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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Tradução de entrevista de Ksenia Stolbova

Olá a todos e bem-vindos ao blogue :)

A russa Ksenia Stolbova é uma das patinadoras mais populares e juntamente com Fedor Klimov conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos 2014, na disciplina de pares, para além de alcançar outros feitos.
O ano de 2018 tem sido particularmente turbulento para ela. Inexplicavelmente, Ksenia não fez parte da lista de atletas convidados para competir nos Jogos Olímpicos de PeyongChang, no âmbito dos problemas ocorridos com o Comité Olímpico russo. Ksenia viu-se envolvida num processo kafkiano em que foi impedida de competir sem nunca ter sido formalmente acusada de nada. Depois ela lesionou-se e não pôde participar nos campeonatos do mundo que decorreram em Milão. Ksenia afastou-se por uns tempos mas os rumores sobre o estado da parceria dela com Fedor Klimov não pararam de crescer. No Verão confirmou-se a separação. Entretanto foi noticiado que Ksenia Stolbova vai continuar a carreira na competição ao lado de Andrei Novoselov. 


Por favor cliquem no link para o artigo para ver as fotos e ajudar a jornalista: https://rsport.ria.ru/figure_skating/20180911/1141664497.html


Ksenia Stolbova
Fonte: Instagram


Tradução de entrevista

Jornalista - Em Dezembro do ano passado tu e o teu parceiro ficaram em segundo lugar nos campeonatos nacionais, foram escalados para a selecção nacional e venceram a prata nos Europeus. A partir de quando é que as coisas começaram a correr mal? Foi quando soubeste que não podias competir nos Jogos Olímpicos?

Ksenia Stolbova - Os Jogos Olímpicos são outro assunto. Mas mesmo antes de saber que eu não tinha sido convidada para PyeongChang, eu percebi que não estava feliz de todo - o ambiente esteve assim desde o início da temporada.

Jornalista - Contudo vocês eram esperados nos Mundiais em Milão. Tu falhaste esta competição porque estavas mesmo lesionada ou isso foi só uma desculpa?

Ksenia - Eu sofri mesmo uma lesão grave. Aconteceu no dia 18 ou 19 de Fevereiro; não me recordo com exactidão. Eu torci a perna duas vezes durante a execução do triplo flip - que é provavelmente o meu elemento favorito. Eu continuei a patinar por mais vinte minutos. Eu percebi que algo de errado se estava a passar com a minha perna mas decidi que iria aguentar, terminar o treino e depois ver o que era. No dia seguinte fizeram-me um exame e o diagnóstico não foi bom: o ligamento estava quase rasgado em três sítios. A perna inchou e parecia um elefante. 

Jornalista - E tu foste para a América em busca de tratamento?

Ksenia - Não. Colocaram-me um suporte e eu fiquei sozinha durante três semanas - ninguém quis saber o que se estava a passar comigo.

Jornalista - Mas houve alguma reacção por parte do teu parceiro e da treinadora?

Ksenia - Assim que a Nina Mikhailovna Mozer regressou dos Jogos Olímpicos, nós conversámos sobre a necessidade de fazer uma longa pausa. Essa foi a única coisa que nós os quatro falámos sentados - eu, o Fedor, a Nina Mikhailovna e o Vladislav Zhovnirsky, que era, de facto, o nosso treinador.

Jornalista - Qual era o significado de "longa pausa"?

Ksenia - Pelo menos meio ano. Eu fiquei confusa quando percebi que, dos quatro, três tinham tomado essa decisão: eu não compreendi, fiquei ressentida e isso somou-se à ausência recente nos Jogos Olímpicos - ainda por cima havia a minha lesão. Eu realmente não compreendi por que é que não podíamos passar os próximos meses a curar a minha perna para depois trabalharmos duramente para que o início da temporada fosse decente e não como a anterior. Eu comuniquei logo à equipa que não podia terminar a minha carreira desta maneira porque iria arrepender-me e iria sentir que desapontei a minha família, a federação de patinagem artística e os meus fãs. Portanto os meus objectivos foram  recuperar o mais rápido possível e continuar a patinar. Mas disseram-me novamente que todos precisávamos de uma pausa.

Jornalista - Quais foram as razões apontadas para a pausa?

Ksenia - Cada um deu a sua justificação. Nina Mikhailovna quis tirar algum tempo para cuidar da sua saúde. Fedor tinha os seus próprios planos e assuntos tal como Zhovnirsky.

Jornalista - Naquele momento não sentiste que eras um empecilho para os teus próprios treinadores? Que Zhovnirsky e Mozer já tinham Zabiiako & Enbert a progredir e tu, com as tuas lesões recorrentes, já não eras necessária?

Ksenia - Não vou esconder que senti isso bem dentro de mim. Mas esses pensamentos apareceram muito antes dessa conversa.

Jornalista - Chegaste a perceber por que é que não foste convidada para os Jogos Olímpicos?

Ksenia - Eu ainda gostaria muito de saber. Eu, como sempre, fui a última a saber que não fui convidada para competir em PeyongChang. Nem os treinadores nem a minha mãe me disseram - todos sabiam mas estavam com medo de me dizer. Um dos meus colegas ligou-me. Claro que fiquei chocada - posso honestamente admitir isso agora. Eu não saí de casa o dia todo. Não houve histeria mas chorei. Durante muito tempo. Até que percebi que chorar não ia adiantar nada e que ainda tinha duas semanas, por isso eu tinha de fazer alguma coisa. Pelo menos para perceber a razão pela qual não me deixaram ir aos Jogos Olímpicos. Eu fui à federação, conversei com a Nina Mikhailovna. Rapidamente me explicaram que eu não podia ir para tribunal. Foi como uma festa em que só se entra por convite e eu não fui convidada. Como é que eu podia processá-los? Por não estar na lista de convidados? 

Jornalista - Sentiste culpa naquele momento? Perante o teu parceiro e os treinadores?

Ksenia - Não, eu estava absolutamente limpa perante todos. Eu sabia, com certeza, que não havia um problema geral pelo qual eu tivesse de responder, simplesmente isso não existia. Eu só queria saber a verdade e não que o COI* mudasse a sua decisão. De qualquer forma eu já não conseguia ir à Coreia. Eu não seria capaz de continuar a humilhar-me - ter que usar aquele uniforme cinzento** como um rato. Eu estava determinada a lutar pela minha equipa mas não por mim própria. 

*Comité Olímpico Internacional

**os atletas russos que competiram em PeyongChang não foram autorizados a usar as cores da Rússia. O uniforme oficial era neutro e em cor cinzenta. 


Ksenia Stolbova
Fonte: Instagram


Jornalista - Quanto tempo é que foi preciso para curar a tua perna?

Ksenia - Estive com gesso durante três semanas, fiz sessões de fisioterapia, como me foi receitado, e a perna ficou mais ou menos boa. Depois tive umas pequenas férias porque psicologicamente estava muito cansada. Em Abril, eu estava pronta para começar a trabalhar e escrevi ao Fedor. Achei que tinha passado tempo suficiente para serenar, esfriar os ânimos e conversar as coisas com mais calma. Encontrámo-nos no rinque e eu perguntei ao Fedor se ele tinha mudado de ideias sobre a pausa de meio ano. E se ele tinha a certeza de que iria querer voltar depois dessa pausa. Ele respondeu com indiferença que não tinha a certeza de nada mas que não mudaria a sua decisão. 

Jornalista - Foi doloroso ouvir isso?

Ksenia - Na verdade não. Para mim, muito claramente, o meu cérebro começou a funcionar e as emoções foram deixadas para segundo plano. Eu sei que não sou mais uma garota, que já sofri muitas lesões e que precisava de perceber claramente se eu seria capaz de patinar ou não.  Esta foi a minha única dúvida. Quando um homem de 27 anos não sabe claramente o que quer ou o que deseja, o que é que eu posso fazer? Sim, posso dizer que eu era a força motriz, como alguns me chamavam. Mas nesse momento eu percebi perfeitamente que não queria carregar tudo sozinha. Especialmente por alguém que, desde Fevereiro, nem sequer perguntou como estava a minha perna. Se eu precisava de ajuda, de apoio.

Jornalista - Quando é que começaste a procurar um novo parceiro?

Ksenia - Não foi imediatamente. No início do Verão, eu estava a fazer reabilitação em Nova Iorque com o nosso médico Jorge - ele trabalha há vários anos com patinadores do nosso grupo. Eu recebi muito apoio da Tatiana Tarasova, que também estava nos Estados Unidos, e que disse reiteradamente que a minha parceria com o Klimov não devia acabar. Que eu devia fazer o possível para manter a parceria. Depois a Tatiana Anatolyevna regressou a Moscovo e eu comecei a treinar lentamente no rinque de Nikolai Morozov - o Jorge e outros especialistas que eu consultei deram-me "luz verde" - eles disseram que a minha perna aguentaria. Eu tive um encontro fugaz com Fedor nos Estados Unidos, porque nos encontrámos acidentalmente na mesma companhia. Nós até nos cumprimentámos e tudo. Mais tarde eu soube que ele enviou um SMS ao Kolya*: ele tinha considerado tudo e não queria continuar a patinar.

*Kolya é o diminutivo de Nikolai. Por isso ela está a referir-se a Nikolai Morozov.

Jornalista - Recomeçar uma carreira a partir do zero com 26 anos de idade, com um novo parceiro, para uma patinadora com o teu palmarés, é uma decisão difícil.

Ksenia - Isto acontece-me desde que eu tinha 14 anos - desde a puberdade. Houve uma altura em que eu decidi que estava farta de competir individualmente e que queria patinar na categoria de pares. Eu disse isso à minha mãe e ao meu treinador com toda a certeza. Podes ficar surpreendida mas eu nunca duvidei que ia encontrar um parceiro, que ia ter uma boa equipa e que as coisas iam funcionar. Quando eu me separei do meu primeiro parceiro, eu estava confiante que ia encontrar outro e que nós iríamos aos Jogos Olímpicos. Não sei porquê mas tinha a certeza. E, passados dois meses, apareceu o Fedor. Seja como for, a nossa caminhada de nove anos acabou por ser boa. 

Jornalista - Com a tua determinação, não tens pena de não ter procurado um novo parceiro mais cedo ou de ter mudado de treinadores quando começaram a aparecer os primeiros problemas no grupo?

Ksenia - Eu quis fazer isso.

Jornalista - O que é que te impediu?

Ksenia - Provavelmente a minha personalidade. Quando eu começo uma coisa é para ir até ao fim. Quando, em 2014, decidimos avançar para mais um ciclo olímpico, eu tinha de consegui-lo. Apesar das lesões, incompreensões, mentiras, intrigas e provocações - fosse o que fosse. Eu tinha de fazê-lo e isso era o mais importante. Mesmo apesar das dúvidas que eu tinha sobre a equipa e o parceiro.

Jornalista - O exemplo da Aljona Savchenko, que mudou de parceiro depois dos Jogos de Sochi e venceu os Jogos Olímpicos na Coreia com 34 anos, tem alguma coisa a ver com o que se está a passar agora contigo?

Ksenia - Nada a ver. Eu respeito muito a Aljona e felicito-a. Mas o seu exemplo não é o único - não apenas entre os atletas olímpicos e paralímpicos, mas também entre as pessoas comuns que recomeçam a vida do zero e atingem o sucesso. Se falarmos em motivação, a minha mãe motiva-me muito. E ela apoia-me nos momentos difíceis e estimula-me quando é preciso.

Jornalista - Estou a ouvir-te agora e a pensar em como estavas totalmente satisfeita com a tua vida após Sochi. O que é que te fez pensar que afinal a vida não estava a correr como tu desejavas?

Ksenia - Se calhar… Se calhar não, de certeza - a faísca foi-se. A faísca nos olhos da nossa equipa. De repente tudo se tornou mais confortável: ele comprou o carro com que tinha sonhado a vida toda, outros compraram um apartamento, uma casa de férias. Por muitos anos eu tive o sonho de comprar um apartamento e um carro para dar à minha mãe. E de repente tudo isso foi possível. Ou seja, nós todos caímos numa enorme zona de conforto, em que todos os nossos sonhos se podiam tornar realidade e onde não havia mais fome. Fome pelos resultados. Percebi que as coisas estavam a correr mal quando eu e o Fedor não fomos aos mundiais de Xangai em 2015. Antes disso, o final do programa livre nos campeonatos da Europa, em Estocolmo, não foi bem sucedido pois o Fedor caiu e perdemos para a Yuko Kavaguti e o Alexander Smirnov. Mas isso pode ser encarado como um acidente. Mas o facto de não termos ido aos mundiais e começado a trabalhar nos saltos quádruplos lançados foi, na minha opinião, um erro colossal.

Jornalista - Que eu saiba, a ideia de aprender esse elemento partiu de ti.

Ksenia - Eu não escondo que sempre quis aprender esse elemento. Eu aprendi, eu fiz isso. Simultaneamente entendi que era inútil integrar o quádruplo lançado num programa de competição. 

Jornalista - O que é que aconteceu depois, na temporada seguinte? Vocês venceram a Final do Grande Prémio, em Barcelona, com um programa brilhante mas a retirada dos campeonatos nacionais e dos Europeus parece que foi feita para vos tirar do caminho para que Volosozhar & Trankov pudessem vencer ambas as competições sem empecilhos.

Ksenia -  Posso apenas dizer que algumas coisas não me caíram bem. Logo após a Final do Grande Prémio, os treinadores disseram-nos que, como as coisas estavam a correr bem, fazia sentido abdicar dos Campeonatos Nacionais da Rússia para trabalhar no quádruplo lançado. Ou seja, ficou claro que estava a ocorrer algum jogo. Eu tentei ficar fora disso - já estava a ser suficientemente difícil dessa forma. 


Programa livre de Stolbova & Klimov na Final do Grande Prémio 2015

Jornalista - Tu e o Klimov sempre pareceram muito diferentes. Mas nessa temporada tornou-se óbvio que tinham problemas de comunicação.

Ksenia - Nós nunca a tivemos. Nós íamos aos treinos, fazíamos o nosso trabalho e sabíamos o que estávamos a fazer e porquê. 

Jornalista - Vocês discutiam muito?

Ksenia - Acontecia. Eu sou muito temperamental, emocional e perfeccionista. Não importava o quanto nós trabalhávamos, eu sempre queria fazer mais e melhor. Eu estava sempre no limite e compreendi isso.

Jornalista - E a zona de conforto que mencionaste no início da nossa conversa?

Ksenia - Demorei algum tempo a perceber que tinha de sair rapidamente dessa zona de conforto. Eu tentei que o Fedor fizesse o mesmo mas falhei. Naquela altura eu estava constantemente a irritá-lo. Nesses casos, a pessoa simplesmente coloca uma armadura e pára de compreender o que tu estás a querer dizer. Além disso houve outras pessoas que atiraram achas para a fogueira. 

Jornalista - Como é que encontraste o teu novo parceiro?

Ksenia - Na verdade foi muito simples. Eu continuei a recuperar da lesão, a patinar e, posso dizer, à espera. Eu não andei a ler os fóruns na internet, não pedi a ninguém para perguntar, não quis quebrar a parceria dos outros. Claro que eu li algumas notícias porque eu sabia que o período após os Jogos Olímpicos é sempre turbulento. Mas, no geral, as coisas aconteceram por acaso. De momento não acho apropriado falar sobre detalhes do nosso trabalho porque oficialmente o nosso par ainda não existe mas não há dúvida de que seremos capazes de patinar juntos - nem eu nem ele duvidamos disso. Provavelmente é como em qualquer relacionamento: uma pessoa simplesmente sente-se confortável com a outra ou não. Pelo olhar, pelo toque, pela maneira de falar, pelo cuidado.  Eu percebi imediatamente que não tinha de procurar mais. É claro que será necessário ajustar algumas coisas, adquirir novos hábitos, mas é um prazer. Eu estou a começar a repensar e a reaprender algumas coisas. Eu gosto de sentir a química com o novo parceiro, com o meu cérebro a trabalhar novamente. 

Jornalista - Não tens medo de não ter chama suficiente até ao fim? Que vais ficar cansada e aborrecida se os resultados não aparecerem tão depressa como tu queres?

Ksenia - Eu não tenho medo disso. Eu fiquei muito magoada. Eu amo patinar e sei o que quero. Mesmo agora, às 22h30, eu estava quase morta de cansaço e, apesar de tudo, eu gosto desta dor. Eu realmente voltei a gostar de patinagem artística. Estou por tudo. Absolutamente tudo. 



O que é que acharam da entrevista? Se quiserem mandem-me os vossos comentários aqui no blogue ou no Facebook/Twitter.
Por hoje é tudo aqui no blogue mas brevemente vou publicar mais coisas.

Fiquem atentos e boa patinagem! 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Notícias da Rússia - A caminho da semana de testes

A semana de testes na Rússia é um dos momentos mais aguardados do início de temporada e este ano não é excepção.
Durante a semana de testes, os patinadores que fazem parte do grupo de elite e os que são os principais candidatos a um lugar na selecção nacional do país tem de apresentar-se perante os responsáveis da federação russa e de um conceituado grupo de especialistas. Os testes de 2017 irão realizar-se na cidade de Sochi. Aí, os patinadores terão a oportunidade de mostrar os programas que pensam patinar para a temporada 2017/2018. Todos os programas são sujeitos a avaliação. Consoante a avaliação, os patinadores e as suas respectivas equipas técnicas terão um prazo para realizar melhorias nos programas antes de poderem competir em competições internacionais. Na semana de testes, os patinadores também terão a hipótese de apresentar algum elemento novo em que tenham trabalhado durante a época baixa.
Entretanto já se sabe que o par Ksenia Stolbova & Fedor Klimov não irão apresentar-se na semana de testes. Fedor foi submetido a uma operação cirúrgica há cerca de um mês e ainda está em recuperação, sendo que há certos elementos que ele ainda nem sequer pode arriscar, nomeadamente o twist e as figuras de elevação. Como Ksenia e Fedor têm uma justificação médica para a falta de comparência nestes testes, é possível que sejam avaliados em privado assim que for possível. Consta que este par planeia iniciar o seu calendário competitivo no Troféu Finlândia.

Fedor Klimov está a braços com mais uma lesão complicada


Quem também ficará de fora da semana de testes é o famoso par Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov. Tatiana e Maxim têm estado a patinar no espectáculo “Romeu e Julieta” produzido pela companhia de Ilya Averbukh e duvido que tenham tido tempo de preparar novas coreografias. Além disso, esta falta de comparência na semana de testes parece indicar uma coisa que já muitos suspeitam: Tatiana e Maxim não voltarão ao circuito competitivo.

Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov


Adelina Sotnikova e Julia Lipnitskaya foram figuras maiores no Jogos Olímpicos de Sochi e arrebataram corações. Quem estava à espera de vê-las na semana de testes desengane-se. Julia e Adelina não irão marcar presença. No caso de Julia, tudo aponta para o final de carreira na patinagem de competição (pelo menos como individual). Adelina continua a trabalhar sob a orientação de Evgeny Plushenko mas é possível que ainda não esteja pronta para regressar.


Adelina Sotnikova


Na categoria masculina destaca-se a ausência de Artur Dmitriev Jr. pois a própria federação impediu a sua participação! Não sei qual é a justificação para este impedimento mas espero que não seja uma punição disciplinar.


Na categoria de dança aguarda-se com alguma ansiedade a confirmação da presença de Elena Ilinykh e Anton Shibnev. 

Elena Ilinykh & Anton Shibnev
(Fonte: Instagram)

terça-feira, 17 de maio de 2016

Tradução de entrevista de Nina Mozer

A treinadora russa Nina Mozer, conhecida pelo seu trabalho com os campeões olímpicos Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov, concedeu uma entrevista interessante ao jornalista Felix Zagrebnoi. Mozer também é treinadora do par Ksenia Stolbova & Fedor Klimov e do par Evgenia Tarasova & Vladimir Morozov. Neste post podem ler a tradução de parte dessa entrevista para português. 
O link original é este: http://rsport.ru/interview/20160510/920608541.html


Entrevista com Nina Mozer

Pergunta (P) - Como é que correu a temporada? O que é que resultou e o que é que correu mal?
Nina Mozer - Foi uma época ambígua. Existem muitas perguntas que eu faço, essencialmente a mim própria. A patinagem artística mudou muito desde os Jogos Olímpicos de Sochi. Mudou no caminho de elementos mais complicados, que actualmente são o maior foco. Nós costumávamos ser ensinados não só sobre coisas profissionais mas também sobre o lado humano - a capacidade de compreender e analisar situações. Eu sei que existem desportos de coordenação como os saltos para a água, ginástica e patinagem artística. Os asiáticos estão a dominar estes desportos. Eles são velozes por natureza. Os seus músculos de velocidade são duas vezes maiores do que os dos europeus. Tudo o que tenha a ver com a rotação e coordenação rápida é muito importante nestes desportos. No que diz respeito a resultados, os que estão a ganhar são chineses nascidos no Canadá, cazaques, chineses e japoneses. Eles fazem coisas únicas. Existem coisas que nós não conseguimos fazer por natureza. O único europeu no pódio é o Javier Fernandez mas ele é latino - os latinos também são um pouco diferentes de nós. Claro que nós temos as nossas tradições mas o que é normal para as pessoas brancas é de um nível diferente. Parece que aquilo em que somos bons já não é competitivo.


P - Então por que é que as nossas meninas andam a ganhar tudo?
Nina Mozer - Como tu sabes, uma mulher russa é capaz de travar um cavalo que vai em velocidade máxima e entrar numa casa em chamas... Nós vemos uma nova campeã todos os anos porque as meninas são muito talentosas. Além disso, a mentalidade dos homens e mulheres orientais é diferente. Se o homem é um lutador, a mulher é uma dona de casa. E também há outro problema: assim que as meninas crescem e entram na puberdade elas mudam e os resultados também. Felizmente, as nossas escolas de patinagem trabalham bem e há uma longa linha de meninas que estão a crescer aqui e daí a esperança de que vamos nos manter no topo. No entanto, as americanas estão logo atrás de nós. 

Nota: fiquei estupefacta com algumas frases de Nina Mozer pois parecem um bocado preconceituosas quanto a etnias e nacionalidades....

P - A Adelina Sotnikova não conseguiu manter-se no topo depois de Sochi
Nina Mozer - Isso é algo pelo qual todas passaram. A Maria Butyrskaya, a Irina Slutskaya. Elas eram raparigas super talentosas e depois passaram por um período em que tudo desapareceu; elas voltaram como mulheres - bem formadas e a saber como lidar consigo próprias, o seu peso, a sua energia e as suas emoções. Tudo precisa de encaixar no seu devido lugar. Podem tornar-se campeãs se tudo se encaixar. Tal como na moda existem Udashkin, Versace e Dior e depois os outros que apenas cosem. É necessário ter talento natural, especialistas com quem trabalhar e a vontade do atleta. 

P - Quão difícil é treinar duas parcerias de grande nível?
Nina Mozer - É uma situação ambígua. Quando estão a patinar todos juntos e se vêem uns aos outros é estimulante. Mas eles não são parceiros de luta, porque nos parceiros de luta um é o líder e o outro está lá para puxar. Aqui todos querem ganhar. Por isso podem ver-se mas nunca patinam ao mesmo tempo. É impossível devido a várias razões que não são para aqui chamadas. Quando tu colocas dois pares iguais na pista ao mesmo tempo, acabas por prestar mais atenção a um do que ao outro mesmo sem ser intencionalmente. Quando surgiu a situação de ter diversas parcerias de topo no grupo, eu tomei a decisão de que eles não iam patinar ao mesmo tempo. Eu passarei mais tempo na pista.

P - Tu não tens um primeiro, um segundo e um terceiro par?
Nina Mozer - É complicado. Tu podes dizer isso dependendo das suas classificações. Mas é uma competição e tudo muda. Eu gosto de todos eles. A Tatiana e o Maxim estão no meu grupo há 6 anos. Eles começaram a patinar juntos no meu rinque, nós começámos este caminho juntos. Stolbova & Klimov também estão junto há 6 anos. Eles chegaram como uma equipa pronta - tinham sido sextos classificados nos campeonatos da Europa mas nunca tinham participado nos mundiais. Eles chegaram a uma equipa com um determinado sistema que lhes permitiu chegar ao topo de forma rápida. Eles tinham ambição e tudo funcionou. Eles chegaram aqui como o par n.º 4  da Rússia; eles tinham que provar que iriam representar o país de forma decente nos Jogos Olímpicos. A competição interna no país foi uma grande alavanca para eles.

P - O que é que podes dizer sobre Tarasova & Morozov?
Nina Mozer - Há uma escola nas montanhas Vorobioevy onde eu sou a treinadora principal. Estes dois cresceram nesse rinque. Eu fico muito surpreendida quando algumas pessoas dizem que eu só trabalho com atletas que já são bons. O Vladimir está comigo há mais de 8 anos. Ele veio aqui fazer testes quando ainda era um rapaz. O seu crescimento e desenvolvimento foi no rinque perante os meus olhos. Estivemos sempre perto. A Evgenia chegou como uma patinadora individual promissora mas sem muito sucesso. Ele mudou-se para a categoria de pares na nossa escola. Eu tive que convencer o treinador dela que a Evgenia era suficientemente decente para patinar e resultou! É o nosso par da casa. Esta temporada eles executaram um quádruplo twist nos nacionais. Nós tentámos um quádruplo salto lançado com o auxílio de cordas (nota: quando aprendem saltos lançados novos as patinadoras costumam estar seguradas por cordas que estão presas a uma estrutura para não caírem e não se lesionarem). É duro mas nós estamos a tentar chegar lá. 

 
Nina Mozer também é a treinadora principal do par Evgenia Tarasova & Vladimir Morozov


P - O que é que lhes falta para se tornarem líderes?
Nina Mozer - Penso que experiência. Esta é apenas a sua segunda temporada no escalão sénior. No primeiro ano eles chegaram à selecção devido às lesões dos outros. Eu fui com eles aos seus primeiros mundiais onde eles conseguiram um resultado fantástico (6.º). É um dos pares mais jovens no mundo. Este ano eles sabiam que eram os reservas. Mas mais uma vez conseguiram ir aos mundiais e foram quintos. Nós falámos sobre isso quando ainda não sabíamos que pares iriam participar nos campeonatos do mundo - haviam lesões. Eu disse-lhes que eles tinham de estar preparados para ir aos mundiais como líderes. Foi duro. Quando eu lhes disse mais ou menos a mesma coisa há dois anos, a Evgenia desligou-se. Foi como quando ela patinava sozinha - ser incapaz de mobilizar todas as suas habilidades no momento necessário. Agora ela já aprendeu. Eu sei exactamente que palavras têm de ser ditas à Evgenia Tarasova antes dela patinar. Eu não estou junto das barreiras mas sei exactamente o que lhe dizer depois do aquecimento. É muito importante.

P - Tu não estavas a planear a ida da Tatiana e do Maxim aos mundiais. Por que é que foi decidido que eles iam participar?
Nina Mozer - A competição principal foi o campeonato da Europa. Quando a selecção para os mundiais foi decidida, sucedeu que a Yuko Kavaguti estava lesionada e que Astakhova & Rogonov ficaram em sétimos nos europeus. Iam existir mais 5-6 pares fortes nos mundiais. Além disso o Fedor Klimov estava lesionado. Então a Tatiana, o Maxim e eu sentámo-nos depois dos europeus e percebemos uma coisa simples: nós podíamos ficar sem lugares suficientes nos mundiais na época pré-olímpica. Então simplesmente começámos a preparação. Não foi para nós próprios mas sim pelo país. 

Nina Mozer à esquerda com Maxim Trankov e Tatiana Volosozhar durante os Jogos Olímpicos em Sochi 2014. À direita da imagem está Stanislav Morozov que na altura era o seu assistente.
  P - A lesão do Klimov foi grave?
Nina Mozer - Nem fazes ideia. Ele quase ficou aleijado. O nosso favorito Jorje Fernandez salvou-nos. Ele foi capaz de trazer o Fedor de volta à vida. O seu ombro ficou pendurado e durante dois meses foi incapaz de levantar o braço acima do nível do ombro. Quando ele foi ter com o Jorje, este telefonou-nos e disse que os músculos do peito e os trícipites do Fedor estavam atrofiados. Nós nem sequer falávamos de continuar a carreira mas o Jorje disse que ia tentar o seu melhor. Tudo aconteceu (a evolução favorável) porque o Fedor é muito paciente. Em Novembro, ele fez qualquer coisa e não podia patinar então o nosso massagista de algum modo conseguiu trazê-lo de volta. O Fedor estava melhor mas ainda havia algo que o perturbava. Em Janeiro, quando os médicos voltaram a colocar as suas vértebras no sítio, soube-se que o nervo estava "quase morto".

Ksenia Stolbova & Fedor Klimov são treinados por Nina Mozer

P - Porquê tantas lesões?
Nina Mozer - Eles são fanáticos, todos eles querem ganhar, querem medalhas, eles têm vontade de tentar e arriscar. A disciplina de pares agora é um risco para a vida. As lesões são horríveis. Olha, na disciplina de pares quase todas as equipas de topo estiveram lesionadas nesta temporada. Especialmente aquelas que arriscaram um salto quádruplo lançado. Uma atleta americana ficou aleijada, uma das chinesas estava a patinar com -8% de visão num dos olhos, a canadiana campeã do mundo queria fazer dois saltos quádruplo lançados mas desistiu disso depois de se ter lesionado nos queixos, a Kavaguti rasgou o tendão de Aquiles fora da pista e que eu penso ser o resultado do quádruplo. Smirnov e ela tinham começado a realizar dois quádruplos. Mas o corpo não é imune.

P - Voltemos aos campeonatos do mundo. O que é que tu pensas do resultado dos nossos pares?
Nina Mozer - Alguns podem dizer que os 4.º, 5.º e 6.º lugares são um falhanço. Por amor de Deus. Sim, não houve medalhas mas os nossos pares ficaram no top 6. Claro que nós queríamos fazer melhor e lutar pelas medalhas; nós estamos habituados a estar no topo mas houveram muitas razões incluindo psicológicas. Deixa-me dizer-te um pequeno pormenor: cinco dias antes de partirmos para os mundiais, nós tivemos de mudar os patins do Maxim - o patim esquerdo estava mau, três dias antes da competição uma lâmina da Tatiana partiu-se. Então nós corremos a comprar patins novos e começamos a patinar com lâminas novas. Eu nem sei o que lhe chamar - destino, má sorte. Mas eles foram buscar a sua força interior para ir lá e lutar.

P - A Tatiana e o Maxim têm motivação suficiente?
Nina Mozer - É sempre uma pergunta difícil. Nós tentamos encontrá-la todas as vezes. Não consigo dar uma resposta mais assertiva. 

P - Há alguma certeza de que eles vão continuar a patinar até aos Jogos Olímpicos?
Nina Mozer - Só Deus sabe. Os pensamentos estão a mudar. Nós assumimos e Deus decide. A vontade existe mas existem coisas que não dependem de nós. Depois desta temporada, em que enfrentei tantos problemas, eu não posso ter a certeza. 

P - Quais são os objectivos dos teus três pares para a próxima época?
Nina Mozer - Nós vamos discutir isso. O seu principal objectivo é vencer, serem competitivos e efectuar os elementos de grande nível. Este ano vou deixá-los decidir eles próprios o que querem fazer. Coreógrafos diferentes. Só a Ksenia e o Fedor é que estão a trabalhar com o Nikolai Morozov. O resto é segredo.

P - Tens seguido os júniores?
Nina Mozer - Este ano não mas no próximo sim. Eu tenho dois pares interessantes: Albina Sokur & Roman Pleshkov e outro par novo interessante - Daria Loboda & Daniil Parkman. Eles podem tornar-se num par ideal. Eles têm três saltos triplos diferentes. Isso é uma coisa séria na disciplina de pares.

sábado, 5 de março de 2016

Notícias da Rússia

O par Ksenia Stolbova & Fedor Klimov foi impedido de treinar normalmente durante várias semanas. Klimov sofreu uma lesão no nervo raquidiano e não tem podido treinar as figuras de elevação nem o twist. Eles tiveram de desistir da participação nos campeonatos da Europa 2016 por causa disso. Apenas no final do mês de Fevereiro é que foi possível a este par retomar o regime normal de treinos. No entanto, ainda não é certo que Stolbova & Klimov irão conseguir competir nos mundiais 2016. 
Kristina Astakhova & Alexei Rogonov não foram inicialmente escalados para a selecção nacional russa para os mundiais 2016. No entanto, o seu treinador Artur Dmitriev confirmou à imprensa que Astakhova & Rogonov continuam a treinar para a eventualidade de terem de substituir Stolbova & Klimov nos mundiais.

Fedor Klimov & Ksenia Stolbova

Recentemente, o promissor jovem Adian Pitkeev mudou de treinadora. Ele estava a ser treinado por Eteri Tutberidze mas agora mudou-se para o clube CSKA de Moscovo. A sua nova treinadora é Elena Buyanova que também é responsável por Maxim Kovtun e Adelina Sotnikova. 
Quanto a Sergei Voronov, ele tem estado a recuperar de uma pequena lesão no tendão de Aquiles. Pelos fóruns russos correm os rumores que ele também deixou o grupo de Eteri Tutberidze. No entanto, esta informação ainda não foi oficialmente confirmada. 

Sergei Voronov








sábado, 2 de maio de 2015

Notícias do cupido :)

Ksenia Stolbova e Ivan Righini assumiram que são namorados. O patinador italiano de origem russa confirmou a notícia no site ask.fm em resposta aos fãs. 
Ksenia Stolbova aproveitou esta paragem nas competições para mudar o visual. A patinadora russa pintou o cabelo de loiro. 

Ksenia Stolbova & Ivan Righini

domingo, 8 de março de 2015

Notícias da Rússia

Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov
Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov vão casar! A notícia foi confirmada numa entrevista que eles concederam a uma publicação russa. Nessa entrevista também deu para perceber que eles esconderam a sua relação do público durante bastante tempo (embora muita gente já desconfiasse :P ) Entretanto, o par tem participado em alguns espectáculos nomeadamente na digressão Art on Ice, onde contaram com a presença de Nelly Furtado a cantar ao vivo durante a sua prestação. Eles também têm estado ocupados com a preparação da sua escola de patinagem em Sochi (Rússia). No início do mês ficou a saber-se que o treinador Alexei Urmanov vai abandonar a escola de São Petersburgo para se mudar para a escola de Tatiana e Maxim. Infelizmente não poderemos vê-los em competição nesta temporada. Maxim já está melhor do seu ombro mas eles ainda não estão em forma física que lhes permita competir nos mundiais de 2015. Em princípio, eles deverão começar a preparar a próxima temporada a partir de Julho/Agosto 2015.



Tatiana Volosozhar & Maxim Trankov
Ksenia Stolbova & Fedor Klimov surpreenderam toda a gente ao abdicarem do seu lugar na selecção nacional russa para os mundiais de 2015. Este par teve um início de época fabuloso mas cometeu erros inesperados durante os campeonatos da Europa. Foi notório que Stolbova & Klimov ficaram muito desapontados com a medalha de prata nos Europeus. 
Ksenia Stolbova & Fedor Klimov
A justificação apresentada para esta desistência foi a de que eles querem começar já a preparar a próxima temporada e estão a treinar novos elementos. Especula-se que eles estejam a treinar a combinação de saltos lado-a-lado triplo toe loop-triplo toe loop-duplo loop e que estejam a trabalhar em incluir dois saltos lançados quádruplos no programa livre! Se eles já estavam a trabalhar nestes elementos ao mesmo tempo que estavam a treinar para as provas desta temporada, é possível que isso tenha destabilizado os timings de entrada bem como a conjugação de forças. No entanto, eles não se livraram de algumas criticas de alguns fãs russos pois Stolbova & Klimov são os actuais vice-campeões olímpicos e mundiais e recebem fundos públicos para treinar. Esses críticos acham que Stolbova & Klimov estavam obrigados a ir aos mundiais este ano porque receberam esses fundos precisamente para competir. 
Kristina Astakhova & Alexei Rogonov (que apenas estão juntos desde o Verão de 2014) ficaram com o lugar de Stolbova & Klimov na selecção nacional para os mundiais 2015. 

Ksenia Stolbova & Fedor Klimov


Assim sendo, a selecção nacional russa para os mundiais de 2015, na categoria de pares é composta por Yuko Kavaguti & Alexander Smirnov, Evgenia Tarasova & Vladimir Morozov (estreantes) e Kristina Astakhova & Alexei Rogonov (estreantes). 
Mesmo sem estarem a ser indicados para poder lutar pelas medalhas, a verdade é que Astakhova & Rogonov têm estado a dar nas vistas nesta temporada muito graças ao fantástico tema coreográfico "Master and Marguerita" do seu programa livre. 


Kristina Astakhova & Alexei Rogonov




sábado, 22 de novembro de 2014

GP Troféu Eric Bompard 2014 - Pares (Final)

GP TROFÉU ERIC BOMPARD 2014

CATEGORIA DE PARES


RESULTADO FINAL


1.ºKsenia Stolbova & Fedor Klimov

Rússia
209.81pts

2.ºWenjing Sui & Cong Han

China
200.68pts

3.ºXuehan Wang & Lei Wang

China
181.97pts

4.ºAlexa Scimeca & Chris Knierim

EUA
179.32pts

5.ºVanessa James & Morgan Ciprés

França
167.88pts

6.ºNicole Della Monica & Matteo Guarise

Itália
161.13pts

7.ºKirsten Moore-Towers & Michael Marinaro

Canadá
159.13pts

8.ºMiriam Ziegler & Severin Kiefer

Áustria
138.92pts


COMPARANDO PARES

I) Elementos técnicos




PAR

SALTOS

LADO A LADO

SALTOS

LANÇADOS

TWIST

FIGURAS

ELEVAÇÃO


Stolbova & Klimov

11.63

13.20

6.30

20.80

Sui & Han

10.30

12.90

8.89

20.33

Wang & Wang

4.69

12.80

6.90

20.06

Scimeca & Knierim

7.73

12.10

7.30

19.60

James & Ciprés

12.30

10.20

5.20

17.33




PAR

ESPIRAL

DA MORTE

PEÕES

SEQ.

COREO

Stolbova & Klimov

5.10

9.14

2.90

Sui & Han

4.70

9.00

3.30

Wang & Wang

5.00

7.36

2.60

Scimeca & Knierim

3.70

8.57

2.70

James & Ciprés

3.20

7.36

2.00


II) Componentes




PAR

SS

TR

PE

CC

INT

Stolbova & Klimov

8.71

8.39

8.86

8.68

8.82

Sui & Han

7.96

7.71

8.21

8.04

8.07

Wang & Wang

7.50

7.18

7.46

7.46

7.46

Scimeca & Knierim

7.36

7.11

7.39

7.43

7.32

James & Ciprés

7.14

6.75

7.14

7.07

6.96

SS = Perícia   TR = Transições
PE = Performance/Execução
CC = Coreografia   INT = Interpretação

BREVE COMENTÁRIO
Ksenia Stolbova & Fedor Klimov venceram o seu segundo grande prémio da temporada com um programa livre impecável do ponto de vista da execução. Nos segmentos dos componentes do programa eles superiorizaram-se a todos os outros pares, com médias entre 8.39 e 8.86. Em termos de escalas individuais de cada juiz, houve dois juízes que lhe atribuíram 9.25 no segmento de performance/execução enquanto um terceiro juiz lhe deu 9.50. Todos os elementos técnicos obtiveram grau de execução positivo com diversos +1, +2 e alguns +3 nas escalas individuais dos juízes. O twist foi de nível 2, a espirtal da morte e o peão de par foram classificadas de nível 3, sendo os restantes elementos de nível 4. 
Sui & Han impressionaram com a execução de um quadruplo twist de nível 2. Todo o programa foi bom mas a combinação de triplo toe loop-duplo toe loop-duplo toe loop foi punida com grau de execução negativo devido à falta de sincronismo entre os dois parceiros. A execução do peão lado-a-lado e do triplo salchow lançado (ela teve uma hesitação com a perna livre na recepção do salto) foi mediana. A segunda figura de elevação foi de nível 3 assim como a espiral da morte. Em comparação com Stolbova & Klimov, Sui & Han levaram vantagem no quadruplo twist e na sequência coreográfica. Em termos de segmentos dos componentes do programa, a sua melhor média foi a de performance/execução com 8.21. Parece-me que se Sui & Han conseguirem melhorar um pouco a definição das suas linhas corporais, este programa ganhará um outro impacto visual que os ajudará nos componentes. 
Wang & Wang perderam imensos pontos nos saltos lado-a-lado e isso fê-los ficar em quarto lugar no programa livre. No entanto, graças à sua classificação no programa curto conseguiram vencer a medalha de bronze. Nos saltos lançados e nas figuras de elevação eles estiveram taco a taco com Stolbova & Klimov e com Sui & Han. No programa livre, eles demonstraram alegria, leveza e um estilo cativante ao som da banda sonora do filme "My Fair Lady". 
Scimeca & Knierim tiveram um bom programa livre em que apenas a combinação de duplo axel com duplo toe loop foi punida com grau de execução negativo. O triplo twist de nível 4 foi dos melhores momentos do programa. Eles também estiveram fortes nas figuras de elevação (todas de nível 4) e nos peões. 

VIDEOS

Stolbova & Klimov

Sui & Han

Wang & Wang

James & Ciprés

Della Monica & Guarise