícia, 7.89 nas transições, 8.36 na performance, 8.18 na composição e 8.39 na interpretação da música. O painel de juízes não foi unânime na atribuição de notas nos segmentos dos componentes. No segmento de transições, a juiz canadiana marcou-lhe apenas 6.75 enquanto a juiz estado-unidense lhe atribuiu a nota de 9.00. A juiz canadiana também lhe atribuiu 6.75 no segmento de composição. O juiz italiano atribuiu-lhe 7.50 na perícia, na composição e na interpretação. O mesmo juiz italiano marcou-lhe a nota de 7.00 nos segmentos de transições e performance. Na minha modesta opinião o programa foi sublime e muito bem interpretado. Os peões foram sem dúvida um dos pontos mais altos não só da sua prova individual mas ainda de toda a competição.

Quanto a graus de execução positivos, Anna acumulou 6.8pts, Elena amealhou 5.16pts e Julia arrecadou 6.10pts.

Elizabet Tursynbaeva do Cazaquistão deu nas vistas e conseguiu o quarto lugar no programa curto com uma pontuação de 64.31pts. Esta jovem patinadora treina do grupo de Brian Orser junto a Javier Fernandez e a Yuzuru Hanyu. Nada mau J Apesar dela ter cometido um erro grave, o programa deixou uma boa impressão geral. No seu esquema houve dois elementos punidos com grau de execução negativo: o duplo axel e o peão flying camel. Elizabet caiu na recepção do duplo axel embora parecesse que ela ia conseguir segurar o salto com sucesso. Foi uma pena. Os juízes não puderam ignorar esse erro e o duplo axel acabou por perder 1.43 do seu valor base. No peão flying camel foi-lhe retirado 0.90 do valor base. Os outros elementos obtiveram grau de execução positivo. A sequência de passos (5.00pts), o peão de combinação (4.36pts) e o peão layback (3.56pts) atingiram o nível 4. O peão flying camel foi de nível 3. A combinação de saltos foi constituída por um triplo lutz-triplo toe loop (11.20pts) e o salto isolado foi um triplo loop (6.31pts). Nos segmentos dos componentes, as suas médias terminaram fixadas em 7.54 na perícia, 7.32 nas transições, 7.43 na performance, 7.50 na composição e 7.68 na interpretação da música. É de salientar que por causa da queda no duplo axel lhe foi aplicada uma dedução automática de um ponto.






A chinesa Zijun Li e a estado-unidense Courtney Hicks também fizeram bons programas e têm pouquíssima margem pontual entre si. Nesta altura não será descabido pensar que elas ainda têm uma hipótese de se bater pela medalha de bronze.

Kanako Murakami voltou a desapontar e não foi além do décimo lugar. Ela voltou a demonstrar problemas na rotação dos saltos, tendo-lhe faltado ¼ de volta para completar o triplo flip e o segundo toe loop triplo da combinação que apresentou.

Nicole Rajicova e Anastasia Galustyan também estiveram bem.






Vídeos

Anna Pogorilaya


Elena Radionova


Julia Lipnitskaya


Elizabet Tursynbaeva


Zijun Li


Courtney Hicks


Yura Matsuda


Nicole Rajicova


Anastasia Galustyan


Kanako Murakami


Angelina Kuchvalska


Roberta Rodeghiero



Resultado do programa curto

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

GP Skate Canada 2016 - Dança

Skate Canada 2016


Em Mississauga (Canadá)

Entre os dias 27 e 30 de Outubro




Análise




A categoria de dança foi emocionante do início ao fim. Houve quem não gostasse do ajuizamento da competição mas é inegável que vimos várias performances com muita qualidade.

Tessa Virtue & Scott Moir continuam a trilhar o seu regresso à patinagem de competição e mais parece que eles nem sequer estiveram ausentes. Esta foi a sua segunda prova da temporada e já contam com duas medalhas de ouro e com o estatuto de líderes recuperado.

A dança curta foi excelente. Patinada ao som de músicas de Prince, esta dança curta tem todos os ingredientes que fizeram com que os fãs se apaixonassem por Virtue & Moir. Excelente coreografia e interpretação bem como os elementos técnicos bem encadeados no esquema. A sua nota na dança curta foi estrondosa: 77.23pts que lhes permitiu vencer esta fase da competição. Todos os elementos técnicos beneficiaram de grau de execução positivo, com diversos +2 e +3. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (10.40pts), a sequência parcial de passos (9.30pts) e os passos obrigatórios (5.60pts) foram classificados com o nível 3. Os twizzles (7.97pts) e a figura de elevação (6.30pts) preencheram os critérios exigidos para o nível 4. As suas notas nos segmentos dos componentes foram magníficas, o que lhes permitiu obter médias de 9.32 na perícia, 9.18 nas transições, 9.50 na performance, 9.50 na composição e 9.57 na interpretação da música/timing. No que diz respeito à escala de cada juiz, a juiz canadiana atribui-lhes a nota de 10.00 nos segmentos da performance e da composição. Na minha modesta opinião, o programa resultou muito melhor aqui no Skate Canada no que no Autumn Classic.

A dança livre recebeu uma pontuação de 111.83pts e isso fez com que eles ficassem em segundo lugar nesta fase da competição. Todos os elementos técnicos conseguiram obter grau de execução positivo embora tivesse havido um elemento onde isso foi discutível mas já lá vamos. Em primeiro lugar as críticas… Lamento mas vou ter que ser um pouco mazinha. A sua dança livre é bonita mas parece que já vimos isto 500 vezes e não se destaca em nada comparando com o que já apresentaram na sua carreira. Este par já foi capaz de apresentar uma Carmen audaciosa e danças arrebatadoras como a da temporada 2010/2011. Esta dança livre parece uma zona de conforto semelhante à da temporada 2013/2014. Simplesmente jogar pelo seguro. Tessa e Scott são fantásticos e têm capacidade interpretativa para abordar qualquer tema. Ambos estão numa fase em que não precisam de provar nada a ninguém pois têm um palmarés invejável. Porquê esta abordagem tão conservadora? Outro problema com este programa é que eles passam muito tempo com os quatro apoios, ou seja, ambos os patinadores com os dois pés no gelo. O deslizar pode ser belo à mesma mas torna as coisas mais fáceis entre elementos. Além disso é menos cansativo. Notei também que a entrada nas duas sequências de passos foi muito aberta. Claro que isto pode ser uma coisa a ser alterada no decurso da época. Estas circunstâncias teriam de ser reflectidas nas notas da perícia e das transições mas este painel de juízes assobiou para o lado. Eles não tiveram uma única nota abaixo de nove em todos os segmentos dos componentes.

Analisando em detalhe as notas referentes aos elementos técnicos, começo pelas duas sequências de passos. A sequência de passos em círculo recebeu 9.61pts e a sequência de passos na diagonal obteve 9.46pts. Ambas foram classificadas com o nível 3. O peão foi de nível 4 e permitiu-lhes amealhar 7.14pts. No que toca a figuras de elevação, eles conseguiram um total de 17.89pts, sendo que a primeira e a segunda cumpriram os critérios para o nível 4 e a terceira foi de nível 3. Os elementos coreográficos foram o twizzle (2.30pts) e uma figura de elevação (2.70pts), correspondentes respectivamente ao sétimo e nono elementos do esquema. E os twizzles? Bem, os twizzles foram classificados com o nível 3, tendo um valor base 5.60pts. Os twizzles acumularam 0.51 ao valor base graças aos graus de execução positivo. Só que Tessa cometeu um erro bem visível na primeira sequência dos twizzles. A sua qualidade e experiência fizeram com que ela conseguisse recuperar para as sequências seguintes mas o erro já estava feito e não passou despercebido. No entanto, apenas a juiz coreana Chihee Rhee marcou os twizzles com -1 na escala do grau de execução. Tivesse este elemento sido punido com grau de execução negativo, os vencedores da competição seriam os estado-unidenses Chock & Bates. É que a diferença entre a medalha de ouro e medalha de prata foi meramente de 0.82pts…

Nos segmentos dos componentes, Tessa e Scott obtiveram médias de 9.39 na perícia, 9.29 nas transições, 9.46 na performance, 9.50 na composição e 9.54 na interpretação da música/timing. A juiz russa Lolita Labunskaya atribuiu-lhes a nota 10.00 nos segmentos de composição e interpretação.

Madison Chock e Evan Bates venceram a medalha de prata mas por pouco não tinham levado o ouro para casa. Chock & Bates foram segundos classificados na dança curta mas venceram a dança livre.

A pontuação da dança curta de Chock & Bates foi de 76.21pts. Eles já mostraram esta dança curta em duas competições anteriores mas aqui no Skate Canada resultou muito melhor. Na minha opinião Evan melhorou bastante em relação às competições que já realizaram nesta temporada pois das outras vezes parecia que só Madison se destacava. Este é um sinal positivo de evolução. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam (11.43pts), os passos obrigatórios (6.03pts), os twizzles (8.06pts) e a figura de elevação (5.79pts) foram todos classificados com o nível 4. A sequência parcial de passos (9.30pts) foi de nível 3. A sua nota técnica de partida foi de 31.80 e foi melhorada para 40.61pts devido à acumulação de graus de execução positivos. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.86 na perícia, 8.71 nas transições, 8.93 na performance, 9.00 na composição e 9.00 na interpretação da música/timing. Em termos de escala de cada juiz foi curioso ver que o juiz canadiano apenas marcou 7.75 no segmento das transições e não lhe atribuiu nenhuma nota acima de 8.75. Houve também dois juízes que sugeriram que fosse aplicada uma dedução por violação das regras sobre coreografia mas a sugestão foi indeferida pelo painel do controlo técnico.

Na dança livre eles obtiveram a pontuação de 112.03pts. Arrisco a dizer que esta é a melhor dança livre da sua carreira. O tema escolhido é um arranjo da famosa música “Under Pressure” que foi celebrizada por Freddie Mercury e David Bowie. O responsável pela coreografia foi o campeão olímpico de 1984 Christopher Dean. A coreografia é bem difícil mas Madison e Evan estão já em excelente forma física e deram mais do que conta do recado. Apenas a primeira sequência de passos foi de nível 3 (9.30pts). A segunda sequência de passos (10.80pts), os twizzles (7.89pts), o peão (7.31pts) e as figuras de elevação (total de 17.44pts) atingiram o nível 4. Os elementos coreográficos foram o peão (2.30pts) e uma figura de elevação (2.40pts). A nota técnica de partida foi de 42.80pts que acabou com um total de 57.44pts devido aos graus de execução positivos acumulados. Quanto à segunda nota, as médias obtidas nos componentes foram de 8.96 na perícia, 8.96 nas transições, 9.14 na performance, 9.25 na composição e 9.18 na interpretação da música/interpretação. O juiz canadiano voltou a destoar do resto do painel e não hesitou em atribuir-lhe apenas 7.75 no segmento de perícia e a mais alta que lhes deu foi de 8.50. Esse mesmo juiz esteve em discrepância com os restantes também na atribuição dos graus de execução. Enquanto os outros juízes marcaram +3 no grau de execução de vários elementos, o juiz canadiano marcou +2 em três elementos e meramente +1 nos restantes, incluindo nos twizzles.

Pipper Gilles & Paul Poirier venceram a medalha de bronze com 2.22pts de vantagem sobre o par italiano Cappellini & Lanotte que ficaram em quarto lugar.

O juiz canadiano que já mencionei em cima continuou a fazer das suas e, pela sua escala individual, colocou o par Gilles & Poirier acima de Chock & Bates, tanto nos componentes como na execução… A nota obtida na dança curta por este simpático par foi de 72.12pts. A sequência parcial de passos (9.14pts) e a sequência de passos em que os patinadores não se tocam (8.83pts) foram classificadas com o nível 3 enquanto os twizzles (7.71pts), a figura de elevação (5.70pts) e os passos obrigatórios (6.20pts) preencheram os critérios do nível 4. As suas médias nos segmentos dos componentes fixaram-se em 8.46 na perícia, 8.43 nas transições, 8.71 na performance, 8.82 na composição e 8.75 na interpretação da música/timing.

A nota de Gilles & Poirier na dança livre foi de 110.45pts. O juiz canadiano continuou a sua saga marcando-lhe os graus de execução com +2 e +3 distribuídos por todos os elementos e, apesar dos 8.75 na perícia, deu-lhe notas de 9.00 ou mais nos restantes segmentos. Pela escala individual do juiz canadiano Gilles & Poirier ficariam à frente de Chock & Bates… Enfim. A sua coreografia para um tema de tango foi muito bem apresentada por ambos os patinadores. A composição, interpretação e performance são os pontos fortes deste par juntamente com as figuras de elevação. As duas sequências de passos receberam um total de 19.07pts e foram as ambas classificadas com o nível 3. O peão (6.97pts), os twizzles (8.14pts) e as figuras de elevação (17.87pts) atingiram o nível 4. Como elementos coreográficos, Gilles & Poirier optaram por um peão (2.10pts) e por uma figura de elevação (2.00pts). O peão coreográfico foi o quarto elemento e a figura de elevação coreográfica foi o último elemento. Nos segmentos dos componentes as suas médias foram de 8.86 na perícia, 8.89 nas transições, 9.14 na performance, 9.11 na composição e 9.25 na interpretação da música/timing.

Anna Cappellini & Luca Lanotte terminaram a competição fora do pódio e este resultado pode ter comprometido as suas aspirações à qualificação para a grande final do circuito do grande prémio que se vai realizar em Dezembro.

Na dança curta, Cappellini & Lanotte receberam uma nota de 71.08pts. Os twizzles (7.80pts), os passos obrigatórios (6.03pts) e a figura de elevação (5.79pts) cumpriram com os critérios exigidos para o nível 4. A sequência de passos em que os patinadores não se tocam foi de nível 3 e obteve 10.09pts. O seu maior problema ocorreu na sequência parcial de passos foi apenas foi classificada com o nível 1 e isso baixou-lhes o valor base do elemento. O grau de execução foi bom mas apenas lhes permitiu ficar com 5.30pts. Por causa do valor base na  sequência parcial de passos eles ficaram logo com cerca de 3 ou 4 pontos de desvantagem face aos seus rivais mais directos. Nos segmentos dos componentes, as suas médias fixaram-se em 8.96 na perícia, 8.86 nas transições, 9.07 na performance, 9.07 na composição e 9.11 na interpretação da música/timing.

Na dança livre, o par italiano ficou com 109.27pts. O elemento que mais os prejudicou foi a sequência de passos na diagonal (7.96pts) pois foi classificada com o nível 2 e, por causa disso, ficou com um valor base mais baixo do que aquilo que eles estavam à espera. No entanto, o grau de execução do elemento foi positivo. O problema foi mesmo em relação ao valor base. Os twizzles (8.31pts), o peão (6.63pts) e as figuras de elevação (17.44pts) preencheram os critérios necessários para o nível 4. A sequência de passos na circular (9.46pts) foi de nível 3. Os elementos coreográficos foram deixados para o final do esquema e foram um peão (2.10pts) e uma figura de elevação (2.80pts). As suas médias nos segmentos dos componentes foram de 9.00 na perícia, 8.82 nas transições, 9.18 na performance, 9.18 na composição e 9.29 na interpretação da música/timing.

Alexandra Stepanova & Andrei Bukin ficaram na quinta posição. Apesar de terem mostrado evolução e alguns elementos originais, a verdade é que tecnicamente eles têm de melhorar os níveis nas sequências de passos sob pena de perderam muitos pontos face aos seus adversários, tal como ocorreu aqui. A figura de elevação coreográfica na dança livre também devia ser revista para competições futuras. No que diz respeito à execução dos elementos, eles estiveram bem.


Vídeos

Virtue & Moir
Dança curta


Dança livre
Os vídeos que encontrei tinham o áudio bloqueado por causa dos direitos sobre a música.



Chock & Bates
Dança curta




Dança livre



Gilles & Poirier
Dança curta


Dança livre



Cappellini & Lanotte
Dança curta


Dança livre


Stepanova & Bukin
Dança curta


Dança livre



Hawayek & Baker
Dança curta


Dança livre



Fournier-Beaudry & Sorensen
Dança curta


Dança livre



Paul & Islam
Dança curta


Dança livre



Wang & Liu
Dança curta


Dança livre



Torn & Partanen
Dança curta


Dança livre


Resultado Final